terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Podias ter ligado em qualquer outro minuto,
em qualquer outro dia,
mas não,
ligaste ali.
Poderia ter sido outra pessoa qualquer,
mas não,
foste tu.
E isso,
naquele instante,
fez toda a diferença.
Obrigada.

A ver

Ensaio sobre a cegueira, de Fernando Meirelles, é obrigatório. Porque é um murro no estômago. Porque faz pensar que podemos perder o que temos por adquirido. Porque é muito bonito. E porque se baseou na obra homónima de Saramago que, apesar de muito contestado, é um génio literário. Porque só um génio escreve histórias assim.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Definições


VAZIA

do Lat. vacivuadj.,


que não contém nada ou só contém ar;
esvaziada;
despejada;
desocupada;
despovoada;
desprovida;
destituída.

Hoje apetecia-me não existir. Ou, existindo, existiria sózinha; no máximo, existiria longe de todos. Porque todos me cansam com os seus dias pontuados de mentiras e subterfúgios e pequenezes tão desnecessárias quanto nojentas.
Hoje partia para nunca mais voltar. À procura de gentes genuínas e correctas. No fundo, gentes pelas quais valesse a pena existir.
Hoje mandava para o caralho todos aqueles que o merecem ouvir (mas, pensando bem, iria passar por ventura o dia a mandar pessoas para o caralho e isso poder-me-ia cansar também).
Não posso. Por isso fecho-me no meu mundo, solitário mas meu, pequenino mas verdadeiro, real nesta nuvem em que pareço viver.
Hoje a porta está fechada. Acho que tão cedo não a volto a abrir.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Constatações LXIV

Leio na "Última Hora" de um jornal on line que a Jennifer Aniston (a eterna ex do Brad Pitt) encontrou um cabelo branco no meio dos seus milhares de cabelos.
É por isso que nunca hei-de deixar de ler jornais. Mantêm-nos informados acerca do que é verdadeiramente importante.

Da série: Os filmes da minha vida


Drama
Brasil, 2002
Realizador: Fernando Meirelles
Elenco: Matheus Nachtergaele, Seu Jorge,
Alexandre Rodrigues, Leandro Firmino da Hora
George: Porque é que fazem embalagens de preservativos tão difíceis de abrir?
Jerry: Para que as mulheres tenham uma última oportunidade para se arrependerem.

In "Seinfeld"

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Hoje sinto-me assim


Shiva Ohm

Numa das últimas aulas de Yoga a instrutora decidiu iniciar com aquilo que designou de Mantra (devo avisar que sou desconhecedora dos termos e conceitos associados ao Swasthya Yoga, sabendo apenas que, segundo se diz, foi Shiva quem o criou; devo avisar também que o pratico não mais do que pelas sensações de serenidade, bem-estar e, claro, pelo exercício físico; aliás, já executo posições que não lembram ao Diabo e, se fui bem ensinada, já respiro como todos devíamos aspirar).
Dizia eu, iniciamos com o Mantra: a instrutora repetiu umas palavras (algo como Shiva Ohm) para que as percebessemos, depois começou a cantá-las
Shiva Ohm
Shiva Ohm
Shiva Ohm (mais alto)
Shiva Ohm (ainda mais alto)
e, finalmente, incitou-nos a imitá-la, sendo rapidamente acompanhada por um coro de Shiva Ohms, o que me obrigou a conter o riso. Muito. Mas como rir destas práticas é ir contra a filosofia, o que não se coaduna com a sua prática, esforcei-me por me calar. No entanto (tenho de me lembrar de melhorar a concentração!!!) não consegui impedir-me de imaginar que participava num culto de uma seita maluca qualquer.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Mais simples do que parece

Anda uma mulher bem-disposta, a fazer a sua vida, e de repente ocorrem-lhe variações súbitas e incompreensíveis de humor, vindas não se sabe muito bem de onde ou porquê.
Depois descobre-se que, afinal, é só o período.

"Cansa sentir quando se pensa"

Cansa sentir quando se pensa.
No ar da noite a madrugar
Há uma solidão imensa
Que tem por corpo o frio do ar.

Neste momento insone e triste
Em que não sei quem hei de ser,
Pesa-me o informe real que existe
Na noite antes de amanhecer.

Tudo isto me parece tudo.
E é uma noite a ter um fim
Um negro astral silêncio surdo
E não poder viver assim.

(Tudo isto me parece tudo.
Mas noite, frio, negror sem fim,
Mundo mudo, silêncio mudo -
Ah, nada é isto, nada é assim!)

Fernando Pessoa in "Cancioneiro"

Porque é que...

... quando tenho necessidade urgente de escrever, porque os (demasiados) pensamentos que me invadem - sim, cheguei à conclusão de que penso demais -, as ideias e imagens e viagens que não me deixam concentrar e me fazem sentir perdida, porque é que quando mais preciso de exorcizá-los, aos pensamentos, o que só consigo fazer com a escrita, mais eles se mantêm em mim?

sábado, 31 de janeiro de 2009

Ditos

"Será mais um português a quem o Presidente americano dará ordens e ensinará a rebolar. Nisso, o cão não se distinguirá especialmente de Durão Barroso."

Ricardo Araújo Pereira sobre o cão de água português
que Barack Obama poderá oferecer às filhas in Visão

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Da série: Os filmes da minha vida


Comédia
EUA, 1999
Realizador: Spike Jonze
Elenco: Brad Pitt, Cameron Diaz, Catherine Keener, Charlie Sheen, Jonh Cusack, John Malkovich, Sean Penn

E porque hoje é 6ª feira

E porque o fim-de-semana é óptimo para ver filmes (como noutro momento qualquer), inicio aqui uma nova rubrica (gosto desta palavra).
Segue já a seguir.
- Lê-me.
- Como - replicou - se não és feito de palavras?
- Experimenta em Braille.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Este blog anda a ouvir


Como?

Desconfio de pessoas que têm como autores preferidos Nicolas Sparks ou Paulo Coelho.

Se eu pudesse...

Erradicava os homenzinhos de fato gasto, gravata às riscas e sapatinhos com berloques, que acham que a idade lhes atribui um posto, que ocupam altos cargos sem que ninguém perceba muito bem como lá chegaram, que dizem piadas (sem piada) das quais os outros se riem por subserviência, que respondem a perguntas concretas com frases filosóficas que não respondem a nada, que nunca estão nas (raras) ocasiões que são precisos, que se acham o máximo quando, na verdade, são ridicularizados, e que me irritam profundamente!
Ai, se eu pudesse...

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Constatações LXIII

Detesto Repartições de Finanças.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Hoje sinto-me assim...


(LONGE)

Piadinha

"O tempo não é de politiquices."

Manuel Pinho, ministro da Economia, in "Prós e Contras"

Considerações sobre a morte

Morremos. Há quem o aceite relativamente bem, há quem fuja desta evidência com todas as forças.
A questão é: e quando sabemos que, a curto prazo, vamos morrer?
(O que imaginaríamos - quereríamos? - que acontecesse bem lá longe, se apresenta como um facto palpavelmente real e imediato. Exageradamente imediato.)
E, pior ainda, quando a morte vem acompanhada de dor?
Será que nós, os que não sabem quando vão morrer, têm legitimidade para censurar quem queira antecipar o momento? Poderemos ser egoístas a esse ponto? Ou poderemos defender teorias (vazias) segundo as quais não podemos, em circunstância alguma, acabar com a nossa vida?
Não sei o que faria se soubesse que ia morrer. De forma estúpida e injusta e dolorosa.
Não sei se quereria antecipar-me ao destino.
Mas compreendo quem o queira.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Constatações LXII

Quando a cabeça não tem juízo o corpo é que paga.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Hoje sinto-me assim...


De repente, surpreendes-me com um gesto que não esperava. Um gesto querido, pretendido, sonhado em pensamentos difusos, que me colocou um sorriso permanente no olhar. A vida é um jogo maravilhoso...

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Desabafo

Ao ler uns posts antigos, vi o teu comentário ao texto que, sabes, foi escrito para ti. Fiquei surpreendida. Porquê? Porque é que me escreves quando não tens coragem de me olhar nos olhos? Não é o teu comentário que me vai fazer esquecer a forma (cobarde) como decidiste resolver as coisas. E que muito me magoou. Por isso não me escrevas. Um dia, se me conseguires enfrentar, em vez de fugires, talvez ouça as tuas razões irrazoáveis. Até lá ignoro a tristeza que possas sentir. Porque eu senti-a muito mais.
(...) A cidade está deserta
E alguém escreveu o teu nome em toda a parte
Nas casas, nos carros, nas pontes, nas ruas
Em todo o lado essa palavra
Repetida ao expoente da loucura
Ora amarga! Ora doce
Para nos lembrar que o amor é uma doença
Quando nele julgamos ver a nossa cura.



Ornatos Violeta in "Ouvi dizer"

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Este blog tem-se sentido assim


Enfim...

Não sei com que raio de cara ando visto que, nos últimos dias, vários colegas de trabalho me vêm contar triquices sobre outros colegas que eu não quero saber. Além de que, não trabalhando directamente com os visados, não é difícil aperceber-me de que não importa aos cuscos quem os ouça, importa simplesmente destilar... E este tipo de comportamento faz-me muita, muita confusão. Porquê eu? Porquê?
Nesses momentos limito-me a dizer enfim, e a tentar esconder a vontade que tenho de lhes bater violentamente à paulada.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Rectificação à Constatação LX

Retiro o que disse. Um homem perguntou-me a idade sem a frase introdutória. Assim, a frio.


A vida muda-nos num momento. É uma afirmação conhecida, usada e abusada que estou habituada a ouvir. Mas só por vezes, como agora, sinto-a absurdamente verdadeira. De repente, tão de repente que o presente me escorre das mãos já passado, todos os planos deixam de acontecer e deixam de fazer sentido. A vida muda-se-nos num momento. O que era já não é e o que é, daqui a nada, pode deixar de o ser.


Constatações LXI

Os Abba são o Mika dos anos 70.

Podia ter-me dado para pior

Esta noite sonhei que estava em Albufeira quando passei por um café onde estavam os irmãos Cohen. Depois do histerismo inicial lembrei-me que tinha ali mesmo à mão (ou, para ser rigorosa, na carteira) uma Kodak descartável através da qual pude guardar o momento.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Constatações LX

Os homens foram formatados para, sempre que perguntam a idade a uma mulher, dizerem aquela frase introdutória: "Eu sei que não se pergunta a idade a uma senhora mas...". É que não há nenhum que não o diga!

Globos de Ouro 2008

Parece-me que as meninas combinaram entre si, a ver quem é que levava o vestidinho mais feio.
Não, não estou a exagerar. As fotografias comprovam-no.





Olivia Wilde


January Jones





Salma Hayek

Rutina Wesley

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Lindo!

Mal coloco o pé dentro de casa ele corre na minha direcção para me abraçar.
No meio do abraço diz-me, com ar dramático e a voz a tremelicar:
- Oh Leninha eu adoro-te! Eu adoro-te mas tu odeias-me! Para ti eu sou uma travessa!

Para ti

Obrigada G. por seres minha amiga. Obrigada por, contigo, poder ser quem sou sem ter de pensar nisso. Obrigada pelas nossas conversas acriançadas e pelo riso fácil e altamente sonoro que fazemos questão de não perder. Obrigada pelos momentos cheios de ternura e pelos outros, aqueles em que maldizemos a nossa vida para, logo depois, reconhecermos que afinal não é assim tão má (não é mesmo nada má). Obrigada pelas brincadeiras e pela cumplicidade. Obrigada por fazeres parte do meu mundo porque, contigo, o meu mundo é melhor.

(P.S.: Ti amo!)

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Perguntinha seguida de afirmaçãozinha

É muito tarde para desejar bom ano?

Desejo na mesma!

Amália


Amália, divã do fado, de que não sou grande apreciadora (talvez por não gostar do sentimento triste de saudade que lhe está associado) foi, se o filme lhe fez um retrato fiável, uma grande mulher.

Nunca teve uma vida fácil, crescendo com a distância e o desprezo da mãe, mas foi uma mulher de garra que cantava por verdadeira paixão.

Penso que terá sido pelo orgulho de ser portuguesa e o amor ao país que nunca se mundializou.

Entre a pele eriçada e as lágrimas que quase me cairam retive principalmente a sensação de força e muita garra da fadista.

Acho que foi uma mulher que viveu. E só por isso fiquei a admirá-la.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Constatações LIX

Já não tenho idade para fazer directas.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Fait-divers natalício

Este ano, a Popota está muito pindérica.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Constatações LVIII

Os Gato Fedorento colocaram a possibilidade (irreal, claro!), do Zé Carlos se transformar num programa da manhã.
Eu digo que, se continuarem assim, não lhes falta muito.
Quando os momentos mais engraçados do programa são os "tesourinhos deprimentes", algo vai bastante mal.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Parabéns!



Manoel de Oliveira comemora hoje 100 anos (e 100 anos é muuuiiittoooo tempo!). Embora não seja fã, admiro-lhe a tenacidade e humildade. E satisfaz-me saber que é nosso o mais velho realizador do mundo.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Ah? (2)

E então não é que, segundo os nuestros hermanos do "El Mundo", José Sócrates é o 6º homem mais elegante do mundo?
Mais do que o Jude Lawzinho????
Abstenho-me de comentar.

Adeus

Há momentos e pessoas em que acredito valer a pena apostar. Um feeling... a força de um olhar... ou simplesmente a persistente vontade que tenho de que as pessoas sejam um bocadinho melhores do que são. Por vezes acontece, a maioria não, que já devia saber, por esta altura, que as gentes não são os seres bondosos e honestos que gostaria que fossem.
Iludo-me assim e, na próxima, iludir-me-ei outra vez (e outra e outra vez). Porque não consigo (não quero?) que seja diferente.
No entanto, quando percebo que nunca me conseguirão dar o mesmo que eu dou (e, em tudo o que faço, dou sempre muito) acabo por desistir. Não vale a pena quando já não se acredita, não é?
Não acredito em ti.
Desisto.
Adeus.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Amor & Sexo

(…) Amor sem sexo
É amizade
Sexo sem amor
É vontade...

Amor é um
Sexo é dois
Sexo antes
Amor depois...

Sexo vem dos outros
E vai embora
Amor vem de nós
E demora...

RITA LEE

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Hoje sinto-me assim...


Passagens

"Ao fim e ao cabo, cada vida não é mais do que a soma de factos contingentes, uma crónica de intersecções casuais, de golpes de sorte, de acontecimentos aleatórios que revelam apenas a sua própria ausência de propósito."

Paul Auster in O quarto fechado - A trilogia de Nova Iorque

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Resolução

Da próxima vez que quiser ver uma comédia e deixar-me levar pela crítica de jornais ou revistas lembrar-me que: onde se diz hilariante deverei ler com alguma piada (por vezes); onde se diz imperdível deverei ler nada de mais; onde se diz uma das melhores comédias do ano deverei ler se fosse mesmo bom já tinha ouvido falar, não?
Gosto do frio que me gela a cara e as mãos nestes dias calmos. Gosto de caminhar sem tempo pelas ruas iluminadas, doiradas, apinhadas de gente que acredita que a vida é mais fácil assim. Gosto das músicas de Sinatra que ecoam por toda a cidade, sobrepondo-se ao barulho dos carros e aos gritos das crianças excitadas. Gosto de calcorrear a minha alma como se ela fosse feita de neve. Deixando pequenas pegadas que já estão a desaparecer. Cada vez mais gosto de estar perto de mim.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Perguntinha

Será que esta tendência para andar sempre na corda bamba me será inata ou foi algo que fui desenvolvendo?

Hoje sinto-me assim...


SIMPSONIZADA




(Vão a http://simpsonizeme.com e simpsonizem-se também!)

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Passagens

"Mas as oportunidades perdidas também fazem parte da vida como as oportunidades assumidas, e as histórias não podem viver do que poderiam ter sido."

Paul Auster in Fantasmas - A trilogia de Nova Iorque

Constatações LVII

Nada como um homem novo no local de trabalho para o mulherio ficar todo histérico. Atrever-me-ia a afirmar que, desde esse momento, há interessadas (independentemente do seu estado civil) que passaram a vir trabalhar muito mais arranjadas.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Fait-divers

Depois de 4 aulas de salsa, eu e o meu partenaire abandonamos a aula a meio, debaixo do olhar desaprovador do professor. É que, quando não há vontade, não há nada a fazer. Ainda por cima os restantes pares são muito obcecados, e olham-nos de lado quando começamos a fazer verdadeiras coreografias Dança Comigo e a rir-mo-nos que nem malucos das nossas actuações!
Assim, decidimos ir fumar cigarros e falar sobre a vida. Opções...

Ah?

A revista People elaborou uma lista com os homens mais sexy do mundo. Alguns exemplos:

Ed Westwick
7º lugar


Michael Phelps
8º lugar

Lang Lang
10º lugar


Tem que ser uma brincadeira, certo?

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

E quando me sinto assim...
triste,
cansada,
derrotada,
escrevo para que a alma deixe de me pesar.
Que sensação esta de impotência,
que me aperta,
que me desfoca.
E quando me sinto assim...
em que não tenho lágrimas,
em que os gritos me saem mudos,
vazios de qualquer intenção...
Escrevo.
É o meu refúgio.
A minha única evasão.

Hoje sinto-me assim...


Na idade dos porquês

Qual terá sido o exacto momento em que as pessoas perderam a capacidade de conversar, frente-a-frente, olhos nos olhos? Vejo-as agarradas aos computadores, com amigos por todo o mundo mas sem ninguém ao seu lado. Será impressão minha ou vivemos numa global solidão? Em que o toque foi substituído por letras escritas (inventadas?) em teclados impessoais; em que o olhar foi substituído por câmaras e ecrãs aos quais é demasiado fácil fugir.
Qual terá sido o exacto momento em que as pessoas julgaram que as relações se constroem assim?

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

The story

All of these lines across my face
Tell you the story of who I am
So many stories of where I've been
And how I got to where I am
But these stories don't mean anything
When you've got no one to tell them to

Brandi Carlile

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Ditos

"Ir para o café, na altura, era o mesmo que andar na droga."

Adepto de futebol in "A Liga dos Últimos"

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Constatações LVI

Que a vida fosse um dia apenas

e não teria esta urgência em sorvê-la.

Que o amor fosse eterno

e já não pretenderia senti-lo.

Na idade dos porquês

Tenho 33 anos e a minha existência remete-me para um gigante ponto de interrogação.
(Curioso, aos 15 pensava que, por esta altura, seria um gigante ponto final; estaria casada, talvez, com filhos?, e usaria tailleurs clássicos que detesto com prazer. Seria, então, um grande e gordo ponto final. Ponto.)
Felizmente a sociedade evoluiu, eu cresci e, chegada aos intas, sinto-me um enorme ponto de interrogação.
Se é bom ou mau? É o que é, mas as grandes interrogações levam a grandes procuras; quem sabe se um dia destes não me transformo num grande ponto de exclamação!

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

E porque as boas séries são para se ver

WILL & GRACE

Passagens

"Consideremos uma palavra que se refere a um objecto: guarda-chuva, por exemplo. Quando digo a palavra «guarda-chuva», vemos o objecto na mente. Vemos uma espécie de bengala, com varas de metal que se dobram e que formam uma armação para um tecido impermeável que, quando aberto, nos protege da chuva. Este último pormenor é importante. O guarda-chuva não é apenas uma coisa, é uma coisa que exerce uma função; por outras palavras, exprime a vontade do homem. Quando paramos para pensar nisto, verificamos que todos os objectos são semelhantes ao guarda-chuva, pois também servem uma função. Um lápis serve para escrever, um sapato para o calçarmos, um automóvel para o guiarmos. E o que eu pergunto agora é o seguinte: o que acontece quando uma coisa deixa de cumprir a sua função? Ainda é a mesma coisa ou transformou-se numa coisa diferente? Quando arrancamos o tecido de um guarda-chuva, o guarda-chuva ainda é um guarda-chuva? Abrimos a armação, pomo-la sobre a cabeça e saímos para a chuva e ficamos completamente encharcados. Será que ainda podemos chamar guarda-chuva àquele objecto? De uma maneira geral, é isso o que as pessoas fazem. Quando muito, dirão que o guarda-chuva está estragado. Mas para mim isto é um erro grave, é a causa de todos os nossos problemas. Como já não pode desempenhar a sua função, o guarda-chuva deixou de ser um guarda-chuva. Pode parecer-se ainda com um guarda-chuva, pode ter sido um guarda-chuva, mas agora transformou-se noutra coisa. No entanto, a palavra empregue é a mesma. Por conseguinte, já não consegue exprimir o que é o objecto. É imprecisa, é falsa, esconde a coisa que deveria revelar. E se nem sequer conseguimos nomear um objecto comum do dia-a-dia que temos nas mãos, como é que podemos esperar falar das coisas que verdadeiramente nos preocupam? Continuaremos sempre perdidos, a não ser que comecemos a incorporar a noção de mudança nas palavras que usamos."

Paul Auster in Cidade de Vidro - A Trilogia de Nova Iorque

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Auto-definição?

"Pede-me a paz
Dou-te o mundo
Louco, livre, assim sou eu
(Um pouco mais...)"


Pedro Abrunhosa

Porque nós merecemos!

Anda a passar nas televisões nacionais uma publicidade da L'óreal, se não erro, em que a menina que usa o novo baton da marca diz qualquer coisa como Eu não sou invencível, mas o meu baton é-o por mim. Ora, não percebo onde é que os cérebros brilhantes que tiveram esta ideia quiseram chegar mas parece-me ridículo, bastante até, acharem que as mulheres (a maioria, espero!) iriam gostar.
Para quê sermos invencíveis quando temos um baton da L'óreal? (A palavra invencível também é engraçada, e bem empregue, quais Batmans de saias!) Quem tem um baton daqueles tem tudo!
Portanto, no fundo, é gratificante saber que há pessoas que presumem que uma publicidade que reduz a Mulher a um baton pode chegar-lhe.
Enfim...

Quando eu for grande...

... quero ser Presidente de uma qualquer autarquia.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Hoje este blog vai adormecer assim...


Constatações LV

Apesar de por vezes me enervar com o discurso tão americano de Barack Obama - irrito-me profundamente com os God bless America e os inícios de frase sempre repetidos para dar um ênfase teatral((mente) triste) ao discurso -, espero que seja ele o próximo presidente dessa nação-em-queda-e-com-ela-todos-nós-que-deixará-de-ter-o-presidente-mais-estúpido-de-todos-os-tempos.
Àquela hora, naquele sítio, enquanto olhávamos o sol, com raios laranja a apagar-se no mar, adormecido, lembrei-me de te dizer:
-Somos uns privilegiados, não somos?
Olhaste-me para que eu completasse o raciocínio. Franziste a sobrancelha, quase como se fosses piscar o olho.
-O mar, o sol, esta vista linda que me enche o corpo de maresia e Primavera! E de paz, de paz...
Franziste-me a sobrancelha, quase como se fosses piscar o olho, em tom de aprovação.
Ficamos assim, calados e quietos, para mais de uma hora. Quando nos cansamos daquela sensação de que não se esteve cá olhei-te e piscaste-me o olho. Saímos daquele estado de pause e voltamos para as nossas vidas.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Passagens

"Nova Iorque era um espaço inesgotável, um labirinto de passos intermináveis; mas independentemente da distância que percorresse, independentemente de se ter familiarizado com as vizinhanças e ruas, ficava sempre com a sensação de estar perdido. Perdido, não apenas na cidade, mas também dentro de si. Sempre que dava um passeio, sentia-se como se se deixasse a si próprio para trás e, entregando-se ao movimento das ruas, reduzido a um olho que vê, conseguia escapar à obrigação de pensar, e isto mais do que qualquer outra coisa, trazia-lhe uma certa paz, um salutar vazio interior. O mundo estava no seu exterior, à sua volta, perante si, e a velocidade com que mudava impossibilitava-o de se prender por muito tempo a uma única coisa. O movimento era a essência, o acto de pôr um pé diante do outro e seguir a errância do seu próprio corpo. Ao caminhar sem destino, todos os lugares se tornavam semelhantes deixando de ter importância o sítio onde se encontrava. Nos seus melhores passeios, conseguia atingir o sentimento de que não estava em sítio algum. E isto, afinal, era tudo o que pedira às coisas: não estar em sítio algum. Nova Iorque era esse nenhures que havia construído à sua volta, e apercebeu-se de que não tencionava abandonar aquela cidade, nunca."

Paul Auster in Cidade de Vidro - A trilogia de Nova Iorque

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Da série: Não me canso de homens bonitos (XI)


CANSEI-ME

(pelo menos por agora)

O telemóvel toca. No ecrã vejo quem está a ligar.
- Olá!
- Deixa-me dizer-te uma coisa muito rapidamente e depois não voltamos a falar disso, ok?
- Ok...
- Tenho saudades tuas...
(...)

(Mantivemo-nos à conversa durante uns minutos; não voltamos a falar das saudades que sentimos. Mas esta declaração telegráfica bastou-me. Por vezes é tão simples fazerem-me feliz...)

terça-feira, 28 de outubro de 2008

"Tudo o que perdemos"

Realização: Susanne Bier

Ano: 2007

Intérpretes: Halle Berry, Benicio Del Toro, David Duchovny

Como se consegue lidar com a morte de alguém que nos é demasiado próximo? Será este, talvez, o mote para este filme que aborda também a dependência da heroína e as várias facetas de cada ser humano.
Benicio Del Toro faz com que cada cena em que aparece se transforme numa pequenina obra-prima.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Constatações LIV

Não consigo disfarçar a irritação que sinto quando sou obrigada a lidar com pessoas eternamente descontentes, do género nunca-nada-está-bem.

domingo, 26 de outubro de 2008

Todos os dias me aventuro por descobertas e diferentes estados de espírito. Deambulo, perco-me às vezes, redescubro-me a cada novo passo.
Apercebo-me que a vida é engraçada, num instante nos troca o certo pelo incerto sem que tenhamos sequer tempo de nos apercebermos. Um acidente de carro, por exemplo, quase a acontecer. No instante imediato antes do choque vês o que vai suceder de seguida; o cérebro adianta-se três ou quatro segundos e antevês que vais bater. Mas, e pareceria impossível, não bato! Desvio o volante completamente, um, dois segundos antes de acontecer?, e o carro continua a patinar. Não sei se vou bater noutro lado qualquer, mas não no sítio que antevi, isso é certo. E de repente ele pára. O carro pára e não bati em nada nem ninguém. As pessoas assomadas às portas, à espera do choque, detêm-se uns segundos e seguem; consigo sentir o seu desapontamento no olhar porque nada de verdadeiramente emocionante aconteceu.
E o certo que era ter batido não o foi. Uma fracção de segundos. Uma fracção de segundos que iria mudar-me o humor, certamente, fazer baixar o saldo bancário (meeddooo), que iria levar-me a proferir um monte de palavrões impronunciáveis a maldizer a minha sorte acabou por não acontecer. Pelo menos da forma como já tinha por certa. Afinal, uma fracção de segundos que terminou com uma serenidade imprópria para o momento e uma sensação de gratidão.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

E porque as boas séries são para se ver

(5ªs. à noite - RTP 1)



Perguntinha

Qual terá sido o momento exacto em que Cristiano Ronaldo passou a Cristiano Rônaldo, que não me apercebi?

O dia depois de hoje

Sem sabermos,
A cidade parou,
Uma noite,
Que afinal não chegou.
E tu como um livro,
No branco das páginas
E eu a ler-te nas lágrimas,
Que a manhã acordou.
Sem sabermos,
Inventámos a dor.
(...)
Sem saberes,
Escrevemos as ruas,
Uma sombra,
Desfazendo-se em duas.
E tu como um filme,
Na vertigem da morte
Eu aqui nesta sorte.

Pedro Abrunhosa in "Luz" (2007)

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Hoje sinto-me assim...


(Se pudesse pegava em toda a tua dor

e transferia-a para mim...)

Constatações LIII

As notícias muito más caem como se de bombas se tratassem deixando, à sua volta, um vazio cinzento e frio. Por muito que vivamos, em anos ou experiência, há coisas que jamais estamos preparados para ouvir.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

As mulheres e os sms

Li há dias, já não sei onde, que uma das coisas que distingue homens e mulheres vs telemóveis é a sua relação com os sms's. Diz-se que a maioria dos homens apaga os ditos após leitura e que a maioria das mulheres, ao contrário, os guarda para mais tarde reler.
Não pude deixar de sorrir ao ver a minha figura espelhada naquele pequeno parágrafo. Não sei se somos todas iguais mas arriscaria dizer que devemos ser muito parecidas, especialmente no que toca às sms's enviadas por namorados, apaixonados, amantes, flirts e afins. Então é assim:

1. As mulheres não se contentam em reler as mensagens uma vez. Relemo-las vezes sem conta, por vezes até à exaustão;

2. Quando temos um rol de sms's do mesmo remetente, lemo-las da primeira à última para tentar perceber em que estado vai a relação;

3. Quando nos respondem a um sms que escrevemos (um texto bonito, a merecer uma resposta à altura) ficamos sempre desiludidas com a resposta;

4. As mensagens mais bonitas ou românticas que recebemos passam sempre da Caixa de Entrada para as Mensagens Gravadas. Quando estamos deprimidas vamos espreitá-las para nos sentirmos um bocadinho melhor (normalmente antes de irmos dormir);

5. Tentámos dissecá-las ao pormenor;

6. Quando já temos muitos sms do mesmo remetente, a começar a ocupar espaço indevido, lêmo-los todos novamente para fazermos a triagem dos que podem ser apagados;

7. Se nos dá um ataque de raiva em relação ao autor, apagámos todas as mensagens por ele enviadas (normalmente arrependendo-nos logo de seguida e pensando que pelo menos podíamos ter deixado umazinha!!);

8. Caberia neste ponto outro comportamento-tipo que não me ocorre mas que existe, seguramente.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Da série: Não me canso de homens bonitos (X)



WENTWORTH

MILLER

Adrift in Manhattan

Integrando a selecção oficial do Sundance Film Festival 2007, este filme baseia-se na vida de três personagens, pessoas solitárias em grandes cidades, cujas vidas, por caminhos travessos, se ligam.
Alfredo De Villa, o realizador, proporcionou-me um dos mais bonitos filmes que vi nos últimos tempos, de uma simplicidade sabiamente maravilhosa, em que por vezes não resisti a fechar os olhos para me deter na lindíssima banda sonora.
Imperdível. Mesmo.

Porque é que...

Depois ir às compras ao hiper (ontem parecia o Dia das Famílias de Carrinho), munida com a minha preciosa lista para não me esquecer de nada, mal chego a casa apercebo-me de que me falta algo que não constava da lista?
E porque é que isto me acontece de todas as vezes que vou ao hiper, essa viagem tão maravilhosa ao mundo dos especimens consumistas?

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

E por falar em vida pessoal


AMANHÃ

É

NOITE

DE

DANÇAR

Aviso

Em virtude do volume descomunal de trabalho despejado na autora deste blog, tem-lhe sido impossível manter os respectivos serviços mínimos.
Por isso, voltará a mesma aos posts assim que as entidades competentes se aperceberem/lembrarem que é direito das pessoas terem vida pessoal.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Shine a light

Considerado por alguns como um filme-documentário, Shine a Light (2008) é, isso sim, um concerto-com-um-mini-mini-documentário-incluído sobre os Rolling Stones. Pareceu-me um devaneio/tributo de um grande fã que, acaso, se chama Martin Scorsese.
Embora seja um belo concerto (ao qual assistiu Bill Clinton e a sua generosa comitiva), nos moldes a que os avôs do rock (sempre a 100 à hora) nos habituaram, fiquei desiludida com a parte documental, que se resume basicamente a três ou quatro excertos de entrevistas bem antigas dadas por Mick Jagger. Soube-me a pouco, muito pouco.
Curiosidade: afirmava Jagger, numa dessas entrevistas, teria ele vinte e poucos anos, que se via como vocalista da banda aos 60. O que na altura poderia ser entendido como um delírio de uma nova rock star veio-se a confirmar como uma verdade inegável. Felizmente.
A ver apenas pelos grandes fãs que gostam de bons concertos no conforto do sofá.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Da série: Não me canso de homens bonitos (IX)




Guy Berryman

Para ti

Guardo as nossas conversas em caixinhas de cartão tentando, a todo o custo, que os dias não as apaguem.
Guardo a tua voz em cantinhos da memória, resquícios de momentos intemporais que, no entanto, já passaram.
Guardo as mensagens que me envias, triviais, como se de pequenos tesouros se tratassem.
Guardo o teu riso nos meus risos.
Guardo as nossas pequenas (grandes) entregas em lençóis imaginários que, juntos, criamos.
Guardo os abraços que me dás, fazendo-os perdurar à noite, (que se desvanecem com o nascer dos dias).
Guardo-te.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Limitações

Na sequência de uma nova função profissional que vou exercer estou obrigada a "respeitar hábitos de higiene e asseio pessoal", bem como proibida de "possuir, consumir, traficar e/ou facilitar o acesso a substâncias aditivas, nomeadamente (...) ilícitas e bebidas alcoólicas".
Jura???

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Hoje sinto-me assim...



(Não seremos todas nós, mulheres, uma junção baralhada
de Carries, Samanthas, Mirandas e Charlottes?)
Adoro estes dias de fim de Verão que passam por mim como se encantamentos fossem. Dias de paz, de bem estar, de convicção de ter feito a escolha acertada. Dias de risos e canções e alegria. Dias quase perfeitos.

Constatações LII

Chega a ser perturbante a facilidade com que algumas pessoas se esquecem quem foram, de onde vieram.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Perguntinha

Então o mundo pode acabar amanhã e ninguém me dizia nada?

Excerto

"Entrevistador: Mas o Vicente não é católico...
Vicente Jorge Silva: Não. Sou agnóstico. Respeito os valores religiosos e tenho um sentimento de que há transcendência. Tenho simpatia, por exemplo, pelo budismo, pela espiritualidade oriental, pela contemplação. Mas acreditar no Deus que me é ensinado pela Igreja Católica? Um Deus que não serve para nada, que deixa as desgraças todas acontecerem e só está lá em cima a observar? Isso não faz sentido. Não acredito.

Entrevistador: Em que é que acredita?
Vicente Jorge Silva: Acredito numa coisa que está muito desvalorizada e que pode parecer pueril, acredito na bondade (...)"

(Excerto de entrevista efectuada a Vicente Jorge Silva, jornalista, cronista e cineasta, publicada na Revista Sábado)

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Da série: Não me canso de homens bonitos (VIII)




NELSON

ÉVORA

Curiosidades

Talvez há cerca de 1 ano encontrei, na casa de banho de uma discoteca que raramente frequento, uma miúda que trabalhou comigo há uns anos atrás.
Voltei ao mesmo local agora e volto a encontrá-la, de novo na casa de banho.
Há coisas fantásticas...