quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Viagens gastronómicas

"La Française" é um pequeno restaurante situado no n.º 15 - A da Praça Velha de Braga. Embora a ementa não seja grande ou variada, arriscamos jantar na esplanada, aconselhados por turistas ingleses que nos diziam ser maravilhoso. E é. Foi maravilhoso pelo prato de crepes recheados de queijo fresco, fiambre, presunto, salmão, acompanhado de uma excelente salada. Pelas deliciosas tartes de framboesas. Pelo excelente vinho tinto. Pela companhia, claro. E pela simpatia da dona, francesa, que, vivendo já há dez anos pelo Ribatejo, decidiu mudar-se para o norte do país. Quer ter um restaurante grande, um dia, mas agora contenta-se com uma amostra de cozinha, que a limita na criação, mas que lhe permite dar a conhecer aos outros refeições como aquelas "que fazia em casa".
Um mimo.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

"À prova de morte"
















Tenho lido e ouvido que esta é uma obra menor do Tarantino.
Não concordo.



Regresso ao trabalho

Estou atrasada. Já são 9h15m e encontro-me ainda no meio do tráfego da cidade. Finalmente consigo chegar ao meu atalho, que é de um sentido só. De um carro parado à minha frente saem as crianças para a escola. Ok. Eu espero! As crianças entram na escola e o carro continua por lá parado. Após uns segundos de espera buzino, até porque bastava encostar um pouquinho para eu poder passar. E o homem, o imbecil, começa a esbracejar e a dizer barbaridades, concerteza, que não o consegui ouvir. Ao que respondi com o meu esplêndido humor matinal propagado pelo atraso. Abstenho-me de dizer como.
Entretanto sai uma senhora da escola, dirigindo-se para o carro e, ao ver o outro esbracejar, começa a fazer o mesmo. Agora o ridículo da situação faz-me rir.
Mas na altura não foi isso que senti. Muito bem, pensei eu, começamos muuiittoo beemmm...

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Interrupção

Interrompo as férias por uns minutos. Porque tenho saudades. De escrever. De ser lida. Sobre o que tenho vivido. E o que tenho vivido nem sempre é positivo, mas acaba por sê-lo, não é? Porque o que não mata engorda, dizia a minha avó quando eu era criança. E aprendi, vou aprendendo, vou conhecendo realidades novas e passando por experências novas que, quando regressar, hei-de contar. Partilhar. E, cada vez mais, sinto a partilha como uma das experiências mais bonitas da vida. Um dia escrevo um post sobre a partilha. Mas este não é o momento. Interrompo as férias por uns minutos. Já não. Até já.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Hoje sinto-me assim...


Quase...

quase...

a desligar.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Blogolândia

Há pessoas que, quando não têm nada de novo para escrever no seu blog, colocam vídeos do You Tube, para encher chouriços.
Há outras que comentam o que se faz nos blogs alheios.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Ainda sobre cinema

Geração Fast Food

Realização - Richard Linklater
Ano - 2006
Intérpretes - Ethan Hawke, Greg Kinnear, Catalina Sandino Moreno, Patricia Arquette, Avril Lavigne e Bruce Willis

Tudo o que de relevante o filme nos dá a conhecer é que os hamburgueres da cadeia Mickey's contêm estrume, e isto sensivelmente nos primeiros 15 minutos. Com matéria-prima bastante para uma excelente narrativa, é difícil compreender porque é que o resultado é tão mau.

sexta-feira, 24 de agosto de 2007



“-Nem sequer sei como ser honesto! Talvez por isso goste de metáforas. Porque aquilo que quero dizer... é que há um círculo, teu e da Bea, e eu não estou dentro dele. Mas isso até me dá jeito, porque há uma parte de mim... tão escura... que vê no círculo uma jaula."







Assalto e Intromissão, filme de 2006 realizado por Anthony Minghella (que já realizou, entre outros, O Paciente Inglês, O Talentoso Mr. Ripley e Could Mountain), é um filme que me fez lembrar o Closer. As situações que acontecem parecem apenas existir para suportar os diálogos, que são fortes, que fogem ao bom senso, alguns deles brilhantes, muitas vezes crus, e as vivências das personagens, conturbadas. No entanto, tem apontamentos de humor deliciosos, levando-nos a rir em momentos um tanto dramáticos. Gostei especialmente da dureza de certas palavras, ditas em tom de monólogo a um interlocutor, como que saídas após se ter vasculhado o lado negro que existe em cada um de nós, e que tantas vezes fingimos não existir, porque é mais fácil assim. Muito bom.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Hoje sinto-me assim...

Em acalmia


de a + calmo


s. f., período de repouso momentâneo que se segue a outro de agitação.

(...) "Aquela ideia que temos da esperança nas crianças, nos meninos e nas meninas pequenas, a ideia de que são seres aparentemente maravilhosos, de olhares puros, relativamente a essa ideia eu digo: pois sim, é tudo muito bonito, são de facto muito simpáticos, são adoráveis, mas deixemos que cresçam para sabermos quem realmente são. E quando crescem, sabemos que infelizmente muitas dessas inocentes crianças vão modificar-se. E por culpa de quê? É a sociedade a única responsável? Há questões de ordem hereditária? O que é que se passa dentro da cabeça das pessoas para serem uma coisa e passarem a ser outra? Uma sociedade que instituiu, como valores a perseguir, esses que nós sabemos, o lucro, o êxito, o triunfo sobre o outro e todas estas coisas, essa sociedade coloca as pessoas numa situação em que acabam por pensar (se é que o dizem e não se limitam a agir) que todos os meios são bons para se alcançar aquilo que se quer. Falámos muito ao longo destes últimos anos (e felizmente continuamos a falar) dos direitos humanos; simplesmente deixámos de falar de uma coisa muito simples, que são os deveres humanos, que são sempre deveres em relação aos outros, sobretudo. E é essa indiferença em relação ao outro, essa espécie de desprezo do outro, que eu me pergunto se tem algum sentido numa situação ou no quadro de existência de uma espécie que se diz racional. Isso, de facto, não posso entender, é uma das minhas grandes angústias."

José Saramago in "Diálogos com José Saramago"

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Constatações XXXV

É engraçada a reacção das mulheres (refiro-me, concretamente, a mim e a uma amiga) face a um homem que parece saído de um programa de Photoshop, ou seja, lindo de morrer. Como pensamos imediatamente que vamos ser ignoradas, fingimos ignorá-lo.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007



E por vezes parece que o mundo nos desaba em cima e tudo se transforma em escuridão. Devagar, bem devagarinho, abrimos os olhos e tentamos acreditar. É difícil, eu sei, mas acredito. Porque o meu amor por ti, M., nos vai salvar.

Os coitadinhos

Tenho grandes dificuldades em lidar com coitadinhos. Por exemplo, o rapaz que perdeu a namorada, porque para ela as coisas acabaram, e fica a remoer insistentemente nas palavras de amor ditas enquanto tudo era um mar de rosas, a perguntar-se porquê, a deixar-se ficar naquele estado de podridão da alma, que era tudo tão bom, que nunca mais vou voltar a amar, nunca mais isto, nunca mais aquilo.
Ou a rapariga que ficou desempregada - e compreendo bem a frustração que é o desemprego - e fica em casa à espera que o telefone toque, enquanto o resto do tempo é passado a ter pena de si própria, e de porque é que eu sou uma vítima da sociedade, e olha-se para ela e parece estar às portas da morte.
São situações difíceis, é certo, e cada um tem diferentes formas de reagir e de ultrapassar. Ou de lutar. Mas enerva-me esta falta de amor próprio. Para mim, é apenas disso que se trata. E quando me procuram, qual psicóloga, para comigo desabafarem, porque acho que tenho o dom de realmente ouvir as pessoas, tento dar-lhes força. Ânimo, porque o caminho se faz para a frente. Mas não consigo manter este discurso por muito tempo quando continuam a falar no que foi e no que poderia ou deveria ter sido. Aí, só me apetece dar um par de estalos e gritar: Acorda!!!
Normalmente tenho a lucidez de não o fazer. Desligo, simplesmente.
É muito difícil ajudar alguém quando esse alguém não quer, verdadeiramente, ser ajudado.

A minha inteligência

Segundo a revista Sábado da passada semana a minha inteligência é predominantemente verbal-linguística, o que significa que tenho "habilidade em lidar com a linguagem falada e escrita, trabalhar bem com as palavras, compreender e transmitir ideias com facilidade."
Como já desconfiava, a minha inteligência espacial-visual é a mais limitada. Já me tinha apercebido disso há uns anos, nomeadamente pelo facto de não ter noção de distâncias, de ter dificuldades em situar-me no espaço, não conseguir decorar facilmente um trajecto numa grande cidade, ou apenas reparar, por exemplo, na existência de um edifício, após já ter passado naquele mesmo lugar cerca de 20 ou 30 vezes.
Não se pode ser perfeita...

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Genialidade
















ALMADA NEGREIROS

(1893 - 1970)

Pintinho

Da entrevista dada ontem por Pinto da Costa à SIC Notícias fica-me a impressão de um homem muito inteligente, com grande sentido de humor e de crítica, e uma personalidade altamente envolvente. Quase me conseguiu convencer de que é o exemplar perfeito de um bom pai de família.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Da série: Se a palavra é de prata, o silêncio é de ouro

Por vezes cometo gaffes que não lembram a ninguém. Mas são gaffes ingénuas, sem qualquer tipo de maldade ou intenção, só me apercebendo delas depois de as ter dito.

Há uns tempos, de um encontro fortuito com uma miúda que conheço mal - bastante mal mesmo - surgiu uma espécie de convite para o seu aniversário. Ficou aquela coisa do tipo: depois ligo-te para te dizer o local e a hora, etc., etc. O que é facto é que a rapariga fez anos, festa, e não fui convidada. Dois ou três dias depois, encontro-a numa esplanada. Beijinho, beijnho, aquela conversa de circunstância, e pergunta-me ela: Não queres sentar? E eu, imediatamente: Não, obrigada. Já estou em cima da hora para ir trabalhar e ainda tenho que passar ali numa loja para pegar uma prenda de aniversário. O sorriso amarelo dela fez-me aperceber imediatamente que tinha dito asneira. Mas era verdade!!!

Ontem encontro outra rapariga, irmã de amigas, que já não via há muito tempo. Beijinho, beijinho, aquela conversa de circunstância, olho para o colar que ela usava e digo instantaneamente: O teu colar é lindo! Mal acabo de proferir estas palavras mágicas, apercebo-me de que aquele colar era meu. Tinha-o perdido não sabia onde. Agora já sei. Ficou esquecido em casa das minhas amigas, irmãs da detentora do MEU colar. Não consegui perceber, através do seu sorriso amarelo, se ela sabe que aquele era o MEU lindo colar, oferecido por uma grande amiga. Mantive-me em estado de choque dissimulado durante, pelo menos, meia hora. Depois acabei por esquecer...

Coisas de gaja

Hoje tive uma manhã maravilhosa. Não, não estive numa praia paradisíaca a apanhar sol e a beber piñas coladas; não, não passei a manhã numa tórrida sessão de sexo; não, não fui para um spa ser coberta de pastas de sabe-se lá o quê seguida de uma profissionalíssima massagem. Fui às compras.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007



Este blog fez 2 anos há quatro dias...

... e eu nem me lembrei.

(P.S.:Começo a perceber porque é que

ainda não sinto o famoso instinto maternal.)

Entraste-me na vida sem pedir. Inundaste-a de serenidade e de alegria e saudade. E de amor. Encheste-me de amor. E de dúvidas sobre como, quando, porquê.
O tempo passou, com os seus dias escorridos, rápidos, idos. Com momentos lindos, só meus e teus e nossos. Com altos e baixos. Com discussões e lágrimas também. Com tudo aquilo que faz uma determinada relação ser especial. E fizeste (continuas a fazer) sentir-me especial. Levaste-me, puxada pela tua mão, a acreditar no sempre, aquele das narrativas de encantar, que por vezes pensamos só existir nos livros. Velhos e gastos, de tantas vezes por tanta gente lidos na esperança do acontecer.
Lembras-te das nossas conversas sobre o futuro? Das viagens, da ternura de quem já quase tudo viveu, dos filmes, músicas e livros partilhados? Dos passeios a olhar o mar? Dos abraços que nos tornam apenas em um? Do doce enlaçar dos corpos na nossa cumplicidade tão facilmente construída?
Lembras-te, eu sei. Sente-lo tal como eu.
E o tempo que passou parece não ter passado. Olho-te e vejo-te como na primeira vez.
E podia dizer agora que te amo, como nunca pensei possível ou real. Mas não o direi. Porque há palavras desnecessárias quando sentes o meu olhar.