quarta-feira, 4 de novembro de 2009

(Mini) diálogo desconexo

- Ai ai que o tabaco ainda te vai matar.
- Pois... ou isso ou outra coisa qualquer.

E se defendessem as criancinhas de África? (Outra vez)

E porque está outra vez na ordem do dia os casamentos gays (parece que não há coisas importantes que devem ser discutidas no e pelo país), repesco um texto que escrevi em Fevereiro, porque continuo a pensar exactamente assim.

"Já me irrita ligeiramente todo este sururu à volta dos casamentos gay, ou entre homossexuais ou, como alguns entrevistados dizem na televisão, homemsexuais, que é uma expressão que muito me apraz; e ainda não estamos na fase dos acesos debates - que não vou ver -no Prós e Contras, na fase das análises sociológicas profundas, do quem somos, para onde vamos, será que há vida em Marte?
Irrita-me sobretudo a defesa de valores e princípios bacocos, desconstruíveis em menos de nada, assentes na debilidade do que supostamente é normal.
Não quero com isto dizer que sou uma acérrima defensora dos casamentos entre gays. Penso apenas que não tenho nada a ver com isso. Aliás, ninguém tem nada a ver com isso! Logo, se há gays que querem casar, deixem-nos casar, que isso não diz respeito a ninguém se não aos próprios. Por mim, até pode ser de véu e grinalda
."

Agora o tema aquece com a possibilidade de se referendar o assunto que, no fundo, consiste num referendo sobre a liberdade de cada um. Sinto o estômago a revolver-se violentamente.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Ainda sobre coincidências

Decidimos passar a noite de Halloween em casa, num serão aconchegado de cinema. À tarde lembrei-me que gostava de ver Shining (de Stanley Kubrick, 1980), com o belíssimo Jack Nicholson. Por um lado, porque tinha muita curiosidade em ver o filme (uma vez apanhei parte dele a meio de um café com os amigos e fiquei siderada) e, por outro, porque me parecia perfeito para aquela noite.
Uma ida ao videoclube acabou-nos com a vontade, porque o ansiado filme estava fora. Decidimos então ver um dos muitos que temos lá por casa. Aninhamo-nos no sofá depois de escolher o que vamos ver e, mesmo antes, fazes um zapping enquanto acabo de ler um artigo.
Passas pelo Canal Hollywood e deixas ficar, a tentar perceber que filme é aquele que está a passar e que tens a sensação de já ter visto.
Imediatamente percebes que é o Shining, que está mesmo a começar.
Enfim… No creo em brujas , pero que las hay, las hay.

Constatações LXXXVII

A minha gata é uma praticante exímia de Parcours.

Oba!

O Abirritante considerou que este é um blog perfeito para aprender qualquer coisa todos os dias. Eu agradeço, mas não nomeio nenhum outro que reúna tal condição (como parece constar das regras). Poderia ser qualquer um das espreitadelas aqui da direita.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Da série: Os filmes da minha vida

Drama
Espanha/2002
Realização: Pedro Almodóvar
Elenco: Cecília Roth,
Geraldine Chaplin, Javier Cámara,
Leonor Watling, Paz Vega

Objectivos traçados, medidos, concluídos.
Adiados, atingidos, merecidos.
Inacabados, estruturados, antevistos.
Caídos, reerguidos, renascidos.


(Por vezes penso que a vida é uma sucessão encantadora

de coincidências consequentes).

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Vão mas é trabalhar!

Os "Homens da Luta" voltaram a ser detidos, hoje, durante a cerimónia de tomada de posse do Governo. Jel afirmou repetidamente que a acção dos agentes da PSP foi uma vergonha.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Frases (bem) feitas


Constatações LXXXVI

Da entrevista de António Lobo Antunes a Judite de Sousa posso afirmar sentir o que sinto sempre: vontade de ficar a ouvi-lo durante horas. Aliás, vem-me sempre à memória a imagem de uma criança sentada à chinês defronte de um avozinho muito sábio de quem se espera que nos conte histórias de encantar, como só ele sabe.

Da série: Os filmes da minha vida


Musical
EUA/Austrália/2001
Realização: Baz Luhrmann
Elenco: David Wenham, Ewan Mcgregor,
Garry McDonald, Kylie Minogue,
Nicole Kidman, Richard Roxburgh

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

"Um beijo, afinal de contas o que é?
Um juramento feito um pouco mais de perto, uma promessa mais precisa, uma confissão que quer confirmar-se, uma letra cor-de-rosa que se põe no verbo amar.
É um segredo que substitui a boca pelo ouvido, um momento de infinito que faz um zumbido de abelha, uma comunhão com gosto de flor, uma maneira de se respirar um pouco o coração, e de se saborear, na ponta dos lábios, a alma."

In "Cyrano de Bérgerac" (Jean-Paul Rappeneau, 1989)

terça-feira, 20 de outubro de 2009

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Saramaguices

(…) “Antes, na criação do Universo, Deus não fez nada. Depois, decidiu criar o Universo, não se sabe porquê, nem para quê. Fê-lo em seis dias, apenas seis dias. Descansou ao sétimo. Até hoje! Nunca mais fez nada! Isto tem algum sentido?”


«Deus só existe na nossa cabeça, é o único lugar em que nós podemos confrontar-nos com a ideia de Deus. É isso que tenho feito, na parte que me toca».


Agora são as declarações de Saramago que são objecto da mais recente discussão nacional (gosto especialmente da primeira que transcrevi, é mesmo muito boa). E são essas declarações que me levaram a escrever este post, embora o tema já me sobrevoasse há muito.
Não acredito em Deus e tenho dificuldades em aceitar que pessoas interessadas, informadas, cultas – porque não – possam não duvidar da sua existência.
Acho que teria perto de 20 anos quando comecei a aceitar a ideia de não acreditar em Deus. Não porque nunca tivesse pensado nisso até então, mas sim porque não me deixava sequer pensá-lo. Sentia medo. De ir para o inferno, de Deus me voltar as costas por ousar duvidar da sua existência (penso que é demonstrativo de como muita gente foi educada).
Não acredito em Deus, pelo menos naquele que a Igreja nos impingiu. Acho que, simplesmente, é muito mais cómodo para a maioria dos Homens acreditar que há uma força que os guia ou ampara, em comparação com a triste realidade de se saber que tudo depende exclusivamente de nós.
O Saramago não acredita em Deus. Eu também não. Isso fará de nós piores pessoas?

Uma bela definição de amor

(...) “Olhei para a pista e achei que metade daquela gente de aparência sexy e descontraída sentia no fundo falta de acordar com alguém ao lado a quem não sentisse necessidade de pedir que lavasse os dentes antes de se voltarem a beijar. Porque esse é o critério científico mais preciso que conheço para detectar o amor. Conseguir desfrutar daquela doce – em teoria insuportável – halitose matinal da pessoa que se tem ao lado sem a interferência de um dentífrico.” (...)

(Roubadíssimo ao Alfaiate Lisboeta)

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Tic tac tic tac

Vinte e duas horas e vinte e dois minutos. Vinte e duas e vinte e três. Os minutos caem como raios assustados, deixando um rasto de sol.
Os carros passam lá fora. Um. Outro. E mais outro.
A televisão, ligada lá ao fundo, emite uns sons a que não presto atenção.
Vinte e duas e vinte e quatro.
Um cão ladra, auau auau auau.
O gato mia.
O cão volta a ladrar, auau auau auau.
Vinte e duas e vinte e cinco.
A televisão também ladra, auau.
Os carros passam lá fora. Um. Outro. E mais outro.
Vinte e duas horas e vinte e seis minutos. Vinte e duas e vinte e sete. Os minutos caem como raios assustados, deixando um raio de sol.

Da série: Os filmes da minha vida


Suspense
EUA/2003
Realização: Clint Eastwood
Elenco: Laurence Fishburne,
Kevin Bacon, Marcia Gay Harden,
Sean Penn, Tim Robbins

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

A vida é sempre a perder

"Afastado da televisão há cerca de um mês e sem contrato com nenhuma estação, o humorista faz espectáculos privados e anima copos de água." (sobre Herman José)

In Diário IOL

Tenho pena que um génio do humor, em decadência desde o Herman Enciclopédia, não tenha sabido retirar-se e renovar-se.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Enrosquei-me no teu colo silencioso.
Não sei se passaram minutos ou horas.
Não sei se passou tempo algum.
Quando abri os olhos os teus estavam fechados.
(não estavas a dormir porque continuavas a mexer-me, suavemente, no cabelo).
Fechei-os com esperança de sonhar o teu sonho.