terça-feira, 6 de outubro de 2009

Hoje sinto-me assim...


Amália amanhã

Tenho dificuldades em compreender este histerismo à volta dos dez anos passados sobre a morte de Amália, sendo que projectos como “Amália hoje” dão um empurrãozinho à situação (e uns eurozitos a mais nas contas de Sónia Tavares e compadres). Curioso é que não me recordo de tal fenómeno acontecer nos 9 anos anteriores. Assim, parece-me que daqui a 10 anos voltaremos a ser inundados com recordações e testemunhos e ai que ela cantava tão bem e era portuguesa mas conhecida no mundo inteiro e homenagens à fadista mas, até lá, ouviremos um mero faz … anos que morreu Amália, no final de um qualquer telejornal, acompanhado por um excerto do povo que lavas no rio.
De onde concluo que as demonstrações de saudades e veneração vêm fatiadas à década.
Estranha forma de vida.

"Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?"

Fernando Pessoa

domingo, 4 de outubro de 2009

Definições

Inveja
s.f.
1. Desgosto pelo bem alheio.
2. Desejo de possuir o que o outro tem (acompanhado de ódio pelo possuidor).
ou

1.Sentimento altamente repugnante associado a pobres coitados que não têm nada melhor para fazer.

2. Sina triste.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Constatações LXXXV

Gosto quase tanto de fins-de-semana prolongados como de profiteroles encharcados em molho de chocolate.

Ela observava-o
pelo retrovisor
a observá-la pelo
retrovisor.
Foi uma espécie de triângulo-momentâneo-amoroso-reflectido.

Da série: Os filmes da minha vida


Drama
EUA/1994
Realização: Oliver Stone
Elenco: Juliette Lewis,
Robert Downey Jr.,
Tom Sizemore,
Tommy Lee Jones,
Woody Harrelson

De pequenino é que se torce o pepino

Uma criança chinesa, quando interrogada sobre o que queria ser quando fosse grande, respondeu que queria ser uma funcionária corrupta.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

O quê? *

Alguns posts por dia dão saúde e alegria.

Hoje sinto-me assim...







E porque me apetece falar de cinema

Realizado por Wolfgang Becker, este filme de 2003, cuja acção decorre na Alemanha de Leste, retrata a entrada em coma de uma militante socialista, após um ataque cardíaco, poucos dias antes da queda do Muro de Berlim, e a permanente encenação criada pelo filho, quando a mesma acorda, oito meses depois: sabendo que a mãe poderá não sobreviver a qualquer choque, e considerando a sua dedicação à causa política, o filho monta um esquema, envolvendo pessoas, objectos e situações, para que a senhora julgue que nada se alterou no país.
Extremamente bem realizado, é um filme ao mesmo tempo forte e ternurento, que me levou a questionar se tratamos os nossos pais como eles merecem. Muito bom.

sábado, 26 de setembro de 2009

Pois

Pretendo escrever sobre o nosso Presidente mudo; no entanto só o farei após as eleições (também tenho direito a silêncios inoportunos, ou não?).

E é tão bom amar-te
e é tão bom viver assim.

Hoje sinto-me assim...


Excertos

"Enquanto me juntava à fila de carros que esperavam, recordei a nossa infância na Arábia Saudita, vinte anos antes, e as revistas arbitrárias que a polícia religiosa fazia aos carros nas semanas que precediam o Natal. Que procuravam aquelas zelosas mãos? A mais pequena gota de álcool festivo, claro, mas até uma simples folha de papel de embrulho, com os seus sinistros símbolos natalícios de azevinho e hera. Eu e o Frank sentávamo-nos no banco traseiro do Chevrolet, apertando contra o peito os comboios eléctricos que só seriam embrulhados minutos antes de abrirmos as caixas enquanto o Pai discutia com os polícias no seu árabe sarcástico e profissional, perturbando a Mãe, que era muito nervosa.
Contrabando era uma actividade que tínhamos praticado desde tenra idade. Os rapazes mais velhos do Colégio Inglês de Riade falavam entre si de um intrigante e misterioso mundo de vídeos clandestinos, drogas e sexo ilícito. Mais tarde, quando regressámos a Inglaterra depois da morte da nossa mãe, percebi que aquelas pequenas conspirações tinham servido para manter juntos os expatriados britânicos, dando-lhes um sentido de comunidade. Sem as ligações e as expedições de contrabando, a Mãe teria deixado o escorregadio mundo escapar-se-lhe das mãos muito antes da trágica tarde em que subiu ao telhado do Instituto Britânico para fazer o seu curto voo até à única segurança que conseguiu encontrar."

J.G. Ballard in "Noites de Cocaína"

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Teorias

Engraçado como é possível definir (minimamente, claro, dadas as circunstâncias) o perfil de um blogger pela forma como ele escreve e como se relaciona com os outros.
Há os simpáticos, os tímidos, os do contra (sim, Funes, refiro-me a si, espero que me perdoe a indiscrição), os intelectuais, os que têm a mania que são bons, os práticos, os elitistas, os que escrevem, os que não escrevem e por aí adiante.
Sei exactamente quais os bloggers que gostava de conhecer, aqueles com os quais teria grandes discussões e os que têm gostos parecidos com os meus, sei aqueles com quem me daria harmoniosamente e com quem andaria sempre à cabeçada.
Mas (quem me lê há largo tempo sabe) este é um blog quase anónimo; ou seja, a grande maioria dos blogs que frequento são-me afins, não estamos “ligados” por qualquer forma de elo real. E isso dá-me a liberdade de que não consigo abdicar.
Lá esta, na blogosfera como na vida.

Da série: Os filmes da minha vida


Comédia Dramática
Itália/ 1997
Realização: Roberto Benigni
Elenco: Giorgio Cantarini,
Nicoletta Braschi, Roberto Benigni




Aguerrido?

Ontem à noite a SIC Notícias passou, em directo, uma entrevista feita ao Paulinho das feiras durante um jantar-comício num sítio qualquer, que não interessa para o caso.
No final, Ana Lourenço definiu como aguerrido o discurso do Paulinho. Aguerrido? Das duas uma: ou ele bebeu um bocado para além da conta ou, então, mandou qualquer coisa, como nos tempos de rambóia com o MEC.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Diário de Maria

Já não consigo rir-me com os Gato. Estarei grávida?

A ver (sempre)


(Gosto especialmente do tom corrosivo da Clara Ferreira Alves,

uma mulher sem papas na língua, seguramente).