quinta-feira, 24 de maio de 2007

Diário de Maria

Querida Maria:

Há dias disse uma graçola aos colegas de trabalho sobre o chefe. Entretanto, comecei a pensar que, se calhar, devia tê-la guardado para mim, porque acho que agi sem pensar.
Agora ando a dormir mal por causa de uma dúvida que me atormenta: será que algum dos meus colegas pode acusar-me? E se sou despedida?
O que é que acha?
Por favor, ajude-me urgentemente, que estou a ficar desesperada.

S. - Vila Franca de Xira

Hoje regressou a Portugal...

Provavelmente





o pirata mais bonito de todos os tempos.

Confissões


E acontece-te.
Pela 1ª vez.
Mas um dia, antes, já tinhas pressentido que iria acontecer.
Pensavas nisso como mais um obstáculo que tivesses de ultrapassar para estar ainda mais perto do que chamas maioridade.
Tomas uma atitude.
Com a qual não concordas.
Tens consciência, plena, de que é errada.
Acha-la moralmente criticável.
Mas toma-la.
Porque sim, porque é a única coisa que podes fazer.
Para pagar uma dívida que se chama gratidão.

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Edital

Informa-se os caros leitores de que este blog está momentaneamente sem actualizações devido a factores terceiros à mentora (que é o mesmo que dizer que, durante esta semana, o trabalho ainda me vai matar).

Voltarei logo que me for possível (que é o mesmo que dizer quando me deixarem).

Atenciosamente,

Sol

domingo, 20 de maio de 2007

(Ainda sobre) Futebolices

Estava difícil mas...

O campeonato

é NOSSO.

Futebolices

Que se resolva rapidamente o Campeonato.
Antes que cerca de três milhões e meio de portugueses entupam as urgências dos hospitais.

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Fait-divers

(A pedido de um leitor deste blog - Exmº. Sr. Ivan Aka Bandinho):


P.S.: Não tem nada que agradecer.

Hoje sinto-me assim... *





(* A precisar de férias...)

E porque...

... já há um considerável período de tempo não éramos brindados com nenhuma aberração da América, aqui vai a mais recente: as autoridades do estado norte-americano do Illinois concederam uma licença de porte de arma a Howard David Ludwig, criança com 10 meses de idade. O documento mostra a sua fotografia e, no lugar da assinatura, uma garatuja infantil. A requisição foi preenchida pelo pai do bebé (que deve ter um assombro de QI), através da Internet, tendo de pagar 5 dólares. No entanto, não se pense que esse mesmo pai vai autorizar o filho a pegar numa arma mal ele tenha força para premir o gatilho. Não, nada disso: "Não vou aprovar uma caçada sem supervisão." - afirmou.
Aaahhhh, assim ficamos muito mais descansados.
Quando se encontraram, cumprimentaram-se efusivamente; afinal, havia muito tempo desde a última vez que se viram. Dessa última vez, recordava-se Ana, tinha-lhe ficado a sensação de uma pessoa muito insegura, imatura (uma imaturidade emocional, digamos assim), à procura de si próprio mas muito longe desse porto. Mas tentando desesperadamente encontrar-se, se não para provar algo a si mesmo, que o provasse aos outros. A voz dele chamou-a de volta para o presente. Respondeu-lhe que sim, que estava tudo bem, contextualizando-o muito resumidamente sobre os acontecimentos desde há três anos atrás.
- E tu, como estás?
- Estou óptimo, muito feliz comigo mesmo. Porque mesmo sentindo-me, por vezes sozinho, sinto-me sempre muito acompanhado... pelos meus amigos, pessoas que me amam como sou e pelo que sou. Que estão sempre presentes no meu coração e na minha vida. E que sempre farão parte dela.
Interrompeu-o com outra pergunta:
- E o trabalho? Continuas no mesmo sítio?
- Sim, sim. Não é aquilo que quero fazer para sempre mas estou bastante bem. Tenho conhecido pessoas extraordinárias que me têm dado grandes ensinamentos. Pessoas interessantes com as quais gosto de estar... Muito ricas interiormente...
- Óptimo! Fico contente por saber que estás bem!
- Estou muito bem de facto. Rodeado por aqueles que me fazem sentir bem comigo próprio, por pessoas extraordinárias. Sabes? Pessoas que me gostam de mim por aquilo que sou.
Foram interrompidos pelo toque do telemóvel, que Ana procurou na carteira. A urgência de atender aquela chamada fez com que se despedissem. E ficou a olhá-lo enquanto este se afastava, pensando que muito pouco tinha mudado; continuava a não saber quem é, tentando desesperadamente encontrar-se, se não para provar algo a si mesmo, tentando prová-lo a alguém.

Genialidade














SALVADOR DALÍ

(1904-1989)

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Politiquices

Fernando Negrão, candidato do PSD à Câmara Municipal de Lisboa, afirmou ontem que foi constituído arguido num processo que tem seis anos, quando era Director-Nacional da PJ, mas que Marques Mendes não considera tal facto impeditivo para que este possa avançar.
Então e a afirmação recente de Manuela Ferreira Leite que está transcrita cinco posts abaixo?
Parece que não foi possível encontrar ninguém sem tão elevado estatuto.

Pérolazinha

A Inês Meneses, no Um prazer dos Diabos que passou ontem, relembrou-me uma outra expressão pela qual tenho uma especial simpatia: escupe.
Para quem não consegue decifrar, é a forma como determinadas pessoas se querem referir ao cuspe. Gosto!

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Hoje sinto-me assim...


Delírios infantis (continuação)

- Mas porque é que precisas de ir trabalhar? Tu não és casada...

Delírios infantis

- Mas porque é que não trabalhas aqui, no sítio onde vives?
- Porque aqui não tenho trabalho... E eu preciso de trabalhar...
- Ai tens, tens!! Porque no outro dia a Srª. Isaura do café disse à minha mãe que precisava de uma empregada de balcão.

terça-feira, 15 de maio de 2007

O Estado das Coisas

"Estamos na fase de lançar todos os nomes que existem.
Desde que não sejam arguidos, qualquer um serve."

Manuela Ferreira Leite in Público

(sobre as eleições à Câmara de Lisboa)

(Des)confiança

Cada vez mais desconfio das pessoas muito dadas a determinada religião. Daquelas que a cada frase incluem um Ai Meu Deus ou Nossa Senhora, daquelas que vão à missa vezes sem fim, daquelas que dizem o Senhor está contigo, daquelas fazem jejum não sei quantas vezes por ano, daquelas que frequentam sessões, missões e outras comunhões. Cada vez mais desconfio de clérigos, freiras, papas e afilhados. Desconfio...
Há pessoas que têm preconceitos contra os pobres, os ricos, os pretos, os estrangeiros, os bonitos... eu tenho contra os religiosos, independentemente da religião. Porque me soam a falsidade. Que abomino desesperadamente.
Tenho tentado lutar contra este preconceito. Mesmo. Tenho tentado convencer-me a mim própria a manter o equilíbrio, que sempre defendo. Quando, em muitas outras situações, me dizem que determinada classe é assim ou assado, respondo sempre que alguns não podem comprometer o todo. Que não há regras sem excepções. Etc, etc., blablablá, blablablá...
E agora vejo-me a meter todos (ou a grande, grande maioria) no mesmo saco. Um saco sujo mas sempre perfumado de lavanda barata.
Ontem, este preconceito aumentou um bocadinho mais: tendo de apanhar um autocarro cuja fila era imensa, vejo um homem a, descaradamente, ultrapassar a pessoa que está atrás de mim, e depois a mim própria, colocando-se mesmo à minha frente como se não existisse mais ninguém. Quando o confrontei, pedindo-lhe educadamente para voltar ao seu sítio de origem, explicou-lhe que não me tinha visto. Ainda estive tentada a perguntar-lhe se sofria de alguma deformação visual, mas consegui combater a minha vontade de lhe partir a cara (eu sei que isto é conversa de gajo, mas é o que me apetecia fazer-lhe).
Mais tarde, já sentada no meu lugar, vejo o mesmo senhor, sentado à minha frente mas no banco oposto, a ler, inicialmente, a Bíblia e, logo depois, um livro sobre o Santo Agostinho. Deu-me um acesso de raiva tão grande... Coitadinho, tão religioso, tão bonzinho que ele é...
Como é possível não desconfiar?

Dúvida de fim-de-semana

Tomo um Guronsan

ou não tomo um Guronsan?

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Venus

Realização: Roger Michell


Intérpretes: Peter O`Toole, Jodie Whittaker,
Leslie Phillips, Richard Griffiths,
Vanessa Redgrave

Grã-Bretanha, 2006


A velhice vista de uma forma satírica, irónica, crua. Verdadeira.
A redescoberta do desejo.
O querer sexual e a impossibilidade de o concretizar.
Um quase regresso à infância.
Os devaneios de um velho.
Sábio e louco e delicioso...
Os arrufos. As mágoas.
O saber-se tão pouco depois de se ter vivido tanto.
As loucuras de quem já nada tem a provar.
A morte.