quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Constatações XXXV

É engraçada a reacção das mulheres (refiro-me, concretamente, a mim e a uma amiga) face a um homem que parece saído de um programa de Photoshop, ou seja, lindo de morrer. Como pensamos imediatamente que vamos ser ignoradas, fingimos ignorá-lo.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007



E por vezes parece que o mundo nos desaba em cima e tudo se transforma em escuridão. Devagar, bem devagarinho, abrimos os olhos e tentamos acreditar. É difícil, eu sei, mas acredito. Porque o meu amor por ti, M., nos vai salvar.

Os coitadinhos

Tenho grandes dificuldades em lidar com coitadinhos. Por exemplo, o rapaz que perdeu a namorada, porque para ela as coisas acabaram, e fica a remoer insistentemente nas palavras de amor ditas enquanto tudo era um mar de rosas, a perguntar-se porquê, a deixar-se ficar naquele estado de podridão da alma, que era tudo tão bom, que nunca mais vou voltar a amar, nunca mais isto, nunca mais aquilo.
Ou a rapariga que ficou desempregada - e compreendo bem a frustração que é o desemprego - e fica em casa à espera que o telefone toque, enquanto o resto do tempo é passado a ter pena de si própria, e de porque é que eu sou uma vítima da sociedade, e olha-se para ela e parece estar às portas da morte.
São situações difíceis, é certo, e cada um tem diferentes formas de reagir e de ultrapassar. Ou de lutar. Mas enerva-me esta falta de amor próprio. Para mim, é apenas disso que se trata. E quando me procuram, qual psicóloga, para comigo desabafarem, porque acho que tenho o dom de realmente ouvir as pessoas, tento dar-lhes força. Ânimo, porque o caminho se faz para a frente. Mas não consigo manter este discurso por muito tempo quando continuam a falar no que foi e no que poderia ou deveria ter sido. Aí, só me apetece dar um par de estalos e gritar: Acorda!!!
Normalmente tenho a lucidez de não o fazer. Desligo, simplesmente.
É muito difícil ajudar alguém quando esse alguém não quer, verdadeiramente, ser ajudado.

A minha inteligência

Segundo a revista Sábado da passada semana a minha inteligência é predominantemente verbal-linguística, o que significa que tenho "habilidade em lidar com a linguagem falada e escrita, trabalhar bem com as palavras, compreender e transmitir ideias com facilidade."
Como já desconfiava, a minha inteligência espacial-visual é a mais limitada. Já me tinha apercebido disso há uns anos, nomeadamente pelo facto de não ter noção de distâncias, de ter dificuldades em situar-me no espaço, não conseguir decorar facilmente um trajecto numa grande cidade, ou apenas reparar, por exemplo, na existência de um edifício, após já ter passado naquele mesmo lugar cerca de 20 ou 30 vezes.
Não se pode ser perfeita...

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Genialidade
















ALMADA NEGREIROS

(1893 - 1970)

Pintinho

Da entrevista dada ontem por Pinto da Costa à SIC Notícias fica-me a impressão de um homem muito inteligente, com grande sentido de humor e de crítica, e uma personalidade altamente envolvente. Quase me conseguiu convencer de que é o exemplar perfeito de um bom pai de família.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Da série: Se a palavra é de prata, o silêncio é de ouro

Por vezes cometo gaffes que não lembram a ninguém. Mas são gaffes ingénuas, sem qualquer tipo de maldade ou intenção, só me apercebendo delas depois de as ter dito.

Há uns tempos, de um encontro fortuito com uma miúda que conheço mal - bastante mal mesmo - surgiu uma espécie de convite para o seu aniversário. Ficou aquela coisa do tipo: depois ligo-te para te dizer o local e a hora, etc., etc. O que é facto é que a rapariga fez anos, festa, e não fui convidada. Dois ou três dias depois, encontro-a numa esplanada. Beijinho, beijnho, aquela conversa de circunstância, e pergunta-me ela: Não queres sentar? E eu, imediatamente: Não, obrigada. Já estou em cima da hora para ir trabalhar e ainda tenho que passar ali numa loja para pegar uma prenda de aniversário. O sorriso amarelo dela fez-me aperceber imediatamente que tinha dito asneira. Mas era verdade!!!

Ontem encontro outra rapariga, irmã de amigas, que já não via há muito tempo. Beijinho, beijinho, aquela conversa de circunstância, olho para o colar que ela usava e digo instantaneamente: O teu colar é lindo! Mal acabo de proferir estas palavras mágicas, apercebo-me de que aquele colar era meu. Tinha-o perdido não sabia onde. Agora já sei. Ficou esquecido em casa das minhas amigas, irmãs da detentora do MEU colar. Não consegui perceber, através do seu sorriso amarelo, se ela sabe que aquele era o MEU lindo colar, oferecido por uma grande amiga. Mantive-me em estado de choque dissimulado durante, pelo menos, meia hora. Depois acabei por esquecer...

Coisas de gaja

Hoje tive uma manhã maravilhosa. Não, não estive numa praia paradisíaca a apanhar sol e a beber piñas coladas; não, não passei a manhã numa tórrida sessão de sexo; não, não fui para um spa ser coberta de pastas de sabe-se lá o quê seguida de uma profissionalíssima massagem. Fui às compras.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007



Este blog fez 2 anos há quatro dias...

... e eu nem me lembrei.

(P.S.:Começo a perceber porque é que

ainda não sinto o famoso instinto maternal.)

Entraste-me na vida sem pedir. Inundaste-a de serenidade e de alegria e saudade. E de amor. Encheste-me de amor. E de dúvidas sobre como, quando, porquê.
O tempo passou, com os seus dias escorridos, rápidos, idos. Com momentos lindos, só meus e teus e nossos. Com altos e baixos. Com discussões e lágrimas também. Com tudo aquilo que faz uma determinada relação ser especial. E fizeste (continuas a fazer) sentir-me especial. Levaste-me, puxada pela tua mão, a acreditar no sempre, aquele das narrativas de encantar, que por vezes pensamos só existir nos livros. Velhos e gastos, de tantas vezes por tanta gente lidos na esperança do acontecer.
Lembras-te das nossas conversas sobre o futuro? Das viagens, da ternura de quem já quase tudo viveu, dos filmes, músicas e livros partilhados? Dos passeios a olhar o mar? Dos abraços que nos tornam apenas em um? Do doce enlaçar dos corpos na nossa cumplicidade tão facilmente construída?
Lembras-te, eu sei. Sente-lo tal como eu.
E o tempo que passou parece não ter passado. Olho-te e vejo-te como na primeira vez.
E podia dizer agora que te amo, como nunca pensei possível ou real. Mas não o direi. Porque há palavras desnecessárias quando sentes o meu olhar.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Perguntinha após pequena divagação

O Messenger é uma excelente forma de comunicação. Desde logo porque é gratuito. Permite-nos "falar" com pessoas com as quais, de outra forma, não o faríamos, pelo menos tão amiúde. Em certas situações pode substituir o telemóvel (embora se perca autenticidade). Então, porque raio é que existem pessoas que teimam em utilizar o Messenger para enviar, a meio de cada frase, ou mesmo palavra, bonecos completamente despropositados? Será uma espécie de zoo particular?

Hoje sinto-me assim...

EM LIBERTAÇÃO

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Correcção à última constatação:

Detesto quase toda a gente que está a ir de férias.

Vá lá, desculpem-me o exagero.

Tributo

Lembro-me de certa vez em que uma colega de liceu me disse, do alto dos seus 16 anos: "Se a vida já é uma seca com música, imagina-a sem ela!".
Ultrapassando o pretenciosismo da frase, pela falsa vivência que lhe permitisse discorrer sobre a seca da vida, aquilo ficou-me. E às vezes lembro-me desse momento e dessa frase.
Transmite-nos paz ou energia ou extâse, ou vontade de dançar e cantar e pular.
Sem música não existiriam concertos. Não existiriam momentos mágicos que só acontecem assim. Não existiriam canções que sinto como feitas para mim.
Por isso, este é um tributo, meu e sentido, à música. De todos os géneros. Porque sem ela a vida seria uma grande, grande seca!

Constatações XXXIV

Detesto toda a gente que está a ir de férias.

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Eu quero ir ver




Mas o que é que se passa?

Será que o Simão Sabrosa ganhou um Nobel

e eu não soube de nada?

terça-feira, 24 de julho de 2007

Coisas da Profissão

Estou a trabalhar em conjunto com uma colega, numa tarefa urgente, que me está sempre a dizer que não sabe se conseguimos terminar a horas.
Pensei em perguntar-lhe se ela já experimentou executar o trabalho, de forma contínua, durante 5 minutos sem falar. Mas isso era tema de conversa para, sensivelmente, 3 horas.
Acabei por desistir.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Hoje este blog...



... encontra-se neste estado...

Enfim...

De acordo com o Diário Digital de hoje, o INEM recebeu, no ano passado, 24 mil chamadas falsas, o que motivou a saída de 9 mil ambulâncias.
Ora, dividindo as 24 mil chamadas por 365 dias chega-se a uma média aproximada de 66 chamadas por dia.
Fiquei chocada. E envergonhada. Como é possível que existam tantas pessoas com um concentrado tão grande de estupidez no cérebro?
Um conselho: que tal tornar a brincadeira um pouco mais realista? Um corte nos pulsos ou um tiro na cabeça era suficiente.

Constatações XXXIII

Esta foi uma semana de novidades, reencontros, festejos, viagens, conversas, vinho fresco à beira-mar, trabalho, risos, confissões, surpresas, desgaste, abraços...
Tudo isso explica o cansaço sentido no corpo.
Preciso de dormir.

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Banda sonora da semana




A(mar)

Caminhei sobre as pedras da calçada, já tantas vezes pisadas pelo tempo, pelas gentes, pela chuva e pelo sol.
E estava sol, naquele final de tarde em que pensava, melancólica, na vida, vivida e minha.
Escolhi uma esplanada em frente ao mar. Porque o mar tem sempre esta capacidade de me amenizar os sentidos, acalmar ondas turbulentas que, por vezes, me rebentam, espumosas.
E deixei-me assim ficar durante muito tempo. A deixar o azul profundo invadir-me, hipnotizar-me com o seu poder, com o seu ir e vir, ir e vir, ir e vir...
Largos minutos depois (ou terão sido horas?) sentia-me calma, apaziguada.
Voltei para casa pelas mesmas pedras da calçada, pisadas pelo tempo, pelas gentes, pela chuva e pelo sol. O céu escurecia em tons laranja e rosa. Podia voltar. À minha doce vida, vivida e minha.

quarta-feira, 11 de julho de 2007

"Só quando tiver 70 anos

é que vou tocar e cantar em casinos e hotéis."

Jorge Palma in Diário de Notícias

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Constatações XXXII

Parece que começou, oficialmente, a época de fogos deste Verão.

Hoje sinto-me assim...


Aaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhh*

(* Será que posso tirar uma semana de férias da vida adulta?)

A Vela

Este fim de semana, enquanto passeava, vi uma situação que me levou a recordar tempos já antigos. Num muro à beira-mar, estava sentado um jovem casal de namorados, ora aos beijos, ora aos abraços, ora em carinhos e carícias, ora em sussurros ao ouvido seguidos de risinhos contidos e tímidos. Até aqui, tudo normal. Mas, ao lado do casal de enamorados, lá estava esta ilustre figura de que já não tinha memória: a chamada "vela". Neste caso, um rapaz, talvez amigo do elemento masculino do casal, que olhava para o mar, para as pessoas que passavam, para o céu e, por vezes, espreitava pelo canto do olho para ver os beijos, enquanto rezava, digo eu, para que o casalinho se despachasse ou, então, lhe arranjasse uma moça para igual relacionamento.
Não consegui conter um sorriso, de memórias quase esquecidas, de quem já passou pelo mesmo. Nas duas variações.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

- O que esperas?

- Que Deus me devolva a minha vida.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Constatações XXXI

Pior do que ter de aturar o meu mau humor matinal
é ter de aguentar o mau humor matinal dos outros.

Genialidade

















AMEDEO CLEMENTE MODIGLIANI

(1884-1920)

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Portugal (continua) no seu melhor

Acabei de ouvir a seguinte notícia: a Directora da Sub-Região de Saúde de Castelo Branco emitiu uma comunicação interna segundo a qual a correspondência enderaçada aos funcionários será aberta, "desde que oriunda de qualquer serviço público ou outro".


1. Não acho ética a recepção de correspondência no local de trabalho. No entanto, tal nunca pode desculpabilizar a prática de um crime: a violação de correspondência. Talvez mais valesse a proibição da recepção de correspondência particular no serviço, não?


2. Gostava de saber o que é "oriunda de qualquer serviço público ou outro"; abrangerá as cartas vindas de serviços privados? Por exemplo, de bancos, do videoclube ou da cabeleireira?

Constatações XXX

Começo a detestar mecânicos quase tanto como taxistas. Com a pequena diferença de que, neste caso, os mecânicos não têm culpa nenhuma.
Achou que ele a tocava de forma especial. Talvez não tocasse assim as outras mulheres. Talvez que a quisesse a ela, tanto como ela o começava a desejar. Os convites sucederam-se ao ritmo da vontade de estar. Não o convidava apenas a ele, não, era muito arriscado. Convidava um grupo restrito de amigos. Para tomarem um copo, para conversarem e rirem. E ele nunca se recusou.
Imaginou como seria acordar com ele na sua cama, sempre tão grande e abandonada. Imaginou o toque, as mãos entrelaçadas em fôlegos de prazer, as palavras que ele lhe diria ao ouvido. Imaginou os jantares a sós, à luz das velas e ao som de música clássica, o sexo, quente e rápido.
Começou a construir uma cumplicidade inventada.
Até que chegou a noite. Aquela que ela havia imaginado como perfeita. Saíram, divertiram-se, dançaram até de madrugada. Riram, conversaram. Quando, já o sol despontava lá ao fundo no horizonte, e a cidade começava a acordar, ele disse-lhe que ia para casa. Tal como ela tinha esperado e ansiado e imaginado vezes sem conta. Chegara o momento. O momento em que ela lhe diria: Não vás. Fica na minha. E ele ficaria. E seguiriam a passos juntos, a roupa caída pelos degraus da escada, os corpos abandonados à nudez e ao desejo.
Disse-lhe: Não vás. Fica na minha casa.
Mas ele foi. E com ele partiram todos os sonhos inventados e desejados que lhe passaram vezes e vezes pelo olhar. Seguiu a passos sós para a sua casa só.
Quando chegou, deitou-se na cama sem se despir. E chorou, uma vez mais, a sua solidão.

domingo, 1 de julho de 2007

Hoje sinto-me assim...


Coisas de gajas

É conversar no Messenger com uma amiga que está longe e, quando nos despedimos, dizermos lamechices típicas do sexo feminino (de que eu gosto) e enviarmos um coração!

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Hoje este blog acordou com grelos

O prémio "Blogue com Grelos", destina-se a distinguir a escrita no feminino, em toda a net lusófona. Não serão permitidas nomeações de blogues de escrita no masculino ou com participação masculina."

Este é o pressuposto. A Poca, cantora em ascensão e blogger nos tempos livres, achou que este era um blog com grelos e, por isso, concedeu-me este award, moda muito em voga na blogosfera.
Supostamente, deveria nomear cinco blogs femininos que considere terem grelos. Não o vou fazer. Porque sou contra o feminismo ou o machismo, ou qualquer outro estereótipo que divida homens/mulheres.

De qualquer forma, não é todos os dias que o nosso blog é tido como tendo grelos (signifique isso o que queira significar). Obrigada.

quarta-feira, 27 de junho de 2007

A Terra Prometida


"Poder dormir
Poder morar
Poder sair
Poder chegar
Poder viver
Bem devagar
E depois de partir poder voltar
E dizer: este aqui é o meu lugar
E poder assistir ao entardecer
E saber que vai ver o sol raiar
E ter amor e dar amor
E receber amor até não poder mais
E sem querer nenhum poder
Poder viver feliz p’ra se morrer em paz"


Vinicius de Moraes

terça-feira, 26 de junho de 2007

"Nem um soberbo grau de inteligência,

nem a imaginação, nem os dois juntos

servem para fazer um génio.

Amor,

amor,

amor,

é essa a alma do génio."

Wolfgang Amadeus Mozart
Se eu fosse escritora ou poeta as palavras sair-me-iam brandas e leves. Ou talvez não. Talvez que me tivesse de embriagar de vida e de álcool ou de outra coisa qualquer. Talvez que tivesse de passar noites em branco ansiando pela dádiva tão independente chamada inspiração.

Se eu fosse escritora ou poeta talvez as palavras me soassem a estrelas e deslizassem no caderno. Como água numa cascata, rápida e certa. Talvez que tivesse de viver permanentemente uma dor não correspondida, um amor de uma metade só.

Se eu fosse escritora ou poeta talvez enchesse cadernos de palavras só por mim entendidas, só para mim escritas. Talvez que todos os males me parecessem dramas, pequenos vulcões em erupção.

Mas eu não sou escritora ou poeta. As palavras não me saem, ficam aprisionadas em véus que eu própria criei. Ao invés, caem-me as lágrimas, que no fundo não são mais do que palavras gritadas em silêncio, que me fazem voltar ao mundo real.

Constatações XXIX

Joe Berardo, além de investidor e grande coleccionador de arte contemporânea, parece ser o mais recente analista político-cultural-desportivo-financeiro-e-com-opinião-sobre-mais-qualquer-coisa-que-lhe-venha-a-ser-perguntado.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Hoje continuo a sentir-me assim...















À espera de notícias muito importantes... (Parte II)

terça-feira, 19 de junho de 2007

Ditos

Segundo a última edição da revista Sábado, José Sócrates, na entrevista que deu a semana passada à Reuteurs, pronunciou de forma errada várias palavras e cometeu alguns erros gramaticais. No seu Inglês Técnico. Gostei particularmente desta: Sócrates deveria ter falado em "djoint cooperation" e, ao invés, disse "joint cooperation", que é o mesmo que falar da cooperação do charro.
Ó Sr. Primeiro-Ministro, e não nos dizia nada? E quem é que vão ser os parceiros?

Hoje sinto-me assim...












À espera de notícias muito importantes...

Dúvidas existenciais

Não gosto de intromissões. Não gosto de perguntas indiscretas sobre mim, ou sobre a minha vida, tal como as não faço. Não gosto de mexericos, de boatos. Não gosto de espreitar a janela das casas dos outros. Não gosto que o façam na minha. Esta é a minha regra. Agora a excepção, que me anda a moer em forma de dúvida: Conheço alguém (a quem, se não posso chamar de amiga na plenitude do termo, posso designá-la de algo como companheira de viagens) que está com um problema, que eu afirmaria ser grave. Penso que é. Essa pessoa não pensa nisso sequer. Porque para ela, não há nada em que pensar. Digamos que age como um alcoólico na fase da negação. Não sei se deveria falar com ela. Aqui está a questão da intromissão. Nem sei, aliás, se surtiria grande efeito se o decidisse fazer. Não sei o que fazer. Ponto.

sexta-feira, 15 de junho de 2007

"Quando Nietzsche chorou"

Josef Breuer, médico vienense e, nomedamente, mentor de Freud, é levado a conhecer Nietzsche. É daqui que nasce uma grande amizade, pontuada por excessos, omissões, confissões, pequenas mentiras e grandes verdades, ilusões, entregas.
Irvin D. Yalom, o autor, demonstra conhecer profundamente o pensamento de Nietzsche, criando ficção a partir de personagens verdadeiras. Um livro muito bem estruturado, que se foca no suposto início da psicanálise (embora, na realidade, ela só tenha surgido anos depois).
Durante a sua leitura, em que várias vezes me demorei em parágrafos a tentar descontruí-los, dissecá-los, (re)lembrei-me de que muitas vezes associamos características às pessoas quando, na realidade, elas simplesmente materializam os significados que lhes atribuímos.


quinta-feira, 14 de junho de 2007

Hoje este blog acordou assim...


Constatações XXVIII

Mais chato do que ler um texto cheio de nada, é constatar que o mesmo está pejado de erros ortográficos.

Allgarve

Está bem escolhido, sim senhor.
É que, ultimamente, é por lá que acontece tudo.

A voltar

Depois de uns tempos desligada volto à normalidade dos dias. Fala-se de corrupção, de denúncias, de esquemas, de diz que disse. Está quase a estrear o novo filme do Michael Moore. Assunto: Guantanamo. O aeroporto. Ota. Não-Ota. Quase-Ota. Os Gato Fedorento têm nova publicidade. Os jornalistas fazem perguntas cujas respostas são completamente previsíveis. Dizem-se piadas sobre desertos e atentados em pontes. A administração pública continua a esbanjar dinheiro sem que ninguém se lembre de que, legalmente, há a obrigação de repôr. Fazem-se queixinhas. Maddie. Ou está muito calor ou prevêem-se inundações. A pedofilia continua em alta. As televisões mostram reportagens de fazer chorar as pedras da calçada.
Tudo tão diferente, tudo tão igual.

quinta-feira, 31 de maio de 2007

Constatações XXVII

Como é boa a sensação de que o nosso caminho se vai cumprindo...

terça-feira, 29 de maio de 2007

Realizador: Steven Zaillian


Retrata o caminho de um homem, de origem humilde e intenções nobres, na espiral do poder político. Que acaba por se perder, definitivamente, no emaranhado da corrupção. Sean Penn está (uma vez mais) brilhante.
Este filme veio corroborar a tese que defendo desde sempre: que o poder, especialmente o político, acaba obrigatoriamente por corromper aqueles que se movem nesses meandros. Gostaria que, pelo menos uma vez, a realidade me provasse o contrário.

Amigos gays XII

Os gays que conheço adoram a Madonna. E têm um fraquinho pela Beyoncé.

“Deveríamos considerar perdidos todos os dias

em que não tivermos dançado

pelo menos uma vez.

E deveríamos chamar falsas

a todas as verdades

que não sejam acompanhadas de

pelo menos uma gargalhada.”

Friedrich Nietzche
A janela, com as suas portadas abertas de par em par, deixa-me ver o céu, por detrás dos prédios altos e solitários. Azul e laranja. Já passa das nove. Escrevo em cima das pernas, nuas, neste quarto, impessoal, de hotel. Na televisão há pessoas que falam mas não as ouço. Está apenas ligada para que me passe esta sensação. Para que pareça que não estou só. Porque hoje, ao contrário de outras vezes, em que a procuro, a provoco, não quero estar só. O céu está a ficar esverdeado. Muito belo. Demasiadamente belo. Tanto, que por momentos páro de escrever só para o poder fotografar.
Regresso agora, depois de guardar um pedaço que já se escapou. Lá em baixo passam os carros, velozes. Sente-se o burburinho da cidade. O chamamento da cidade. Saem para a rua as putas. Os bêbados que por estas estradas se perdem tentando encontrar-se (na sua embriaguez). Os loucos. Os sábios que só aqui encontram a sua paz. Saem à rua todos os seres que fingimos não ver. Os que dormem no chão. Que roubam os seus iguais. Que fingimos não existir. Preferíamos assim. Porque nos lembram sempre que também somos culpados.
A janela, com as suas portadas abertas de par em par, deixa-me ver o céu, por detrás dos prédios altos e solitários. Cinzento e verde. Já não. Escureceu.

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Diário de Maria

Querida Maria:

Há dias disse uma graçola aos colegas de trabalho sobre o chefe. Entretanto, comecei a pensar que, se calhar, devia tê-la guardado para mim, porque acho que agi sem pensar.
Agora ando a dormir mal por causa de uma dúvida que me atormenta: será que algum dos meus colegas pode acusar-me? E se sou despedida?
O que é que acha?
Por favor, ajude-me urgentemente, que estou a ficar desesperada.

S. - Vila Franca de Xira

Hoje regressou a Portugal...

Provavelmente





o pirata mais bonito de todos os tempos.

Confissões


E acontece-te.
Pela 1ª vez.
Mas um dia, antes, já tinhas pressentido que iria acontecer.
Pensavas nisso como mais um obstáculo que tivesses de ultrapassar para estar ainda mais perto do que chamas maioridade.
Tomas uma atitude.
Com a qual não concordas.
Tens consciência, plena, de que é errada.
Acha-la moralmente criticável.
Mas toma-la.
Porque sim, porque é a única coisa que podes fazer.
Para pagar uma dívida que se chama gratidão.

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Edital

Informa-se os caros leitores de que este blog está momentaneamente sem actualizações devido a factores terceiros à mentora (que é o mesmo que dizer que, durante esta semana, o trabalho ainda me vai matar).

Voltarei logo que me for possível (que é o mesmo que dizer quando me deixarem).

Atenciosamente,

Sol

domingo, 20 de maio de 2007

(Ainda sobre) Futebolices

Estava difícil mas...

O campeonato

é NOSSO.

Futebolices

Que se resolva rapidamente o Campeonato.
Antes que cerca de três milhões e meio de portugueses entupam as urgências dos hospitais.

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Fait-divers

(A pedido de um leitor deste blog - Exmº. Sr. Ivan Aka Bandinho):


P.S.: Não tem nada que agradecer.

Hoje sinto-me assim... *





(* A precisar de férias...)

E porque...

... já há um considerável período de tempo não éramos brindados com nenhuma aberração da América, aqui vai a mais recente: as autoridades do estado norte-americano do Illinois concederam uma licença de porte de arma a Howard David Ludwig, criança com 10 meses de idade. O documento mostra a sua fotografia e, no lugar da assinatura, uma garatuja infantil. A requisição foi preenchida pelo pai do bebé (que deve ter um assombro de QI), através da Internet, tendo de pagar 5 dólares. No entanto, não se pense que esse mesmo pai vai autorizar o filho a pegar numa arma mal ele tenha força para premir o gatilho. Não, nada disso: "Não vou aprovar uma caçada sem supervisão." - afirmou.
Aaahhhh, assim ficamos muito mais descansados.
Quando se encontraram, cumprimentaram-se efusivamente; afinal, havia muito tempo desde a última vez que se viram. Dessa última vez, recordava-se Ana, tinha-lhe ficado a sensação de uma pessoa muito insegura, imatura (uma imaturidade emocional, digamos assim), à procura de si próprio mas muito longe desse porto. Mas tentando desesperadamente encontrar-se, se não para provar algo a si mesmo, que o provasse aos outros. A voz dele chamou-a de volta para o presente. Respondeu-lhe que sim, que estava tudo bem, contextualizando-o muito resumidamente sobre os acontecimentos desde há três anos atrás.
- E tu, como estás?
- Estou óptimo, muito feliz comigo mesmo. Porque mesmo sentindo-me, por vezes sozinho, sinto-me sempre muito acompanhado... pelos meus amigos, pessoas que me amam como sou e pelo que sou. Que estão sempre presentes no meu coração e na minha vida. E que sempre farão parte dela.
Interrompeu-o com outra pergunta:
- E o trabalho? Continuas no mesmo sítio?
- Sim, sim. Não é aquilo que quero fazer para sempre mas estou bastante bem. Tenho conhecido pessoas extraordinárias que me têm dado grandes ensinamentos. Pessoas interessantes com as quais gosto de estar... Muito ricas interiormente...
- Óptimo! Fico contente por saber que estás bem!
- Estou muito bem de facto. Rodeado por aqueles que me fazem sentir bem comigo próprio, por pessoas extraordinárias. Sabes? Pessoas que me gostam de mim por aquilo que sou.
Foram interrompidos pelo toque do telemóvel, que Ana procurou na carteira. A urgência de atender aquela chamada fez com que se despedissem. E ficou a olhá-lo enquanto este se afastava, pensando que muito pouco tinha mudado; continuava a não saber quem é, tentando desesperadamente encontrar-se, se não para provar algo a si mesmo, tentando prová-lo a alguém.

Genialidade














SALVADOR DALÍ

(1904-1989)

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Politiquices

Fernando Negrão, candidato do PSD à Câmara Municipal de Lisboa, afirmou ontem que foi constituído arguido num processo que tem seis anos, quando era Director-Nacional da PJ, mas que Marques Mendes não considera tal facto impeditivo para que este possa avançar.
Então e a afirmação recente de Manuela Ferreira Leite que está transcrita cinco posts abaixo?
Parece que não foi possível encontrar ninguém sem tão elevado estatuto.

Pérolazinha

A Inês Meneses, no Um prazer dos Diabos que passou ontem, relembrou-me uma outra expressão pela qual tenho uma especial simpatia: escupe.
Para quem não consegue decifrar, é a forma como determinadas pessoas se querem referir ao cuspe. Gosto!

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Hoje sinto-me assim...


Delírios infantis (continuação)

- Mas porque é que precisas de ir trabalhar? Tu não és casada...

Delírios infantis

- Mas porque é que não trabalhas aqui, no sítio onde vives?
- Porque aqui não tenho trabalho... E eu preciso de trabalhar...
- Ai tens, tens!! Porque no outro dia a Srª. Isaura do café disse à minha mãe que precisava de uma empregada de balcão.

terça-feira, 15 de maio de 2007

O Estado das Coisas

"Estamos na fase de lançar todos os nomes que existem.
Desde que não sejam arguidos, qualquer um serve."

Manuela Ferreira Leite in Público

(sobre as eleições à Câmara de Lisboa)

(Des)confiança

Cada vez mais desconfio das pessoas muito dadas a determinada religião. Daquelas que a cada frase incluem um Ai Meu Deus ou Nossa Senhora, daquelas que vão à missa vezes sem fim, daquelas que dizem o Senhor está contigo, daquelas fazem jejum não sei quantas vezes por ano, daquelas que frequentam sessões, missões e outras comunhões. Cada vez mais desconfio de clérigos, freiras, papas e afilhados. Desconfio...
Há pessoas que têm preconceitos contra os pobres, os ricos, os pretos, os estrangeiros, os bonitos... eu tenho contra os religiosos, independentemente da religião. Porque me soam a falsidade. Que abomino desesperadamente.
Tenho tentado lutar contra este preconceito. Mesmo. Tenho tentado convencer-me a mim própria a manter o equilíbrio, que sempre defendo. Quando, em muitas outras situações, me dizem que determinada classe é assim ou assado, respondo sempre que alguns não podem comprometer o todo. Que não há regras sem excepções. Etc, etc., blablablá, blablablá...
E agora vejo-me a meter todos (ou a grande, grande maioria) no mesmo saco. Um saco sujo mas sempre perfumado de lavanda barata.
Ontem, este preconceito aumentou um bocadinho mais: tendo de apanhar um autocarro cuja fila era imensa, vejo um homem a, descaradamente, ultrapassar a pessoa que está atrás de mim, e depois a mim própria, colocando-se mesmo à minha frente como se não existisse mais ninguém. Quando o confrontei, pedindo-lhe educadamente para voltar ao seu sítio de origem, explicou-lhe que não me tinha visto. Ainda estive tentada a perguntar-lhe se sofria de alguma deformação visual, mas consegui combater a minha vontade de lhe partir a cara (eu sei que isto é conversa de gajo, mas é o que me apetecia fazer-lhe).
Mais tarde, já sentada no meu lugar, vejo o mesmo senhor, sentado à minha frente mas no banco oposto, a ler, inicialmente, a Bíblia e, logo depois, um livro sobre o Santo Agostinho. Deu-me um acesso de raiva tão grande... Coitadinho, tão religioso, tão bonzinho que ele é...
Como é possível não desconfiar?

Dúvida de fim-de-semana

Tomo um Guronsan

ou não tomo um Guronsan?

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Venus

Realização: Roger Michell


Intérpretes: Peter O`Toole, Jodie Whittaker,
Leslie Phillips, Richard Griffiths,
Vanessa Redgrave

Grã-Bretanha, 2006


A velhice vista de uma forma satírica, irónica, crua. Verdadeira.
A redescoberta do desejo.
O querer sexual e a impossibilidade de o concretizar.
Um quase regresso à infância.
Os devaneios de um velho.
Sábio e louco e delicioso...
Os arrufos. As mágoas.
O saber-se tão pouco depois de se ter vivido tanto.
As loucuras de quem já nada tem a provar.
A morte.




quinta-feira, 10 de maio de 2007

"E eu sinto que em meu gesto

existe o teu gesto

e em minha voz a tua voz. "

Fernando Pessoa

Constatações XXVI

Blogs que leio diariamente estão a fechar, um a um, dia após dia.
Começo a ficar deprimida...

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Hoje sinto-me assim...



Warning:

Manter a distância de segurança adequada

Passagens

"- Mas qual é a virtude de uma verdade impopular, de tornar as coisas difíceis? Quando deixei o meu paciente esta manhã, ele disse-me: «Ponho-me nas mãos de Deus.» Quem ousaria negar que isso não seja também uma forma de verdade?
- Quem? - Agora, Nietzsche também se levantara e caminhava dum lado da escrivaninha, enquanto Breuer caminhava pelo outro. - Quem ousa negá-lo? - Parou, apoiou-se no espaldar da cadeira e apontou para si próprio. - Eu ouso negá-lo!
«Ele poderia - pensou Breuer - estar a falar de um púlpito, a exortar uma congregação. É claro, o pai fora pastor.»
Atinge-se a verdade - continuou Nietzsche - através da descrença e do cepticismo e não do desejo infantil de que uma coisa aconteça de certa maneira! O desejo do seu paciente em estar nas mãos de Deus não é verdadeiro. É simplesmente um desejo infantil e nada mais! É um desejo de não morrer, o desejo do eterno mamilo intumescido que classificamos como «Deus». A teoria da evolução demonstra cientificamente a redundância de Deus, embora o próprio Darwin não tivesse a coragem de levar as evidências até à sua verdadeira conclusão. Certamente, o senhor tem de entender que nós criamos Deus e que todos nós, agora em conjunto, o matámos."

Irvin D. Yalom in "Quando Nietsche chorou"

terça-feira, 8 de maio de 2007

Realizador: Mennan Yapo


Linda (Sandra Bullock) recebe a notícia da morte do marido. Quando acorda, no dia seguinte, o marido está vivo. E ambas as situações vão-se alternando entre o adormecer e o acordar, não se conseguindo perceber, pelo menos inicialmente, se isto só acontece na sua cabeça, se é fruto de pesadelos, ou se estamos face a um qualquer tipo de intuição. O nome do filme levou-me a presumir, acertadamente, que se tratava de uma premonição.
Embora a fórmula não seja nova nem, tão pouco, inovadora, o filme resulta, a meu ver. Consegue manter o suspense pretendido e, não obstante não tenha um final feliz, transmite uma mensagem de esperança. Ou, no mínimo, de continuidade...

Genialidade
















Paula Rego

(1935 - ...)

Constatações XXV

Adoro aquelas pessoas que, em vez de dizerem "câmara", dizem "cambra".

Show(zinho)

Situações como o desaparecimento da pequena Madeleine, há já 5 dias, fazem as delícias da nossa comunicação social. Abertura de telejornais, desde o momento do sucedido, com tempo crescente de antena. Hoje contabilizei 22 minutos sobre quase nada. Entrevistas a turistas no Allgarve, maioritariamente ingleses, que confirmam que o local é um paraíso, não sabem como aconteceu. Reportagens sobre reportagens passadas, pasme-se, não só nas televisões inglesas, mas um pouco por toda a Europa, segundo informação dos jornalistas que fazem a cobertura do acontecimento!!! E dá-se aquele ênfase, do tipo Estão a falar de nós! Por toda a Europa!!
Triste...

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Constatações XXIV

Os "trintas" deram-me serenidade e segurança
em doses que jamais pensei vir a ter.

Tesouro(s) de Portugal


ÓBIDOS






sexta-feira, 4 de maio de 2007

Amanhã

Amanhã é dia de ti.
De acordarmos, enroscados, despenteados, felizes pelo dia fabuloso de sol com o qual vamos ser brindados.
Amanhã é dia de almoçarmos na varanda, caída sobre a rua, que espreita as vozes que passam. Amanhã é dia de te abraçar e de beijar sempre que me apetecer.
Amanhã é dia de passearmos, sem pressas, sem querer ir a lado algum.
Olharemos as pombas, esvoaçando, penicando as migalhas de pão.
Amanhã a música chegará aos nossos ouvidos como de um outro continente qualquer.
Amanhã viajaremos de comboio.
Gosto tanto do seu balancear...
Pouca terra, pouca terra, pouca terra...
Amanhã sorriremos.
Sorrisos cúmplices que, por vezes, substituem palavras reciprocamente entendidas.
Amanhã dir-te-ei que te amo.
Amar-te-ei amanhã.
Amanhã.

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Politiquices

Muito romântica a declaração de Carmona Rodrigues.
Quase quixotesca.

Um filme forte.

Mas que não me apaixonou.

quarta-feira, 2 de maio de 2007

"Eu celebro-me a mim mesmo,


eu canto-me a mim mesmo."


Walt Whitman

Constatações XXIII

Podem gozar-me à vontade, mas adoro a Grace Kelly do Mika.
Tem um cheirinho de Freddie Mercury.
Há dias passei por um sítio onde, anos atrás, "habitei" durante muitas horas. Era uma tasquinha, bonita e acolhedora, onde nos juntávamos quando fazíamos gazeta às aulas: a jogar às cartas, aos dardos, a fazer desenhos nos cadernos, a fumar os primeiros cigarros, a conversar sobre tudo e nada com aquela força e certezas próprias da idade.
Os donos eram um casal alemão, simpático e acolhedor como a sua tasquinha. Tinham um São Bernardo lindo, pesado e calmeirão, cujo peso seria proporcional à sua necessidade de mimo.
Começamos a levar umas cassetes (sim, sou do tempo das cassetes) com música que os jovens ouviam na altura. Essencialmente rock. Num instante, a tasquinha ganhou fama e tornou-se num local de paragem obrigatória.
Com todo este sucesso o dono que, viemos a saber mais tarde, já tivera problemas de alcoolismo, voltou a beber. Muito. Meses depois a tasquinha fechou.
Há dias passei por lá. A tasquinha já não existe... E relembrei,com um aperto no coração, o quanto gostava daquele sítio e daquele amoroso casal alemão.
Espero que, onde quer que se encontrem, estejam bem...

+

E porque também se deve elogiar o que é bem feito, aplaudo o projecto levado a cabo pelo Ministério da Educação, conjuntamente com os Serviços Prisionais, que leva jovens a passarem um dia na prisão. Sem que tenham motivo para lá estar. Uma espécie de terapia preventiva, arriscaria dizer...

Estrela da Manhã

Numa qualquer manhã, um qualquer ser,
vindo de qualquer pai,
acorda e vai.
Vai.
Como se cumprisse um dever.

Nas incógnitas mãos transporta os nossos gestos;
nas inquietas pupilas fermenta o nosso olhar.
E em seu impessoal desejo latejam todos os restos
de quantos desejos ficaram antes por desejar.

Abre os olhos e vai.

Vai descobrir as velas dos moinhos
e as rodas que os eixos movem,
o tear que tece o linho,
a espuma roxa dos vinhos,
incêndio na face jovem.

Cego, vê, de olhos abertos.
Sozinho, a multidão vai com ele.
Bagas de instintos despertos
ressuma-lhe à flor da pele.

Vai, belo monstro.
Arranca
as florestas com os teus dentes.
Imprime na areia branca
teus voluntariosos pés incandescentes.

Vai

Segue o teu meridiano, esse,
o que divide ao meio teus hemisférios cerebrais;
o plano de barro que nunca endurece,
onde a memória da espécie
grava os sonos imortais.

Vai

Lábios húmidos do amor da manhã,
polpas de cereja.
Desdobra-te e beija
em ti mesmo a carne sã.

Vai

À tua cega passagem
a convulsão da folhagem
diz aos ecos
«tem que ser».

O mar que rola e se agita,
toda a música infinita,
tudo grita
«tem que ser».

Cerra os dentes, alma aflita.
Tudo grita
«Tem que ser».


António Gedeão

terça-feira, 1 de maio de 2007

É impressão minha ou anda tudo louco?

Bom dia!

Uma forma original de começar o dia (?) foi tomar o pequeno-almoço em casa, bem cedinho, com pessoas de quem gosto. Um lanche retemperador, após uma noite de conversas, dança, copos, risos e cigarros. Em que só se disseram baboseiras e em que nos rimos muito delas (ao final da noite - ou seria ao início do dia? - não se consegue melhor). E tive ainda que levar com a Rita, constantemente a queixar-se das minhas compotas light que, segundo ela, não sabem a nada. E depois... Huumm... e depois a minha deliciosa cama...

segunda-feira, 30 de abril de 2007

Hoje sinto-me assim...*


* Sub-título:

O feriado de amanhã vai

saber-me tão bem...

Perguntinha

Já tentei aceder a mais do que um blog quando, de repente, sou impedida pela seguinte mensagem: "This blog is open to invited readers only." Pergunto-me porque é que alguém cria um blog ao qual só um grupo restrito pode aceder. Será para criar uma espécie de Maçonaria Bloguística?

Modas?

Não sei que era é esta em que vivemos. Não sei se vivemos num tempo em que os raios ultra-violeta andam a provocar efeitos muito nefastos à generalidade das pessoas. O que sei é que anda meio mundo deprimido. Ouço relatos de pessoas que têm alguém da família ou determinado amigo que esteve, está ou está prestes a ter uma depressão. E esse meio mundo move-se a anti-depressivos e afins que os mantêm numa suave ignorância relativamente a si mesmos. Não consigo compreender... Não sou diferente da generalidade das pessoas mas, que me lembre, não tive nenhuma depressão. E enfrento os mesmos problemas, as mesmas rotinas, as mesmas quezílias do dia a dia. Porque todos nós, de uma forma ou de outra, passamos por situações menos boas. E já compreendo perfeitamente as pessoas que têm depressões justificadas, porque somos humanos e há coisas muito fortes que o nosso corpo e mente não estão preparados para suportar.
Mas, o que pretendo com isto dizer, é que me parece existir uma moda da depressão. Ai, a minha vida está tão monótona. Vou é ficar com uma depressão. Estou farto de uma vida serena e sem grandes rombos. Vou é ficar deprimido.
E não pretendo, jamais, fazer juízos de valor sobre quem tem verdadeiras depressões. Até porque espero nunca vir a ter uma, que deve doer.
Mas será que em muitas situações não ajudaria, talvez, um pouco de desporto, ocupação de tempos livres e até, quem sabe, um pouquinho de positivismo?



'Cause you give me something...

sábado, 28 de abril de 2007

Constatações XXII

Há pessoas que, na noite, parecem faróis. O espaço à sua volta é minuciosamente perscrutado.

sexta-feira, 27 de abril de 2007

(Mini) conversa

(Entre a filha, que está incumbida de conduzir, e o pai, que a acompanha)

Pai: Então tu entras para a estrada sem olhares para trás, para ver se vem algum carro?
Filha: Ó paaiiii, já ouviste falar de espelhos retrovisores??!? Eles não servem só para as mulheres pintarem os lábios!!!


(Fim de conversa)

Moral:

Nunca deixem que os vossos pais vos acompanhem enquanto conduzem

(pelo menos se for como o meu).