segunda-feira, 31 de março de 2008

La Vie en Rose

La Môme, no original, realizado por Olivier Dahan, e contando entre outros, com as interpretações de Emmanuelle Seigner, Gérard Depardieu e Marion Cotillard, este filme, ganhador de dois Óscares (melhor actriz e caracterização) deixou-me de lágrimas nos olhos e um nó no coração (ou na alma ou na garganta, ou em todos, não sei bem).
Edith Piaf era uma miúda de rua, que cresceu entre abandonos, sendo "salva" de uma existência ainda mais dura quando lhe descobrem o dom que tem na voz. Isso não a afastou, no entanto, da dependência do alcool e da morfina.
Pequena, dócil mas determinada, insegura mas também desvairada, foi uma mulher que viveu.
Marion Cotillard está magistral na pele da cantora. A ver e rever.

Jornalista - Que conseill pour la vie donnez vous a une femme?
Edith Piaf - Aimez.
Jornalista - Et a une jeune fille?
Edith Piaf - Aimez.
Jornalista - Et a un enfant?
Edith Piaf - Aimez.
- Arranja-me um cigarro? (Acompanhado de gesto de levar um cigarro à boca)
- Hum, hum. (Acompanhado de aceno afirmativo com a cabeça)
- É inglesa?
- Não.
Entrego o cigarro.
- Thank you.

domingo, 30 de março de 2008

E ainda sobre Portishead

Como é possível que, de um corpo tão franzino, saia uma voz tão colossal?

Poderoso, perfeito, Portishead



Casa cheia. Odor a erva. Expectativas ansiosas. Fazem-nos esperar e o nervosinho miúdo cresce dentro de mim. Quero-os no palco. O restante público também, o que se comprova pelas palmas, gritos, pelo burburinho que se sente entre aquelas paredes. E eis que, finalmente, eles estão lá. Uma banda que me acompanha desde há muito, embora nem sempre. Porque, se por vezes as músicas me trazem paz, outras há em que me deixam melancólica, soturna.Dependendo sempre do meu estado de espírito.
Todo o concerto é para mim uma viagem. Deixo-me levar pelas luzes, pelo embalar dos corpos que se movimentam no mesmo ritmo do meu. A voz encarrega-se do resto. Beth Gibbons de seu nome. Fecho muitas vezes os olhos e sinto-me a sorrir. Por vezes expresso-o, outras guardo-o egoisticamente em mim. Porque representam momentos só meus.
Foi lindo, a levar-me a pensar que eu tinha de lá estar. E estive. E adorei.

Constatações XLII

Sinto-me crescida quando, chegando a casa pelas seis e meia da manhã (hora nova), consigo desmaquilhar-me.

domingo, 16 de março de 2008

Devaneios

Ando amuada com o mundo. Não por muito tempo, sei-o, mas é assim que me sinto neste momento. Talvez já não amanhã, ontem sim. Ando amuada com o mundo. Saio para a rua e caminho sem norte, a ver se o vento fresco me faz despertar. Ao invés, embora não o queira, não consigo evitar observar as caras de Domingo. Parecem-me amuadas. Talvez porque o sol não brilhe e encha de cores os espaços entre os prédios, a relva não pareça verde, o céu não esteja azul. Ou, quem sabe, porque aqueles rostos já antecipam o dia de amanhã, as correrias para chegar ao emprego, a vida tão cara, tão igual, um dia após o outro, o simples acto de acordar, um dia após o outro, como chuva que cai, sempre monótona, cansativa.
Ando amuada com o mundo. Mas, reparando nas faces distorcidas, os lábios uma curva descendente, olhares vazios, mãos abandonadas ao corpo, consigo perceber que muita gente anda amuada. Com algo ou com alguém.
Se calhar, com o mundo também!

E porque gosto de acreditar que este blog é original

Não vou falar da nova proposta de lei
que irá limitar as áreas do corpo
onde podem ser colocados piercings.

quarta-feira, 12 de março de 2008

"Se tivesse uma câmara, Mário gostaria de fotografar os rostos das pessoas que, ao sábado, passeiam na cidade e daquelas que vivem na cidade para que os outros reparem nelas. Fotografá-las-ia decerto, se pudesse, se tal fosse possível, um instante antes e um instante depois de terem dado pela presença dele, caminhando na sua forma diversa de caminhar. Mas Mário não tem uma máquina fotográfica e, mesmo que tivesse, talvez não lhe fosse possível fazer o que deseja: as pessoas apercebem-se de que Mário se aproxima muito antes de ele estar suficientemente perto para fotografar os rostos delas. Só se Mário pudesse ser, ao mesmo tempo, ele próprio e um outro: um fotógrafo invisível que o precedesse. Isto, porém, é impossível. Apenas as palavras tornam possível tal efabulação. Imagine-se alguém ser dois! Isso não pode ser senão invenção de poetas, escritores e outros mentirosos." - Verdade ou Mentira?

"Presumo, pois, que o homem da bicicleta musical seja um velho feliz da felicidade das pequenas coisas e dos minúsculos gestos, dos subtis prazeres; um homem que se empenha em escandalizar suavemente o mundo com a música da felicidade dele. Não creio que seja viúvo, o homem. Prefiro imaginá-lo a envelhecer devagar ao lado de uma velhinha igualmente feliz, de cabeça nevada, que o recebe com um sorriso quando ele regressa das suas manhãs ciclísticas na Foz; com um sorriso e o perfume feliz de um naco de carne a acabar de crestar no forno. Ele sempre insiste para que ela saia também, para que compre uma bicicleta e venha pedalar com ele nas manhãs de domingo, para cantarolarem juntos, mas a felicidade dela reside em outras coisas: despertar com o cantar do galo, ver nascer o dia na janela da casa térrea onde moram os dois, tratar do limoeiro do quintal, colher um ramo de flores frescas com que há-de dar cor à mesa do almoço e principiar a preparar a refeição, descascando amorosamente pequenas batatas, temperando a carne com louro, alho e vinho branco. Tuso sem pressas e sem tempo, com os gestos que têm as velhas que são felizes e não correm para lado nenhum nem fogem de coisa alguma." - O homem da bicicleta musical


In "O profundo silêncio das manhãs de domingo",


de Manuel Jorge Marmelo



Um pequeno livro de contos
delicioso,
utópico,
sonhador,
irrealista até,
muito bonito.








quinta-feira, 6 de março de 2008


"Todo o sul da Europa se pode transformar

numa extensão do deserto do Saara."



Anthímio de Azevedo - Meteorologista

Na idade dos porquês

Olhava para a água quase parada no seu constante ir e vir. As luzes nela reflectidas davam-lhe um falso aspecto de claridade, que contrastava com o breu do céu. Fiquei ali a tentar descobrir as respostas às minhas perguntas quase infantis. Sem sucesso.
Queria ir para casa mas também não. Não me satisfazia a companhia mas também não desejava ser levada pela solidão. Não queria deitar-me na cama fria, abandonada, às vezes cruel. Analisei mentalmente o percurso percorrido. Qual seria o seu sentido? Para chegar onde, quando, porquê? Uma vez mais as respostas não me foram concedidas, a minha mente, a fervilhar, não acalmou, foi-me negada a serenidade da sabedoria.
Talvez precise caminhar mais...

Fait-divers

Há dias vi algo como um desfile de moda de cães. É-me difícil perceber o quão ridículas podem ser as pessoas.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

A não ver

INLAND EMPIRE

de David Lynch

(A não ser que se esteja com uma grande insónia
e não se queira recorrer a soporíferos)


Carlos Ademar é professor no Instituto Superior da Polícia Judiciária e Ciências Criminais tendo sido, durante anos, investigador criminal na Secção de Homicídios da PJ.
Terá sido certamente dessa experiência que lhe saíu este romance, sobre o mundo das drogas, mulheres, influências, armas. Poder-se-ia dizer que aconteceu no Porto, mas não, foi em Lisboa. Poder-se-ia dizer que as personagens foram inspiradas no gang da Ribeira. Não, o livro foi editado antes. Poder-se-ia dizer que se move à volta de Bruno Pidá. Também não, Alberto Lima é o seu nome.
Embora não seja um mimo literário, às vezes um pouco incongruente, levou-me a contactar com uma realidade para mim pouco conhecida, e a perceber que o caso do gang da Ribeira é a conhecida repetição de muitos casos que se passam por este país fora. Basta juntar os corpos grandes fermentados nos ginásios, alimentados a substâncias químicas, a procura de dinheiro fácil e poder, os jogos de influências, os esquemas bem sucedidos, os códigos de conduta, o demarcar do território, o matar se convier.
Eventualmente, se as coisas correram de feição aos líderes naturais destes grupos, não será difícil cada um de nós conhecer um deles, agora transformado em benemérito da sociedade.

Este blog tem andado assim:

A trabalhar

A trabalhar

A trabalhar

A trabalhar

A trabalhar

A trabalhar

E ainda:

A trabalhar

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Delírios

- Gostas?
- Por vezes... há dias que sim e dias que não...
- Não gostas às vezes? És homem, raios! E todo o homem que se preze gosta sempre! Mais até do que a mãe!
- Pois... talvez tenhas razão. Mas eu não gostava tanto assim da minha mãe. E ela já morreu.

A ressaca

Após um dia em que todos nos querem convencer que é lindo o amor, após as incontáveis músicas românticas de fazer chorar baba e ranho, dos corações colados em todas as montras, das rosas vermelhas, verdadeiras, de chocolate, plástico e até cartão, dos casais que fazem deste um dia muito bonito quando se esquecem disso no resto do ano, das serenatas dos dias modernos, dos poemas, das flores, do ar consumista de Natal, sabe muito bem voltar à normalidade. (Se possível, com muito amor.)

Gostos

Esta manhã tomei o pequeno-almoço numa pastelaria vizinha ao meu local de trabalho: uma meia de leite e uma sandes de manteiga e queijo. Um senhor já de certa idade decidiu fazer o mesmo que eu: pediu uma cerveja preta e um prato de batatas fritas.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Hoje sinto-me (quase) assim...


"Finalmente as boas notícias! Em todo o mundo, o petróleo está a subir e os empréstimos estão hiper-restritos. A economia americana estará, em breve, em recessão, o dólar em baixa e as Bolsas em crise. O cenário é preocupante. Mas isso é lá fora. Na Europa, o oásis fica junto ao Atlântico. Exactamente, mesmo que lhe possa parecer que Portugal vive em crise, que os funcionários públicos não têm aumentos reais há anos e que, perante a recessão no resto do mundo, a situação económica pode ficar ainda mais grave por cá, o Governo tem boas notícias para si. Segundo as previsões oficiais, a economia vai crescer em 2008. Melhor: vai crescer mais do que no ano passado. Melhor ainda: é a única da zona euro que conseguirá a proeza. Melhor mesmo: cresceremos mais do que os Estados Unidos, a Alemanha e a Itália e quase ao nível do Reino Unido e de França.
Agora que já não tem mais fôlego para comemorar a sorte de ter José Sócrates como primeiro-ministro e o PS no Governo, trate de espalhar a boa-nova. Faça um serviço patriótico e conte as novidades aos 444 mil desempregados, aos professores que perderam 12% de poder de compra nos últimos oito anos, aos milhares de famílias que não têm dinheiro para pagar os empréstimos ao banco.
Acredite na boa-fé de quem o governa. Assim, está a dar-lhes mais força para os próximos tempos e sempre consegue esquecer-se de tudo o resto: o País que realmente existe, longe dos sonhos dos outros."

In Editorial da Sábado

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Música

Gosto de trabalhar ao som de música. Sempre gostei. Por vezes ouvia um ou outro cd para descontrair. Mas há uns tempos "descobri" as emissões de rádio online o que, além de me levar a estar a par das novidades mais comerciais me leva a ouvir músicas que não ouvia há muito. Agora a rádio está ligada o dia inteiro, o ambiente muito mais descontraído, até dá para dançar e cantar um pouco na cadeira. E o trabalho sai-me muito mais fluentemente.

Aaaaaaahhhhhhhhhhh

Segundo a Sábado desta semana, Ana Malhoa foi a personalidade mais procurada pelos portugueses na Internet em 2007.

E por falar em personalidades, de acordo com a Agência France Presse, Durão Barroso deverá ser um dos nomeados ao Nobel da Paz de 2008.




Gostava de concluir este post de forma pomposa mas... faltam-me as palavras.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Tele-lixo

Ontem à noite, no meio de um zapping, deparo-me com uma cena forte numa das novelas da TVI: segundo entendo, uma mulher foi raptada pelo marido que pretende matá-la.
A senhora, amarrada a uma cadeira, consegue soltar um braço e chegar à sua carteira, de onde retira o telemóvel. Liga a alguém a pedir ajuda.
Cena seguinte: uma outra mulher atende o telefone e vai dizendo, São, ó São, que bom que és tu, estávamos tão preocupados... Ó São, ai, graças a Deus que és tu, estávamos tão preocupados.
A São, do outro lado, amarrada, prestes a ser eventualmente morta com o aparecimento do marido nada diz, fica antes a ouvir a outra a explicar o nível de preocupação (momento sublime n.º 1).
Acaba por reagir, entretanto, finalmente, quando a outra lhe pergunta onde está. Descreve a sua localizaçao, diz ai que ele vai-me matar, vocês precisam vir rápido porque ele vai-me matar. Uma vez mais, em vez de desligar o telemóvel para que os outros possam ir salvá-la, não, fica a dissertar sobre a violência do marido (momento sublime n.º 2).
Mudei de canal. A pensar que os autores desta novela poderiam deixar de pensar nos espectadores enquanto deficientes mentais.
Quero escrever mas as ideias ficam-me prisioneiras nas pontas dos dedos, talvez por percorrerem excessivamente a minha mente, o coração, o fluxo sanguíneo.
Quero escrever mas as palavras fazem-se reclusas em mim.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

A ouvir


ANA MOURA

Amigos gays (XIV)

Só com um amigo gay poderia combinar, com uma semana de antecedência, o programa do próximo Sábado à noite: Sentar-mo-nos em frente à tv a ver a final da Operação Triunfo.
Tenho pressa. Que a vida me aconteça, me pegue pelo braço e me leve onde quero ir. Tenho pressa em definir o que está desalinhavado, unir com pontos de agulha os retalhos que vou guardando, um sobre o outro, até que possam deixar de ser retalhos para se transformarem numa peça só.
Tenho pressa, urgente, de criar, aproveitando os conhecimentos de que o que está a minha volta me dá.
Tenho pressa de acordar contigo todos os dias (aos Sábados também).
E de acabar com a sede de curiosidade que me leva a nunca parar.
Tenho pressa.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Amnésia

Uma das situações com que, por vezes, me deparo (e, penso, deve acontecer a todos os "adultos" que saem à noite) é encontrar um grupo de jovens, normalmente mulheres, alcoolicamente acelaradas e irritantemente histéricas. É um facto, incontornável, por vezes dificilmente suportável.
Há tempos, num qualquer bar, estando acompanhada por uma amiga, entrou porta adentro um grupo similar ao acima identificado, que tomou conta da pista com os seus corpos desiquilibrados, risos, refrões de canções gritados, bebidas entornadas. Não pude deixar de perceber o olhar de enfado e condenação que a minha amiga me lançou.
Tenho dificuldades em aceitar este tipo de atitude: não que às vezes as miúdas não sejam verdadeiramente irritantes, que o são. Mas o que me faz confusão é a facilidade com que as pessoas esquecem aquilo que já foram. Porque eu e a minha amiga já fomos assim, já fizémos figurinhas que não lembram a ninguém, também nós já fomos jovens-rebeldes-acabadas-de-sair-da-idade-do-armário-e-que-pensam-que-o-mundo-é-delas.
E acho que esse é meio passo para se acabar um adulto enfadonho, moralista, ou seja, um enorme chato.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Dúvida

Agora que os Gato Fedorento decidiram fazer uma paragem, quem é que vai fazer oposição ao Governo?

Passagens

"O tradicional lençol branco salpicado de vermelho vivo do sangue ainda fresco lá estava - parecia sempre o mesmo. Sob o tecido fino pigmentado estava o corpo prostrado, na posição de borco, qual actor estático num monólogo surdo de rua, assistido por inúmeros curiosos espectadores que, apesar da hora tardia, não dispensavam o habitual desejo absurdo de sofrer. Ou então, mais prosaica e perversamente, apenas para estarem próximos do sofrimento alheio. Talvez assim se sentissem menos infelizes na sua monótona e igualmente paupérrima existência. Alguém estava em pior situação e isso descomprimia, era um tónico. Ficavam sempre por ali, a mirar e a condenar de forma veemente o responsável por tamanha atrocidade. «Covardes, isto não se faz» ou «o tipo que fez isto merece o mesmo». Serão deste calibre as expressões de revolta mais usuais, como se cada um dos espontâneos juízes não fosse ele próprio capaz de, em circunstâncias apropriadas, levar à prática de actos idênticos."

Carlos Ademar in "Estranha forma de vida"

(Oficina do Livro)

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

E por falar em nuvens

Tenho a dizer que a TAP é uma merda.

Hoje sinto-me assim...


Post de gaja

Nem tudo é mau quando se fala na nova lei anti-tabaco. No meu local de trabalho, o sítio destinado aos fumadores fica dois lanços de escadas abaixo de mim, o que significa que vou ficar com umas pernas "à holandesa".

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Cântico Negro

«"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí!
Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!»

José Régio

(1901 - 1969)

Taras

Cada vez sou menos preconceituosa. Por exemplo, tenho como amigos pessoas que, talvez há uns anos atrás, não quisesse sequer conhecer. Simplesmente pela sua forma de vestir ou de falar. Ou por características da sua personalidade que considerava graves defeitos. Hoje tento aceitá-los como são, tendo aprendido que ninguém é perfeito e que uma pessoa com "graves defeitos" pode ter também enormes encantos. Esta é a minha regra. Uma excepção: pessoas que calçam as sapatilhas da foto. Não consigo levá-las a sério, não percebo como é que alguém com uma mente equilibradamente sã consegue usá-las. Talvez um dia...

Novo ano

Começo um Janeiro frio e quase sempre solarengo. Não faço uma análise do ano que passou, penso antes no que pretendo fazer no presente. Os desejos acabam por repetir-se, segundo após segundo, sultana após sultana. Saúde, muita, amor, alegria e um pouquinho de tristeza também para me recordar como a primeira sabe bem, risos e muito caminho para calcar, descobrir e desbravar.
Do ano que passou tento apenas reter as memórias, as conquistas, os erros - para tentar não voltar a repeti-los - oh, árdua tarefa...
Os abraços quentes aos que me são queridos, a tua permanente presença, as palavras sinceras, esses são mimos que pretendo reter sempre, na minha mente, na minha pele, passem os dias, passem os anos.
Começo um Janeiro frio e quase sempre solarengo, determinada a conquistar os meus sonhos. Espero que o façam também.
Bom ano.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Coisas que se aprendem com constipações

Devido a uma grande constipação após ligeiro estado gripal fiquei sem cheiro e sem paladar. Dois dias. Lembrei-me que nunca pensamos nas coisas até passarmos por elas: é-nos tão banal a normalidade do corpo, que só nos apercebemos que bem que ela sabe (a normalidade) quando estamos num estado não-normal. Então, como dizia, dois dias sem cheiro e paladar. Tão estranho!!! Não sentir o cheiro do hidratante, depois do duche, o perfume acabado de colocar... o cheiro do café...
Pior ainda foi a falta de odor aliada à falta de paladar. Comer algo cujo sabor tão bem conheço mas não consigo reconhecer... sabe tão mal...
E faz-me ter ainda mais dificuldades em compreender aqueles que afirmam comer e beber por obrigação: sentar-me a uma mesa, com boa companhia, a degustar um belo jantar, um bom vinho... esse é um dos meus grandes prazeres na vida (que, neste momento, felizmente, já voltei a poder usufruir).

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

E por falar em Natal





Estou com o primeira gripe do ano.

Há coisas fantásticas, não há?

terça-feira, 4 de dezembro de 2007


Os meus passos calcam as folhas secas, coloridas, mortas mas, ainda assim, belas.
Gosto do Outono por isso. Porque a natureza morre para voltar a nascer. Renova-se. Após libertação do que é velho, do que já não importa mais. Sinto-o em mim, como se em mim se transformasse.

Actualidades

José Sócrates defendeu hoje que a Cimeira UE-África já "é um êxito", devido às presenças de Chefes de Estado e de Governo confirmadas.
Melhor ainda, afirmou que vai ser aprovada uma estratégia conjunta, reflexa em parcerias a estabelecer em quatro grandes áreas: paz e segurança, governação e direitos humanos, alterações climáticas e migrações.
Em relação à paz, segurança e, especialmente, direitos humanos, ainda acredito que alguma coisa possa ser acordada. Agora, alterações climáticas e migrações, Sr. Primeiro-Ministro? Onde é que anda com a cabeça?

Stop Aids

















(Roubado ao Zoo)

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Então diz que o Natal está a chegar, não é?

E eu, constituindo uma excepção à generalidade dos portugueses, já fiz todas as compras, que coloquei num sofá da sala. Como não tenho o hábito de fazer a tradicional árvore, por não passar as festividades em casa nem ter crianças a exigir-mo, aquele sofá será, até ao final do mês, o Cantinho do Natal.
Olho, procuro, mas não encontro.
Os que me rodeiam parecem-me nus.
De essência e pensamento.

A ver

Serralves fora d'horas

(Às sextas, pelas 23 h, na Sic Mulher)


Apresentado por Ana Mesquita e Júlio Machado Vaz, é um programa onde se fala de sexualidade mas não só.
Na sexta-feira que passou tive o privilégio de "conhecer" Siza Vieira, visto que até aí só lhe conhecia as fotos e a obra. É um senhor encantador, com uma sabedoria e presença cheias de graça. Ficava a ouvi-lo durante horas.
A demonstrar aos Vascos Pulidos Valentes que andam por aí que, mesmo que se seja genial, a humildade será sempre uma virtude.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Leva-me o tempo o trabalho,
muito,
as mil coisas a fazer e a pensar.
Correrias em mim que me cansam e despertam,
correrias tristes,
felizes também,
correrias rápidas que não páram de girar.
Sinto-me a correr.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

O bom de ter um MapLoco (aí em baixo ao fundo da página) é que ele me leva a saber que sou lida em locais - que não conheço e me soam a longínquos - tais como: Almancil, Belas ou Linda-a-Velha (em Portugal), ou Pedra Azul, Curitiba, João Pessoa (no Brasil).
Sabe-me bem esta longínqua proximidade.
Obrigada.


"É trágico pensar que alguém pode morrer sem nunca ter ouvido risos -

por isso ri-te agora, mesmo antes de seres feliz, e talvez a felicidade

venha a seguir.”



Jean de La Bruyère

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

A Caixa Geral de Aposentações concedeu a reforma a uma professora, vítima de três cancros, e que, no ano passado, esteve a dar aulas por ter sido considerada apta, pelo mesmo organismo. Acho que ela está a pensar em dar uma festa.

Blogolândia


Pérola

Recebi um mail, do Senhor Artur Fritz, directamente na caixa de spam, com o seguinte título: "Your penis is so small you feel like an insect, not a human. To be a man..."
Não tenho nada a acrescentar. A pérola brilha só por si.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Post estúpido

Segundo o Diário Digital de hoje, os efeitos de deixar de fumar começam a sentir-se logo 20 minutos depois do último cigarro. Mas só após 15 anos é que o risco de ter doenças do coração "desce" ao nível de um não-fumador.


Ora, como 15 anos é muito tempo e sou uma rapariga que vive muito o presente, e como só em raras situações é que fumo mais do que um cigarro num espaço de 20 minutos, estou em constante processo de auto-regeneração. E isso deve ser bom.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Post de gaja



(Compra do mês)


Constatações XLI

Estou convencida de que a maioria das pessoas não vive por causa do medo da morte.

Dançar, dançar, dançar

Adoro dançar, movimentar o corpo ao ritmo do que me vai na alma. Por vezes, algumas vezes, consigo libertar-me totalmente do e dos que me rodeiam. São momentos fugazes, que os sinto como próximos da perfeição, independentemente da relatividade do conceito.
Fecho os olhos e sou só eu e a música. E o meu corpo. E o meu eu. E, acontece-me sempre, quando "acordo", rio-me, só eu e a música e o meu corpo e o meu eu, rimo-nos pela satisfação que aquele bocadinho de nada e de tudo me deu.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Amigos gays (XIII)

Um amigo gay leva-me a conhecer o Gaydare. Fez-me lembrar um mercado de carne.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Quando a Elsa se aproximou de mim, a perguntar-me apressada e desajeitadamente porque é que havia pobres que viviam na rua, não tive uma resposta pronta para lhe dar. Poderia ter-lhe dito que o mundo é assim, que para haver ricos que dormem em lençóis de rendas francesas e cetim têm de existir pobres que dormem na escura calçada do chão. Ou que sempre foi assim. Ou que... outra coisa qualquer. Mas a Elsa não ia entender. Porque a Elsa é uma criança e as crianças não percebem porque é que o mundo não é um local onde toda a gente possa ser igual. Além do mais, sentir-me-ia na voz a dúvida de não o saber também.
Perante a minha hesitação, tão sábia na sua ingenuidade, disse-me:
- Deixa lá. Depois pergunto ao meu pai.

Abrir mentalidades

Este anúncio, colocado pelo governo regional da Toscana em jornais e outdoors, e cujo slogan é "A orientação sexual não é uma opção", levou a oposição conservadora a exigir a demissão dos seus responsáveis.
Também o Vaticano veio dizer que "não há necessidade de um anúncio deste tipo".
Pergunto-me porquê. É assim tão difícil aceitar a realidade?

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Eu sei que estou a ser mázinha mas...

... por favor, alguma alma caridosa faça aparecer a Madeleine porque já não posso ouvir falar do raio da miúda.

E por falar em sonhos...

Tenho sonhado com desencontros, telemóveis, diálogos completamente desconexos, hotéis, encontros com pessoas que já não vejo há anos, tudo isto a uma velocidade e com uma alternância desconcertante, pelo que só posso concluir que, no meu subconsciente, anda uma grande salgalhada.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Constatações XL

Depois de uma noitada muito longa e divertida, não encontro melhor forma de passar a tarde do que completamente aterrada no sofá, a ver aqueles filmes básicos, com algum humor, e que têm sempre um final feliz.

Hoje sinto-me assim...


Porque é bom sonhar...

Percorro, com normalidade, o dia a dia quando, de repente, as ideias surgem tão claras na minha cabeça que o momento se torna assustadoramente bom. Há pessoas, há situações que me levam a esbarrar com o óbvio; se calhar nem tanto... se calhar é este o momento em que deveria esbarrar com esse óbvio... que andou a fermentar, a crescer, a evoluir. Mas parece-me que o óbvio chegou.
Inicio um processo lento, duro, de entrega e disciplina, amargurado por vezes e, sei-o, enriquecedor. E só por isso valerá a pena.
Começa agora, oficialmente, o meu caminho na conquista de um sonho.
Não tenho escrito muito no blog.


Tenho andado por aí, ocupada...

a viver.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Ir.
Voltar.
Abraçar.
Querer.
Descobrir.
Amar.
Pensar.
Repensar.
Partir.
Viajar.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Hoje sinto-me assim...


Momentos

O sol estava quente, muito quente para um Outono qualquer. Reflectido na água, desenhava linhas de prata sobre o escuro do azul. Lá à frente as casas, graciosas na sua eterna quietude, estavam como que a despertar de uma manhã morna e sombria.
Conversávamos sobre tudo e nada. Depois ficámos calados a deixar aquele belo início de tarde entrar-nos no corpo, expandir-se e ficar.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Sem comentários

«Para comemorar as aparições de Fátima e a construção da quarta maior igreja católica do mundo, monsenhor Luciano Guerra resolveu esclarecer o País sobre o que pensa de divórcio, mulheres, violência doméstica e islamismo.
Com toda a serenidade, numa entrevista à NS, o reitor do santuário de Fátima começa por dar uma lição de tolerância: “Veja-se o caso da burka nos países islamitas. É evidente que algumas mulheres (…) se sentem constrangidas, mas haverá muitas que se sentem muito bem por estarem protegidas, por ter sido sempre assim desde crianças.”
Perante a passividade do jornalista, passa para a lição seguinte – a da prova de amor: “Há o indivíduo que bate na mulher todas as semanas e há o indivíduo que dá um soco na mulher de três em três anos. (…) Eu, pelo menos, ser estivesse na parte da mulher que tivesse um marido que a amasse verdadeiramente no resto do tempo, achava que [as agressões pontuais não justificam o divórcio.]”
Perante conclusões como esta, é difícil perceber porque é que cada vez mais católicos se afastam da Igreja. Mas também aí o monsenhor tem uma resposta: “Muito por culpa própria, porque se afastaram para caminhos, enfim… para os caminhos do divórcio, da infidelidade, da corrupção …” Tudo, evidentemente, ao mesmo nível.”»


In Editorial da Sábado

Este blog está...



... em fase de encantamento com este cd.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Factos

Num período em que, mais do que nunca, se fala de colesterol elevado, L-Casei Imunitas, produtos light, diabetes, alimentação saudável, aspartame, obesidade infantil, Bifidus activos, calorias, etc., etc., os Lucros da McDonald`s sobem 27%, só neste trimestre do ano.
E de repente chega uma notícia muito bonita... uma

notícia de luz, de paz, de

que pode acontecer, de acreditar.

Choro - compulsivamente - de alegria... é estranho...

normalmente manifesto

alegria a rir...

Sinto o coração lavado.

E tenho um sorriso no olhar.

Constatações XXXIX

Luís Filipe Menezes também constata.

Passagens

"O facto que acabámos de referir é de todo irrelevante para o decurso da trabalhosa história que vimos narrando e dele não voltaremos a falar, mas, ainda assim, não quisemos deixá-lo entregue à escuridão do tinteiro."


José Saramago in

"As Intermitências da Morte"

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Achados

Este é um objecto que serve para massajar a cabeça.

E só aviso que, depois de se experimentar,

é impossível parar de usar.

Genial.

Gostos

Aproveitando a sugestão da
  • Dona-Redonda
  • :

    Gosto de pessoas que aproveitam a vida, sabendo viver.

    Gosto daqueles que sabem rir-se de si próprios.

    Gosto de conversas acesas sobre convicções com quem defende as suas, mas sem cair no radicalismo de pensar que a sua verdade é única e absoluta.

    Gosto de gente (positivamente) louca.

    Gosto daqueles que conseguem dar, sem estar sempre à espera de algo em troca.

    Gosto de gente genuína.

    terça-feira, 16 de outubro de 2007

    Hoje sinto-me assim...


    Isolou-se de todos os que o conseguiriam compreender. E ajudar, se ao menos ele reconhecesse que necessitava de ajuda. Mas não o reconheceu. Talvez devido aos muitos anos de independência (várias vezes sentida como imposta); aos muitos anos a entrar e a sair de casa, da sua casa, silente, morta e fria. Achara sempre que, mais dia menos dia, alguém iria encher aquela casa de luz. Isso não aconteceu.

    Começou a declinar os convites dos amigos: para jantar, para ir ao cinema, para dançar. Desculpava-se com um ligeiro estado gripal, o cansaço do trabalho, a visita que ia receber. Deitava-se, ao invés, no sofá, olhava para a televisão. Desligava a televisão. Ia até ao computador. Saía do computador. Pousava o livro após a leitura de um parágrafo só. Dirigia-se ao armário dos medicamentos. Um Prozac. Não, um só não. Um whisky. Regressava ao sofá e olhava o tecto. Finalmente alguma coisa que lhe agradava observar. O tecto, branco e liso e com sombras. Voava até à infância e criava objectos com as sombras, como gostava de fazer com as nuvens do céu. E assim se deixava ficar. Deixava-se sempre adormecer (naquele torpor).

    Deixou de atender os telefonemas dos amigos. Eram chatos, não gostava de estar com eles, as suas conversas eram fastidiosas. Não queria saber. Passava os dias a sonhar com a noite. A noite, para ele tão quente e aconchegante. De manhã era horrível ter de se levantar. Começou a tomar um Prozac. Era-lhe tão mais fácil...
    As pessoas começaram a notar. A apatia, os olhos vazios esbugalhados, à procura nunca ninguém soube muito bem do quê. Nunca ficaram a saber.

    Uma noite, já perdida a conta aos comprimidos e ao álcool, decidiu que queria ver o mar. E foi, aos tropeções nos seus pensamentos. Admirou-o, belo, com recortes de luar. Huumm, como lhe iria saber bem sentir a água contra a sua pele, gélida e tranquila. Mergulhou.
    Não voltou.

    segunda-feira, 15 de outubro de 2007

    (Anti-) Gostos

    Não gosto de pessoas que passam a vida a falar dos outros porque não querem falar de si.

    Não gosto de me sentir observada, de cima a baixo, para que o que visto, o que calço, a cor que uso nas unhas, os meus ornamentos possam ser perscrutados ao pormenor.

    Não gosto de pessoas que saem sempre à procura de algo mais, o que as impede de se divertirem.

    Não gosto de conversas de chacha nem de quem não tem nada de jeito para dizer.

    Também não gosto daqueles que opinam sobre tudo, mesmo que isso implique não saber do que se fala.

    Não gosto de gente que não é genuína.

    Pois é. Mais uma novidade do mundo SONAE. Agora já é possível utilizar o Cartão Cliente do Modelo e Continente como um cartão de pagamento. Além da adesão ser gratuita, as compras efectuadas podem ser pagas em três vezes, sem juros. E com isto, a maioria das famílias portuguesas vai enterrar-se ainda mais no palavrão chamado endividamento.

    quinta-feira, 11 de outubro de 2007

    Constatações XXXVIII

    Estou com o corpo completamente dorido, consequência de duas horas de ginástica intensa, após ter estado parada uns meses. E sabe tão beeemmm...

    Padrão Burberry

    Vi uma mulher com as unhas
    pintadas assim.
    Medo, muito medo!!

    quarta-feira, 10 de outubro de 2007

    Passagens

    "Poder-se-ia pensar que, após tantas e tão vergonhosas cedências como haviam sido as do governo durante o sobe-e-desce das transacções com a máphia, indo ao extremo de consentir que humildes e honestos funcionários públicos passassem a trabalhar a tempo inteiro para a organização criminosa, poder-se-ia pensar, dizíamos, que já não seriam possíveis maiores baixezas morais. Infelizmente, quando se avança às cegas pelos pantanosos terrenos da realpolitik, quando o pragmatismo toma conta da batuta e dirige o concerto sem atender ao que está escrito na pauta, o mais certo é que a lógica imperativa do aviltamento venha a demonstrar, afinal, que ainda havia uns quantos degraus para descer."

    José Saramago in

    "As Intermitências da Morte"
    Quando nos conhecemos, escolhi-te para mim, imediatamente, inconsequentemente, subconscientemente. Mas não o sabia. Soube-o depois, quando mo contaste. Quando me segredaste esse teu segredo que passou a ser meu também. Porque já era meu e não o sabia.
    A partir daí fomos cultivando segredos. Só nossos. Pequenos tesouros escondidos dos outros. Não por malícia. Não por pudor. Apenas porque há facetas nossas que só mostramos às outras metades de nós.

    terça-feira, 9 de outubro de 2007

    Por que é que?

    Quando estou a terminar de comer o último de 5 quadrados de chocolate é que me apercebo do quão delicioso ele é - o que me obriga a ir buscar mais 5?

    segunda-feira, 8 de outubro de 2007

    Virtualidades

    Conheceram-se pela Internet, num qualquer chat de conversação. Descreveram-se fisicamente, acrescentando-se centímetros e retirando-se gramas, fantasiando sobre a cor dos olhos ou o tom do cabelo.
    Gradualmente, os encontros tornaram-se mais frequentes, as palavras trocadas mais íntimas e, dali a nada, estavam apaixonados.
    Mais umas semanas nisto e decidiram conhecer-se. Marcaram encontro num café.
    Ela pintou o cabelo, ele foi para o ginásio uma manhã inteira. Ela colocou unhas postiças, ele lentes de contacto. E foi naquele café que trocaram o primeiro beijo.
    Começaram a namorar. Estavam juntos às vezes, quando o trabalho o permitia e a relativa distância que os separava se encurtava. No resto do tempo namoravam por Messenger, mail, trocavam fotos e juras de amor.
    Quando fizeram um ano de namoro ele enviou-lhe um ramo de flores virtual.
    Nunca mais a viu.

    "Conta-me como foi"

    Este é o nome da série portuguesa que retrata a vida de uma família lisboeta - a família Lopes -, de classe média baixa, oriunda da província, no final dos anos sessenta.

    Para além da história da família, "acontecimentos marcantes na vida política, social e desportiva em Portugal e no mundo podem ser aqui descobertos, enquadrados com a trama de cada de episódio. Curiosidades, publicidades, programas de rádio e televisão, locutores e apresentadores e as imagens de Portugal em 1968 marcam também presença para serem conhecidos pelos mais jovens e recordados pelos menos novos.
    Apresentam-se na história a evolução da moda, da roupa aos cabelos, as inovações tecnológicas, novos produtos, publicações periódicas, carros e motas... as coisas de um tempo em que telemóveis com máquina fotográfica não seriam mais do que simples alucinação futurista e em que os jovens pensavam no Festival da Canção em vez de em coloridas séries juvenis.
    Conta-me como foi retrata, acima de tudo, o modo de viver e pensar de uma sociedade ainda fechada sobre si, os papéis e as ambições sociais de homem e mulher, de jovens e idosos, os tabus de uma época e a gradual e desconfiada abertura a novas mentalidades."


    Com excelentes actores portugueses, onde destaco Miguel Guilherme e Rita Blanco, a série é imperdível. Aos Domingos à noite, na RTP 1.

    quinta-feira, 4 de outubro de 2007

    Este fim de semana este blog estará assim...



    (Por isso, é favor fazer pouco barulho.)


    quarta-feira, 3 de outubro de 2007

    Será isto o raciocínio lógico-dedutivo?

    1. Ontem, Manuel Pinho, face à questão que lhe foi colocada por jornalistas, relativa à decisão do Supremo Tribunal Administrativo (que mandou desligar a linha de muito alta tensão entre Trajouce e Fanhões, no concelho de Sintra), ignorou-os, dirigindo-se de seguida para um qualquer gabinete.

    2. A revista Sábado desta semana, na reportagem sobre o ministro, refere que "Manuel Pinho é espontâneo, mas a espontaneidade em política é quase sempre um risco. O ministro da Economia tornou-se conhecido pelas gafes, por decretar cedo demais o fim da crise ou anunciar novos postos de trabalho que afinal não eram novos."

    Conclusão: Manuel Pinho é leitor da Sábado.

    terça-feira, 2 de outubro de 2007

    Pergunta difícil

    O que é que é pior: um sítio com boa música e um péssimo ambiente ou um outro com música intragável mas um ambiente aceitável?
    Saía porque isso significava que não ficava em casa. E ficar em casa significava que tinha desistido. De procurar corpos que, como o seu, procuravam corpos. De procurar olhares, insinuações, palavras sussurradas entre dentes que o fizessem sentir-se querido. Atraente. Vivo. De procurar o toque, dissimulado, entre duas bebidas pedidas no bar.
    Saía porque se recusava a (querer) acreditar que a noite já pouco lhe dava. E arrastava-se na ânsia de memórias há muito vividas, há muito perdidas.
    Saía porque o que lhe restava era ficar em casa. Na sua casa, que tão sua a sentia. Mas isso parecia-lhe uma forma de desistir. De se acomodar ao que os dias lhe davam (?). Às noites sós. Lentamente saboreadas, mas sós.
    Saía porque sim. Porque gostava de ser visto, falado, observado. Gostava do cheiro da noite, dos à-vontades inventados por copos e charros.
    De repente, como que apanhado numa bola de neve de nada, deixou de sair.

    sexta-feira, 28 de setembro de 2007

    Sapiência(s)

    «O primeiro grande perigo que ameaça África é o seu isolamento, a sua marginalização, a falta de atenção por parte da comunidade internacional aos dramas e problemas com que ela se debate

    Boutros Boutros-Ghali

    quinta-feira, 27 de setembro de 2007

    Este blog anda a descobrir...








    "É preciso ousar ser o que se é,

    manter-se assim firmemente, e,

    chegado o momento,

    é preciso saber ceder o lugar

    aos novos deuses.

    É preciso saber morrer."



    Gabriel Matzneff

    Etiqueta(s)

    Sou uma rapariga de boas maneiras. A maior parte do tempo. Mas há certas regras de etiqueta que me escapam. Por exemplo, li uma vez que a verdadeira elite social não deseja bom apetite aos companheiros de refeição. Isso é que é chique. Socialmente correcto. Pois bem, transgrido deliberadamente. Não me importo se é ou não socialmente correcto, desejo sempre uma boa refeição a quem me acompanha. Diga o que disser a Srª. D. Paula Bobone, essa ave rara da sociedade portuguesa.
    Outra imposição que me enerva um bocadinho é aquela de não poder pôr os cotovelos em cima da mesa. Está bem, não se deve comer com os braços abertos, a ocupar um monte de espaço. Mas a limitação não podia abranger só um cotovelo? Eu bem que tento, mas sempre que dou por mim estou com o dito apoiado na mesa. E, caso contrário, onde é que o coloco? Como é que consigo fumar convenientemente um cigarro após a refeição? Saboreá-la simplesmente?
    Recuso-me. Não sou facilmente etiquetável...

    quarta-feira, 26 de setembro de 2007

    Constatações XXXVI e XXXVII

    Não nasci, definitivamente, para a bricolage.


    Quando for grande (ou humanamente superior) quero ser como a Alexandra Solnado. Apenas para poder escrever um livro a mãos meias com Deus.

    Viagens gastronómicas

    "La Française" é um pequeno restaurante situado no n.º 15 - A da Praça Velha de Braga. Embora a ementa não seja grande ou variada, arriscamos jantar na esplanada, aconselhados por turistas ingleses que nos diziam ser maravilhoso. E é. Foi maravilhoso pelo prato de crepes recheados de queijo fresco, fiambre, presunto, salmão, acompanhado de uma excelente salada. Pelas deliciosas tartes de framboesas. Pelo excelente vinho tinto. Pela companhia, claro. E pela simpatia da dona, francesa, que, vivendo já há dez anos pelo Ribatejo, decidiu mudar-se para o norte do país. Quer ter um restaurante grande, um dia, mas agora contenta-se com uma amostra de cozinha, que a limita na criação, mas que lhe permite dar a conhecer aos outros refeições como aquelas "que fazia em casa".
    Um mimo.

    terça-feira, 25 de setembro de 2007

    "À prova de morte"
















    Tenho lido e ouvido que esta é uma obra menor do Tarantino.
    Não concordo.



    Regresso ao trabalho

    Estou atrasada. Já são 9h15m e encontro-me ainda no meio do tráfego da cidade. Finalmente consigo chegar ao meu atalho, que é de um sentido só. De um carro parado à minha frente saem as crianças para a escola. Ok. Eu espero! As crianças entram na escola e o carro continua por lá parado. Após uns segundos de espera buzino, até porque bastava encostar um pouquinho para eu poder passar. E o homem, o imbecil, começa a esbracejar e a dizer barbaridades, concerteza, que não o consegui ouvir. Ao que respondi com o meu esplêndido humor matinal propagado pelo atraso. Abstenho-me de dizer como.
    Entretanto sai uma senhora da escola, dirigindo-se para o carro e, ao ver o outro esbracejar, começa a fazer o mesmo. Agora o ridículo da situação faz-me rir.
    Mas na altura não foi isso que senti. Muito bem, pensei eu, começamos muuiittoo beemmm...

    segunda-feira, 17 de setembro de 2007

    Interrupção

    Interrompo as férias por uns minutos. Porque tenho saudades. De escrever. De ser lida. Sobre o que tenho vivido. E o que tenho vivido nem sempre é positivo, mas acaba por sê-lo, não é? Porque o que não mata engorda, dizia a minha avó quando eu era criança. E aprendi, vou aprendendo, vou conhecendo realidades novas e passando por experências novas que, quando regressar, hei-de contar. Partilhar. E, cada vez mais, sinto a partilha como uma das experiências mais bonitas da vida. Um dia escrevo um post sobre a partilha. Mas este não é o momento. Interrompo as férias por uns minutos. Já não. Até já.