quinta-feira, 10 de julho de 2008

E porque me apetece falar de cinema

"Redacted", realizado em 2007 por Brian de Palma (vencedor do Leão de Prata na 64ª edição da mostra de Cinema de Veneza) é quase um não-filme.
Retrata o quotidiano de soldados americanos no Iraque, em 2006, e da forma como o próprio contexto e a personalidade de cada um deles influencia os acontecimentos.
É quase um não-filme, não por não ter qualidade, mas porque nos é apresentado em jeito de documentário, quer pela mão de um dos soldados que anda sempre munido de câmara (o seu sonho era, no final da guerra, estudar cinema; acabou por não o cumprir), quer pelas câmaras de segurança, reportagens de televisão, vídeos da Internet.
Um murro no estômago, crítico e duro, uma visão sobre a injustiça que a guerra do Iraque é.
Como o são todas as guerras.

quarta-feira, 9 de julho de 2008



Paixões


de


Verão

Perguntinha

Porque é que há pessoas que debitam cerca de 50 palavras para dizerem o mesmo que poderia ser resumido em 5?

terça-feira, 8 de julho de 2008

Conto os minutos que, no mostrador, parecem ter morrido.
Tic, tac, tic, tic, tac.
Rogo para que passem rápido, que corram incessantemente até à hora que, pretendo, chegue rápido.
Tic, tac, tic, tic, tac.
O relógio não me obedece.
Tac, tic, tic, tac, tac.
Sabia que, mais cedo ou mais tarde, as máquinas que criamos nos iriam ultrapassar.


"uma hora de partida

mesmo quando não há

lugar certo para ir."

Tenessee Williams

sábado, 5 de julho de 2008

Garatujar

E neste momento apetece-me escrever. Discorrer sobre o que me vem à mente, sem que tenha de ser coerente. Escrever somente sobre o que a cabeça me vai ditando, embalada (talvez) pelo vinho quente que me atormenta suavemente.
Escrever, escrever, escrever.
Ou apenas garatujar.
Escrever sobre o que me rodeia, os livros dispostos em fila, desconexos, a almofada pousada no canto do banco, o ar quente que a janela aberta deixa entrar.
Escrever sobre a música que leva as minhas pernas, cruzadas na cadeira gasta, a bambolearem, os dedos a estalarem por entre o fumo dos cigarros que fumo insistentemente, (oh, necessidade urgente).
Escrevi. Pouco, mas escrevi.
Ou apenas garatujei.
Cumpri-me.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Passagens

"Antes de essa querida tia morrer, estava eu de recente luto, todas as separações são um abatimento, um cipreste a morrer de pé... Separei-me do Jorge, depois de um casamento de amor nublado. Por isso, fiquei agradecida à velha tia. A sua morte permitia-me trocar uma dor por outra dor e levantar-me de ambas..."

Alexandre Honrado in "Amor a Monte"

terça-feira, 1 de julho de 2008

Doçura(s)

Fomos para a cozinha com o intuito de fazermos um bolo muito bonito, foi assim que o tinhas definido. Colocamos os aventais e dispusemos os ingredientes em cima da mesa: o açúcar, a farinha e o fermento, os ovos, a manteiga, o chocolate que, mais tarde, derreteríamos em banho-maria. Intitulaste-te de minha ajudante principal, gostei da designação. Batemos os ingredientes conforme rezava o livro.
Puseste o bolo no forno que ias espreitando, de três em três minutos, após o que dizias, com um sorriso guloso:
- Já está um bocadinho maior! Já podemos espetar o palito?
Mas não, ainda não podíamos.
Cantávamos canções infantis enquanto batemos as natas, açucaradas, que iam salpicando tudo ao seu redor. Já prontas, provamo-las rapidamente, os dedos a correrem para a boca com sofreguidão.
Quando cozido, depois de ter ficado um tempo a arrefecer, cobrimos o nosso bolo com o chocolate derretido, entre as colheradas roubadas e os muitos risos abafados pela pressa que aquela tarefa séria obrigava.
Finalmente colocamos as natas no saco pasteleiro e cobrimos o bolo de bonitas e apetitosas florinhas brancas. Como sobrou, esprememos o conteúdo do saco directamente para as bocas abertas, à vez. E rimo-nos, rimo-nos...
A Rita, com a cara salpicada de cores, qual palhacito mal pintado, observa-me a devorar as natas e diz-me assim:
- Tu não és como as outras pessoas grandes. Não és chata e fazes asneiras que nunca ninguém me deixa fazer!
Olhei para ela enternecida. Foi o melhor elogio que me fizeram desde há muito.

E no final resta-nos isto

"O «caso Maddie» deverá ser arquivado pela Polícia

Judiciária (PJ) por falta de provas."

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Definições

AMIZADE

"Tudo o que eu vi,
estou a partilhar contigo
o que não vivi,
um dia hei-de inventar contigo"

Jorge Palma

Da série: Não me canso de homens bonitos (III)

JOSH HOLLOWAY

Momentos

E por vezes a tristeza bate-me tão forte, como uma mão enorme e feia e gorda que me estrangula, que me impede de respirar, que me impede de chorar também, que me deixo assim ficar, só, calada e inerte, à espera que ela decida largar-me e partir.
Porque não vale a pena fingir que ela não existe, a pressão no peito não mo permite sequer imaginá-lo. Não vale a pena tentar ignorá-la porque ela faz questão de me mostrar a sua autoridade, naquele momento, tão pequenina e insignificante me sinto.
Não vale a pena...
Então, deixo a tristeza inundar-me todo o corpo, os olhos, as mãos, o cérebro e, quando ela se sente saciada, finalmente, face ao cansaço (triste) que me trespassa que, pé ante pé, se esvai devagar devagarinho.
Sinto-me limpa agora. Pronta para continuar.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Frases bonitas - Versão irónica

"O meu desejo é tantos. (...)"


By Cristiano Ronaldo

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Ideias*

(*Ou um bom exemplo de como uma imagem

pode valer mais do que mil palavras)

Constatações XLVII

Não consigo suportar aqueles que passam a sua existência a fazer-se de coitadinhos para, assim, atingirem proveitos através da vitimização. Considero esse tipo de atitudes do mais reles que existe.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Última hora

Notícia do Telejornal de hoje (RTP1): Uma vidente/homeopata, residente na Suíça, garante que não haverá mais lesões na equipa portuguesa, que ganhará facilmente à Suíça e, diz-lhe o seu guia, poderá mesmo vencer o Europeu.

Espero agora, curiosa, que me actualizem no que respeita à detenção do Prof. Bamboo. Deve ser já depois do intervalo.

Verdades absolutas

É curioso como o tempo que passa (talvez também a maturidade adquirida ao longo dos anos) relativiza de uma forma quase atroz situações, emoções e verdades tão absolutas outrora.

Gosto de sextas-feiras.

Gosto do número 13.

Gosto de horóscopos parvos que me dizem para, neste dia,
reagir positivamente aos estímulos e aos impulsos que o meu coração me transmite.

Constatações XLVI

Por muito que não queira o Europeu acaba por mexer um pouquinho comigo. Só assim se explica que tenha sonhado toda a noite (pelo menos é essa a noção que tenho) com o Simão Sabrosa. E ainda por cima lembro-me de tudo.