quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

A retroescavadora (e o seu efeito íman)

Descobri uma coisa muito interessante. Tudo começou assim:
O parque de estacionamento do meu local de trabalho está em obras. Retiram-se raízes de árvores por debaixo do chão, colocam-se umas luzes todas bonitas e modernas, mantém-se a (maldita) calçada à portuguesa! Ora, isso requer muitos trolhas, martelos e outros aparelhos da profissão que desconheço (ah, santa ignorância!). E requer também uma retroescavadora.
Assim, pude concluir que um local em obras com retroescavadora é um local de encontros. Ora se juntam os miúdos a verem a máquina em acção, ora são grupos de homens que, junto à mesma, mantêm amenas cavaqueiras. Durante todo o dia!! Dá a sensação de, durante este período, trocarem os bancos de jardim e as cartas pelo local da retroescavadora. Aí é que está a emoção!!
Nunca me passaria o tal pela cabeça mas, após uma semana de contínua repetição, dou este facto como quase cientificamente comprovado!
Está-se sempre a aprender...

quarta-feira, 20 de dezembro de 2006

Post natalício*




* Ou: O único post natalício deste blog

Actualidades

Ataque

"A Associação Sindical de Juízes considera que não pode haver crime de violência doméstica quando um casal é composto por duas pessoas do mesmo sexo.
Pedro Albergaria, um dos autores do parecer, citado hoje pelo "Diário de Notícias", considera que, não estando previsto no Código Civil o casamento de pessoas do mesmo sexo, não se pode estabelecer no Código Penal que a violência entre casais homossexuais constitua um crime específico dos relacionamentos conjugais ou paraconjugais. De acordo com este juiz, também "não está minimamente demonstrado que estas situações [de violência] existem", sendo que o legislador deve legislar sobre o que geralmente acontece e não sobre o que pode acontecer." (...)

Contra-ataque

"O coordenador da Unidade de Missão para a Reforma do Código Penal, Rui Pereira, discorda do parecer da Associação Sindical de Juízes e lembra que "há pessoas do mesmo sexo a viver em união de facto", uma situação que a lei já prevê, algo que Pedro Albergaria confessa não ter levado em conta no seu parecer." Se há violência nessa relação, a tutela jurídica não pode fechar os olhos", afirma Rui Pereira. "Além disso, o crime em causa envolve violência física e psíquica, e não é necessariamente o mais forte fisicamente que maltrata o outro. Aliás, por esse ponto de vista nenhum homem poderia apresentar queixa por levar pancada de outro homem em qualquer circunstância, ou uma mulher por ser agredida por outra mulher", esclarece ainda Rui Pereira."

In Público on line

terça-feira, 19 de dezembro de 2006

Quero ver os peixes a bailar

"Esta noite quero cantar
Dançar e voar
E, quero ver luzes muitas
Quero ser um pássaro.
Quero ver os peixes a bailar
E as ideias a gritar
Quero voar, voar até ver.
O mar pegar o fogo
O tempo incendiar até à luz
A luz me cegar e eu voltar para o meu lugar..."


Entre Aspas

Se...

Se Cavaco Silva admite que existe um "certo atraso" no julgamento do processo Casa Pia, será que podemos defender que uma mulher prestes a dar à luz sofreu um "certo atraso" no período?

segunda-feira, 18 de dezembro de 2006

Inquietação

do Lat. inquietatione


s. f.,
estado de inquieto;
apoquentação;
excitação;
nervosismo;
preocupação;
sobressalto.

Círculos. Círculos. Círculos.
Tudo o que vejo são círculos.
Quadrados, rectangulares,
redondos também.
Ir e vir. Nascer e morrer.
Adormecer e acordar.
Partir e voltar.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

Alguém me compreende...

Teresa Paiva, neurologista e especialista em medicina do sono, veio defender que se deve acordar depois das seis da manhã, considerando que quem acorda muito cedo tem mais probabilidade em ter um acidente de viação ou várias doenças. Diz a mesma que «O problema não é só o número de horas que se dorme, mas também as horas a que se acorda».

Finalmente!! Alguém que é entendido na matéria vem defender o que eu defendo desde sempre!!

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

As 7 maravilhas de Portugal

Está a decorrer a votação para se apurar quais são as 7 maravilhas de Portugal.


Aqui vai a minha lista:

Manel Cruz



Ricardo Araújo Pereira


Joaquim



Jorge Palma


Vítor Baía

José Fidalgo


José Mourinho





terça-feira, 12 de dezembro de 2006

Adeus

Encontraram-se ao final da tarde. Era a hora do dia de que mais gostava. Quando o dia ainda não é noite e a noite já começou.
Entrou no café quase vazio àquela hora. Apenas um casal de idosos a beber chá e um homem, trinta e cinco anos talvez, a ler.
Viu-o na mesa do canto com vista sobre a rua. Engraçado, pensou, aquela seria a mesa que teria escolhido. Nunca gostava de se sentar no centro, onde fosse difícil não ser notada. Gostava de se sentar em mesas discretas, escondidas até.
Aproximou-se devagar, como se isso adiasse aquele momento. Pelo menos gostaria que assim pudesse ser.
- Estás bem? - perguntou-lhe, quando a notou.
- Preferia não estar aqui.
Sorriram um triste sorriso cúmplice.
Falaram de saudades que ainda não existiam mas que eram sentidas já. De momentos perfeitos que só ocorrem quando as pessoas se querem muito. Falaram das birras e amuos. Riam-se agora: como coisas tão graves ou importantes no passado são apenas brisa que corre lá fora. Tentaram suspender aquele momento. Deixá-lo ali, quieto, parado, presente. As horas passaram em minutos.
Quando ela sentiu que não ia durar muito mais olhou-o, bem no fundo dos olhos, e perguntou:
- Tens mesmo de ir?
Ele respondeu que sim. Não precisou falar. Baixou os olhos na mesa e acenou.
- Nunca vamos perder isto, pois não?
- Claro que não! Daqui a uns dias já cá estou - respondeu ele, com uma falsa certeza na voz.
Levantaram-se. Abraçaram-se. Forte. Tão forte...
E ele saíu. Sem olhar para trás.
E ela ficou a observá-lo pelo embaciado da emoção das despedidas. Sabia que nunca mais iria voltar a vê-lo.
O tempo deu-lhe razão...

segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

Hoje sinto-me assim...


Deixo-me cair bem fundo... Ou talvez só até ao fim de mim mesma...
Descubro-me o silêncio, apaziguado por lágrimas de libertação...
Fortes, incontidas, necessárias...
A tristeza parece-me o único sentimento existente no mundo... no meu mundo...
Enche-o de cinzento e de vazio e de solidão... De vontade de não ter vontade...
De nada querer... de nada esperar...
As horas passam como se não passassem... Como se o relógio me levasse para trás...
Mas depois... ainda que lentamente... depois de não ter o que mais chorar...
começo a levantar-me devagar... bem devagar... e sei que são estes momentos que me dão força para continuar a ser quem sou... De me levar eternamente a ser quem sou...

quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

Batem leve, levemente,

como quem chama por mim...

Será chuva? Será gente?

Gente não é certamente...

E a chuva não bate assim...

Fui ver...

Era a porra da falta de inspiração!

Eu vou ser uma estrela de cinema

O realizador Lars Von Trier prometeu uma recompensa de 4.000 €, e um papel como figurante no seu próximo filme, a quem decifrar o enigma incluído em «Direktoeren for det hele» ("Director para tudo"), a sua última película.
Portanto, se no próximo filme do senhor virem uma mulher portuguesa, maravilhosa, qual Bjork saltitando de nenúfar em nenúfer... é porque sou eu!!

segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

Constatações IX

Quando era mais nova imaginava que os velhos praticamente não cometiam erros. Porque tinham muita experiência... Hoje concluo que todos os velhos continuam crianças também: nas inseguranças, nos erros, nas dúvidas e ansiedades... E aí nunca o deixamos de ser, pois não?

"Jogo de Espelhos"...

... é o nome de uma reportagem de Margarida Metello, que a RTP transmitiu na 6ª feira passada (obrigada RTP; afinal ainda existem programas telivisivos de verdadeiro serviço público). A citada reportagem versava sobre a morte de Gisberta, atirada a um poço depois de ter sido espancada, no dia 22 de Fevereiro. Por um grupo de 13 menores.

Fiquei a saber um pouco mais sobre a vida de Gisberta, desde o tempo em que saíu do Brasil até ao seu auge, na década de 80. E, a partir daí, a sua dura decadência.

Fiquei a saber um pouco mais do B.I. destes jovens: pais alcoólicos, mães prostitutas e/ou toxicodependentes, maus tratos, falta de amor, etc., etc.

Compreendi porque é que aqueles jovens se comportaram assim, segundo os entendidos: eles fizeram aquilo que com eles, as pessoas que mais os deveriam ter respeitado (os pais) fizeram: maltraram-nos, desrespeitaram-nos, magoaram-nos. E fizeram aquilo a quem podiam ter feito: a alguém mais frágil do que eles, a alguém que deveria ser banido da sociedade, tal como eles. No fundo, a eles próprios. Daí o nome da reportagem...

Triste, não é?

Olhar-te nos olhos...

(sabes que nos teus olhos vejo o mar?)

Beijar-te com os olhos...

(sabes que é possível trocar beijos deliciosos só com o olhar?)
Aproveitei o fim de semana longo para ver filmes que há muito me pediam para ser vistos.

Hard Candy, de David Slade, é forte... muito forte... E labiríntico... "A personagem central deste filme de suspense é Hayley (Ellen Page), uma rapariga de 14 anos, inteligente, mas que comete um erro que pode ser fatal. Marca um encontro num café com um homem mais velho que conheceu na internet. Jeff (Patrick Wilson) tem 30 anos, é fotógrafo de moda, elegante, perspicaz e sedutor, mas Hayley não deveria ter-lhe sugerido que fossem para o apartamento dele...Uma vez lá chegada, a adolescente encontra uma garrafa de vodka e começa a fazer misturas. Pelo meio, sugere-lhe que faça uma sessão fotográfica e despe-se. Para Jeff tudo parece correr às mil maravilhas até ao momento em que começa a ficar com visão turva, sente as pálpebras a fecharem-se e adormece...Quando acorda está amarrado e completamente imóvel, com Hayley a querer que confesse os seus pecados. E é bom que o faça depressa, porque ela aprendeu muita coisa na internet e tem um plano... Dois actores confinados ao espaço de uma casa guiam (ou desorientam?) o espectador durante os 100 minutos que dura esta aventura. Afinal quem é a vítima aqui (se é que existe uma)?"



Breakfast on Pluto, de Neil Jordan, é um filme que podia ser canção. Porque é melodioso, livre. Perfeito nos compassos. Em que até os passarinhos falam. Não se pense, no entanto, que por isso é fantasioso ou superficial... Conta-nos a história de Kitten, uma mulher que nasceu homem, filha de um pai que é padre e uma mãe que a abandonou... E esta descrição já bastaria para deixar antever um drama complexo e choramingas... Nada disso... Este filme é muito mais do que isso... Uma lição de verdade e liberdade... E de coragem... E de beleza... E de vida... Obrigatório.



terça-feira, 28 de novembro de 2006

Hoje sinto-me assim... *



* Ou: o Natal está quase aí...

segunda-feira, 27 de novembro de 2006

Bombástico!!

Esta foi a frase maravilhosa que ouvi, enquanto tomava um café, saída da boca de um senhor num avançado estado alcoólico: "Quem inventou a cerveja foi Jesus Cristo."
Ok, resta saber de qual marca, acrescento eu.

quarta-feira, 22 de novembro de 2006

Conceito:

BIOGRAFIA

"Mas a quem pertence o direito de resumir a nossa vida a um pedaço de texto? Quem pode afinal escrever meia dúzia de linhas sobre o que fomos, como vivemos, o que vivemos?"



Autor desconhecido

(pelo menos para mim)

Constatações VIII

Os sketches d' "A Revolta dos Pastéis de Nata" são hilariantes!!

terça-feira, 21 de novembro de 2006

(Sobre)vivência

Tenho conhecido pessoas que têm um qualquer problema com a vida. Ou com elas próprias. Porque estabelecem padrões tão altos de vivência que depois acabam por nada viver. Porque nunca nada está bem. Porque têm aquela ideia de que as coisas só acontecem aos outros ou só acontecem aonde os outros estão. E este espírito de auto-comiseração cansa-me!! Este ai que eu sou tão coitadinho arrelia-me para além dos limites da minha paciência (e eu já tive muita... vai-se esfumando com o tempo...).
Já tentei ajudar pessoas assim. Tentei mostrar-lhes que não nos acontecem coisas boas se andarmos sempre a procurá-las, insistentemente, ferozmente, como numa corrida em que queremos ultrapassar em primeiro lugar a meta. Já tentei explicar que a felicidade ou, de uma forma mais comedida, o bem-estar, parte de nós, não nos aparece qual fada dos dentes num sonho de criança. Já insisti no facto de que quem nada procura mais facilmente acaba por encontrar.
Desisti!! Porque cheguei à conclusão de que este tipo de pessoas não quer, verdadeiramente, ter uma vivência serena e tranquila. Alimentam-nos os filmes de depressão...
Desisto!! Sejam muito infelizes então!!

quinta-feira, 16 de novembro de 2006

Constatações VII

Tal como me irritam as pessoas elitistas, irritam-me também os bloggers elitistas!

quarta-feira, 15 de novembro de 2006

Hoje sinto-me assim...

Como é que é possível?!?

"A


MAIORIA


DOS


PORTUGUESES


NÃO



UM


LIVRO


POR


ANO."


in Diário Digital

Bom dia

Sair da cama e ouvir Don't get me wrong, dos The Pretenders, só pode ser um prenúncio de um belo dia. Porque é rara a ocasião em que o meu humor matinal me deixa cantar e dançar tão cedo...

terça-feira, 14 de novembro de 2006

Um ano depois...

Hoje recebi um mail que tinha por título "De ti para ti". Estranhei, mas como não tinha vírus decidi abrir. Continha o seguinte texto: "Olá linda!!É só para te dizer que espero que estejas a calcar o teu caminho, aquele com que vinhas sonhando...É para te dizer também que espero que não tenhas mudado muito, pelo menos ao nível dos sonhos, honestidade, vontade. PS.: Independentemente de como estejas, amo-te muito!! :)". Fiquei a olhar para o texto, a tentar compreender quem me teria escrito. Depois, procurando nos detalhes do remetente é que me consegui lembrar. Este texto foi escrito por mim, há exactamente um ano, para mim, através de uma proposta que me enviaram por mail. O intuito era exactamente este!! Escrever qualquer coisa para mim e receber o texto um ano depois.
A sensação é boa e engraçada ao mesmo tempo. E o que mais me agrada é que continuo a calcar o meu caminho, embora por vezes tenha pisado trilhos que não conhecia ou não esperaria, e penso que continuo fiel aos meus sonhos, honestidade e vontade...
Uma boa forma de me colocar um sorriso genuíno, grato, na face.

Finalmente alguém faz alguma coisa!

“Um colectivo internacional de advogados apresentou hoje, na Alemanha, uma queixa contra o antigo Secretário da Defesa norte-americano, Donald Rumsfeld, por ter justificado o uso da tortura contra prisioneiros de guerra no Iraque e em Guantanamo.”

In Diário Digital

segunda-feira, 13 de novembro de 2006

Favores em Cadeia


Ontem tive a oportunidade (e o privilégio) de rever este filme, de Mimi Leder, na RTP 1. A fazer-me lembrar que Kevin Spacey, Helen Hunt e Haley Joel Osment são grandes actores. A fazer-me chorar baba e ranho, especialmente no final. A fazer-me acreditar que estas coisas podem mesmo acontecer, se nos esforçarmos minimamente. Que pessoas podem mudar o rumo de outras. A fazer-me acreditar que o mundo pode ser um sítio melhor. Porque o mundo não tem de ser uma merda...

sexta-feira, 10 de novembro de 2006

É o que se consegue arranjar!!!

Um dos convocados de Scolari para o jogo de 4ª feira frente ao Cazaquistão chama-se Tonel (diz-se Tónel!!). Como é que pode uma selecção ir longe com jogadores com estes nomes??
O jogador afirmou, surpreendido, que "não estava à espera de ser chamado." Pois... Eu também não esperava que ele se chamasse assim...


Que a dependência é uma besta

Que dá cabo do desejo

E a liberdade é uma maluca

Que sabe quanto vale um beijo…”



“A gente vai continuar” – Jorge Palma

quinta-feira, 9 de novembro de 2006

"Quais são as tuas palavras essenciais?

As que restam depois de toda a tua agitação

e projectos e realizações.

As que esperam que tudo em si se cale

para elas se ouvirem.

As que talvez ignores

por nunca as teres pensado.

As que podem sobreviver quando o

grande silêncio se avizinha."

Vergílio Ferreira

Constatações VI

Não consigo ter uma relação de verdadeira entrega com a Internet! Chamem-me antiquada...

Curiosidades

Cientistas espanhóis desenvolveram um novo tomate geneticamente modificado, azul, que tem uma série de proteínas que não podem ser encontradas no tomate comum. A sua cor tem por objectivo permitir a distinção de um tomate normal.
Ora aqui está uma excelente ideia para dar um toque original às nossas saladas!!

segunda-feira, 6 de novembro de 2006

Vivo. Tão plenamente que por vezes me assusto... Porque viver plenamente é como andar de montanha russa: impróprio para quem tem um sopro no coração. Felizmente que o meu parece bater forte e preparado para as batidas deste caminho...
Não consigo reconhecer-me que não assim. Porque já não seria eu, mas outra qualquer. E gosto tanto desta dureza, que me ajuda a encontrar-me todos os dias...
E é tão boa a sensação de me saber quem sou. De me ter nas mãos e de me levar aonde quero ir.
Acaba por ser tão simples: sinto que só tenho de ir até onde me quero levar...

quinta-feira, 2 de novembro de 2006

"A tristeza é um livro sábio que se tem no coração
e que nos diz centenas de coisas -
impede-nos de apodrecer
como um cogumelo debaixo de uma árvore;
pouco a pouco vai fabricando
uma provisão de ensinamentos para a vida."

Juliusz Slowacki



Hoje sinto-me assim...

Acordo mas quero continuar a dormir. Levanto-me mas gostaria de me deixar cair. Só. Dura. Inerte. Sentir-me no aconchego da queda. Procurar-me. Para me voltar a perder. Mas em mim. Só em mim.
Alimentar-me de ar e de saudade. E querer. E esquecer.

segunda-feira, 30 de outubro de 2006

Constatações V

Passo-me com aquelas pessoas que, estando fartas de saber quem eu sou, só se decidem a cumprimentar-me quando, por uma qualquer causa, estão mascaradas.
Nessas alturas só me apetece dizer: "PALHAAAÇOOO!!!"

sexta-feira, 27 de outubro de 2006

Ontem, pelos vistos, foi assim...

"Muse no Campo Pequeno : Grupo novo rock
Os Muse provaram no Campo Pequeno porque razões conseguem ser uma das forças catalisadoras de adrenalina dentro do «rock’n’roll». Com discos melhores ou piores, é em palco que Matthew Bellamy e companhia mostram o seu virtuosismo.



A passagem dos Muse por Portugal é sempre mais do que um simples regresso para apresentar um novo disco. «Black Holes and Revelations» é porventura o disco menos inspirado da sua carreira o que em momento algum se reflectiu no espectáculo.
Mas não por acaso, o concerto do Campo Pequeno foi mais uma antologia em que couberam confortavelmente «New Born», «Plug in Baby» ou «Time is Running Out» do que uma amostra do último álbum.
A renovada Praça de Touros deu lugar a um palco de dimensões avultadas onde os três músicos nunca se perderam no meio de arranjos tecnológicos e pirotecnia de conta bancária cheia. Um complemento perfeito entre som e imagem, sem nunca cair no exagero.
Se dúvidas tivessem sido levantadas por uma inversão «disco» no percurso dos Muse, a actuação que apresentaram devolveu a banda ao território que lhe pertenceu, o do rock. Com direito a psicadelismos, extravagâncias mas acima de tudo, grandes canções plenas de músculo e pujança. Um dos concertos de 2006."


Davide Pinheiro in Diário Digital

terça-feira, 24 de outubro de 2006

Menina-mulher

A mãe chamava-a mas ela não ouvia. Adorava brincar às mulheres. Vestia e despia as saias, os tops, os vestidos de Verão da tia. Calçava sandálias de tiras. Punha lenços na cabeça. Tirava-os. Piscava o olho entre uma muda de óculos de sol. Imaginava-se numa passerelle. O espelho aplaudia. Sorria. Fazia poses de estrela. Dançava ao sabor da imaginação. Adorava a profusão de cores das roupas espalhadas pelo quarto. Em cima da cama. No chão. Queria crescer. Dava voltas por entre tiques de sedução. Passava tardes inteiras assim. Colocava brincos e anéis e pulseiras. Os lábios de um vermelho muito vivo e desalinhado. Os olhos de verde e roxo e esperança. Punha, tirava, apertava. Passava tardes inteiras assim...

Aborto

A questão do aborto ou, melhor dizendo, da sua liberalização, volta a estar na boca da opinião pública. Novo referendo, do qual se espera resultar a maioria do sim.
Sou a favor da sua liberalização. E irritam-me um pouco os argumentos defensados por aqueles que não concordam. A sua frase fétiche - "Nós somos pelo sim à vida" (ou algo parecido) - enerva-me profundamente. Porque eu também sou pelo sim à vida. E não, não sou a favor do aborto, mas sim da sua liberalização, o que não é bem a mesma coisa.
O que mais me chateia, no meio de tudo isto é o cinismo. A hipocrisia. Porque ao liberalizarmos o aborto não estamos a incentivar a sua prática. Apenas a permitir que as mulheres o façam em segurança.
Os defensores da moralidade e dos bons costumes são pelo sim à vida. E em relação às mulheres que morrem devido à prática de abortos clandestinos, já não o são? E em relação às mulheres que ficam com mazelas para o resto da vida que não lhes permitirá voltar a ter filhos? Já não se coloca a questão do sim à vida?
Peço desculpa pela frontalidade mas O ABORTO EXISTE! Quer seja ou não aprovada a sua liberalização.
Não será melhor, então, pararmos de enfiar a cabeça na areia?

Constatações IV

DETESTO DENTISTAS!!!

quinta-feira, 19 de outubro de 2006

Susto

Antes do almoço, estava a actualizar a leitura das notícias na Internet, quando leio uma notícia que me dá uma enorme vontade de chorar. Gritar. Partir objectos.
No entanto, recorri àquele velho exercício de contar até 10. Respirei fundo e decidi ir almoçar mais cedo.
Agora, que já um tempo passou, que já me sinto mais calma, decido partilhá-lo. No entanto, aviso, leiam devagar (caso contrário podem ter um colapso nervoso). Respirem fundo. Contem até 10, mesmo antes de ler. E depois de o fazerem, voltem a respirar fundo e, aconselho, contem até 20. Ou 30. Ou até onde precisarem.
Aqui vai: Os Delfins, essa maravilhosa banda portuguesa que desvirtua completamente a "essência" dos animais com o mesmo nome, encontra-se a gravar um novo álbum. O primeiro em 5 anos. E mais: a obra prima que daí resultar sairá para o mercado no início do próximo ano. Ai, que tenho medo...
Meu Deus, que terei eu feito de tão mau?
O que terá a humanidade feito de tão mau para ser castigada assim?

Reflexões

"Procede deste modo, caro Lucílio: reclama o direito de dispores de ti, concentra e aproveita todo o tempo que até agora te era roubado, te era subtraído, que te fugira das mãos. Convence-te de que as coisas são tal como as descrevo: uma parte do tempo é-nos tomada, outra parte vai-se sem darmos por isso, outra deixamo-la escapar. Mas o pior de tudo é o tempo desperdiçado por negligência. Se bem reparares, durante grande parte da vida agimos mal, durante a maior parte não agimos nada, durante toda a vida agimos inutilmente.”


Séneca in “Cartas a Lucílio”



quarta-feira, 18 de outubro de 2006

A ouvir



Carioca - Chico Buarque

segunda-feira, 16 de outubro de 2006

Futebolices

Jorge Costa, rapaz da bola de quem sempre gostei muito (parece-me ter cara de bom rapaz, embora no campo fosse - só às vezes - um pouco duro), despediu-se hoje oficialmente dos relvados, afirmando que gostaria de vir a ser presidente do FCP (claro!!), tendo a seu lado Vítor Baía.
Gostava de ver...

E-Mail

Este blog passa a ter um endereço de e-mail (basta clicarem aqui ao lado no meu perfil).
Prontinho para receber opiniões, sugestões, curiosidades, banalidades e tudo o mais que tenham a dizer. Até já.

sexta-feira, 13 de outubro de 2006

Constatações III

Por vezes somos confrontados com situações
de que nem o diabo se lembraria!!!

quinta-feira, 12 de outubro de 2006

"A minha casinha"

*

A conversa com um amigo, que me falava das saudades que tinha da sua anterior casa, onde viveu por três anos, levou-me a pensar na relação que tenho com a minha casa. Nunca pensamos nisso, não é? As nossas casas são-nos tão nossas que nem pensamos nisso.

Hoje pensei na minha. Que é acolhedora. Pequena. Serena. De onde ouço passarinhos ao acordar. E depois é cúmplice... Quem nos conhecerá melhor do que a nossa casa? Ouve-nos os risos, os choros, os gemidos de prazer. Ouve-nos os passos. E ninguém melhor que ela nos conhece os humores, as mágoas, as alegrias.

Gosto da minha casa... tenho-a como uma amiga silente que me é cúmplice. Companheira...

* P.S.: A minha casa não é como a da fotografia... Mas um dia chego lá!

Constatações II

É impressionante como a maioria das melhores ideias
que possamos ter surgem mesmo antes do sono.

Constatações I

Os blogs são um vício do caraças!!

quarta-feira, 11 de outubro de 2006

"Seja você mesmo. Todos os outros já existem."

Oscar Wilde

terça-feira, 10 de outubro de 2006

Voltas

De novo a viajar. Despedidas momentâneas e reencontros passageiros.
Passeio por estradas outrora já percorridas. Continuo a sentir o sol a banhar-me o corpo, tal como na última vez que cá estive. No entanto, as pessoas parecem-me mais tristes. Melancólicas. Perdidas em pensamentos que se escapam pelo olhar. Deve ser por estarmos no Outono. Sente-se a época fria a chegar...
Conheço gente nova. Engraçada. Ingénua até... Surpreende-me como, em contextos de trabalho, existem ainda pessoas ingénuas. Faz-me uma certa confusão.
Passo esta pequena temporada em casa de amigos nascidos num outro sítio, numa outra procissão. E cá estamos novamente juntos. A vida é engraçada não é? Aproxima-nos, separa-nos, troca-nos as voltas só para nos voltar a surpreender. Só para que possamos dizer quem diria!!
Jogamos às cartas em serões de risos e união. E vou dormir. Para voltar a acordar.
E, sem dar por isso, para casa voltar.

Achado

"Um combate e outras histórias", de Patrick Süskind -
Edições ASA de bolso - a um preço azul de 1, 50 €.

TE

DISSE

HOJE

QUE

TE

AMO?

sexta-feira, 6 de outubro de 2006

Folhas Soltas

Folheio-te vagamente. Percorro-te procurando memórias.
Vejo-te interrompido, riscado,sublinhado, rasgado.
Folheio-te na esperança de saber onde fiquei.
Naquela meia página?
Ou seria na folha manchada com uma borra de café?
Ou terei parado naquele bocado de papel amachucado
que jaz no caixote do lixo?
Folheio-te convencida de que me calas as dúvidas.
As que existem e as que virão.
Por isso te folheio.

Hoje sinto-me assim...

High

Beautiful dawn - lights up the shore for me
There is nothing else in the world
I'd rather wake up and see (with you)
Beautiful dawn - I'm just chasing time again
Thought I would die a lonely man, in endless night
But now I'm high; running wild among all the stars above
Sometimes it's hard to believe you remember me

Beautiful dawn - melt with the stars again
Do you remember the day when my journey began?
Will you remember the end (of time)?
Beautiful dawn - You're just blowing my mind again
Thought I was born to endless night, until you shine
High; running wild among all the stars above
Sometimes it's hard to believe you remember me

Will you be my shoulder when I'm grey and older?
Promise me tomorrow starts with you
Getting high; running wild among all the stars above
Sometimes it's hard to believe you remember me

James Blunt

quarta-feira, 4 de outubro de 2006

Ditos

"Quem dera o aborto ter, entre nós, o estatuto que tem a corrupção. A prática da corrupção desportiva já foi despenalizada há muito (não me lembro do último dirigente condenado) - e não precisou de referendo, o que é sensato, porque poupa tempo e chatice."

Ricardo Araújo Pereira in Visão


"George W. Bush, não sendo o diabo, também não é nenhum anjo. Eu vejo-o como um gnomo brincalhão e vagamente iletrado, ao qual, por ironia cósmica, tivesse sido dado um mundo para brincar."

Fernando Marques in Jornal de Notícias

Desencontros

Quando a Cristina me ligou para tomarmos um café, não estranhei. Disse-me que queria falar de algo novo na sua vida. Algo a que não estava habituada. Apaixonada? - perguntei (é engraçada esta tendência de se pensar que sempre que há novidades há romance no ar). Não. E não foi um não com risinhos ou com um não sejas tonta, nem com emoção na voz. Foi um não firme. Percebi. Que não. Mas estás bem? Sim, estou óptima, só quero trocar impressões sobre um assunto que me faz confusão.
Tomamos café. Bebi uma água.
Fui com o Jorge jantar com o pessoal. Estavam a Cátia, a Raquel e o seu eterno namorado de berloques, o João, o Carlos e o Valentim.
Sim, e então?
Então que depois do jantar saímos. Fomos ao Clube 4. Tu sabes, beber um copo e dançar. E supostamente conversar.
Porquê supostamente? Não conversaram? Sim, sim, era exactamente sobre isso que te queria falar. Acho que não consigo voltar a sair com eles.
Bolas Cristina, porquê?
Sabes que me senti uma estranha durante toda a noite? A estranha diplomata. A que tentou conversar com este e aquela, a que disse piadas... Até meti conversa com o namorado da Raquel!!! E tu sabes que eu detesto gajos de berloques!!!
Mas porquê?
Porque se junta um grupo de supostos amigos, para uma suposta noite divertida, e o que encontro é um conjunto de pessoas separado por teias de protecçao invisíveis... Percebes o que te quero dizer? Cada um de pé atrás com o outro. A observar o outro. A desconfiar do outro. A pesar cada palavra, cada sorriso, cada passo de dança. Passei-me!!!
Passo uma semana a trabalhar, controlada por mim, pelos chefes, pelos colegas... e quando saio no fim de semana, para me divertir, supostamente com amigos, sinto-me exactamente assim??
É, Cristina, já o senti. É o que costumo chamar de pobres adultos pequenos! Começam a trabalhar e tudo é um eventual alvo. A evitar ou a abater.
Mas Susana!!! Porquê??
Não te sei responder. Só sei que acontece. Já o vi!!!
Mas não com todas as pessoas, espero...
Não, com todas não.

terça-feira, 3 de outubro de 2006

Amigos gays XI

Também há aspectos negativos numa relação de amizade com gays. Um deles é, por exemplo, estarem sempre a dizer-me que o meu irmão é fantástico!!! Huumm... desta parte já não gosto... :)
Quero falar mas a voz não me sai.

Apenas murmúrios segredados.

Quero escrever mas a caneta foge-me por entre os dedos.

Apenas esquissos desconexos e desvairados.

sexta-feira, 22 de setembro de 2006

Fantástica!!!


A publicidade do Peugeot 207...

Siimm,

aquela das joaninhas!!

Passagens

"Baixando os olhos, ele fez então um gesto a pedir-me que falasse mais baixo. Estava visivelmente preocupado, talvez não quisesse que as crianças acordassem. Eu, pelo contrário, sentia que tinha a cabeça a transbordar de todas as recriminações que calara, e muitas das palavras que me vinham aos lábios atropelavam-se já na fronteira para além da qual deixamos de saber escolher o que é ou não oportuno dizermos."

Elena Ferrante in "Os Dias do Abandono"

quarta-feira, 20 de setembro de 2006

"Sou Homem e, por conseguinte,

trago todos os demónios no meu coração."

Gilbert Chesterton

A ver

terça-feira, 19 de setembro de 2006

Confissões

Levaste-me a lembrar que há situações que não acontecem só nos filmes. Sejam elas boas ou más. A que aconteceu contigo foi má. Só me perguntava como é possível. Como. Não encontrei resposta.

Levaste-me a lembrar que há situações que não acontecem só aos outros. Aconteceram comigo. Imaginaste como me deve ter sido difícil na altura. E foi. Mas não vivo presa a essas memórias. E foi isso que te expliquei. Porque foram estas situações (que ultrapassámos e com as quais crescemos e aprendemos) que nos fizeram ser quem somos. E eu gosto de quem sou. Só por isso, valeu a pena.

Regresso

Viajámos. Percorremos caminhos, ora já noutras andanças percorridos, ora a descobrir. Inalámos cheiros de mar, de montanhas, de areia dourada a escaldar. Apanhámos sol por entre erva verde de montanhas ainda virgens. Divertimo-nos pela noite, dançamos, vimos o dia a amanhecer. As luzes das cidades reflectidas no rio são de uma beleza anormal. Tão simples, no entanto...
Mas, mais importante de tudo, conhecemos gente. Pessoas. Novas ou nem tanto, malucas, tímidas, alheadas, faladoras, solidárias, aconchegantes, arrogantes, mortas pela vida ou ainda com capacidade de viver.
E, no fundo, são estes contactos com desconhecidos, que me levam querer a continuar eternamente a viajar.

segunda-feira, 4 de setembro de 2006

Pause


Uma curtíssima pausa nas férias para espreitar o blog. Do qual (confesso) senti a falta. Do género de animal doméstico abandonado em casa. Só e triste. E com fome. Após este intervalo vou enchê-lo de mimos. E trazer-lhe presentes dos sítios paradisíacos por onde a minha mente andou.

quinta-feira, 24 de agosto de 2006

Actualidades

Os EUA anunciaram hoje a sua disponibilidade para levantar o embargo contra Cuba, em vigor há 44 anos, se os dirigentes do país se comprometerem a aceitar uma transição para a democracia.
Já estava a estranhar a demora. Essa nação que é a América... sempre tão solícita e solidária para com os outros países... sempre pronta a ajudar...

quarta-feira, 23 de agosto de 2006

Frase do Dia

"A cruzada antitabaco, que já soma razoáveis vitórias, afunda-se no ridículo de querer rever a história e a arte. Do zelo pela saúde passa-se à censura aberta".

Nuno Pacheco, PÚBLICO, 23-08-2006

Primeiro foram as campanhas ditas chocantes e as frases presentes nos maços de tabaco a dizerem-me que vou morrer se continuar a fumar (e se não continuar, será que me vai ser oferecido um elixir da juventude eterna?).
Depois as proibições de fumar em espaços públicos (fumem muito, fumadores do nosso país em restaurantes e bares e discotecas que essa liberdade está quase a acabar!!).
Seguidamente, e qual bola de neve, começo a ser olhada de lado por não fumadores, desconhecidos ou colegas de trabalho, por levar um cigarro à boca e degustá-lo com prazer. HHuummm, cancro da sociedade a poluir o nosso ar puro, pensam estes moralistas da vida saudável!!!
E as organizações de nome mundial (claro, sempre a começar pela Saúde) a não contratarem fumadores (aqueles viciados!!).
Finalmente, os desenhos animados "Tom & Jerry" serão reeditados na Grã-Bretanha para suprimir as cenas em que os personagens aparecem a fumar, por serem as mesmas consideradas "inapropriadas" para crianças, segundo queixas da entidade local reguladora da televisão. Lá andarão os funcionários dessa nobre entidade a visionar todos os episódios do "Tom & Jerry" da minha infância para, zááss, cortarem todas as cenas em que qualquer boneco apareça a fumar! Podiam aproveitar e visionar também as séries infantis que passam nas televisões hoje em dia. É que as ditas também contêm muitas cenas "inapropriadas", especialmente para a saúde mental das crianças que as acompanham.
E a seguir, o que virá? Fecharem-nos em casas de tratamento, qual toxicodepedentes da vida moderna? Brigadas anti-tabaco nas ruas munidas de cacetetes sempre prontos a darem uma paulada a um fumador compulsivo?

Enfim, já não há paciência. E vou à minha vidinha.
FUMAR UM, DOIS, VINTE CIGARROS!!!

terça-feira, 22 de agosto de 2006

Amigos gays X

O bom de se ter amigos gays advém também do facto de eles se sentarem no sofá em frente à televisão, mais rapidamente do que eu (e, não duvido, do que a maioria das mulheres), quando começam episódios de O Sexo e a Cidade ou Donas de Casa Desesperadas.

Hoje é dia de...

"Nos Estados Unidos, quando uma pessoa está na paragem de autocarro e vê passar alguém num Rolls Royce, pensa: «Um dia hei-de ter um.» Em Portugal diz: « Um dia hás-de andar a pé como eu.»"

Horácio Roque, presidente do Banif, in Visão

PECADO

CAPITAL
Percorro sons perdidos

(encontrados)

há muito (pouco?)

tempo atrás.

Deixo-me embalar

por uma melodia

ritmada a voltas de relógio:

eterno (passageiro),

mecânico na sua ânsia de chegar

(partir...)

sexta-feira, 18 de agosto de 2006

Hoje é dia de...

PECADO

CAPITAL

Os livros

As formas como as pessoas se relacionam com os livros são variadíssimas. É engraçado ver como cada pessoa tem, com os livros, diferentes formas de ligação. A maioria dos portugueses, segundo as estatísticas, tem com eles uma relação de verdadeira indiferença. Eu, neste campo, sou uma verdadeira resistente. Devoro-os à velocidade que as outras ocupações me deixam. Com muito prazer. Se afirmar que não conseguiria viver sem eles não estou a mentir. É uma necessidade tão básica como, por exemplo, lavar os dentes ou fumar. Se me faltam os livros entro em ressaca. Dura.
Há aqueles que são elitistas na compra dos seus livros. Lembro-me de ler, há uns tempos, uma citação de um jornalista ou escritor (não sei bem) que dizia que era incapaz de comprar um livro numa grande superfície. Achei que seria por entendê-lo como um acto desonroso para o livro a comprar. A mim é-me completamente indiferente o local onde compro literatura. Seja na Fnac ou no Modelo. Na Bertrand ou num qualquer alfarrobista perdido numa cidade. Importante é comprá-los.
Há os livros que compramos porque deles nos falaram, ou porque sobre eles lemos uma crítica positiva. Outros há que nos levam a comprá-los. Entramos numa livraria e lá está aquele livro a olhar para nós, e a sussurrar-nos compra-me!! Sentes o chamamento e, em menos de nada ele passou da estante para a tua mão e daí para a tua vida.
É engraçado também observar as reacções dos leitores face aos livros. Lembro-me, por exemplo, do meu pai me contar que às vezes, ao ler determinada passagem dominada pela personagem maquiavélica, se irritava de tal forma que atirava com o livro ao chão. Tinha de esperar uns minutos até se recompôr e conseguir voltar à leitura. Nunca atirei um livro ao chão. Mas já dei comigo a chorar ou a sorrir.
Há livros escritos com uma serenidade e simplicidade exasperantes. Outros têm uma escrita cinematográfica, a deixar-nos com dificuldade em respirar. Parece que o filme nos está a passar todo em frente.
Há ainda os leitores egoístas e os liberais. Eu sou das egoístas. Cada vez mais me custa emprestar um livro a alguém. Parece que tenho hipotecado um bocadinho de mim... Sinto-me incompleta e aflita até ele voltar para mim. Aquelas há que lhes é completamente indiferente se os livros estão na estante da sala, junto dos cd's, ou em casa da tia, guardados no sótão com os peluches cheios de pó.

quinta-feira, 17 de agosto de 2006

Saudade

Hoje a saudade bate-me forte! Que saudades que tenho de ti, de ti, de ti e de ti... Que saudades de viver com vocês coisas tão banais às quais não dava qualquer importância... É sempre assim, não é? Só damos importância ao que é realmente importante quando não o temos... Hoje a saudade bate-me forte... O coração apertado a esforçar-se por não chorar... Os olhos vidrados a dizerem-vos baixinho: amo-vos... amo-vos muito...
Dança-me. Leva-me em teus braços a voar.
Dança-me. Com a ferocidade de um tango selvagem e lamentado. Sensual.
Dança-me com unhas e dentes como num samba quase a acabar.
Dança-me.

Water


"A widow should be long suffering until death, self-restrained and chaste. A virtuous wife who remains chaste when her husband has died goes to heaven.

A woman who is unfaithful to her husband is reborn in the womb of a jackal.

The Laws of Manu
Chapter 5, Verse 156-161
Dharamshastras
(Sacred Hindu texts)"

India. 1938. Uma criança é deixada pela família numa Casa de Viúvas porque o marido, que não conhece, morreu. Começa assim a viagem por Water, de Deepa Mehta. Imperdível. Simplesmente.

"There are over 34 million widows in India according to the 2001 Census. Many continue to live in conditions of social, economic and cultural deprivation as prescribed 2000 years ago by the Sacred Texts of Manu."

quarta-feira, 16 de agosto de 2006

Paredes de Coura, 1º dia: O homem que pôs o «M» em Coura

"Era, no mínimo, previsível que o regresso de Morrissey a Portugal constituísse um dos momentos altos do primeiro dia (oficial) do festival Paredes de Coura. O largo número de fãs presente era bem visível. Identificáveis não só pelo elevado número de t-shirts alusivas à banda, mas também pelas vestes e penteados passeados pelo recinto.
O mesmo público ficou, inevitavelmente, satisfeito com o regresso da figura icónica que representa Morrissey. Agigantou-se de forma natural. Com uma presença a transbordar charme. Da postura às vestes (trocou de camisa por quatro vezes). Dirigiu-se ao seu público com uma educação irrepreensível. Encenou o chicotear do cabo do microfone no palco como que um fatalismo (romântico) tão presente na sua obra. E nem a saída de palco de forma abrupta, quando tocava «Panic in the Streets of London», fez com o regresso não tivesse sido conseguido. Memorável, apenas…"


Pedro Trigueiro in Diário Digital

segunda-feira, 14 de agosto de 2006

Hoje é dia de...


PECADO

CAPITAL
Tomar um banho de mar, de águas quentes e calmas,

numa madrugada de dança,

muitos risos e alguns devaneios,

é um daqueles momentos preciosos

que nunca irei esquecer...

Existem instantes assim...

de tão simples que são tocam o divino...

Rolling Stones no Porto: Velhos são os outros!

"Um grande espectáculo e um alinhamento primoroso - ainda que tenha deixado de fora alguns clássicos - levaram o público do Estádio do Dragão à euforia na noite de Sábado. Os Rolling Stones vão na quarta década de existência, mas, perante a dinâmica e energia vistas, velhos são os outros!


Mick Jagger, incrivelmente irrequieto durante todo o concerto, conduziu com mestria os parceiros do grupo e músicos convidados, deslumbrando os cerca de 47.000 espectadores com um cenário fabuloso e que deixa bem longe tudo o que já se viu do género em Portugal, dos U2 a Madonna.
Jagger, Keith Richards, Charlie Watts, Ronnie Wood e os restantes elementos da banda britânica tocaram 20 temas, num rol iniciado em grande estilo com o clip de introdução à digressão «A Bigger Bang» e a interpretação de «Jumpin´Jack Flash» e que terminou num fabuloso encore com «Satisfaction».
O momento alto do espectáculo aconteceu, contudo, quando a parte central do palco se elevou, deslizando por um corredor central até meio do relvado, onde os membros da banda ficaram mais próximos do público, durante alguns temas, entre os quais «Miss You», «She´s So Cold» e «Honky Tonk Women».
Por entre o festival de luz e de som, espaço ainda para ver um Mick Jagger imparável (e a falar na maior parte do tempo no seu português abrasileirado) a prestar homenagem nos écrãs a Ray Charles e a recuperar algumas pérolas como «Ruby Tuesday», abrindo alas a alguns temas bluesy e à oportunidade de escutar Keith Richards, num concerto em crescendo que teve ainda em «Start Me Up», «Sympathy For The Devil» e «Can´t Always Get What You Want» outros pontos de destaque.
Se dúvidas havia, este concerto confirmou que, depois do último álbum de originais (de 2005, o melhor dos últimos 15 anos), os Stones recuperaram anos de vida, desfrutando em pleno - e em palco - do que de melhor estes anos de carreira lhes deram."

Filipe Rodrigues da Silva in Diário Digital

sexta-feira, 11 de agosto de 2006

Coisas que já não suporto III

Aquelas pessoas que, quando participam em determinada actividade, ou assistem a um qualquer evento, passam o tempo todo a tirar fotografias ou a filmar (e eu adoro fotografia, atenção!!). Qual é o objectivo? Vivenciarem, com as ditas fotografias ou filmes, aquilo que não viveram na altura, por estarem demasiado ocupados?

Banalidades do quotidiano (que vale a pena partilhar)

Se vês um homem na rua, vestido com uma camisa preta sobre os boxers azuis, aos corações, isso não significa obrigatoriamente que estás a ter uma alucinação.

quarta-feira, 9 de agosto de 2006

Banalidades do quotidiano (que vale a pena partilhar)

Se vês um velhote a dançar na passadeira, enquanto diz oohh yyeeaahh, isso não é obrigatoriamente um anúncio da Coca Cola.

terça-feira, 8 de agosto de 2006

Sonhei que estava contigo à beira rio. Um rio que eu conhecia mas não conhecia também. Sabes como são os sonhos, sempre incoerentes na sua sabedoria indecifrável.
Davas-me a mão e dizias-me que apesar de vivermos num mundo de loucos, em que as tecnologias substituem a carne, há coisas que não mudam: os sentimentos.
Explicavas-me que trocamos a televisão pelo computador. Os cd's pelo mp3. As conversas pelas sms's. O haxixe pelas pastilhas. Mas os sentimentos não evoluem assim. Não trocamos conceitos como amizade, amor, desejo, querer, entrega, por outros novos que os tenham vindo substituir. Porque tal não é possível. Podem ter uma materialização diferente, uma concretização diferente, um modo de os enfrentar diferente, mas a sua essência é sempre a mesma.
Dizias-me que é por isso que o futuro, um dia, se vai transformar em passado. Não melancólico. Não cansado. Porque nem sempre o futuro é tão lá à frente assim.
Ouvi-te atentamente como uma criança ouve a professora na escola. Compreendi o que me pretendias dizer.
Encostei a minha cabeça no teu ombro e olhei o rio, que eu conhecia mas não conhecia também, a correr, límpido e apressado e sedento de chegar ao mar.
Agradeci-te. Em silêncio. Desejando que o rio nunca páre de desaguar no mar.