...há famílias que, para se verem, fazem piqueniques anuais, e na minha, encontramo-nos nos funerais?
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
Constatações LI
Deve ser maravilhoso ter um filho. Uma experiência única, que nos muda a forma de olhar o futuro, de olhar os outros, de olhar para nós. Dizem que deixamos de viver em função do eu, e eu acredito.
Mas o que os recém-pais têm de perceber é que nós, mortais sem filhos, não conseguimos atingir semelhante estado superior e, consequentemente, não temos paciência para ver 74 fotos da criança (que nos parecem mais ou menos todas iguais) e, ao final do quinto vídeo (acompanhado das devidas e minuciosas explicações) já só queremos fugir dali. Questinando-nos, a medo, se algum dia ficaremos assim.
terça-feira, 26 de agosto de 2008
Escrevo
Escrevo porque me falham as palavras. Escrevo porque não te consigo chegar, não me deixas chegar-te... não sei se porque não queres ou porque o temes. E assim exorcizo as dúvidas que me assolam. Não porque com as palavras que escrevo elas se esclareçam, apagadas da minha mente num ápice (fosse assim e não pararia de escrever) mas, pelo menos, desenrosca-se um pouquinho este nó que sempre me surge quando não consigo compreender.
Escrevo porque me falham as palavras. Escrevo porque receio as respostas.
Escrevo porque me magoa esta frieza repentina sem explicação. Este silêncio que me faz ensurdecer.
Talvez escrevas também...
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Dúvidas existenciais
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
Violência doméstica
Segundo dados do Observatório de Mulheres morreram este ano, até ao presente mês, 31 pessoas vítimas de violência doméstica, tendo-se registado 35 tentativas de homicídio relacionadas com esse mesmo tipo de violência.
Este observatório estabelece ainda relação entre a crise económica e os homicídios ocorridos porque muitas das vítimas e respectivos agressores estavam desempregados aquando da prática do crime.
É tão fácil seguir o caminho estupidamente mais fácil.
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Verdades que parecem mentiras
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
Azul
Juntamente com os primeiros ares da manhã entra o mar pela minha janela. Lá ao fundo a igreja renovada, de novo pintada, para fingir que o tempo não passou. Olho para o infinito e todo ele é muito azul.
Tenho-me perdido muitas vezes nesse azul, que me acalma e me serena, que me faz nele querer mergulhar. Abandono-me muitas vezes ao sabor do meu pensamento que, invariavelmente, vai cair em ti.
E deixo-me cair em ti sem medo ou insegurança ou outra dúvida qualquer. Entrego-me de braços abertos, sem ontem ou amanhã (porque o amanhã pode já não existir), entrego-me com toda a força que existe em mim. Atiro-me sem rede através da minha janela.
Se fosses uma cor serias azul.
terça-feira, 19 de agosto de 2008
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
Extreme Ironing
Ao ler a Sábado desta semana descubro um novo desporto radical do qual nunca tinha ouvido falar. O Extreme Ironing consiste em passar a ferro uma peça de roupa enquanto se pratica um desporto radical. Assim, há quem passe a ferro enquanto escala uma montanha, enquanto mergulha, conduz, etc., etc., que as possibilidades são ilimitadas.
Ora, acho que se devia generalizar o conceito. Porque não lavar uma peça de roupa aquando da prática de uma actividade radical? Engraçado seria lavar a peça de roupa num daqueles tanques pequenos, de cimento: a tarefa aí seria herculeamente radical. Outra hipótese seria, por exemplo, fazer uma cama de lavado de num qualquer local longínquo e de muito difícil acesso. Era bonito... É o tipo de actividade que faltava para engrandecer o ser humano...
Agora a sério, já estou como o Nuno Lopes aí em baixo: Façam alguma coisa de útil, vocês querem é aparecer. Vão mas é trabalhar!!!
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Coisas verdadeiramente estúpidas
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
Passagens
«No planeta seguinte vivia um bêbado. Foi uma visita muito curta, mas que mergulhou o principezinho numa grande melancolia.
- O que é que estás a fazer? - perguntou ele ao bêbado que foi encontrar muito calado, diante de uma colecção de garrafas vazias e uma colecção de garrafas cheias.
- Estou a beber - respondeu o bêbado, com um ar lúgubre.
- E porque é que estás a beber? - perguntou o principezinho.
- Para me esquecer - respondeu o bêbado.
- Para te esqueceres de quê? - perguntou o principezinho, que já começava a ter pena dele.
- Para me esquecer de que tenho vergonha - confessou o bêbado, baixando a cabeça.
- Vergonha de quê? - tentou informar-se o principezinho, cheio de vontade de o ajudar.
- Vergonha de beber! - concluiu o bêbado, fechando-se definitivamente no seu silêncio.
E o principezinho foi-se embora, perplexo. "Não há dúvida de que as pessoas grandes são mesmo muito esquisitas", foi o que ele foi a pensar, durante a viagem.»
Antoine de Saint-Exupéry in "O Principezinho"
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Livrolândia
sábado, 9 de agosto de 2008
Constatações XLIX
Não tenho paciência para pessoas burras. Ou melhor, básicas, daquelas-muito-básicas-mais-básico-não-há. Tento ser tolerante, mas essa tolerância esvai-se eternamente quando, ao final de seis piadas, em que a dificuldade de compreensão vai caindo vertiginosamente, qual penhasco à frente dos pés, o meu interlocutor não consegue atingir nada, nadinha!
Coitadito...
sexta-feira, 8 de agosto de 2008
Da série: Não me canso de homens bonitos (VI)
ADRIEN BRODY
(P.S.: Este não é daqueles bonitos, bonitos,
mas tem um quelque chose enorme que o torna maravilhoso)
Decisão de fim-de-semana
Não ver os canais portugueses de televisão: vamos ser bombardeados com os vários ângulos do assalto ao BES, pseudo-análises sobre a coragem, pontaria e heroísmo dos operadores da PSP (com direito a estudo e análise detalhada da carreira), testemunhos dos moradores, vizinhos e até de um cão que por lá passava àquela hora, relatos de psicólogos e/ou psiquiatras e/ou médiuns sobre as sequelas e tratamentos mais aconselhados aos ex-reféns e, quem sabe, familiares mais próximos, discursos xenófobos mas, no entanto, disfarçados (não, por acaso foram brasileiros, mas podiam perfeitamente ser portugueses!!), reconstrução da difícil vida dos criminosos que os levou a tal ponto, historial completo de todos os assaltos a bancos ocorridos desde que a comunicação social passou a sofrer do síndrome Big Brother - A vida em directo, e, tenho a certeza, alguma coisa mais que me está a escapar mas que não escapará certamente a quem, de direito, tem esta sede de transmitir "informação". Seja a que preço for.
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
"O lado selvagem" (Estados Unidos, 2007)
Será que é possível a um jovem, acabado de sair da Universidade, reunindo todos os predicados para ter um futuro de sucesso, ser capaz de abandonar tudo em prol de uma busca de verdade? Desprovido de bens materiais e para "fugir" à hipocrisia dos tempos modernos? É! Aconteceu, de facto, e Sean Penn, um dos meus actores fétiche, passou para a cadeira da realização e criou este belíssimo filme, onde se destaca também a banda sonora, a fotografia, e o excelente papel principal interpretado por Emile Hirsch, até agora desconhecido para mim.
Uma caminhada solitária e corajosa que acaba, ao contrário do que desejava (gostaria que ele tivesse regressado à "civilização") com a sua morte.
Mas não é isso que nos espera a todos?
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
Momento Kodac
Pegar no carro, num final de tarde quente, ao som de Pasión, de Rodrigo Leão. Abandonar a cidade, a mão direita no volante, a esquerda estendida para a rua, a sentir o vento fresco a trespassar-me os dedos abertos e livres. Percorrer, sem horas marcadas, caminhos verdes com alma e sem gente.
Diz que este blog é Leão!
E diz que hoje faz 3 anos o que, na idade blogosférica, deve corresponder mais ou menos a uns 15 anitos humanos. O que significa que para o ano, se lá chegar, terá atingido a maioridade!
Tão bom vê-lo crescer...
Tão bom vê-lo crescer...
segunda-feira, 21 de julho de 2008
Pensamento incessante
Férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias.
sábado, 19 de julho de 2008
quarta-feira, 16 de julho de 2008
Passagens
"Os do meu país gostam de alindar as traseiras das casas com frigoríficos velhos, bilhas de gás mal acabadas, o carrinho daquele bebé que já foi para a tropa, uns alguidares rotos que um dia servirão para aparar o vento, um bidé, pelo menos, de loiça esboroada; pátria relha, declinada por gosto próprio.
Que posso eu dizer, se mesmo assim amo este país de convulsões, imundície, traição, inveja e de uma traquinice terna e impune de menino livre? O carinho que sinto por ti, eu não sei negar, país padrasto, amante ingrato... Atravesso este meu país de pântanos e mentiras. País? Ou simples paisagem de pouca autoconfiança e muita dissimulação, onde os novos humildes servos somos todos?"
Alexandre Honrado in "Amor a Monte"
terça-feira, 15 de julho de 2008
Patetices
A British Medical Association, numa conferência que decorreu na Escócia, defendeu a proibição das cenas com cigarros em filmes, de forma a não se influenciar negativamente os jovens, nomeadamente para não aumentar o vício do tabaco entre os mesmos.
Ora, este tipo de argumento, bem espremidinho, e aplicado a outros tipos de cenas de cinema poderia acabar com esta (bela, digo eu) forma de arte. Vejamos:
Dever-se-ia acabar com as cenas de acção porque nelas existe muita violência (ele é murros e pontapés, é sangue que escorre de várias cavidades corporais, é tipos estendidos no chão a gemer, é armas cujo gatilho é premido a torto e a direito, é perseguições a grandes velocidades, etc., etc.) - não é isto uma influência negativa para os jovens?
E os filmes de guerra? E os que versam sobre tráfico e consumo de drogas? Nunca, muito má influência!
Em última instância acabariam também os filmes ditos de amor porque, por regra, há sempre uma cenazita envolvendo sexo ou um toque mais descarado. Ups, má influência!!
Filmes pornográficos? No way.
Artes marciais? Nop.
Filmes sobre política? Uiii, nem pensar...
Bibliográficos? Também não, não existe ninguém "real" que seja perfeito!
Acabe-se com os filmes então, essa forma monstruosa de influenciar negativamente os jovens.
O mundo seria um lugar muito melhor.
quinta-feira, 10 de julho de 2008
Constatações XLVIII
Hoje as pessoas com quem trabalho fizeram-me uma autêntica declaração de amor conjunta. Desde os colegas aos chefes. Confesso que fiquei muito sensibilizada, com uma lagrimazita no canto do olho. Há surpresas assim...
E porque me apetece falar de cinema
"Redacted", realizado em 2007 por Brian de Palma (vencedor do Leão de Prata na 64ª edição da mostra de Cinema de Veneza) é quase um não-filme.
Retrata o quotidiano de soldados americanos no Iraque, em 2006, e da forma como o próprio contexto e a personalidade de cada um deles influencia os acontecimentos.
É quase um não-filme, não por não ter qualidade, mas porque nos é apresentado em jeito de documentário, quer pela mão de um dos soldados que anda sempre munido de câmara (o seu sonho era, no final da guerra, estudar cinema; acabou por não o cumprir), quer pelas câmaras de segurança, reportagens de televisão, vídeos da Internet.
É quase um não-filme, não por não ter qualidade, mas porque nos é apresentado em jeito de documentário, quer pela mão de um dos soldados que anda sempre munido de câmara (o seu sonho era, no final da guerra, estudar cinema; acabou por não o cumprir), quer pelas câmaras de segurança, reportagens de televisão, vídeos da Internet.
Um murro no estômago, crítico e duro, uma visão sobre a injustiça que a guerra do Iraque é.
Como o são todas as guerras.
quarta-feira, 9 de julho de 2008
Perguntinha
Porque é que há pessoas que debitam cerca de 50 palavras para dizerem o mesmo que poderia ser resumido em 5?
terça-feira, 8 de julho de 2008
Conto os minutos que, no mostrador, parecem ter morrido.
Tic, tac, tic, tic, tac.
Rogo para que passem rápido, que corram incessantemente até à hora que, pretendo, chegue rápido.
Tic, tac, tic, tic, tac.
O relógio não me obedece.
Tac, tic, tic, tac, tac.
Sabia que, mais cedo ou mais tarde, as máquinas que criamos nos iriam ultrapassar.
sábado, 5 de julho de 2008
Garatujar
E neste momento apetece-me escrever. Discorrer sobre o que me vem à mente, sem que tenha de ser coerente. Escrever somente sobre o que a cabeça me vai ditando, embalada (talvez) pelo vinho quente que me atormenta suavemente.
Escrever, escrever, escrever.
Ou apenas garatujar.
Escrever sobre o que me rodeia, os livros dispostos em fila, desconexos, a almofada pousada no canto do banco, o ar quente que a janela aberta deixa entrar.
Escrever sobre a música que leva as minhas pernas, cruzadas na cadeira gasta, a bambolearem, os dedos a estalarem por entre o fumo dos cigarros que fumo insistentemente, (oh, necessidade urgente).
Escrevi. Pouco, mas escrevi.
Ou apenas garatujei.
Cumpri-me.
sexta-feira, 4 de julho de 2008
Passagens
"Antes de essa querida tia morrer, estava eu de recente luto, todas as separações são um abatimento, um cipreste a morrer de pé... Separei-me do Jorge, depois de um casamento de amor nublado. Por isso, fiquei agradecida à velha tia. A sua morte permitia-me trocar uma dor por outra dor e levantar-me de ambas..."
Alexandre Honrado in "Amor a Monte"
terça-feira, 1 de julho de 2008
Doçura(s)
Fomos para a cozinha com o intuito de fazermos um bolo muito bonito, foi assim que o tinhas definido. Colocamos os aventais e dispusemos os ingredientes em cima da mesa: o açúcar, a farinha e o fermento, os ovos, a manteiga, o chocolate que, mais tarde, derreteríamos em banho-maria. Intitulaste-te de minha ajudante principal, gostei da designação. Batemos os ingredientes conforme rezava o livro.
Puseste o bolo no forno que ias espreitando, de três em três minutos, após o que dizias, com um sorriso guloso:
- Já está um bocadinho maior! Já podemos espetar o palito?
Mas não, ainda não podíamos.
Cantávamos canções infantis enquanto batemos as natas, açucaradas, que iam salpicando tudo ao seu redor. Já prontas, provamo-las rapidamente, os dedos a correrem para a boca com sofreguidão.
Quando cozido, depois de ter ficado um tempo a arrefecer, cobrimos o nosso bolo com o chocolate derretido, entre as colheradas roubadas e os muitos risos abafados pela pressa que aquela tarefa séria obrigava.
Finalmente colocamos as natas no saco pasteleiro e cobrimos o bolo de bonitas e apetitosas florinhas brancas. Como sobrou, esprememos o conteúdo do saco directamente para as bocas abertas, à vez. E rimo-nos, rimo-nos...
A Rita, com a cara salpicada de cores, qual palhacito mal pintado, observa-me a devorar as natas e diz-me assim:
- Tu não és como as outras pessoas grandes. Não és chata e fazes asneiras que nunca ninguém me deixa fazer!
Olhei para ela enternecida. Foi o melhor elogio que me fizeram desde há muito.
E no final resta-nos isto
"O «caso Maddie» deverá ser arquivado pela Polícia
Judiciária (PJ) por falta de provas."
quinta-feira, 26 de junho de 2008
Definições
AMIZADE
"Tudo o que eu vi,
estou a partilhar contigo
o que não vivi,
um dia hei-de inventar contigo"
Jorge Palma
Momentos
E por vezes a tristeza bate-me tão forte, como uma mão enorme e feia e gorda que me estrangula, que me impede de respirar, que me impede de chorar também, que me deixo assim ficar, só, calada e inerte, à espera que ela decida largar-me e partir.
Porque não vale a pena fingir que ela não existe, a pressão no peito não mo permite sequer imaginá-lo. Não vale a pena tentar ignorá-la porque ela faz questão de me mostrar a sua autoridade, naquele momento, tão pequenina e insignificante me sinto.
Não vale a pena...
Então, deixo a tristeza inundar-me todo o corpo, os olhos, as mãos, o cérebro e, quando ela se sente saciada, finalmente, face ao cansaço (triste) que me trespassa que, pé ante pé, se esvai devagar devagarinho.
Sinto-me limpa agora. Pronta para continuar.
sexta-feira, 20 de junho de 2008
quinta-feira, 19 de junho de 2008
Constatações XLVII
Não consigo suportar aqueles que passam a sua existência a fazer-se de coitadinhos para, assim, atingirem proveitos através da vitimização. Considero esse tipo de atitudes do mais reles que existe.
segunda-feira, 16 de junho de 2008
sexta-feira, 13 de junho de 2008
Última hora
Notícia do Telejornal de hoje (RTP1): Uma vidente/homeopata, residente na Suíça, garante que não haverá mais lesões na equipa portuguesa, que ganhará facilmente à Suíça e, diz-lhe o seu guia, poderá mesmo vencer o Europeu.
Espero agora, curiosa, que me actualizem no que respeita à detenção do Prof. Bamboo. Deve ser já depois do intervalo.
Verdades absolutas
É curioso como o tempo que passa (talvez também a maturidade adquirida ao longo dos anos) relativiza de uma forma quase atroz situações, emoções e verdades tão absolutas outrora.
Constatações XLVI
Por muito que não queira o Europeu acaba por mexer um pouquinho comigo. Só assim se explica que tenha sonhado toda a noite (pelo menos é essa a noção que tenho) com o Simão Sabrosa. E ainda por cima lembro-me de tudo.
sexta-feira, 6 de junho de 2008
Sonhar
Esta noite apareceu-me num sonho um rapaz que conheço de vista desde sempre, porque é da mesma cidade do que eu, mas com o qual nunca sequer falei. Não o vejo há mais de uma década. Era (no sonho) namorado de uma amiga minha.
Há uns anos atrás, talvez uns quatro ou cinco, sonhei com o mesmo rapaz, que era namorado de outra amiga minha.
O que é quererá isto significar?
quinta-feira, 5 de junho de 2008
Constatações XLV
O passatempo preferido dos hipocondríacos é falarem sobre doenças: das que têm e das que não têm, das que terão e, desconfio, das que gostariam de ter.
Passagens
"O seu objectivo, com efeito, era ser a própria experiência, e não os frutos da experiência, por mais doces ou amargos que eles fossem. Repudiaria o ascetismo que atrofia e mata os sentidos, e a devassidão vulgar, que os embota. Mas ensinaria o homem a concentrar-se nos momentos duma vida que é, ela própria, um momento apenas."
Oscar Wilde in "O retrato de Dorian Gray"
sexta-feira, 30 de maio de 2008
quinta-feira, 29 de maio de 2008
Chovia torrencialmente. Corri por entre os carros e por entre as poças de água tentando, sem sucesso, manter-me seca. Parei na entrada do Cantinho a enxugar o cabelo. Tinha combinado contigo às 19 horas e já passavam 45 minutos. Havias-me dito, um dia, que não lidavas bem com atrasos e eu não conseguia parar de pensar nisso, a martelar-me, sempre a martelar-me na cabeça, e não conseguia perdoar-me por ter ficado sem bateria no telemóvel para te poder avisar. Ah, estava com uma raiva àquele cliente. Sim, porque é que ele teimava em chegar sempre depois da hora? E porque é que não lhe disse que a casa já tinha fechado, que voltasse no dia seguinte logo pela manhã? Mas não lhe disse, e fiquei para ali a aturar-lhe o palavreado banal e cansativo a martelar-me na cabeça, os meus olhos constantemente no relógio, ele não percebeu. Ou fingiu não perceber.
Olho a minha figura nos vidros do Cantinho, dou um jeito à roupa, outro aos caracóis. Entro com ar altivo (não posso mostrar a culpa que sinto) e procuro-te.
Não foste ainda embora, que bom!! Começo a caminhar na tua direcção sem te sorrir. E tu levantas-te altivamente e passas por mim sem falar. Nem me sorriste.
Na idade dos porquês
Porque é que, na maioria das vezes, quem achamos interessante não nos liga népia, nada, nicles, e quem não nos diz nada se nos tenta colar como uma chiclet ressequida?
Amigos gays (XV)
Para ver um jogo de futebol com gays tenho de obrigá-los. Ou então sujeitá-los a um qualquer tipo de chantagem. É triste...
terça-feira, 27 de maio de 2008
segunda-feira, 26 de maio de 2008
quinta-feira, 22 de maio de 2008
Humores
Depois da cortina, o cantar dos pássaros e o latir dos cães. As árvores abanam com o vento a chegar. Agora já não, ainda não chegou, afinal. O dia começou soalheiro, com aquele cheiro a maresia e bronzeador. Mas agora, lá fora o muito verde a soltar-se ao ritmo da escuridão a abater-se sobre o local, devagar, bem devagar...
A portada da janela bate, o vento afinal voltou, mais forte. A cortina bamboleia aos seus humores. Chega-me como um prenúncio frio. Os cães continuam a ladrar, nervosamente, intermitentemente. As folhas esfregam-se depressa, cada vez mais depressa, a correr. Os pássaros deixaram de cantar.
Fecho a janela.
A tempestade vai começar.
quinta-feira, 15 de maio de 2008
Será apenas impressão minha?
- Ou a palavra mais vezes proferida na Gala dos Globos de Ouro foi pronto?
- Ou o primeiro-ministro é ainda mais mentiroso do que julgávamos?
- Ou a Primavera anda a brincar ao Outono?
terça-feira, 29 de abril de 2008
segunda-feira, 28 de abril de 2008
Desalfabetizar
ZOAR AMAR MORDER CHORAR SER DORMIR OCULTAR PERDER ESPERAR XINGAR QUERER UIVAR FUMAR JOGAR GOZAR IR HIPNOTIZAR RIR LER TENTAR NEGAR BEBER VIVER
O escafandro e a borboleta
Realizador: Julian Schnabel
Intérpretes: Mathieu Amalric,
Emmanuelle Seigner,
Marie-Josée Croze
França, EUA
2007
Em Dezembro de 1995, Jean-Dominique Bauby, 43 anos, jornalista, editor da revista Elle, sofre um AVC que lhe deixa o corpo morto e a mente viva. A única forma através da qual consegue comunicar é com um piscar do olho esquerdo, para o sim, dois piscares para o não. E é desta forma que escreve um livro, que deu origem a esta adaptação para o grande ecrã.
Começamos por vivenciar o filme na perspectiva do jornalista, quase nos sentindo reclusos de um corpo que prende o que a liberdade da mente dá. Aos poucos, porém, vamos sendo contextualizados, existindo uma abertura no espaço e no tempo.
Um filme cru, forte, que nos faz pensar na fragilidade do ser humano. Um bocadinho ao jeito de Mar Adentro...
A ver, absolutamente.
Constatações XLIV
Admiro a capacidade que certas pessoas têm de falarem tanto, logo de manhãzinha. E constato a minha falta de paciência para ouvi-las. É de uma violência...
terça-feira, 22 de abril de 2008
segunda-feira, 21 de abril de 2008
Há coisas fantásticas
Recebi um e-mail cujo remetente é o Ministério Público Federal e cujo título é "Intimação para comparecimento em audiência" relativa ao procedimento investigatório n.º 324/2008.
O pior é que há quem acredite.
Passagens
"Mas a beleza, a verdadeira beleza, termina onde começa a expressão intelectual. A inteligência é em si um modo um modo de exagero e destrói a harmonia do rosto. Quando uma pessoa se senta para pensar, torna-se toda nariz, ou toda testa, ou alguma coisa horrenda. Veja os homens a quem o êxito sorriu em qualquer das profissões intelectuais. Que hediondos são! Exceptuam-se, já se vê, os da Igreja. Mas é que na Igreja não se pensa. Um bispo continua a dizer aos oitenta anos o que lhe ensinaram a dizer aos dezoito; e, por isso, como consequência natural, é que ele conserva sempre uma aparência absolutamente deliciosa."
Oscar Wilde in "O retrato de Dorian Gray"
sexta-feira, 18 de abril de 2008
Do amor e sentimentos afins
Somos educados (ainda) para casar. Levam-nos a acreditar que um dia aparecerá o tal, com o qual viveremos para sempre.
Porquê? Porque é que nos tentam convencer com uma mentira tão romântica?
Podem, de facto, existir relações eternas, mas não sentimentos eternos ou, dito melhor, sentimentos imutáveis. Pode manter-se uma relação até a morte que começou por ser amor, alterou-se para amizade, companheirismo, dependência até, mas será que ainda existirá o amor? Aquele que nos fazia rir de coisas que nada tinham de engraçado, as caras aparvalhadas, olhos de carneiro mal morto, as palpitações, o nó no peito? Acredito que não.
Então porque é que parece andar meio mundo atrás de uma coisa que não existe?
Não acredito em amores eternos. Acredito que, como já alguém inteligentemente disse, o amor é eterno enquanto durar.
terça-feira, 15 de abril de 2008
Constatações XLIII
É p'raí o terceiro taxista que me diz que no tempo de Salazar é que era porque havia respeito, blá blá blá, blá blá blá. Na próxima vez bato. Ai juro que bato.
Post irónico (2)
Precisava de uma casa, disse-me ela. Não perguntei porquê mas ela disse-me na mesma: que o marido lhe havia dito que já não podia vê-la.
Estranhei a confissão. Não tínhamos confiança para isso. Mas ela disse-me na mesma. E disse mais: já não aguentava aquela relação, lágrimas a conterem-se nos olhos, sentia-se cansada, os punhos cerrados, sem força e vontade de continuar.
Não mais voltamos a tocar no assunto.
Engravidou entretanto.
Está quase a ser mãe.
Post irónico (1)
Tomou posse como ministra da Defesa, na vizinha Espanha, Carme Chacón, licenciada em Direito, 37 anos, grávida de 7 meses.
Foi em Espanha, poderia ter sido em Portugal.
sexta-feira, 11 de abril de 2008
segunda-feira, 31 de março de 2008
La Vie en Rose
La Môme, no original, realizado por Olivier Dahan, e contando entre outros, com as interpretações de Emmanuelle Seigner, Gérard Depardieu e Marion Cotillard, este filme, ganhador de dois Óscares (melhor actriz e caracterização) deixou-me de lágrimas nos olhos e um nó no coração (ou na alma ou na garganta, ou em todos, não sei bem).Edith Piaf era uma miúda de rua, que cresceu entre abandonos, sendo "salva" de uma existência ainda mais dura quando lhe descobrem o dom que tem na voz. Isso não a afastou, no entanto, da dependência do alcool e da morfina.
Pequena, dócil mas determinada, insegura mas também desvairada, foi uma mulher que viveu.
Marion Cotillard está magistral na pele da cantora. A ver e rever.
Jornalista - Que conseill pour la vie donnez vous a une femme?
Edith Piaf - Aimez.
Jornalista - Et a une jeune fille?
Edith Piaf - Aimez.
Jornalista - Et a un enfant?
Edith Piaf - Aimez.
domingo, 30 de março de 2008
Poderoso, perfeito, Portishead
Casa cheia. Odor a erva. Expectativas ansiosas. Fazem-nos esperar e o nervosinho miúdo cresce dentro de mim. Quero-os no palco. O restante público também, o que se comprova pelas palmas, gritos, pelo burburinho que se sente entre aquelas paredes. E eis que, finalmente, eles estão lá. Uma banda que me acompanha desde há muito, embora nem sempre. Porque, se por vezes as músicas me trazem paz, outras há em que me deixam melancólica, soturna.Dependendo sempre do meu estado de espírito.
Todo o concerto é para mim uma viagem. Deixo-me levar pelas luzes, pelo embalar dos corpos que se movimentam no mesmo ritmo do meu. A voz encarrega-se do resto. Beth Gibbons de seu nome. Fecho muitas vezes os olhos e sinto-me a sorrir. Por vezes expresso-o, outras guardo-o egoisticamente em mim. Porque representam momentos só meus.
Foi lindo, a levar-me a pensar que eu tinha de lá estar. E estive. E adorei.
Constatações XLII
Sinto-me crescida quando, chegando a casa pelas seis e meia da manhã (hora nova), consigo desmaquilhar-me.
domingo, 16 de março de 2008
Devaneios
Ando amuada com o mundo. Não por muito tempo, sei-o, mas é assim que me sinto neste momento. Talvez já não amanhã, ontem sim. Ando amuada com o mundo. Saio para a rua e caminho sem norte, a ver se o vento fresco me faz despertar. Ao invés, embora não o queira, não consigo evitar observar as caras de Domingo. Parecem-me amuadas. Talvez porque o sol não brilhe e encha de cores os espaços entre os prédios, a relva não pareça verde, o céu não esteja azul. Ou, quem sabe, porque aqueles rostos já antecipam o dia de amanhã, as correrias para chegar ao emprego, a vida tão cara, tão igual, um dia após o outro, o simples acto de acordar, um dia após o outro, como chuva que cai, sempre monótona, cansativa.
Ando amuada com o mundo. Mas, reparando nas faces distorcidas, os lábios uma curva descendente, olhares vazios, mãos abandonadas ao corpo, consigo perceber que muita gente anda amuada. Com algo ou com alguém.
Se calhar, com o mundo também!
E porque gosto de acreditar que este blog é original
Não vou falar da nova proposta de lei
que irá limitar as áreas do corpo
onde podem ser colocados piercings.
quarta-feira, 12 de março de 2008
"Se tivesse uma câmara, Mário gostaria de fotografar os rostos das pessoas que, ao sábado, passeiam na cidade e daquelas que vivem na cidade para que os outros reparem nelas. Fotografá-las-ia decerto, se pudesse, se tal fosse possível, um instante antes e um instante depois de terem dado pela presença dele, caminhando na sua forma diversa de caminhar. Mas Mário não tem uma máquina fotográfica e, mesmo que tivesse, talvez não lhe fosse possível fazer o que deseja: as pessoas apercebem-se de que Mário se aproxima muito antes de ele estar suficientemente perto para fotografar os rostos delas. Só se Mário pudesse ser, ao mesmo tempo, ele próprio e um outro: um fotógrafo invisível que o precedesse. Isto, porém, é impossível. Apenas as palavras tornam possível tal efabulação. Imagine-se alguém ser dois! Isso não pode ser senão invenção de poetas, escritores e outros mentirosos." - Verdade ou Mentira?
"Presumo, pois, que o homem da bicicleta musical seja um velho feliz da felicidade das pequenas coisas e dos minúsculos gestos, dos subtis prazeres; um homem que se empenha em escandalizar suavemente o mundo com a música da felicidade dele. Não creio que seja viúvo, o homem. Prefiro imaginá-lo a envelhecer devagar ao lado de uma velhinha igualmente feliz, de cabeça nevada, que o recebe com um sorriso quando ele regressa das suas manhãs ciclísticas na Foz; com um sorriso e o perfume feliz de um naco de carne a acabar de crestar no forno. Ele sempre insiste para que ela saia também, para que compre uma bicicleta e venha pedalar com ele nas manhãs de domingo, para cantarolarem juntos, mas a felicidade dela reside em outras coisas: despertar com o cantar do galo, ver nascer o dia na janela da casa térrea onde moram os dois, tratar do limoeiro do quintal, colher um ramo de flores frescas com que há-de dar cor à mesa do almoço e principiar a preparar a refeição, descascando amorosamente pequenas batatas, temperando a carne com louro, alho e vinho branco. Tuso sem pressas e sem tempo, com os gestos que têm as velhas que são felizes e não correm para lado nenhum nem fogem de coisa alguma." - O homem da bicicleta musical
In "O profundo silêncio das manhãs de domingo",
de Manuel Jorge Marmelo
Um pequeno livro de contos
delicioso,
utópico,
sonhador,
irrealista até,
muito bonito.
quinta-feira, 6 de março de 2008
Na idade dos porquês
Olhava para a água quase parada no seu constante ir e vir. As luzes nela reflectidas davam-lhe um falso aspecto de claridade, que contrastava com o breu do céu. Fiquei ali a tentar descobrir as respostas às minhas perguntas quase infantis. Sem sucesso.
Queria ir para casa mas também não. Não me satisfazia a companhia mas também não desejava ser levada pela solidão. Não queria deitar-me na cama fria, abandonada, às vezes cruel. Analisei mentalmente o percurso percorrido. Qual seria o seu sentido? Para chegar onde, quando, porquê? Uma vez mais as respostas não me foram concedidas, a minha mente, a fervilhar, não acalmou, foi-me negada a serenidade da sabedoria.
Talvez precise caminhar mais...
Fait-divers
Há dias vi algo como um desfile de moda de cães. É-me difícil perceber o quão ridículas podem ser as pessoas.
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
Carlos Ademar é professor no Instituto Superior da Polícia Judiciária e Ciências Criminais tendo sido, durante anos, investigador criminal na Secção de Homicídios da PJ.
Terá sido certamente dessa experiência que lhe saíu este romance, sobre o mundo das drogas, mulheres, influências, armas. Poder-se-ia dizer que aconteceu no Porto, mas não, foi em Lisboa. Poder-se-ia dizer que as personagens foram inspiradas no gang da Ribeira. Não, o livro foi editado antes. Poder-se-ia dizer que se move à volta de Bruno Pidá. Também não, Alberto Lima é o seu nome.
Embora não seja um mimo literário, às vezes um pouco incongruente, levou-me a contactar com uma realidade para mim pouco conhecida, e a perceber que o caso do gang da Ribeira é a conhecida repetição de muitos casos que se passam por este país fora. Basta juntar os corpos grandes fermentados nos ginásios, alimentados a substâncias químicas, a procura de dinheiro fácil e poder, os jogos de influências, os esquemas bem sucedidos, os códigos de conduta, o demarcar do território, o matar se convier.
Eventualmente, se as coisas correram de feição aos líderes naturais destes grupos, não será difícil cada um de nós conhecer um deles, agora transformado em benemérito da sociedade.
Este blog tem andado assim:
A trabalhar
A trabalhar
A trabalhar
A trabalhar
A trabalhar
A trabalhar
E ainda:
A trabalhar
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
A ressaca
Após um dia em que todos nos querem convencer que é lindo o amor, após as incontáveis músicas românticas de fazer chorar baba e ranho, dos corações colados em todas as montras, das rosas vermelhas, verdadeiras, de chocolate, plástico e até cartão, dos casais que fazem deste um dia muito bonito quando se esquecem disso no resto do ano, das serenatas dos dias modernos, dos poemas, das flores, do ar consumista de Natal, sabe muito bem voltar à normalidade. (Se possível, com muito amor.)
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
"Finalmente as boas notícias! Em todo o mundo, o petróleo está a subir e os empréstimos estão hiper-restritos. A economia americana estará, em breve, em recessão, o dólar em baixa e as Bolsas em crise. O cenário é preocupante. Mas isso é lá fora. Na Europa, o oásis fica junto ao Atlântico. Exactamente, mesmo que lhe possa parecer que Portugal vive em crise, que os funcionários públicos não têm aumentos reais há anos e que, perante a recessão no resto do mundo, a situação económica pode ficar ainda mais grave por cá, o Governo tem boas notícias para si. Segundo as previsões oficiais, a economia vai crescer em 2008. Melhor: vai crescer mais do que no ano passado. Melhor ainda: é a única da zona euro que conseguirá a proeza. Melhor mesmo: cresceremos mais do que os Estados Unidos, a Alemanha e a Itália e quase ao nível do Reino Unido e de França.
Agora que já não tem mais fôlego para comemorar a sorte de ter José Sócrates como primeiro-ministro e o PS no Governo, trate de espalhar a boa-nova. Faça um serviço patriótico e conte as novidades aos 444 mil desempregados, aos professores que perderam 12% de poder de compra nos últimos oito anos, aos milhares de famílias que não têm dinheiro para pagar os empréstimos ao banco.
Acredite na boa-fé de quem o governa. Assim, está a dar-lhes mais força para os próximos tempos e sempre consegue esquecer-se de tudo o resto: o País que realmente existe, longe dos sonhos dos outros."
In Editorial da Sábado
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