quinta-feira, 23 de agosto de 2007

(...) "Aquela ideia que temos da esperança nas crianças, nos meninos e nas meninas pequenas, a ideia de que são seres aparentemente maravilhosos, de olhares puros, relativamente a essa ideia eu digo: pois sim, é tudo muito bonito, são de facto muito simpáticos, são adoráveis, mas deixemos que cresçam para sabermos quem realmente são. E quando crescem, sabemos que infelizmente muitas dessas inocentes crianças vão modificar-se. E por culpa de quê? É a sociedade a única responsável? Há questões de ordem hereditária? O que é que se passa dentro da cabeça das pessoas para serem uma coisa e passarem a ser outra? Uma sociedade que instituiu, como valores a perseguir, esses que nós sabemos, o lucro, o êxito, o triunfo sobre o outro e todas estas coisas, essa sociedade coloca as pessoas numa situação em que acabam por pensar (se é que o dizem e não se limitam a agir) que todos os meios são bons para se alcançar aquilo que se quer. Falámos muito ao longo destes últimos anos (e felizmente continuamos a falar) dos direitos humanos; simplesmente deixámos de falar de uma coisa muito simples, que são os deveres humanos, que são sempre deveres em relação aos outros, sobretudo. E é essa indiferença em relação ao outro, essa espécie de desprezo do outro, que eu me pergunto se tem algum sentido numa situação ou no quadro de existência de uma espécie que se diz racional. Isso, de facto, não posso entender, é uma das minhas grandes angústias."

José Saramago in "Diálogos com José Saramago"

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Constatações XXXV

É engraçada a reacção das mulheres (refiro-me, concretamente, a mim e a uma amiga) face a um homem que parece saído de um programa de Photoshop, ou seja, lindo de morrer. Como pensamos imediatamente que vamos ser ignoradas, fingimos ignorá-lo.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007



E por vezes parece que o mundo nos desaba em cima e tudo se transforma em escuridão. Devagar, bem devagarinho, abrimos os olhos e tentamos acreditar. É difícil, eu sei, mas acredito. Porque o meu amor por ti, M., nos vai salvar.

Os coitadinhos

Tenho grandes dificuldades em lidar com coitadinhos. Por exemplo, o rapaz que perdeu a namorada, porque para ela as coisas acabaram, e fica a remoer insistentemente nas palavras de amor ditas enquanto tudo era um mar de rosas, a perguntar-se porquê, a deixar-se ficar naquele estado de podridão da alma, que era tudo tão bom, que nunca mais vou voltar a amar, nunca mais isto, nunca mais aquilo.
Ou a rapariga que ficou desempregada - e compreendo bem a frustração que é o desemprego - e fica em casa à espera que o telefone toque, enquanto o resto do tempo é passado a ter pena de si própria, e de porque é que eu sou uma vítima da sociedade, e olha-se para ela e parece estar às portas da morte.
São situações difíceis, é certo, e cada um tem diferentes formas de reagir e de ultrapassar. Ou de lutar. Mas enerva-me esta falta de amor próprio. Para mim, é apenas disso que se trata. E quando me procuram, qual psicóloga, para comigo desabafarem, porque acho que tenho o dom de realmente ouvir as pessoas, tento dar-lhes força. Ânimo, porque o caminho se faz para a frente. Mas não consigo manter este discurso por muito tempo quando continuam a falar no que foi e no que poderia ou deveria ter sido. Aí, só me apetece dar um par de estalos e gritar: Acorda!!!
Normalmente tenho a lucidez de não o fazer. Desligo, simplesmente.
É muito difícil ajudar alguém quando esse alguém não quer, verdadeiramente, ser ajudado.

A minha inteligência

Segundo a revista Sábado da passada semana a minha inteligência é predominantemente verbal-linguística, o que significa que tenho "habilidade em lidar com a linguagem falada e escrita, trabalhar bem com as palavras, compreender e transmitir ideias com facilidade."
Como já desconfiava, a minha inteligência espacial-visual é a mais limitada. Já me tinha apercebido disso há uns anos, nomeadamente pelo facto de não ter noção de distâncias, de ter dificuldades em situar-me no espaço, não conseguir decorar facilmente um trajecto numa grande cidade, ou apenas reparar, por exemplo, na existência de um edifício, após já ter passado naquele mesmo lugar cerca de 20 ou 30 vezes.
Não se pode ser perfeita...

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Genialidade
















ALMADA NEGREIROS

(1893 - 1970)

Pintinho

Da entrevista dada ontem por Pinto da Costa à SIC Notícias fica-me a impressão de um homem muito inteligente, com grande sentido de humor e de crítica, e uma personalidade altamente envolvente. Quase me conseguiu convencer de que é o exemplar perfeito de um bom pai de família.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Da série: Se a palavra é de prata, o silêncio é de ouro

Por vezes cometo gaffes que não lembram a ninguém. Mas são gaffes ingénuas, sem qualquer tipo de maldade ou intenção, só me apercebendo delas depois de as ter dito.

Há uns tempos, de um encontro fortuito com uma miúda que conheço mal - bastante mal mesmo - surgiu uma espécie de convite para o seu aniversário. Ficou aquela coisa do tipo: depois ligo-te para te dizer o local e a hora, etc., etc. O que é facto é que a rapariga fez anos, festa, e não fui convidada. Dois ou três dias depois, encontro-a numa esplanada. Beijinho, beijnho, aquela conversa de circunstância, e pergunta-me ela: Não queres sentar? E eu, imediatamente: Não, obrigada. Já estou em cima da hora para ir trabalhar e ainda tenho que passar ali numa loja para pegar uma prenda de aniversário. O sorriso amarelo dela fez-me aperceber imediatamente que tinha dito asneira. Mas era verdade!!!

Ontem encontro outra rapariga, irmã de amigas, que já não via há muito tempo. Beijinho, beijinho, aquela conversa de circunstância, olho para o colar que ela usava e digo instantaneamente: O teu colar é lindo! Mal acabo de proferir estas palavras mágicas, apercebo-me de que aquele colar era meu. Tinha-o perdido não sabia onde. Agora já sei. Ficou esquecido em casa das minhas amigas, irmãs da detentora do MEU colar. Não consegui perceber, através do seu sorriso amarelo, se ela sabe que aquele era o MEU lindo colar, oferecido por uma grande amiga. Mantive-me em estado de choque dissimulado durante, pelo menos, meia hora. Depois acabei por esquecer...

Coisas de gaja

Hoje tive uma manhã maravilhosa. Não, não estive numa praia paradisíaca a apanhar sol e a beber piñas coladas; não, não passei a manhã numa tórrida sessão de sexo; não, não fui para um spa ser coberta de pastas de sabe-se lá o quê seguida de uma profissionalíssima massagem. Fui às compras.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007



Este blog fez 2 anos há quatro dias...

... e eu nem me lembrei.

(P.S.:Começo a perceber porque é que

ainda não sinto o famoso instinto maternal.)

Entraste-me na vida sem pedir. Inundaste-a de serenidade e de alegria e saudade. E de amor. Encheste-me de amor. E de dúvidas sobre como, quando, porquê.
O tempo passou, com os seus dias escorridos, rápidos, idos. Com momentos lindos, só meus e teus e nossos. Com altos e baixos. Com discussões e lágrimas também. Com tudo aquilo que faz uma determinada relação ser especial. E fizeste (continuas a fazer) sentir-me especial. Levaste-me, puxada pela tua mão, a acreditar no sempre, aquele das narrativas de encantar, que por vezes pensamos só existir nos livros. Velhos e gastos, de tantas vezes por tanta gente lidos na esperança do acontecer.
Lembras-te das nossas conversas sobre o futuro? Das viagens, da ternura de quem já quase tudo viveu, dos filmes, músicas e livros partilhados? Dos passeios a olhar o mar? Dos abraços que nos tornam apenas em um? Do doce enlaçar dos corpos na nossa cumplicidade tão facilmente construída?
Lembras-te, eu sei. Sente-lo tal como eu.
E o tempo que passou parece não ter passado. Olho-te e vejo-te como na primeira vez.
E podia dizer agora que te amo, como nunca pensei possível ou real. Mas não o direi. Porque há palavras desnecessárias quando sentes o meu olhar.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Perguntinha após pequena divagação

O Messenger é uma excelente forma de comunicação. Desde logo porque é gratuito. Permite-nos "falar" com pessoas com as quais, de outra forma, não o faríamos, pelo menos tão amiúde. Em certas situações pode substituir o telemóvel (embora se perca autenticidade). Então, porque raio é que existem pessoas que teimam em utilizar o Messenger para enviar, a meio de cada frase, ou mesmo palavra, bonecos completamente despropositados? Será uma espécie de zoo particular?

Hoje sinto-me assim...

EM LIBERTAÇÃO

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Correcção à última constatação:

Detesto quase toda a gente que está a ir de férias.

Vá lá, desculpem-me o exagero.

Tributo

Lembro-me de certa vez em que uma colega de liceu me disse, do alto dos seus 16 anos: "Se a vida já é uma seca com música, imagina-a sem ela!".
Ultrapassando o pretenciosismo da frase, pela falsa vivência que lhe permitisse discorrer sobre a seca da vida, aquilo ficou-me. E às vezes lembro-me desse momento e dessa frase.
Transmite-nos paz ou energia ou extâse, ou vontade de dançar e cantar e pular.
Sem música não existiriam concertos. Não existiriam momentos mágicos que só acontecem assim. Não existiriam canções que sinto como feitas para mim.
Por isso, este é um tributo, meu e sentido, à música. De todos os géneros. Porque sem ela a vida seria uma grande, grande seca!

Constatações XXXIV

Detesto toda a gente que está a ir de férias.

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Eu quero ir ver




Mas o que é que se passa?

Será que o Simão Sabrosa ganhou um Nobel

e eu não soube de nada?

terça-feira, 24 de julho de 2007

Coisas da Profissão

Estou a trabalhar em conjunto com uma colega, numa tarefa urgente, que me está sempre a dizer que não sabe se conseguimos terminar a horas.
Pensei em perguntar-lhe se ela já experimentou executar o trabalho, de forma contínua, durante 5 minutos sem falar. Mas isso era tema de conversa para, sensivelmente, 3 horas.
Acabei por desistir.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Hoje este blog...



... encontra-se neste estado...