quinta-feira, 14 de agosto de 2008
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
Passagens
«No planeta seguinte vivia um bêbado. Foi uma visita muito curta, mas que mergulhou o principezinho numa grande melancolia.
- O que é que estás a fazer? - perguntou ele ao bêbado que foi encontrar muito calado, diante de uma colecção de garrafas vazias e uma colecção de garrafas cheias.
- Estou a beber - respondeu o bêbado, com um ar lúgubre.
- E porque é que estás a beber? - perguntou o principezinho.
- Para me esquecer - respondeu o bêbado.
- Para te esqueceres de quê? - perguntou o principezinho, que já começava a ter pena dele.
- Para me esquecer de que tenho vergonha - confessou o bêbado, baixando a cabeça.
- Vergonha de quê? - tentou informar-se o principezinho, cheio de vontade de o ajudar.
- Vergonha de beber! - concluiu o bêbado, fechando-se definitivamente no seu silêncio.
E o principezinho foi-se embora, perplexo. "Não há dúvida de que as pessoas grandes são mesmo muito esquisitas", foi o que ele foi a pensar, durante a viagem.»
Antoine de Saint-Exupéry in "O Principezinho"
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Livrolândia
sábado, 9 de agosto de 2008
Constatações XLIX
Não tenho paciência para pessoas burras. Ou melhor, básicas, daquelas-muito-básicas-mais-básico-não-há. Tento ser tolerante, mas essa tolerância esvai-se eternamente quando, ao final de seis piadas, em que a dificuldade de compreensão vai caindo vertiginosamente, qual penhasco à frente dos pés, o meu interlocutor não consegue atingir nada, nadinha!
Coitadito...
sexta-feira, 8 de agosto de 2008
Da série: Não me canso de homens bonitos (VI)
ADRIEN BRODY
(P.S.: Este não é daqueles bonitos, bonitos,
mas tem um quelque chose enorme que o torna maravilhoso)
Decisão de fim-de-semana
Não ver os canais portugueses de televisão: vamos ser bombardeados com os vários ângulos do assalto ao BES, pseudo-análises sobre a coragem, pontaria e heroísmo dos operadores da PSP (com direito a estudo e análise detalhada da carreira), testemunhos dos moradores, vizinhos e até de um cão que por lá passava àquela hora, relatos de psicólogos e/ou psiquiatras e/ou médiuns sobre as sequelas e tratamentos mais aconselhados aos ex-reféns e, quem sabe, familiares mais próximos, discursos xenófobos mas, no entanto, disfarçados (não, por acaso foram brasileiros, mas podiam perfeitamente ser portugueses!!), reconstrução da difícil vida dos criminosos que os levou a tal ponto, historial completo de todos os assaltos a bancos ocorridos desde que a comunicação social passou a sofrer do síndrome Big Brother - A vida em directo, e, tenho a certeza, alguma coisa mais que me está a escapar mas que não escapará certamente a quem, de direito, tem esta sede de transmitir "informação". Seja a que preço for.
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
"O lado selvagem" (Estados Unidos, 2007)
Será que é possível a um jovem, acabado de sair da Universidade, reunindo todos os predicados para ter um futuro de sucesso, ser capaz de abandonar tudo em prol de uma busca de verdade? Desprovido de bens materiais e para "fugir" à hipocrisia dos tempos modernos? É! Aconteceu, de facto, e Sean Penn, um dos meus actores fétiche, passou para a cadeira da realização e criou este belíssimo filme, onde se destaca também a banda sonora, a fotografia, e o excelente papel principal interpretado por Emile Hirsch, até agora desconhecido para mim.
Uma caminhada solitária e corajosa que acaba, ao contrário do que desejava (gostaria que ele tivesse regressado à "civilização") com a sua morte.
Mas não é isso que nos espera a todos?
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
Momento Kodac
Pegar no carro, num final de tarde quente, ao som de Pasión, de Rodrigo Leão. Abandonar a cidade, a mão direita no volante, a esquerda estendida para a rua, a sentir o vento fresco a trespassar-me os dedos abertos e livres. Percorrer, sem horas marcadas, caminhos verdes com alma e sem gente.
Diz que este blog é Leão!
E diz que hoje faz 3 anos o que, na idade blogosférica, deve corresponder mais ou menos a uns 15 anitos humanos. O que significa que para o ano, se lá chegar, terá atingido a maioridade!
Tão bom vê-lo crescer...
Tão bom vê-lo crescer...
segunda-feira, 21 de julho de 2008
Pensamento incessante
Férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias, férias.
sábado, 19 de julho de 2008
quarta-feira, 16 de julho de 2008
Passagens
"Os do meu país gostam de alindar as traseiras das casas com frigoríficos velhos, bilhas de gás mal acabadas, o carrinho daquele bebé que já foi para a tropa, uns alguidares rotos que um dia servirão para aparar o vento, um bidé, pelo menos, de loiça esboroada; pátria relha, declinada por gosto próprio.
Que posso eu dizer, se mesmo assim amo este país de convulsões, imundície, traição, inveja e de uma traquinice terna e impune de menino livre? O carinho que sinto por ti, eu não sei negar, país padrasto, amante ingrato... Atravesso este meu país de pântanos e mentiras. País? Ou simples paisagem de pouca autoconfiança e muita dissimulação, onde os novos humildes servos somos todos?"
Alexandre Honrado in "Amor a Monte"
terça-feira, 15 de julho de 2008
Patetices
A British Medical Association, numa conferência que decorreu na Escócia, defendeu a proibição das cenas com cigarros em filmes, de forma a não se influenciar negativamente os jovens, nomeadamente para não aumentar o vício do tabaco entre os mesmos.
Ora, este tipo de argumento, bem espremidinho, e aplicado a outros tipos de cenas de cinema poderia acabar com esta (bela, digo eu) forma de arte. Vejamos:
Dever-se-ia acabar com as cenas de acção porque nelas existe muita violência (ele é murros e pontapés, é sangue que escorre de várias cavidades corporais, é tipos estendidos no chão a gemer, é armas cujo gatilho é premido a torto e a direito, é perseguições a grandes velocidades, etc., etc.) - não é isto uma influência negativa para os jovens?
E os filmes de guerra? E os que versam sobre tráfico e consumo de drogas? Nunca, muito má influência!
Em última instância acabariam também os filmes ditos de amor porque, por regra, há sempre uma cenazita envolvendo sexo ou um toque mais descarado. Ups, má influência!!
Filmes pornográficos? No way.
Artes marciais? Nop.
Filmes sobre política? Uiii, nem pensar...
Bibliográficos? Também não, não existe ninguém "real" que seja perfeito!
Acabe-se com os filmes então, essa forma monstruosa de influenciar negativamente os jovens.
O mundo seria um lugar muito melhor.
quinta-feira, 10 de julho de 2008
Constatações XLVIII
Hoje as pessoas com quem trabalho fizeram-me uma autêntica declaração de amor conjunta. Desde os colegas aos chefes. Confesso que fiquei muito sensibilizada, com uma lagrimazita no canto do olho. Há surpresas assim...
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