quarta-feira, 16 de maio de 2007

Delírios infantis

- Mas porque é que não trabalhas aqui, no sítio onde vives?
- Porque aqui não tenho trabalho... E eu preciso de trabalhar...
- Ai tens, tens!! Porque no outro dia a Srª. Isaura do café disse à minha mãe que precisava de uma empregada de balcão.

terça-feira, 15 de maio de 2007

O Estado das Coisas

"Estamos na fase de lançar todos os nomes que existem.
Desde que não sejam arguidos, qualquer um serve."

Manuela Ferreira Leite in Público

(sobre as eleições à Câmara de Lisboa)

(Des)confiança

Cada vez mais desconfio das pessoas muito dadas a determinada religião. Daquelas que a cada frase incluem um Ai Meu Deus ou Nossa Senhora, daquelas que vão à missa vezes sem fim, daquelas que dizem o Senhor está contigo, daquelas fazem jejum não sei quantas vezes por ano, daquelas que frequentam sessões, missões e outras comunhões. Cada vez mais desconfio de clérigos, freiras, papas e afilhados. Desconfio...
Há pessoas que têm preconceitos contra os pobres, os ricos, os pretos, os estrangeiros, os bonitos... eu tenho contra os religiosos, independentemente da religião. Porque me soam a falsidade. Que abomino desesperadamente.
Tenho tentado lutar contra este preconceito. Mesmo. Tenho tentado convencer-me a mim própria a manter o equilíbrio, que sempre defendo. Quando, em muitas outras situações, me dizem que determinada classe é assim ou assado, respondo sempre que alguns não podem comprometer o todo. Que não há regras sem excepções. Etc, etc., blablablá, blablablá...
E agora vejo-me a meter todos (ou a grande, grande maioria) no mesmo saco. Um saco sujo mas sempre perfumado de lavanda barata.
Ontem, este preconceito aumentou um bocadinho mais: tendo de apanhar um autocarro cuja fila era imensa, vejo um homem a, descaradamente, ultrapassar a pessoa que está atrás de mim, e depois a mim própria, colocando-se mesmo à minha frente como se não existisse mais ninguém. Quando o confrontei, pedindo-lhe educadamente para voltar ao seu sítio de origem, explicou-lhe que não me tinha visto. Ainda estive tentada a perguntar-lhe se sofria de alguma deformação visual, mas consegui combater a minha vontade de lhe partir a cara (eu sei que isto é conversa de gajo, mas é o que me apetecia fazer-lhe).
Mais tarde, já sentada no meu lugar, vejo o mesmo senhor, sentado à minha frente mas no banco oposto, a ler, inicialmente, a Bíblia e, logo depois, um livro sobre o Santo Agostinho. Deu-me um acesso de raiva tão grande... Coitadinho, tão religioso, tão bonzinho que ele é...
Como é possível não desconfiar?

Dúvida de fim-de-semana

Tomo um Guronsan

ou não tomo um Guronsan?

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Venus

Realização: Roger Michell


Intérpretes: Peter O`Toole, Jodie Whittaker,
Leslie Phillips, Richard Griffiths,
Vanessa Redgrave

Grã-Bretanha, 2006


A velhice vista de uma forma satírica, irónica, crua. Verdadeira.
A redescoberta do desejo.
O querer sexual e a impossibilidade de o concretizar.
Um quase regresso à infância.
Os devaneios de um velho.
Sábio e louco e delicioso...
Os arrufos. As mágoas.
O saber-se tão pouco depois de se ter vivido tanto.
As loucuras de quem já nada tem a provar.
A morte.




quinta-feira, 10 de maio de 2007

"E eu sinto que em meu gesto

existe o teu gesto

e em minha voz a tua voz. "

Fernando Pessoa

Constatações XXVI

Blogs que leio diariamente estão a fechar, um a um, dia após dia.
Começo a ficar deprimida...

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Hoje sinto-me assim...



Warning:

Manter a distância de segurança adequada

Passagens

"- Mas qual é a virtude de uma verdade impopular, de tornar as coisas difíceis? Quando deixei o meu paciente esta manhã, ele disse-me: «Ponho-me nas mãos de Deus.» Quem ousaria negar que isso não seja também uma forma de verdade?
- Quem? - Agora, Nietzsche também se levantara e caminhava dum lado da escrivaninha, enquanto Breuer caminhava pelo outro. - Quem ousa negá-lo? - Parou, apoiou-se no espaldar da cadeira e apontou para si próprio. - Eu ouso negá-lo!
«Ele poderia - pensou Breuer - estar a falar de um púlpito, a exortar uma congregação. É claro, o pai fora pastor.»
Atinge-se a verdade - continuou Nietzsche - através da descrença e do cepticismo e não do desejo infantil de que uma coisa aconteça de certa maneira! O desejo do seu paciente em estar nas mãos de Deus não é verdadeiro. É simplesmente um desejo infantil e nada mais! É um desejo de não morrer, o desejo do eterno mamilo intumescido que classificamos como «Deus». A teoria da evolução demonstra cientificamente a redundância de Deus, embora o próprio Darwin não tivesse a coragem de levar as evidências até à sua verdadeira conclusão. Certamente, o senhor tem de entender que nós criamos Deus e que todos nós, agora em conjunto, o matámos."

Irvin D. Yalom in "Quando Nietsche chorou"

terça-feira, 8 de maio de 2007

Realizador: Mennan Yapo


Linda (Sandra Bullock) recebe a notícia da morte do marido. Quando acorda, no dia seguinte, o marido está vivo. E ambas as situações vão-se alternando entre o adormecer e o acordar, não se conseguindo perceber, pelo menos inicialmente, se isto só acontece na sua cabeça, se é fruto de pesadelos, ou se estamos face a um qualquer tipo de intuição. O nome do filme levou-me a presumir, acertadamente, que se tratava de uma premonição.
Embora a fórmula não seja nova nem, tão pouco, inovadora, o filme resulta, a meu ver. Consegue manter o suspense pretendido e, não obstante não tenha um final feliz, transmite uma mensagem de esperança. Ou, no mínimo, de continuidade...

Genialidade
















Paula Rego

(1935 - ...)

Constatações XXV

Adoro aquelas pessoas que, em vez de dizerem "câmara", dizem "cambra".

Show(zinho)

Situações como o desaparecimento da pequena Madeleine, há já 5 dias, fazem as delícias da nossa comunicação social. Abertura de telejornais, desde o momento do sucedido, com tempo crescente de antena. Hoje contabilizei 22 minutos sobre quase nada. Entrevistas a turistas no Allgarve, maioritariamente ingleses, que confirmam que o local é um paraíso, não sabem como aconteceu. Reportagens sobre reportagens passadas, pasme-se, não só nas televisões inglesas, mas um pouco por toda a Europa, segundo informação dos jornalistas que fazem a cobertura do acontecimento!!! E dá-se aquele ênfase, do tipo Estão a falar de nós! Por toda a Europa!!
Triste...

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Constatações XXIV

Os "trintas" deram-me serenidade e segurança
em doses que jamais pensei vir a ter.

Tesouro(s) de Portugal


ÓBIDOS






sexta-feira, 4 de maio de 2007

Amanhã

Amanhã é dia de ti.
De acordarmos, enroscados, despenteados, felizes pelo dia fabuloso de sol com o qual vamos ser brindados.
Amanhã é dia de almoçarmos na varanda, caída sobre a rua, que espreita as vozes que passam. Amanhã é dia de te abraçar e de beijar sempre que me apetecer.
Amanhã é dia de passearmos, sem pressas, sem querer ir a lado algum.
Olharemos as pombas, esvoaçando, penicando as migalhas de pão.
Amanhã a música chegará aos nossos ouvidos como de um outro continente qualquer.
Amanhã viajaremos de comboio.
Gosto tanto do seu balancear...
Pouca terra, pouca terra, pouca terra...
Amanhã sorriremos.
Sorrisos cúmplices que, por vezes, substituem palavras reciprocamente entendidas.
Amanhã dir-te-ei que te amo.
Amar-te-ei amanhã.
Amanhã.

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Politiquices

Muito romântica a declaração de Carmona Rodrigues.
Quase quixotesca.

Um filme forte.

Mas que não me apaixonou.

quarta-feira, 2 de maio de 2007

"Eu celebro-me a mim mesmo,


eu canto-me a mim mesmo."


Walt Whitman

Constatações XXIII

Podem gozar-me à vontade, mas adoro a Grace Kelly do Mika.
Tem um cheirinho de Freddie Mercury.