segunda-feira, 1 de março de 2010

E porque me apetece falar de cinema


Vencedora de dois Óscares da Academia (o de Melhor Actriz com “A Escolha de Sofia”, de 1982, e o de Melhor Actriz Secundária com “Kramer vs Kramer”, de 1979), Meryl Streep é a intérprete mais nomeada de sempre – com mais uma nomeação para os Óscares de 2010, já lá vão dezasseis.
  
E isso bastaria para considerá-la uma actriz de excepção. Mas, além de roubar todas as cenas em que entra, com o savoir faire que lhe parece inato, a subtileza e serenidade que a caracterizam, é uma mulher muito terra a terra, a quem os anos e as rugas não retiraram beleza nem a fizeram ir a correr para a maca de um qualquer cirurgião estético.
  
Assumindo-se como uma mulher simples, disse um dia: “Não sei estar na moda. Quero dizer, sei ser uma data de coisas, mas não sei ser estrela de cinema (…)”.
  
E nós agradecemos.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Constatações XCV


Um dos grandes problemas de dias como o de hoje é que, quando vou começar a fazer algo a que me predispus, já me esqueci do que ia fazer.

Prontos, está bem então


Foi hoje publicada no Diário da República uma resolução através da qual a Assembleia da República recomenda ao Governo "a adopção de medidas legislativas tendentes à criação da figura do «arrependido» em crimes de especial dificuldade de investigação".
Achei um piadão.

Hoje sinto-me assim...

O dia seguinte


Adoro jantares caseiros imprevistos. Boa companhia, boa comida, bom vinho. Música (sempre a música) a temperar. Conversas confidentes, cumplicidades, banalidades e delírios que terminam em gargalhadas imprudentes. Beatas acumuladas no cinzeiro. Minutos que se transformam em horas. Velas que ardem até ao fim. O único senão? O vinho ser demasiado bom, a conversa demasiado interessante. Ciclo vicioso (os efeitos sentem-se apenas no dia seguinte). Estou com a comummente designada ressaca.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Constatações XCIV


Há conhecidos meus que muito raramente me enviam mails e quando enviam, é só tragédias. Neste momento estou entulhada de mails com fotos da Madeira inundada (que vão todos direitinhos para o lixo sem passarem pela casa da partida). A última vez que me tinham enviado foi quando aconteceu o terramoto no Haiti. E antes, talvez, com as fotos da derrocada em Angra dos Reis. E por aí fora.
Cada vez mais me convenço que as pessoas não resistem a compartilhar as desgraças. 
(Mas só quando acontecem com os outros). 

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

WTF?


Segundo a imprensa, o namorado de Rihanna ofereceu à cantora, como presente pelo seu 22º aniversário, a actuação de uma stripper anã.
Como, que não percebi bem? A actuação de uma stripper anã.
Esta gente não sabe o que fazer ao dinheiro, só pode. Ai se namorado meu me oferecesse presente semelhante... Dizia-lhe logo onde ele podia enfiar a stripper em miniatura. 

Nostalgias

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Perguntinha


É de mim ou o Miguel Sousa Tavares levou ontem
 uma coça do Chefe Primeiro-Ministro?

Ser diferente


A única salvação do que é diferente é ser diferente até o fim, com todo o valor, todo o vigor e toda a rija impassibilidade; tomar as atitudes que ninguém toma e usar os meios de que ninguém usa; não ceder a pressões, nem aos afagos, nem às ternuras, nem aos rancores; ser ele; não quebrar as leis eternas, as não-escritas, ante a lei passageira ou os caprichos do momento; no fim de todas as batalhas — batalhas para os outros, não para ele, que as percebe — há-de provocar o respeito e dominar as lembranças; teve a coragem de ser cão entre as ovelhas; nunca baliu; e elas um dia hão-de reconhecer que foi ele o mais forte e as soube em qualquer tempo defender dos ataques dos lobos.



Agostinho da Silva, in "Diário de Alcestes"


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Constatações XCIII


Depois de ontem ver o nível de Aznar, considero os cornichos de Manuel Pinho uma brincadeira de meninos.

Agenda



Quando me apareceste à porta, assim, lavado de chuva e de lágrimas e com aquela ausência de olhar como se não estivesses cá, e me disseste, tão baixinho que as tuas palavras se confundiam com os pingos que se dissolviam no chão, ele morreu, apeteceu-me abraçar-te e embalar-te e aquecer-te com um cobertor e café a ferver.
Ele morreu, repetias tu entre soluços incontidos. E o teu olhar estava morto, tão morto quanto ele, tão escuro quanto o escuro do céu.
Não sabia o que dizer para te apaziguar as emoções. Podia, é certo, dizer meia dúzia de clichés que não deixam, por isso, de ser verdades, do género a vida é assim (e, já agora, a morte também), se calhar ele está melhor agora, encontrou a paz, é a sina de todos nós, etc. e tal. Mas não to disse. Porque se fosse comigo dir-te-ia que tudo isso é verdade mas tudo isso não me faria sentir melhor.
Ao invés, coloquei música. Calma, quase silenciosa, uma presença que não está lá.
Deixei que fechasses os olhos e chorasses a tua dor. Acariciei-te o cabelo numa cumplicidade desafectada. Acompanhei-te nessa viagem de perda e saudade do que nunca aconteceu. Passaram muitos minutos. Tempo roubado ao tempo. Olhaste-me e já encontrei vivalma dentro de ti. Despi-te e coloquei-te dentro de mim. Nesse momento a morte morreu.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Post telegráfico


O Caim já foi.Ponto.Assim num ápice.Ponto.Gostei bastante.Ponto.
Bloqueio com Saramago ultrapassado.Ponto.

O estado actual do país?
Assim a modos que esfrangalhado.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

O mundo da moda está mais pobre


Foi hoje encontrado morto, em sua casa, o excêntrico estilista Alexander McQueen. Embora não confirmado, alguns jornais afirmam que o mesmo se enforcou. Triste forma de morrer.

Auto-definição

Curtas


O Paulo Rangel gosta de Metallica. Eu não. Mas simpatizo (ainda) mais um pouquinho com ele por causa disso.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Constatações XCII


Nada como umas compritas para

as irritações me passarem num instantinho.

Implicações


Há um homem que trabalha no mesmo sítio do que eu (não comigo, felizmente) de que não gosto nem um bocadinho. Não me cheira a boa coisa e, por regra, não me engano quando tenho estes feelings.
Ainda por cima é de uma antipatia quase sobrenatural. Sempre que passo por ele digo, com cara sisuda é certo, bom dia ou boa tarde. Muitas vezes, dependendo talvez da sua (in)disposição, sei lá, nem me responde, o que faz disparar consideravelmente o nível de embirração que por ele tão carinhosamente nutro.
Hoje foi a primeira pessoa que tive o infortúnio de encontrar, logo pela manhãzinha e, uma vez mais, não respondeu ao meu cumprimento.
Há dias assim. Em que me apetece bater violentamente em imbecis mal-educados.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Excertos


Quando o senhor, também conhecido como deus, se apercebeu de que adão e eva, perfeitos em tudo o que apresentavam à vista, não lhes saía uma palavra da boca nem emitiam ao menos um simples som primário que fosse, teve de ficar irritado consigo mesmo, uma vez que não havia mais ninguém no jardim do éden a quem pudesse responsabilizar pela gravíssima falta, quando os outros animais, produtos, todos eles, tal como os dois humanos, do faça-se divino, uns por meio de mugidos e rugidos, outros por roncos, chilreios, assobios e cacarejos, desfrutavam já de voz própria. Num acesso de ira, surpreendente em quem tudo poderia ter solucionado com outro rápido fiat, correu para o casal e, um após outro, sem contemplações, sem meias-medidas, enfiou-lhes a língua pela garganta abaixo. Dos escritos em que, ao longo dos tempos, vieram sido consignados um pouco ao acaso os acontecimentos destas remotas épocas, quer de possível certificação canónica futura ou fruto de imaginações apócrifas e irremediavelmente heréticas, não se aclara a dúvida sobre que língua terá sido aquela, se o músculo flexível e húmido que se mexe e remexe na cavidade bucal e às vezes fora dela ou a fala, também chamada idioma, de que o senhor lamentavelmente se havia esquecido e que ignoramos qual fosse, uma vez que dela não ficou o menor vestígio, nem ao menos um coração gravado na casca de uma árvore com uma legenda sentimental, qualquer coisa do género amo-te, eva. (…)”



José Saramago inCaim

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

À terceira é de vez?


Depois de não conseguir terminar a leitura das duas obras de Saramago que comecei a ler um dia (Memorial do Convento, de 1982, e As Intermitências da Morte, de 2005) prometi-me ser esta a última tentativa de o ler (e eu até estava a gostar muito dos livros, entre o aparvalhada e o deliciada pela forma magistral como o homem escreve, mas chegava a um ponto - uma página para ser mais precisa - relativamente perto do fim, dava-se-me um bloqueio qualquer e nunca mais lhe pegava).
Entreguei-me agora ao contestado Caim (2009) e, do pouco que li, já deu para perceber que é susceptível de provocar AVC’s a quem seja fervorosamente devoto. Eu, ateia me confesso, e fã de humores irónicos e sarcásticos, tenho-me rido com verdadeira vontade.
Confiando conseguir lê-lo até ao fim (pelo menos vontade não me falta) e, espero, divertindo-me tanto quanto até aqui, pode ser desta que ultrapasse o bloqueio.
A ver vamos.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010


- Deus é gay.
- Não pode ser. Fez todo o universo perfeito. Os oceanos, os céus, as lindas flores, as árvores em toda a parte.
- Está certo. É um decorador.

 


In "Whatever Works", de Woody Allen (2009)

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Perguntinha


Haverá coisa mais nojenta do que começar o dia com uma pessoa sentada ao nosso lado a tirar macacos do nariz?

(Na realidade consigo lembrar-me de umas quantas, mas não naquele momento.)

Intromissões


Ouvi ontem o actual ministro da Defesa, Augusto Santos Silva, que alguém já definiu como o carrasco do Governo - o que, aliás, subscrevo totalmente - afirmar, acerca do “caso Mário Crespo”, que não é possível escrever uma notícia com base na intromissão em conversas alheias.
Uma consulta rápida ao dicionário indica que intromissão significa acto de intrometer, ingerência, introdução. E intrometer significa meter-se de permeio, meter-se onde não se é chamado.
Não me parece, de todo, que se possa acusar Mário Crespo, um jornalista que admiro pela sua frontalidade e insubmissão aos poderes estabelecidos, de intromissão. Afinal, se ele se meteu em alguma coisa, foi num assunto que lhe dizia respeito.
Por outro lado, parece que a conversa entre José Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e o “executivo de televisão” (que, sabe-se agora, é Nuno Santos) nada teve de sussurrante, ouvida alto e bom som por quem almoçava nas mesas adjacentes.
O que me leva a pensar que, se calhar, o pretendido era que a conversa chegasse aos ouvidos do visado. E que ele metesse o rabinho entre as pernas e se controlasse.
Felizmente Mário Crespo não é assim.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Hoje sinto-me assim...

As notícias boas apanham-nos como se uma brisa num dia muito quente de Verão se tratasse. Acalmam-nos, rodopiam e deixam-nos com um sorriso esperançoso de que tudo vai correr bem. Melhor do que planeamos. Mais longe do que ousamos sonhar.
Sinto-me tão orgulhosa de ti, amor. Não porque alguma vez duvidasse que fosses capaz (tu sabes bem!) mas porque me contenta que possas ir mais longe, mais fundo e a mais alguém. A muitos alguéns.
Hoje sinto-o como sendo o primeiro dia do resto do nosso ano. E este ano é nosso amor. E é teu. Tão teu e tão meu e tão saborosa e egoisticamente nosso.
Hoje o dia és tu. E agrada-me ver tudo isso no teu olhar.

sábado, 30 de janeiro de 2010


Sobrevivi.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Hoje é noite de...


Actividade Paranormal (de Oren Peli/2007/Suspense/Terror), é sobre a perseguição de um espírito demoníaco a um casal, na sua própria casa, o que o leva a instalar câmaras por todas as divisões. Muito ao género de Blair Witch Project. E com um orçamento baixíssimo.
Do que li parece ter  tido uma recepção muito positiva do público, pelo menos aquele que conseguiu vê-lo até ao fim - houve muita gente a fugir da sala de cinema aos primeiros minutos. Aterrorizador é a palavra que mais vezes ouvi para descrevê-lo.
Vamos ver se me aguento. (Medo. Muito medo.)

P.S.: Se não voltar a este meu querido blog é porque me deu uma coisinha má e fui desta para melhor. Wish me luck.

Quero!


Estes são alguns exemplares da colecção da designer de jóias americana Kate Cusack que inclui, para além de colares, pulseiras e anéis.
A particularidade desta colecção prende-se com o facto das peças serem feitas com fechos éclair. Sim, isso mesmo, fechos éclair. Não são lindos de morrer?

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Ah?


António Mendonça, ministro das Obras Públicas, considerou que, com a entrada em funcionamento da alta velocidade ferroviária (TGV), “Lisboa e toda a zona em redor será, provavelmente, a praia de Madrid”.


Mais uma mente estrumadíssima no panorama político nacional, portanto.

Bonito, bonito...


(Não, não são as canções do Tozé Brito ou os ditos a baterem nessa palavra impronunciável que não ouço, felizmente, desde que acabei o antigo 7º ano). Bonito, bonito é receber um telefonema de uma amiga longínqua, com quem não estou há muito tempo, que me liga apenas (?) para dizer que me adora e que sente a minha falta. Touché.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Citações


Os livros têm os mesmos inimigos que o homem: o fogo, a humidade, os bichos, o tempo e o próprio conteúdo.

Paul Valéry (1871 - 1945)

E porque me apetece falar de cinema


“The Maiden Heist” (2009), realizado por Peter Hewitt, é uma comédia leve que conta a história de três seguranças de um museu americano que, confrontados com a transferência das obras que idolatram para um museu na Dinamarca – dois quadros e uma escultura de um homem nu que é objecto de fantasias impróprias – criam um plano para roubá-las. Não sendo um filme brilhante ou inovador mas que, no entanto, cumpre o seu papel de entreter, deve ser visto, senão por mais, pelo seu elenco de luxo: Marcia Gay Harden, William H. Macy, Morgan Freeman e o magistral Christopher Walken. God, que actor!

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Constatações XCI


Uma coisa que os meus pais me ensinaram foi a agradecer sempre que recebo um elogio. Continuo a cumprir este ritual com fervorosa convicção, não porque os meus pais me obriguem, que já sou grandinha, mas porque penso ser dos princípios basilares da vida em sociedade: o respeito pelos outros e, porque não, a simples boa educação?


Se descubro um blog de que gosto especialmente ou, se me agrada determinado post, deixo um comentário na forma de elogio, que considero também uma prática em desuso no nosso país (não sei se nos outros países também será assim, mas gosto de cingir-me àquilo que conheço). No entanto, constato frequentes vezes que, se alguém escreve algo com que a qual a maioria não concorda, ou se há um erro ortográfico particularmente grave, lá fica a caixa de comentários cheia de alertas ou chamadas de atenção ou impropérios, consoante o caso.

Ora, face à falta de reacção à maioria dos elogios que faço o que, além de me entristecer (eu, que sempre sonhei com uma sociedade cordial, solidária e simpática) me irrita para além do normal, porque nunca lidei bem com este tipo de comportamentos, leva-me a compreender cada vez melhor o ditado “Quanto mais conheço os homens, mais gosto dos animais”. E é uma pena que assim seja.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010


A sala, confortável e silenciosa sob a voz de Amy Winehouse,
acolhe-nos com o seu cheiro quase imperceptível de incenso.
Adormeço no teu ombro.

Há momentos que não deviam acabar.

Roupinhas dos Globos de Ouro


Uma cerimónia como os Globos de Ouro serve não só para ver os filmes e séries e actores e realizadores que estão na berra, mas é também um momento de admirar os trapinhos que usam as convidadas e nomeadas, vestidos a maioria das vezes, que um dia quase todas as mulheres gostariam de poder usar.


Este ano essa tarefa tornou-se quase hercúlea, porque eram quase todos muito feios.

Então aqui ficam os meus Globos (de Estanho?):




LAUREN VELEZ
 
Globo "Está a chover mas a seguir ainda dou um saltinho à praia"
 
 
 

 
CHER E CHRISTINA AGUILERA
 
Globo "Qual de nós a pior"
 
 
 

 
LAUREN GRAHAM
 
Globo "Sou uma estrela decadente"
 
 
 

 
SUZY AMIS
 
Globo "Devia ter passado no chinês e comprado umas mamas de plástico para encher"
 
 
 

 
NICOLE KIDMAN
 
Globo "O tempo de aparecer deslumbrante já passou"
 
 
 

 
RITA WILSON
 
Globo "Roubei os cortinados da minha sogra e fiz um vestido (sempre sai mais barato)"
 
 
 

 
PATRICIA ARQUETTE
 
Globo "Vómito ambulante"
 
 
 

 
MARIAH CAREY
 
Globo "Podia ter emprestado um bocado de mamas à outra"
 
 
 

 
KATE HUDSON
 
Globo "Sou um suspiro"
 
 
Os únicos vestidos que gostei e que poderia usar, pelo que levam o Globo "Isto sim, isto já é vestível":
 
 

 
FELICITY HUFFMAN
 
 
 

 
FERGIE
 
 
 

 
ELISABETTA CANALIS
 

sábado, 16 de janeiro de 2010

Excertos

"(...) Flitcraft é um indivíduo absolutamente convencional - um marido, um pai, um homem de negócios de sucesso, uma pessoa sem a menor razão de queixa. Certa tarde, sai para almoçar e uma viga cai de umas obras no décimo andar de um prédio e por pouco não aterra em cima da sua cabeça. Mais uns centímetros e Flitcraft teria sido esmagado, mas a verdade é que a viga não acerta nele, e, tirando um estilhaço do passeio que, sob o impacto, o atinge no rosto, Flitcraft sai do acidente perfeitamente ileso. Contudo, o facto de ter escapado à morte por um triz provoca nele um choque violento, de tal forma que não consegue deixar de pensar no caso. Como escreve Hammett: «Ele sentia-se como se alguém tivesse retirado a tampa que oculta a vida e o tivesse deixado ver toda a engrenagem». Flitcraft dá-se conta de que o mundo não é o sítio equilibrado e ordenado que pensava que era, dá-se conta de que sempre vira o mundo completamente às avessas, de que nunca compreendera nada de nada. O mundo é governado pelo acaso. O aleatório ronda a presa que nós somos, todos os dias das nossas vidas, e essas vidas podem ser-nos roubadas a qualquer momento - por razão rigorosamente nenhuma. (...)"
 


Paul Auster in "A noite do oráculo"

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010




(Sim, porque quem tem por hábito sair à noite sabe que,
a partir desta hora, é sempre a descer)

Help, I need somebody help


Há dias um blogueiro aconselhou-me (e bem) a retirar ali do lado, nas "Espreitadelas", o atrás que aparece a seguir ao período de tempo que determinado blog foi actualizado porque, dizia o mesmo (e bem), constitui o atrás um pleonasmo.
No entanto essa é a forma “pré-formatada” pelo Blogger, que sei possível de alterar – já vi noutros blogs – mas não faço ideia como.

Uma ajudazinha a esta leiga, pode ser?


Extra! Extra!


De acordo com o barómetro de Janeiro publicado pela RRR/SIC/Expresso, Cavaco Silva recuperou o primeiro lugar no índice de popularidade.
Aaaaiiii que Portugal está tão mal...

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

O que é nacional é bom


O nosso menino de ouro do futebol já é a imagem da nova campanha de roupa interior da Armani, substituindo David Beckham. E não se pode dizer que não esteja muito bem, embora na primeira imagem esteja um bocadinho abichanado. Não obstante continuar a ser apenas um menino, é um regalo para os olhos. Só não gosto mesmo é de o ver com aquelas sobrancelhas demasiado depiladas como, aliás, não gosto em homem nenhum - fazem-me lembrar drag queens, enfim...




Indignação



Indignação, de 2008, é o título do primeiro livro que leio de Philip Roth, mas esta é já a sua vigésima sétima obra.

Foi daqueles livros que consumi avidamente, mesmo quando já estava a cair de sono queria ler sempre um bocadinho mais, e só descansei quando o terminei.


Indignação é sobre personalidade, sobre o direito à independência do pensamento e, naturalmente, sobre liberdade. É sobre as consequências das nossas escolhas, alheias à vontade de quem escolheu. É também sobre a guerra, concretamente aquela que opôs a Coreia do Norte/URSS à Coreia do Sul/EUA em meados do século XX.


Uma obra belíssima que leva a pensar nos ses. Por exemplo, se eu não tivesse lido este livro, se calhar não desejaria ler muitos mais do autor.


quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Modernices


Constatações XC



E antes de darmos por isso (que tenhamos, sequer, oportunidade ou tempo para) a vida já se nos voltou a mudar.


Dedicado a ti, S., que corajosamente 
viraste o teu mundo do avesso por amor.

P.S.:Vamos sentir a tua falta

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Pode repetir por favor?


- Empresta-me o guarda-chuva.
- Não é guarda-chuva, é guarda-sol.
- É Inverno, está a chover, é guarda-chuva.
- Exactamente.


(Diálogo ouvido na rua. A minha criatividade não me permite concluir onde a conversa tenha ido parar).

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Estado geral deste blog



ACHOCOLATADO

E hoje algo de completamente diferente

Hoje o tema deste blog é o chocolate. Tributo merecido, considerando os minutos prolongados de prazer que constantemente me dá.



BREVE HISTÓRIA DO CHOCOLATE


Diz que o lar original do cacau ficava nas florestas da região do Amazonas no Brasil, ou na região do Orinoco, na Venezuela. Quem deu a conhecer o cacaueiro ao mundo europeu foi o viajante espanhol Hernando Cortez, que chegou ao México em 1519, com intenções de desenvolver o comércio, tendo sido recebido com honras pelo Imperador Montezuma dos astecas (os índios locais). O Imperador era grande apreciador de uma bebida especial, que ele bebia em copos de ouro, sempre novos. A cada vez que esvaziava um copo, atirava-o fora, para mostrar que valorizava mais a bebida que o ouro.O Imperador ofereceu esta bebida ao visitante espanhol que, relatou, tinha um sabor forte e agridoce.

Mais tarde, Hernando Cortez aprisionou o Imperador e, gradualmente, conquistou o México para o Rei da Espanha. Quando voltou a Espanha, em 1528, Cortez levou grãos de cacau para o Rei.Impressionado pelo facto dos grãos de cacau serem usados como dinheiro pelos astecas, Cortez decidiu plantar esta árvore em diversas ilhas tropicais que tinha capturado: Trinidad e Haiti, na América Central, e a ilha Fernando-Po, na costa da África Ocidental. O cacau foi transplantado dessa ilha para o continente africano – em quatro países - Costa do Marfim, Gana, Nigéria e Camarões - que, actualmente, são os líderes no comércio mundial do cacau.

Espanha foi o primeiro país na Europa onde o chocolate quente se tornou uma bebida favorita – primeiro nos círculos aristocratas e depois de forma geral, começando também a ficar conhecida em outros países da Europa Ocidental, que começaram a plantar cacaueiros nas suas colónias tropicais, onde o clima era favorável.

Com a Revolução Industrial e a invenção de diversas máquinas, começou a produzir-se em massa o chocolate tendo a primeira fábrica de chocolate sido fundada em Massachusetts, no ano de 1765. Também os holandeses começaram a plantar cacau nas suas colónias no Extremo Oriente, nas ilhas das Índias Orientais (actual Indonésia), tendo Amesterdão se transformado no centro de importação de cacau na Europa.

Em 1828, um fabricante holandês de chocolate, Conrad van Houtten, descobriu um método para extrair a gordura dos grãos de cacau moídos, e transformá-la em manteiga de cacau, acabando por desenvolver também um pó que se dissolvia facilmente em água quente, criando uma bebida boa, suave e saborosa, que podia ser tornada mais doce com a adição de açúcar.
Comer chocolate em pedaços só se tornou popular em 1847, quando uma firma inglesa, Fry and Sons (que, mais tarde, se associou à famosa Cadbury) começou a produzir chocolate doce em barras para comer, misturando o cacau moído com manteiga de cacau e açúcar.
Em 1875, um fabricante suíço de chocolate criou uma barra de chocolate de leite, usando leite fresco. Desde então numerosas fábricas de chocolate em diferentes países desenvolveram diversos tipos de chocolate – aqueles que hoje, deliciados, degustamos.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Ainda????

Foi entregue ontem ao Presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, a petição pró-referendo sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo, que recolheu cerca de 90 mil assinaturas. Pretende-se que sejam debatidas as "implicações reais na história, na cultura e nas relações sociais do país" de tal casamento.
Com o dedo da Igreja (que sabe que o assunto for referendado nunca vai passar) e a ignorância, fé e preconceito dos assinantes, esses embaixadores da moral, decência e dos bons costumes, continua a atiçar-se uma fogueira que devia há muito estar em cinzas.
Com os tantos problemas que atravessam a sociedade, com as grandes dificuldades do país, ou seja, com tantas questões sérias e bem mais importantes para debater (e, porque não, para referendar?), perde-se tempo com mesquinhices pré-históricas, descabidas e, acredito, inconsequentes.
E que tal se arranjassem uma vidinha, não dava um certo jeito?

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

E na sequência do post anterior...


MAIS SIMPLES AINDA...

(E UM BOCADINHO DE NADA MENOS REALISTA)

Ano novo, vida semi-nova?

Num final de ano não tenho por hábito fazer balanços. O ano foi o que foi e não pode ser alterado. Já no início de um novo ano gosto de pensar em desejos (nunca projectos porque raramente os faço, antes coisas que quero fazer ou repetir).
Desejos para este ano? Os básicos e banais saúde, amor e dinheiro são os essenciais. Alguém me dizia que esses não valiam por não trazerem nada de novo, por toda a gente os repetir. Não valem? Valem sim, valem quase tudo. Porque constituem uma base sustentada para que o resto possa correr bem sendo que, ainda assim, o que mais valorizo é a saúde, que ter uma rica saúdinha é do melhor que a vida nos pode dar.
No entanto, também tenho outros desejos mais terrenos e egoístas e a confirmar a boa vivant que sou. Então, sem ordem de preferência:
Comer e beber muito bem, que são dos maiores prazeres da vida.
Bastante e bom sexo (muita serotonina e endorfinas fazem sorrir e fazem milagres à pele).
Viajar, viajar, viajar, viajar, viajar.
Ler e ver cinema. Always.
Dormir como uma criança (não consigo perceber como é que há pessoas que dizem não gostar de dormir e, pior ainda, que dormir é uma perda de tempo, ofensa!).
Estar com (os poucos mas bons) amigos.
Rir muito, muito, muito.
Muita música e dança e programas interessantes e variados.
Mais dinheiro para poder dar azo à diabinha consumista que há mim (umas roupinhas, sapatos, carteiras, acessórios e cremes para tudo e mais alguma coisa são os meus maiores pecados).
Muitos abraços e ternura e beijos, muitos beijos e serenidade e paz.
E ainda viajar, viajar, viajar, viajar, viajar.

(Concluo que os meus desejos variam muito pouco ao longo dos anos. No fundo, sou uma rapariga simples.)

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Abracei o ano contigo.

A dançar.

Em frente ao mar.

(Prenúncio de um ano bom)

domingo, 27 de dezembro de 2009

Afinal a TAP também tem coisas boas...


(Agora é só aproveitar o conceito e aplicá-lo no que realmente interessa)

Espírito natalício é...

Conseguir aguentar heroicamente na noite de Natal, por causa da família, o Jogo Duplo apresentado pelo Fernando Mendes.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

E se isto não é amar-te

nunca saberei o que o amor é.

A ver

Os filmes que a televisão passa nesta altura do ano são muito maus?
São.
Duas alternativas:

Cinema Paraíso
De Giuseppe Tornatore, vencedor do Óscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1990, é obrigatório para quem gosta de cinema. Embora a narrativa pudesse, talvez, ser um pouco menos extensa, é de uma ternura imensa, não só sobre filmes mas também sobre amizade, sem idade e intemporal.

Em Carne Viva
Realizado em 1997 pelo meu queridíssimo Almodóvar, é mais um belo exemplar da sua obra que, para não variar (e ainda bem) versa sobre relações e emoções. O mais engraçado neste filme, com um final feliz, digamos assim, é que o realizador consegue fazer parecer natural ou possível o que, à partida, nunca consideraríamos como tal. Fiquei com vontade de ir ver a correr todos os seus filmes, mesmo os que já vi, para no final poder afirmar, com convicção, isto é que é cinema.

"Triste é viver num lugar onde dormir não difere de morrer."

(O Alfaiate de Vila Longe,
personagem de "O outro pé da sereia",
de Mia Couto)

domingo, 20 de dezembro de 2009

Fui

Os dias aproximam-se do Natal. Está um frio de rachar. Toda a gente se queixa de tudo e não faz nada (está quase aí o Mundial). As ruas estão mais cheias. Abalos de terra. Um cimeira em Copenhaga que acaba em nada. O ar cheira a castanhas. Um país desgovernado. Publicidade martelante com perús e Popotas e peúgas. Os políticos continuam a apalhaçar. Alertas amarelos. Presentes para comprar.
Tudo continua mais ou menos igual.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Revelações

O Abirritante convidou-me a desvendar um pouquinho de mim, completando o início das seguintes frases. Aqui vai:


Eu já tive… muito mais paciência do que tenho hoje.


Eu nunca… digo nunca.


Eu sei… algumas coisas, mas quero sempre saber mais.


Eu quero… aqueles de quem gosto sempre perto de mim.


Eu sonho… acalentar, mimar e, no momento certo, concretizar os meus sonhos.



(P.S.: Uma vez mais violo as regras e não passo isto a ninguém. Quem quiser, é favor pegar-lhe.)

Constatações LXXXIX

Desiludem-me as pessoas que se moldam às outras
porque acham que é mais fácil assim.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Uma frase positiva para o fim-de-semana




Da série: Os filmes da minha vida

Drama

França/2002

Realização: Roman Polanski

Elenco: Adrien Brody, Emilia Fox,

Frank Finlay, Maureen Lipman,

Thomas Kretschmann

Esta série termina aqui.
Corro o risco de me escapar algum filme da minha vida mas não quero alargar o leque a obras que, podendo ser muito bonitas ou marcantes, não me são indissociáveis.
Esta série, que me levou a viajar por anos e centenas (milhares?) de filmes que já vi (sim, assumo-me como uma consumidora quase-quase-compulsiva) permitiu-me concluir, nomeadamente, que quem realizou mais filmes da minha vida foi o grande Roman Polanski (estou a falar em termos profissionais, que o resto abstenho-me de comentar).
De resto, continuarei a escrever sobre cinema como, aliás, não poderia deixar de ser.

Constatações LXXXVIII

Adorava conseguir fotografar o som da chuva forte.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

E como é bom...












... adormecer na tua pele nua.

Concatenações

Aprendi um verbo novo, de seu nome concatenar, que significa conjugar, encadear, ligar (ideias, argumentos). Logo me surgiram uma série de frases bem engraçadas onde usar tal verbo. Por exemplo:
Concatenei A com B e cheguei a C.
Ou:
Esta situação está directamente concatenada com aquela outra.
Ou mesmo:
Isso já foi concatenado.
Dificil mesmo é adoptar esse verbo na linguagem corrente sob pena de, sob olhares intrigadores e curiosos, me mandarem ir concatenar para outro sítio qualquer.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Citações

"Every child is an artist.
The problem is staying an artist when you grow up."

Pablo Picasso (1881-1973)

Da série: Os filmes da minha vida


Suspense
EUA/1999
Realização: M. Night Shyamalan
Elenco: Bruce Willis, Haley Joel Osment,
M. Night Shyamalan, Mischa Barton,
Olivia Williams, Tonni Collette

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Aditamento ao post anterior

(A foto é de autor(es). Foi tirada numa muita quente tarde de Agosto.)

Hoje sinto-me assim...


(Que saudades do Verão...)

Como???

Ouvi (ao vivo e a cores) um dirigente da Administração Pública nacional (com um cargo de considerável responsabilidade) afirmar, alto e bom som, que se os grandes não fazem nada (falando em termos laborais e referindo-se aos Isaltinos e afins) não era a ele que lhe competia fazer.
Como é pode este país evoluir?

Venham mais cinco

O Eixo do Mal completa hoje 5 anos de existência, um caso de admirável longevidade no panorama televisivo nacional. Não podia deixar passar em branco esta data, até porque se trata do meu programa favorito.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Para ti


(Mini) diálogo desconexo

- Ai ai que o tabaco ainda te vai matar.
- Pois... ou isso ou outra coisa qualquer.

E se defendessem as criancinhas de África? (Outra vez)

E porque está outra vez na ordem do dia os casamentos gays (parece que não há coisas importantes que devem ser discutidas no e pelo país), repesco um texto que escrevi em Fevereiro, porque continuo a pensar exactamente assim.

"Já me irrita ligeiramente todo este sururu à volta dos casamentos gay, ou entre homossexuais ou, como alguns entrevistados dizem na televisão, homemsexuais, que é uma expressão que muito me apraz; e ainda não estamos na fase dos acesos debates - que não vou ver -no Prós e Contras, na fase das análises sociológicas profundas, do quem somos, para onde vamos, será que há vida em Marte?
Irrita-me sobretudo a defesa de valores e princípios bacocos, desconstruíveis em menos de nada, assentes na debilidade do que supostamente é normal.
Não quero com isto dizer que sou uma acérrima defensora dos casamentos entre gays. Penso apenas que não tenho nada a ver com isso. Aliás, ninguém tem nada a ver com isso! Logo, se há gays que querem casar, deixem-nos casar, que isso não diz respeito a ninguém se não aos próprios. Por mim, até pode ser de véu e grinalda
."

Agora o tema aquece com a possibilidade de se referendar o assunto que, no fundo, consiste num referendo sobre a liberdade de cada um. Sinto o estômago a revolver-se violentamente.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Ainda sobre coincidências

Decidimos passar a noite de Halloween em casa, num serão aconchegado de cinema. À tarde lembrei-me que gostava de ver Shining (de Stanley Kubrick, 1980), com o belíssimo Jack Nicholson. Por um lado, porque tinha muita curiosidade em ver o filme (uma vez apanhei parte dele a meio de um café com os amigos e fiquei siderada) e, por outro, porque me parecia perfeito para aquela noite.
Uma ida ao videoclube acabou-nos com a vontade, porque o ansiado filme estava fora. Decidimos então ver um dos muitos que temos lá por casa. Aninhamo-nos no sofá depois de escolher o que vamos ver e, mesmo antes, fazes um zapping enquanto acabo de ler um artigo.
Passas pelo Canal Hollywood e deixas ficar, a tentar perceber que filme é aquele que está a passar e que tens a sensação de já ter visto.
Imediatamente percebes que é o Shining, que está mesmo a começar.
Enfim… No creo em brujas , pero que las hay, las hay.

Constatações LXXXVII

A minha gata é uma praticante exímia de Parcours.

Oba!

O Abirritante considerou que este é um blog perfeito para aprender qualquer coisa todos os dias. Eu agradeço, mas não nomeio nenhum outro que reúna tal condição (como parece constar das regras). Poderia ser qualquer um das espreitadelas aqui da direita.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Da série: Os filmes da minha vida

Drama
Espanha/2002
Realização: Pedro Almodóvar
Elenco: Cecília Roth,
Geraldine Chaplin, Javier Cámara,
Leonor Watling, Paz Vega

Objectivos traçados, medidos, concluídos.
Adiados, atingidos, merecidos.
Inacabados, estruturados, antevistos.
Caídos, reerguidos, renascidos.


(Por vezes penso que a vida é uma sucessão encantadora

de coincidências consequentes).

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Vão mas é trabalhar!

Os "Homens da Luta" voltaram a ser detidos, hoje, durante a cerimónia de tomada de posse do Governo. Jel afirmou repetidamente que a acção dos agentes da PSP foi uma vergonha.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Frases (bem) feitas


Constatações LXXXVI

Da entrevista de António Lobo Antunes a Judite de Sousa posso afirmar sentir o que sinto sempre: vontade de ficar a ouvi-lo durante horas. Aliás, vem-me sempre à memória a imagem de uma criança sentada à chinês defronte de um avozinho muito sábio de quem se espera que nos conte histórias de encantar, como só ele sabe.

Da série: Os filmes da minha vida


Musical
EUA/Austrália/2001
Realização: Baz Luhrmann
Elenco: David Wenham, Ewan Mcgregor,
Garry McDonald, Kylie Minogue,
Nicole Kidman, Richard Roxburgh

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

"Um beijo, afinal de contas o que é?
Um juramento feito um pouco mais de perto, uma promessa mais precisa, uma confissão que quer confirmar-se, uma letra cor-de-rosa que se põe no verbo amar.
É um segredo que substitui a boca pelo ouvido, um momento de infinito que faz um zumbido de abelha, uma comunhão com gosto de flor, uma maneira de se respirar um pouco o coração, e de se saborear, na ponta dos lábios, a alma."

In "Cyrano de Bérgerac" (Jean-Paul Rappeneau, 1989)

terça-feira, 20 de outubro de 2009

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Saramaguices

(…) “Antes, na criação do Universo, Deus não fez nada. Depois, decidiu criar o Universo, não se sabe porquê, nem para quê. Fê-lo em seis dias, apenas seis dias. Descansou ao sétimo. Até hoje! Nunca mais fez nada! Isto tem algum sentido?”


«Deus só existe na nossa cabeça, é o único lugar em que nós podemos confrontar-nos com a ideia de Deus. É isso que tenho feito, na parte que me toca».


Agora são as declarações de Saramago que são objecto da mais recente discussão nacional (gosto especialmente da primeira que transcrevi, é mesmo muito boa). E são essas declarações que me levaram a escrever este post, embora o tema já me sobrevoasse há muito.
Não acredito em Deus e tenho dificuldades em aceitar que pessoas interessadas, informadas, cultas – porque não – possam não duvidar da sua existência.
Acho que teria perto de 20 anos quando comecei a aceitar a ideia de não acreditar em Deus. Não porque nunca tivesse pensado nisso até então, mas sim porque não me deixava sequer pensá-lo. Sentia medo. De ir para o inferno, de Deus me voltar as costas por ousar duvidar da sua existência (penso que é demonstrativo de como muita gente foi educada).
Não acredito em Deus, pelo menos naquele que a Igreja nos impingiu. Acho que, simplesmente, é muito mais cómodo para a maioria dos Homens acreditar que há uma força que os guia ou ampara, em comparação com a triste realidade de se saber que tudo depende exclusivamente de nós.
O Saramago não acredita em Deus. Eu também não. Isso fará de nós piores pessoas?

Uma bela definição de amor

(...) “Olhei para a pista e achei que metade daquela gente de aparência sexy e descontraída sentia no fundo falta de acordar com alguém ao lado a quem não sentisse necessidade de pedir que lavasse os dentes antes de se voltarem a beijar. Porque esse é o critério científico mais preciso que conheço para detectar o amor. Conseguir desfrutar daquela doce – em teoria insuportável – halitose matinal da pessoa que se tem ao lado sem a interferência de um dentífrico.” (...)

(Roubadíssimo ao Alfaiate Lisboeta)

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Tic tac tic tac

Vinte e duas horas e vinte e dois minutos. Vinte e duas e vinte e três. Os minutos caem como raios assustados, deixando um rasto de sol.
Os carros passam lá fora. Um. Outro. E mais outro.
A televisão, ligada lá ao fundo, emite uns sons a que não presto atenção.
Vinte e duas e vinte e quatro.
Um cão ladra, auau auau auau.
O gato mia.
O cão volta a ladrar, auau auau auau.
Vinte e duas e vinte e cinco.
A televisão também ladra, auau.
Os carros passam lá fora. Um. Outro. E mais outro.
Vinte e duas horas e vinte e seis minutos. Vinte e duas e vinte e sete. Os minutos caem como raios assustados, deixando um raio de sol.

Da série: Os filmes da minha vida


Suspense
EUA/2003
Realização: Clint Eastwood
Elenco: Laurence Fishburne,
Kevin Bacon, Marcia Gay Harden,
Sean Penn, Tim Robbins

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

A vida é sempre a perder

"Afastado da televisão há cerca de um mês e sem contrato com nenhuma estação, o humorista faz espectáculos privados e anima copos de água." (sobre Herman José)

In Diário IOL

Tenho pena que um génio do humor, em decadência desde o Herman Enciclopédia, não tenha sabido retirar-se e renovar-se.