quinta-feira, 24 de maio de 2007

Confissões


E acontece-te.
Pela 1ª vez.
Mas um dia, antes, já tinhas pressentido que iria acontecer.
Pensavas nisso como mais um obstáculo que tivesses de ultrapassar para estar ainda mais perto do que chamas maioridade.
Tomas uma atitude.
Com a qual não concordas.
Tens consciência, plena, de que é errada.
Acha-la moralmente criticável.
Mas toma-la.
Porque sim, porque é a única coisa que podes fazer.
Para pagar uma dívida que se chama gratidão.

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Edital

Informa-se os caros leitores de que este blog está momentaneamente sem actualizações devido a factores terceiros à mentora (que é o mesmo que dizer que, durante esta semana, o trabalho ainda me vai matar).

Voltarei logo que me for possível (que é o mesmo que dizer quando me deixarem).

Atenciosamente,

Sol

domingo, 20 de maio de 2007

(Ainda sobre) Futebolices

Estava difícil mas...

O campeonato

é NOSSO.

Futebolices

Que se resolva rapidamente o Campeonato.
Antes que cerca de três milhões e meio de portugueses entupam as urgências dos hospitais.

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Fait-divers

(A pedido de um leitor deste blog - Exmº. Sr. Ivan Aka Bandinho):


P.S.: Não tem nada que agradecer.

Hoje sinto-me assim... *





(* A precisar de férias...)

E porque...

... já há um considerável período de tempo não éramos brindados com nenhuma aberração da América, aqui vai a mais recente: as autoridades do estado norte-americano do Illinois concederam uma licença de porte de arma a Howard David Ludwig, criança com 10 meses de idade. O documento mostra a sua fotografia e, no lugar da assinatura, uma garatuja infantil. A requisição foi preenchida pelo pai do bebé (que deve ter um assombro de QI), através da Internet, tendo de pagar 5 dólares. No entanto, não se pense que esse mesmo pai vai autorizar o filho a pegar numa arma mal ele tenha força para premir o gatilho. Não, nada disso: "Não vou aprovar uma caçada sem supervisão." - afirmou.
Aaahhhh, assim ficamos muito mais descansados.
Quando se encontraram, cumprimentaram-se efusivamente; afinal, havia muito tempo desde a última vez que se viram. Dessa última vez, recordava-se Ana, tinha-lhe ficado a sensação de uma pessoa muito insegura, imatura (uma imaturidade emocional, digamos assim), à procura de si próprio mas muito longe desse porto. Mas tentando desesperadamente encontrar-se, se não para provar algo a si mesmo, que o provasse aos outros. A voz dele chamou-a de volta para o presente. Respondeu-lhe que sim, que estava tudo bem, contextualizando-o muito resumidamente sobre os acontecimentos desde há três anos atrás.
- E tu, como estás?
- Estou óptimo, muito feliz comigo mesmo. Porque mesmo sentindo-me, por vezes sozinho, sinto-me sempre muito acompanhado... pelos meus amigos, pessoas que me amam como sou e pelo que sou. Que estão sempre presentes no meu coração e na minha vida. E que sempre farão parte dela.
Interrompeu-o com outra pergunta:
- E o trabalho? Continuas no mesmo sítio?
- Sim, sim. Não é aquilo que quero fazer para sempre mas estou bastante bem. Tenho conhecido pessoas extraordinárias que me têm dado grandes ensinamentos. Pessoas interessantes com as quais gosto de estar... Muito ricas interiormente...
- Óptimo! Fico contente por saber que estás bem!
- Estou muito bem de facto. Rodeado por aqueles que me fazem sentir bem comigo próprio, por pessoas extraordinárias. Sabes? Pessoas que me gostam de mim por aquilo que sou.
Foram interrompidos pelo toque do telemóvel, que Ana procurou na carteira. A urgência de atender aquela chamada fez com que se despedissem. E ficou a olhá-lo enquanto este se afastava, pensando que muito pouco tinha mudado; continuava a não saber quem é, tentando desesperadamente encontrar-se, se não para provar algo a si mesmo, tentando prová-lo a alguém.

Genialidade














SALVADOR DALÍ

(1904-1989)

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Politiquices

Fernando Negrão, candidato do PSD à Câmara Municipal de Lisboa, afirmou ontem que foi constituído arguido num processo que tem seis anos, quando era Director-Nacional da PJ, mas que Marques Mendes não considera tal facto impeditivo para que este possa avançar.
Então e a afirmação recente de Manuela Ferreira Leite que está transcrita cinco posts abaixo?
Parece que não foi possível encontrar ninguém sem tão elevado estatuto.

Pérolazinha

A Inês Meneses, no Um prazer dos Diabos que passou ontem, relembrou-me uma outra expressão pela qual tenho uma especial simpatia: escupe.
Para quem não consegue decifrar, é a forma como determinadas pessoas se querem referir ao cuspe. Gosto!

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Hoje sinto-me assim...


Delírios infantis (continuação)

- Mas porque é que precisas de ir trabalhar? Tu não és casada...

Delírios infantis

- Mas porque é que não trabalhas aqui, no sítio onde vives?
- Porque aqui não tenho trabalho... E eu preciso de trabalhar...
- Ai tens, tens!! Porque no outro dia a Srª. Isaura do café disse à minha mãe que precisava de uma empregada de balcão.

terça-feira, 15 de maio de 2007

O Estado das Coisas

"Estamos na fase de lançar todos os nomes que existem.
Desde que não sejam arguidos, qualquer um serve."

Manuela Ferreira Leite in Público

(sobre as eleições à Câmara de Lisboa)

(Des)confiança

Cada vez mais desconfio das pessoas muito dadas a determinada religião. Daquelas que a cada frase incluem um Ai Meu Deus ou Nossa Senhora, daquelas que vão à missa vezes sem fim, daquelas que dizem o Senhor está contigo, daquelas fazem jejum não sei quantas vezes por ano, daquelas que frequentam sessões, missões e outras comunhões. Cada vez mais desconfio de clérigos, freiras, papas e afilhados. Desconfio...
Há pessoas que têm preconceitos contra os pobres, os ricos, os pretos, os estrangeiros, os bonitos... eu tenho contra os religiosos, independentemente da religião. Porque me soam a falsidade. Que abomino desesperadamente.
Tenho tentado lutar contra este preconceito. Mesmo. Tenho tentado convencer-me a mim própria a manter o equilíbrio, que sempre defendo. Quando, em muitas outras situações, me dizem que determinada classe é assim ou assado, respondo sempre que alguns não podem comprometer o todo. Que não há regras sem excepções. Etc, etc., blablablá, blablablá...
E agora vejo-me a meter todos (ou a grande, grande maioria) no mesmo saco. Um saco sujo mas sempre perfumado de lavanda barata.
Ontem, este preconceito aumentou um bocadinho mais: tendo de apanhar um autocarro cuja fila era imensa, vejo um homem a, descaradamente, ultrapassar a pessoa que está atrás de mim, e depois a mim própria, colocando-se mesmo à minha frente como se não existisse mais ninguém. Quando o confrontei, pedindo-lhe educadamente para voltar ao seu sítio de origem, explicou-lhe que não me tinha visto. Ainda estive tentada a perguntar-lhe se sofria de alguma deformação visual, mas consegui combater a minha vontade de lhe partir a cara (eu sei que isto é conversa de gajo, mas é o que me apetecia fazer-lhe).
Mais tarde, já sentada no meu lugar, vejo o mesmo senhor, sentado à minha frente mas no banco oposto, a ler, inicialmente, a Bíblia e, logo depois, um livro sobre o Santo Agostinho. Deu-me um acesso de raiva tão grande... Coitadinho, tão religioso, tão bonzinho que ele é...
Como é possível não desconfiar?

Dúvida de fim-de-semana

Tomo um Guronsan

ou não tomo um Guronsan?

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Venus

Realização: Roger Michell


Intérpretes: Peter O`Toole, Jodie Whittaker,
Leslie Phillips, Richard Griffiths,
Vanessa Redgrave

Grã-Bretanha, 2006


A velhice vista de uma forma satírica, irónica, crua. Verdadeira.
A redescoberta do desejo.
O querer sexual e a impossibilidade de o concretizar.
Um quase regresso à infância.
Os devaneios de um velho.
Sábio e louco e delicioso...
Os arrufos. As mágoas.
O saber-se tão pouco depois de se ter vivido tanto.
As loucuras de quem já nada tem a provar.
A morte.




quinta-feira, 10 de maio de 2007

"E eu sinto que em meu gesto

existe o teu gesto

e em minha voz a tua voz. "

Fernando Pessoa

Constatações XXVI

Blogs que leio diariamente estão a fechar, um a um, dia após dia.
Começo a ficar deprimida...

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Hoje sinto-me assim...



Warning:

Manter a distância de segurança adequada

Passagens

"- Mas qual é a virtude de uma verdade impopular, de tornar as coisas difíceis? Quando deixei o meu paciente esta manhã, ele disse-me: «Ponho-me nas mãos de Deus.» Quem ousaria negar que isso não seja também uma forma de verdade?
- Quem? - Agora, Nietzsche também se levantara e caminhava dum lado da escrivaninha, enquanto Breuer caminhava pelo outro. - Quem ousa negá-lo? - Parou, apoiou-se no espaldar da cadeira e apontou para si próprio. - Eu ouso negá-lo!
«Ele poderia - pensou Breuer - estar a falar de um púlpito, a exortar uma congregação. É claro, o pai fora pastor.»
Atinge-se a verdade - continuou Nietzsche - através da descrença e do cepticismo e não do desejo infantil de que uma coisa aconteça de certa maneira! O desejo do seu paciente em estar nas mãos de Deus não é verdadeiro. É simplesmente um desejo infantil e nada mais! É um desejo de não morrer, o desejo do eterno mamilo intumescido que classificamos como «Deus». A teoria da evolução demonstra cientificamente a redundância de Deus, embora o próprio Darwin não tivesse a coragem de levar as evidências até à sua verdadeira conclusão. Certamente, o senhor tem de entender que nós criamos Deus e que todos nós, agora em conjunto, o matámos."

Irvin D. Yalom in "Quando Nietsche chorou"

terça-feira, 8 de maio de 2007

Realizador: Mennan Yapo


Linda (Sandra Bullock) recebe a notícia da morte do marido. Quando acorda, no dia seguinte, o marido está vivo. E ambas as situações vão-se alternando entre o adormecer e o acordar, não se conseguindo perceber, pelo menos inicialmente, se isto só acontece na sua cabeça, se é fruto de pesadelos, ou se estamos face a um qualquer tipo de intuição. O nome do filme levou-me a presumir, acertadamente, que se tratava de uma premonição.
Embora a fórmula não seja nova nem, tão pouco, inovadora, o filme resulta, a meu ver. Consegue manter o suspense pretendido e, não obstante não tenha um final feliz, transmite uma mensagem de esperança. Ou, no mínimo, de continuidade...

Genialidade
















Paula Rego

(1935 - ...)

Constatações XXV

Adoro aquelas pessoas que, em vez de dizerem "câmara", dizem "cambra".

Show(zinho)

Situações como o desaparecimento da pequena Madeleine, há já 5 dias, fazem as delícias da nossa comunicação social. Abertura de telejornais, desde o momento do sucedido, com tempo crescente de antena. Hoje contabilizei 22 minutos sobre quase nada. Entrevistas a turistas no Allgarve, maioritariamente ingleses, que confirmam que o local é um paraíso, não sabem como aconteceu. Reportagens sobre reportagens passadas, pasme-se, não só nas televisões inglesas, mas um pouco por toda a Europa, segundo informação dos jornalistas que fazem a cobertura do acontecimento!!! E dá-se aquele ênfase, do tipo Estão a falar de nós! Por toda a Europa!!
Triste...

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Constatações XXIV

Os "trintas" deram-me serenidade e segurança
em doses que jamais pensei vir a ter.

Tesouro(s) de Portugal


ÓBIDOS






sexta-feira, 4 de maio de 2007

Amanhã

Amanhã é dia de ti.
De acordarmos, enroscados, despenteados, felizes pelo dia fabuloso de sol com o qual vamos ser brindados.
Amanhã é dia de almoçarmos na varanda, caída sobre a rua, que espreita as vozes que passam. Amanhã é dia de te abraçar e de beijar sempre que me apetecer.
Amanhã é dia de passearmos, sem pressas, sem querer ir a lado algum.
Olharemos as pombas, esvoaçando, penicando as migalhas de pão.
Amanhã a música chegará aos nossos ouvidos como de um outro continente qualquer.
Amanhã viajaremos de comboio.
Gosto tanto do seu balancear...
Pouca terra, pouca terra, pouca terra...
Amanhã sorriremos.
Sorrisos cúmplices que, por vezes, substituem palavras reciprocamente entendidas.
Amanhã dir-te-ei que te amo.
Amar-te-ei amanhã.
Amanhã.

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Politiquices

Muito romântica a declaração de Carmona Rodrigues.
Quase quixotesca.

Um filme forte.

Mas que não me apaixonou.

quarta-feira, 2 de maio de 2007

"Eu celebro-me a mim mesmo,


eu canto-me a mim mesmo."


Walt Whitman

Constatações XXIII

Podem gozar-me à vontade, mas adoro a Grace Kelly do Mika.
Tem um cheirinho de Freddie Mercury.
Há dias passei por um sítio onde, anos atrás, "habitei" durante muitas horas. Era uma tasquinha, bonita e acolhedora, onde nos juntávamos quando fazíamos gazeta às aulas: a jogar às cartas, aos dardos, a fazer desenhos nos cadernos, a fumar os primeiros cigarros, a conversar sobre tudo e nada com aquela força e certezas próprias da idade.
Os donos eram um casal alemão, simpático e acolhedor como a sua tasquinha. Tinham um São Bernardo lindo, pesado e calmeirão, cujo peso seria proporcional à sua necessidade de mimo.
Começamos a levar umas cassetes (sim, sou do tempo das cassetes) com música que os jovens ouviam na altura. Essencialmente rock. Num instante, a tasquinha ganhou fama e tornou-se num local de paragem obrigatória.
Com todo este sucesso o dono que, viemos a saber mais tarde, já tivera problemas de alcoolismo, voltou a beber. Muito. Meses depois a tasquinha fechou.
Há dias passei por lá. A tasquinha já não existe... E relembrei,com um aperto no coração, o quanto gostava daquele sítio e daquele amoroso casal alemão.
Espero que, onde quer que se encontrem, estejam bem...

+

E porque também se deve elogiar o que é bem feito, aplaudo o projecto levado a cabo pelo Ministério da Educação, conjuntamente com os Serviços Prisionais, que leva jovens a passarem um dia na prisão. Sem que tenham motivo para lá estar. Uma espécie de terapia preventiva, arriscaria dizer...

Estrela da Manhã

Numa qualquer manhã, um qualquer ser,
vindo de qualquer pai,
acorda e vai.
Vai.
Como se cumprisse um dever.

Nas incógnitas mãos transporta os nossos gestos;
nas inquietas pupilas fermenta o nosso olhar.
E em seu impessoal desejo latejam todos os restos
de quantos desejos ficaram antes por desejar.

Abre os olhos e vai.

Vai descobrir as velas dos moinhos
e as rodas que os eixos movem,
o tear que tece o linho,
a espuma roxa dos vinhos,
incêndio na face jovem.

Cego, vê, de olhos abertos.
Sozinho, a multidão vai com ele.
Bagas de instintos despertos
ressuma-lhe à flor da pele.

Vai, belo monstro.
Arranca
as florestas com os teus dentes.
Imprime na areia branca
teus voluntariosos pés incandescentes.

Vai

Segue o teu meridiano, esse,
o que divide ao meio teus hemisférios cerebrais;
o plano de barro que nunca endurece,
onde a memória da espécie
grava os sonos imortais.

Vai

Lábios húmidos do amor da manhã,
polpas de cereja.
Desdobra-te e beija
em ti mesmo a carne sã.

Vai

À tua cega passagem
a convulsão da folhagem
diz aos ecos
«tem que ser».

O mar que rola e se agita,
toda a música infinita,
tudo grita
«tem que ser».

Cerra os dentes, alma aflita.
Tudo grita
«Tem que ser».


António Gedeão

terça-feira, 1 de maio de 2007

É impressão minha ou anda tudo louco?

Bom dia!

Uma forma original de começar o dia (?) foi tomar o pequeno-almoço em casa, bem cedinho, com pessoas de quem gosto. Um lanche retemperador, após uma noite de conversas, dança, copos, risos e cigarros. Em que só se disseram baboseiras e em que nos rimos muito delas (ao final da noite - ou seria ao início do dia? - não se consegue melhor). E tive ainda que levar com a Rita, constantemente a queixar-se das minhas compotas light que, segundo ela, não sabem a nada. E depois... Huumm... e depois a minha deliciosa cama...

segunda-feira, 30 de abril de 2007

Hoje sinto-me assim...*


* Sub-título:

O feriado de amanhã vai

saber-me tão bem...

Perguntinha

Já tentei aceder a mais do que um blog quando, de repente, sou impedida pela seguinte mensagem: "This blog is open to invited readers only." Pergunto-me porque é que alguém cria um blog ao qual só um grupo restrito pode aceder. Será para criar uma espécie de Maçonaria Bloguística?

Modas?

Não sei que era é esta em que vivemos. Não sei se vivemos num tempo em que os raios ultra-violeta andam a provocar efeitos muito nefastos à generalidade das pessoas. O que sei é que anda meio mundo deprimido. Ouço relatos de pessoas que têm alguém da família ou determinado amigo que esteve, está ou está prestes a ter uma depressão. E esse meio mundo move-se a anti-depressivos e afins que os mantêm numa suave ignorância relativamente a si mesmos. Não consigo compreender... Não sou diferente da generalidade das pessoas mas, que me lembre, não tive nenhuma depressão. E enfrento os mesmos problemas, as mesmas rotinas, as mesmas quezílias do dia a dia. Porque todos nós, de uma forma ou de outra, passamos por situações menos boas. E já compreendo perfeitamente as pessoas que têm depressões justificadas, porque somos humanos e há coisas muito fortes que o nosso corpo e mente não estão preparados para suportar.
Mas, o que pretendo com isto dizer, é que me parece existir uma moda da depressão. Ai, a minha vida está tão monótona. Vou é ficar com uma depressão. Estou farto de uma vida serena e sem grandes rombos. Vou é ficar deprimido.
E não pretendo, jamais, fazer juízos de valor sobre quem tem verdadeiras depressões. Até porque espero nunca vir a ter uma, que deve doer.
Mas será que em muitas situações não ajudaria, talvez, um pouco de desporto, ocupação de tempos livres e até, quem sabe, um pouquinho de positivismo?



'Cause you give me something...

sábado, 28 de abril de 2007

Constatações XXII

Há pessoas que, na noite, parecem faróis. O espaço à sua volta é minuciosamente perscrutado.

sexta-feira, 27 de abril de 2007

(Mini) conversa

(Entre a filha, que está incumbida de conduzir, e o pai, que a acompanha)

Pai: Então tu entras para a estrada sem olhares para trás, para ver se vem algum carro?
Filha: Ó paaiiii, já ouviste falar de espelhos retrovisores??!? Eles não servem só para as mulheres pintarem os lábios!!!


(Fim de conversa)

Moral:

Nunca deixem que os vossos pais vos acompanhem enquanto conduzem

(pelo menos se for como o meu).

Genialidade















GUSTAV KLIMT

(1862 - 1918)

Divagações

As horas caíam mortas no chão. As beatas mortas no cinzeiro. Tudo o que me rodeava parecia morto. Pelo silêncio, pela penumbra. O candeeiro, com a sua lâmpada quase apagada, parecia estar a morrer. O sofá, já jazia desde há muito tempo atrás. A televisão parecia ter ressuscitado. Mas não muito. A flor solitária no vaso, não sei se estaria a querer morrer se a nascer.
E depois chegaste, e trouxeste no bolso o sol e o aroma a maresia. O sofá saíu daquele estado de letargia. O candeeiro iluminou-se. A televisão apagou-se. A flor desabrochou, lenta mas teimosamente. Entregaram-se àquela doce orgia.

quarta-feira, 25 de abril de 2007

E porque hoje é 25 de Abril (2)

"Não ser e não ter dão uma imensurável

LIBERDADE".

Janwillemvan de Wetering

E porque hoje é 25 de Abril (1)


Perguntinha

Porque é que socialmente é mais aceitável falar-se sobre sexo do que sobre flatulência?

segunda-feira, 23 de abril de 2007

" A tua alegria é a tua tristeza

sem máscara

e o próprio poço de onde o teu riso emerge

esteve muitas vezes

cheio de lágrimas tuas."

Kahlil Gibran

23 de Abril



DIA MUNDIAL DO LIVRO

Para ti, M.

Batemos com a porta sem sequer nos despedirmos. Porque a raiva que sentíamos, naquele momento, não nos iria deixar dizer nada de bom. Afastamo-nos fisicamente. Afectivamente, acho que nunca o conseguimos fazer. Deixamos a vida continuar com o seu rumo. Incerto, porque sem ti, faltava-me algo. Ainda não to disse mas não é preciso. Tu sabe-lo, como eu sei que contigo também foi exactamente assim.
Abandonamo-nos ao decorrer do tempo, ao libertar de sentimentos incoerentes, negativos, de dúvida e opressão.
E um dia... um dia conseguimos, finalmente, conversar. Com a alma aberta. Timidamente, no início, como que a procurar se o outro continua lá. Rapidamente descobrimos que sim. Continuamos quem somos no vazio por nós deixado.
Não esquecemos o que aconteceu. Porque não é um bom princípio. Esquecer significaria fingir. E sempre fomos demasiado sinceros para isso.
Amanhã vamos estar juntos. Finalmente vamos estar juntos... Senti tanto a tua falta...
Quando chegares, vou simplesmente abraçar-te, forte, e nesse abraço vais sentir tudo o que te quero dizer.

domingo, 22 de abril de 2007

Diário de um Escândalo


Duas mulheres. A primeira comete o erro de se envolver com um aluno de 15 anos. A segunda, apaixonada pela primeira, utiliza este segredo para se aproximar. E manipular. E dar azo aos seus delírios.

Um drama fabuloso, cheio de nebulosidades, profundas e sarcásticas, com Judi Dench a dar uma grande lição na arte de bem representar.

Constatações XXI

As pessoas de que mais gosto são aquelas

que mantêm grande a criança que há em si.

sábado, 21 de abril de 2007

Hoje sinto-me assim...


Imbecilidades

Quem me conhece, ou me lê aqui no blog, sabe que não simpatizo com a nação americana, muito menos com o seu presidente. Quando achava que pior era impossível, ouço a notícia de que existe um "Fim de semana da metralhadora", acompanhada por umas sugestivas imagens, em que um pai dá indicações ao filho que tem ao colo (que não terá mais de 5 anos), de como bem disparar a dita. E ouço ainda um representante do movimento pró-armas a defender que, se os alunos e professores da faculdade onde ocorreu o massacre da semana passada andassem com armas, tal situação não teria ocorrido. Como é que não tínhamos ainda pensado nesta brilhante ideia? Já estou a imaginar: Não, não tenho moedinha para te dar. Então toma lá com um tiro! Não me deixas ultrapassar-te? Toma lá com um tiro!! Ia ser tão divertido...

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Tesourinho caseiro-deprimente

A minha net anda com ligeiros problemas. Enquanto espero que se abra a janela de um blog para que possa comentar, tenho tempo para ir beber água, à casa de banho fazer um xixi, fazer um zappingzinho pelos canais de televisão, fumar um cigarro e tomar um duche (demorado).

Passagens

"Porque será que estamos condenados a ser assim tão solitários? Qual a razão de tudo isto? Há tanta, tanta gente neste mundo, todos à espera de qualquer coisa uns dos outros e, contudo, todos irremediavelmente afastados. Porquê? Continuará a Terra a girar unicamente para alimentar a solidão dos homens?"

Haruki Murakami in "Sputnik, meu amor"

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Coisas de gajas

Há dias, enquanto folheava uma revista de cusquices com duas amigas, cheguei a algumas conclusões interessantes:

1. Todas nós observamos as "celebridades" ao pormenor. Não escapa nada.

2. O Simão Sabrosa é uma pessoa de que a maioria não gosta. Aquele ar de menino enjoado da mamã não agrada.

3. Simpatizamos com as mulheres lindas e maravilhosas, desde que tenham classe (do género, Nicole Kidman, Michelle Pfeiffer, Charlize Theron).

4. No entanto, desdenhamos as sem sal (de quem, talvez, Victoria Beckham seja a melhor representante).

5. Apetece-nos esmurrar as que são vulgares, sem ponta por onde se lhes pegue: Christina Aguilera, Beyoncé, Pamela Anderson... No fundo, acho que por acharmos que elas não têm nível para estarem onde estão. Nós faríamos muito melhor figura!

6. Detemo-nos muito mais com mulheres do que com homens (defeito de fabrico).

7. Simpatizamos com o príncipe Harry, porque sabemos qual a sensação de apanhar bebedeiras que envergonhariam Baco. Só temos a sorte de não sermos famosas, nem termos sido fotografadas nesses momentos.

Banda sonora para...


... quando preciso de muita energia...
José Cid afirmou, numa entrevista, que é contra
a homossexualidade assumida.
Eu, por outro lado, sou contra a parvoíce declarada.

quarta-feira, 18 de abril de 2007

Constatações XX

O dia da semana de que mais gosto é aquele
em que a empregada o passa na minha casa.

Empatia

de em + Gr. páthos, estado de alma


s. f.,
capacidade psicológica para se identificar com o eu de outro, conseguindo sentir o mesmo que este nas situações e circunstâncias por esse outro vivenciadas.

É, porventura, um dos conceitos mais interessantes, se a ele nos quisermos dedicar. Presumo que um psicólogo possa explicá-lo com mais facilidade do que os demais. Eu não. Não sei explicá-lo mas, raras vezes, vivencio-o. Refiro-me à empatia imediata: Conhecemos alguém e sentimos uma qualquer afinidade incompreendida com ela. Há um click, uma química natural que surge não sei porquê.

Há tempos conheci uma pessoa com a qual empatizei imediatamente. E foi recíproco. Porque é que entre duas pessoas, que nunca se viram, surge este sentimento de proximidade cerebral tão de repente? Como é que surge?

A sua beleza resida talvez neste mistério, nesta incompreensão, neste quase nunca... que às vezes se torna real.

domingo, 15 de abril de 2007

Amar-te é querer ir
dormir cedo

para que chegue
aquela paz

que só consigo sentir
no teu peito.

Apontamento(s) televisivos(s)

Fartei-me de rir com o "Diz que é uma espécie de magazine" de hoje. Os gatos demonstram ser corajosos, sem medo de represálias (ou a lutar contra elas, não sei muito bem). Ficou-me um especial carinho pelo Tesourinho Deprimente! Coisa mai linda!!

Passagens

"De uma maneira geral, devo confessar que tenho dificuldade em falar de mim mesmo. Passo a vida a tropeçar no eterno paradoxo do quem sou eu? Claro está que, no que toca a factos concretos, não há ninguém no mundo que saiba tanto sobre mim como eu. Contudo, quando falo a nível pessoal sobre todo o género de factores, desde valores a padrões, as minhas próprias limitações levam-me (...) a escolher e eliminar coisas a meu respeito. Angustia-me pensar que o retrato por mim aqui traçado possa não ser particularmente objectivo. Sempre me angustiou.
Não me parece que a maioria das pessoas partilhe deste tipo de angústias. As pessoas aproveitam todas as oportunidades para falarem de si mesmas com uma sinceridade espantosa. Dizem coisas do género: «Sou de tal maneira franco e honesto que até parece mal», ou então: «Sou demasiado vulnerável e tenho problemas no relacionamento com os outros», ou ainda: «Tenho muito jeito para compreender os sentimentos dos outros.» Contudo, houve muitas vezes em que vi pessoas que se diziam «vulneráveis» magoarem outras sem motivo aparente. Vi pessoas com um perfil «franco e honesto» usarem desculpas esfarrapadas para obterem o que desejavam a qualquer preço. Quanto àqueles que têm um jeito especial para compreender os verdadeiros sentimentos dos outros, vi-os deixarem-se enganar pela forma mais grosseira de lisonja. Tudo isto me leva a fazer a seguinte pergunta: que sabemos, na realidade, de nós mesmos?"


Haruki Murakami in "Sputnik, meu amor"

quarta-feira, 11 de abril de 2007

A vida corre-me ao ritmo de um relógio adiantado. Sem paz, sem sossego, sem tempo para pensar. Sinto-me turista em todo o lado sem ser de lado nenhum. Acordo numa cama. Adormeço noutra. Perco-me na pressa de passos apressados. Vejo vidas a passarem-me ao lado numa carruagem de metro. Melancólicas e desalinhadas no seu banco emprestado. Estou aqui e já não estou. Mas voltarei. À calma dos dias parados na sua quietude que me cansa. E que me faz voltar a partir, descobrir, não parar. Nunca parar.

segunda-feira, 9 de abril de 2007



Cheiro o espaço à nossa volta tentando assim guardar bem cá dentro o seu sabor. Sinto-o, despenteio-o, esgravato-o, tentando tatuá-lo nas minhas unhas, nas minhas mãos, cravá-lo na minha pele.

sábado, 31 de março de 2007

Diálogos (ou: Consequências de uma vida moderna)

Diz o M para o N: Este não é o E?
Responde o N: Sim. - e prepara-se para apresentar o E ao M - Este é o...
É interrompido pelo E: O M, certo?
O N, olhando para os dois: Mas como é que vocês se conhecem?
O M e o E: Adivinha!!
O N, depois de pensar um pouco: Nãããooo... Hi5???
O M e o E: Siiimmm...
O N: Aaaahhhh... Adoro o Hi5!

Sobre os Ornatos

Porque é que, por muita música que ouça, por muitas bandas que conheça, venho sempre parar cá? Porque, no fundo, penso todos nós gostamos de regressar a casa, à nossa casa.

Sexta-feira à noite. Vinte e duas horas e treze minutos. Estou em casa, sozinha, em frente ao computador, a trabalhar (se me dissessem, há algum tempo atrás, que um dia poderia ficar nesta noite, em casa, a fazê-lo, diria à pessoa que ela estaria maluca e, eventualmente, rir-me-ia da afirmação; mas às vezes tem mesmo de ser e, neste momento, faço-o com agrado – talvez consequência de gostar daquilo que faço; no fundo até me sabe bem, pelo facto de este trabalho só poder ser feito por mim: dá-me a sensação, falsa é certo, mas ainda assim agradável, de imprescindibilidade). As velas, acesas, romantizam a sala. Escolhi por companhia um copo de um bom tinto (*) e Wim Mertens. Parece que as palavras me saem ao ritmo das suas mãos no piano. Fortes na sua imensa serenidade. Poderosas. Belas… tão belas que por vezes parecem sobrenaturais. Tal como a sua linguagem inventada… Que me elevam, que me transcendem. Que, sobretudo, me dão muita paz. E nesta paz permaneço. E nesta paz procuro continuar.


* Tal como já o tinha afirmado, especialmente ao Funes :)

sexta-feira, 30 de março de 2007

Hoje é um óptimo dia para...

IR DE FÉRIAS

PUB

Tenho ouvido uma publicidade na rádio, da Netcabo, em que a Teresinha, jovem a sair da era do acne, enquanto tecla no Messenger, vai discorrendo sobre as várias identidades que assume. Às vezes é homem. Barrigudo, com ou sem bigode, atleta ou não. Outras vezes é médica, cabeleireira. Linda de morrer ou feia disfarçada. E a moça vai dizendo isto com uma alegria contagiante. Do género podes ser quem quiseres.
E eu pergunto-me se não deveria existir uma entidade qualquer, tipo Alta Autoridade para a Publicidade, que efectuasse um controlo prévio sobre estas questões. Como não é difícil de perceber, o público-alvo deste spot é a camada jovem. Jovens esses que passam a vida na net a privar, ora com amigos, ora com desconhecidos, que isto da ingenuidade da idade toca a todos. Portanto, a cereja em cima do bolo é termos uma publicidade que incita esses mesmos jovens a assumirem identidades que não a sua! E a estabelecerem contactos com desconhecidos porque só com esses é possível dar azo à imaginação!!
O que é que virá a seguir?

Perguntinha

Alguém me sabe informar de quem é e como se chama a música das publicidades da Optimus que têm passado na tv?
Adoro-a!!!

quinta-feira, 29 de março de 2007

Já agora*

(*Ou: O meu espaço anda muito mal frequentado)

Também colocava naquele saco de que falei há 3 posts os invejosos, os ignorantes mentais e aqueles que não respeitam ninguém (incluindo a si próprios).
Ela passava quase sempre pela mesma hora. E ele, escondido por detrás do portão, verde velho e enferrujado, observava-a deliciado... Naquele momento parava tudo. As brincadeiras solitárias, os berlindes, as correrias, os jogos enlameados de futebol. Ela passava com o seu caminhar apressado e seguro e olhar cabisbaixo. Morena, olhos negros profundos, assustados, altivos na sua solidão. Ele perguntava-se, dia após dia, porque é que ela tentava esconder tanta graciosidade. E sonhava... que um dia iria crescer e poderia falar-lhe timidamente. Talvez até tocar-lhe suavemente num braço, ou nos cabelos lisos e escorridos. E quem sabe, dar-lhe um beijo fugidio...
À noite, deitado na sua cama, branca velha e enferrujada, perdia-se nela. Quem seria. Porque passava sempre ali e não falava a ninguém. Porque tinha aquele olhar vazio e longínquo. E sonhava que um dia iria resgatá-la da sua tristeza.

(Ainda) sobre a relatividade


"A mente é um lugar muito próprio

e em si mesma pode fazer do inferno um paraíso,

e do paraíso um inferno."

John Milton

quarta-feira, 28 de março de 2007

Ainda assim há tempo...

... (porque tenho necessidade de exteriorizar sentimentos que me causam grande irritação, sob pena de começar a partir tudo à minha volta - exagero propositado), de me revoltar contra pessoas interesseiras.
Não será legítimo querer metê-las todas num saco e mandá-las para uma qualquer ilha paradisíaca, isolada e ainda por descobrir, via mar????

Este blog já esteve mais longe de...



MANDAR (OS KGS) DE TRABALHO

QUE TENHO PARA FAZER

ÀS URTIGAS!!!

segunda-feira, 26 de março de 2007

Eles eram tão VIP's, mas tão VIP's, que quando ela chegou começaram a olhá-la que nem porcos.

E um buraquinho para nos escondermos, não?

Eu já imaginava que era Salazar que ia ganhar o "Grandes Portugueses" (ah? como? expliquem-me bem que não entendo). Mas, até ao final, tive uma esperançazinha de que assim não fosse. Quando se confirmou, senti-me pequenina, carregando em mim a vergonha de um país inteiro. Concordo com as opiniões que dão esta vitória como um voto de protesto. Mas não compreendo como, por muito descontentes que estejam com o país de merda que temos, as pessoas possam ter votado neste anormal.

Post clubístico


sexta-feira, 23 de março de 2007

A voltar...

Um jantar com pessoas que nos querem bem ajuda a levantar a moral. Um jantar regado a recordações, a encontros e a intimidades. Um jantar em que viajei por tempos muito idos, entre Fernando Tordo, Carlos Paião, Amália, Manuela Bravo, Doce, Manuel Gedeão... A Pedra Filosofal é algo de muito especial... E, por fim, saindo do registo, Cássia Eller. Ah, mulher...
Acho que o vinho, branco, fresquinho, também ajudou um pouco a este subir de astral... E ajudou, também, a escrever este texto, rápido, corrido, saído ao sabor da vontade de o escrever... sem tempo nem desejos de pensar...

Hoje...

Só uma criança (como tu)

foi capaz de me colocar

um sorriso (sincero) na face.
Porque é que tudo o que me é vital está tão longe?

Porque é que me apetece fechar os olhos e deixar-me dormir?

Porque é que as tuas palavras não me confortam, apesar de gostar de ouvi-las?

Porque é que me sinto tão vazia?

Porque é, por vezes, a vida me parece tão simples,

e agora me é tão difícil compreendê-la?

Porque é que me sinto tão ?

Porque é que é tudo tão igual?

Porque é que as palavras não me saem?

Porque é que esta ansiedade me consome?

Porque é que a realidade não se altera

abruptamente como nos filmes?

Porque é que não consigo explicar

nem perceber os comportamentos humanos?

Porque é que me sinto tão diferente?

Porque é que sinto necessidade de chorar

mas as lágrimas não me caem?

Agenda


CRAZY HORSE


A partir de 3 de Abril no Auditório dos Oceanos

- Casino de Lisboa


quinta-feira, 22 de março de 2007

Pergunta do dia: Será o primeiro-ministro engenhéééiiro?

Sobre o assunto, veja-se este texto da autoria de Fernando Sobral, publicado no Jornal de Negócios de 7 de Março de 2006 (não, não me enganei na data!!):

"José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, primeiro-ministro desta República, tem um bacharelato em Engenharia Civil pelo ISEC (Instituto Superior de Engenharia de Coimbra), informação que não é contestada. Porém, na sua biografia oficial é dito que Sócrates Pinto de Sousa é “Licenciado em Engenharia Civil”. No perfil que foi publicado no Diário de Notícias, por Filipe Santos Costa, é dito que “…quando voltou à Covilhã, em 1981, Sócrates já tinha complementado o bacharelato com a licenciatura, em Lisboa”. Mas a licenciatura que existia em Lisboa nessa altura (1979-81) era no Instituto Superior Técnico, onde Sócrates não consta como aluno.Por isso, em 1981 Sócrates não estaria licenciado por Lisboa. Onde foi que se licenciou? Teria sido no ISEL (Instituto Superior de Engenharia de Lisboa) do Instituto Politécnico de Lisboa? É que aí a Licenciatura Bi-Etápica em Engenharia Civil só começou em 1998/99… No ISEC onde fez o bacharelato? Mas a licenciatura bietápica em Engenharia Civil no ISEC também só começou em 1998/99. Também não frequentou a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, nem o Instituto Superior Técnico, nem consta que tenha frequentado a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. Portanto, não seria licenciado em 1981. NaOrdem dos Engenheiros também não está inscrito. O bacharelato em Engenharia Civil do ISEC tinha quatro anos (8 semestres) - só passou a três anos na reestruturação de 1988 (Decreto-Lei nº389/88, de 25 de Outubro) empreendida por Roberto Carneiro. Onde fez Sócrates a dezena e meia de cadeiras (veja-se o plano do 5.º ano da licenciatura no ISEL) que precisava com o bacharelato do ISEC para obter a licenciatura? Os Cursos de Estudos Superiores Especializados (4 semestres) só começaram no ISEC em 1991 e no ISEL em 1988 (Direcção, Gestão e Execução de Obras - 4 semestres) e 1990 (Transportes e Vias de Comunicação – 4 semestres). Além disso, um CESE não é uma licenciatura. Por isso, esta hipótese não parece plausível. Não é.Não consta que Sócrates tenha frequentado a licenciatura bi-etápica do ISEL ou do ISEC. Mas Sócrates afirma ainda que “concluiu depois uma pós-graduação em Engenharia Sanitária pela Escola Nacional de Saúde Pública” (ENSP). Todavia, o curso de Engenharia Sanitária é leccionado desde 1975 na Universidade Nova de Lisboa, pertencendo, desde a criação das faculdades da Nova, à sua Faculdade de Ciências e Tecnologia, primeiro sob a forma de curso de especialização e a partir de 1983 como mestrado. Exige a licenciatura como condição de admissão. Nunca pertenceu à Escola Nacional de Saúde Pública (que em Abril de 1994 foi integrada na Universidade Nova de Lisboa). Mas Sócrates não foi aluno desse curso de Engenharia Sanitária daFaculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (que foi criado em 1975) - nem ele o diz, pois refere expressamente que a sua “pós-graduação” foi na ENSP. Então, que curso de Engenharia Sanitária fez? Chamar-se-ia mesmo “pós-graduação”? Ou seria um curso de curta duração na ENSP? E em que ano decorreu? Sócrates já seria licenciado quando frequentou essa “pós-graduação”? O que parece verdadeiro é que José Sócrates Pinto de Sousa terá obtido em 1996 uma licenciatura em Engenharia Civil pela Universidade Independente !!!!! Que equivalências lhe foram atribuídas e quantas cadeiras teve de frequentar e concluir ??? Se compararmos os planos dos dois cursos - o bacharelato do Politécnico de Coimbra e a licenciatura daUniversidade Independente -, e as respectivas disciplinas, chegamos à conclusão de que um candidato com o bacharelato do ISEC precisa de fazer 10 cadeiras (existem algumas disciplinas do curso na Universidade Independente que não têm correspondência no curso de Coimbra) e mais uma de Projecto para se licenciar naUniversidade Independente de Lisboa. Não deve ter sido fácil, tendo em conta que Sócrates teria concluído o bacharelato em 1979. A Licenciatura em Engenharia Civil na Universidade Independente foi criada pela Portaria n.º 496/95 de 24 de Maio de 1995, embora o diploma tenha, retroactivamente, autorizado o funcionamento do curso desde o ano lectivo de 1994/95. Ora, o primeiro governo de António Guterres (o 13.ºGoverno Constitucional) toma posse em 28 de Outubro de 1995 e José Sócrates é ministro-adjunto do primeiro-ministro. Nessa desgastante função, José Sócrates parece ter encontrado tempo e concentração, na mesma altura em que prepara e participa na campanha eleitoral durante o ano de 1995 e, já no Governo, adjuva o primeiro-ministro e coordena as secretarias de Estado da Comunicação Social, Desporto e Juventude, para, quinze anos depois do seu bacharelato, realizar as 11 cadeiras que, em princípio, teve de efectuar para obter o título de licenciado em Engenharia Civil em 1996. Deve ter sido muito difícil, um esforço quase sobre-humano.Não há motivo algum para que Sócrates tenha escondido do povo português a sua epopeia académica, a não ser por modéstia, o que, neste caso, não se justifica. É um motivo de grande orgulho próprio e um exemplo de sucesso para jovens e adultos. Enfim, não é de admirar a surpresa do engenheiro sanitário Pinto de Sousa perante a realidade técnica dos finlandeses.

Bonito, acrescento eu...

Constatações XIX

Sinto-me viver um constante dejá vu.

Delírios

Imaginas-te poeta.

Pessoa?

Não. Animal.
Ele: Vens?
Ela: Talvez...
Ele: Isso significa que?
Ela: O que quer significar.
Ele: Que é?
Ela: Não sei muito bem.

Concedo-te, então, o que resta de ti para descobrires.
Saíu. E não voltou.

Passagens

"Quando Jay chegou ao Spy já eram dez horas e a festa ia já avançada. Mais um dos lançamentos literários de Kerry, pensou arrependido. Jornalistas chatos e champanhe barato e coisinhas jovens e sôfregas saracoteando-se muito atenciosas para coisas mais velhas e blasé como ele próprio.
(...) O Spy era como muitos outros clubes de Londres. Os nomes mudam, a decoração muda, mas os lugares permanecem iguais: elegantes e ruidosos mas sem alma. Por volta da meia-noite a maioria dos candidatos já teria abandonado qualquer pretensão a intelectualismos, optando antes por se entregarem à tarefa bem mais séria de se embriagarem, de se seduzirem uns aos outros ou insultarem os seus rivais."

Joanne Harris in "Vinho Mágico"

quarta-feira, 21 de março de 2007

Hoje estou num daqueles dias em que...

... me apetece devorar...

Isto...



Isto...








E isto...

segunda-feira, 19 de março de 2007

Nulidades

Depois de quase ter destruído o meu blog na tentativa (frustradíssima) de alterar o template, sou obrigada a reconhecer que não percebo nada de informática. Assim, aceitam-se lições por correspondência... Pleaseeee...

Constatações XVIII

Se pudesse, matava uns quantos taxistas.

sábado, 17 de março de 2007

Voar...



Tens dúvidas no início. Medo até. Questionas-te ininterruptamente se conseguirás. És forte, certo. E corajosa e determinada e (virtude ou defeito?) independente. Muito independente. Talvez demasiado, não sei. Mas ainda assim te é difícil saber se conseguirás. É-te difícil dar o primeiro passo (e não é sempre o mais difícil?). É-te difícil sobretudo pelo medo da rejeição. A sua visão é assustadora e sabes que não vais conseguir lidar com ela, se te acontecer. Mas tens que correr o risco. Porque queres. E não foi sempre assim? Quando na tua cabeça te surge sempre a frase sofre por viver, nunca por não teres vivido...


Arriscas. Uma vez mais...


E uma vez mais compreendes que foi bom teres arriscado...


Começas a ganhar confiança e a noção de que podes começar a voar...


Só.





quinta-feira, 15 de março de 2007

Baahhh

De acordo com o Diário Digital de hoje, Tony Blair pediu, na quarta-feira passada, perdão pelo papel histórico que o Reino Unido teve no tráfico de escravos negros de África.
Não acho que Tony Blair deva pedir desculpas por um passado histórico que o mesmo não escolheu, nem provocou.
Devia, talvez, desculpar-se antes por algo mais concreto, mais actual. A invasão ao Iraque, por exemplo.

Constatações XVII

Vou-me apercebendo que tenho uma tendência natural para seguir os caminhos difíceis.
E vou constatando que esses são os mais deliciosos...
Estranho-te. Sem conseguir compreender. Será que a ficção em que vives constantemente te faz viver uma realidade que não é a tua? Ou será que eu é que desisti de fazer parte dessa ficção de que não gosto? Por ser mentirosa, ilusória, uma fingida escapatória...
Estranho-te. Será que as palavras te custam caro e preferes guardá-las para mais tarde? Talvez tarde demais? Ou serei eu que me cansei de proferi-las para o vazio?
Estranho-te. Estarás cansada de ti? Ou serei eu que me cansei? Das tuas dores que são exageradas, vazias, falsas na tua verdade?
Estranho-te. Na tua pressa de correr para não sei o quê. Eu chamar-lhe-ia fugir. Para ti talvez seja encontrar.
Estranho-te nas letras, por vezes aleatoriamente desconstruídas, nos sorrisos (vãos), nas cores do teu batom. No que escreves. Na tua solidão (incompreendida?), por ti criada, por ti mantida.
Estranho-te.