quinta-feira, 10 de maio de 2007

"E eu sinto que em meu gesto

existe o teu gesto

e em minha voz a tua voz. "

Fernando Pessoa

Constatações XXVI

Blogs que leio diariamente estão a fechar, um a um, dia após dia.
Começo a ficar deprimida...

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Hoje sinto-me assim...



Warning:

Manter a distância de segurança adequada

Passagens

"- Mas qual é a virtude de uma verdade impopular, de tornar as coisas difíceis? Quando deixei o meu paciente esta manhã, ele disse-me: «Ponho-me nas mãos de Deus.» Quem ousaria negar que isso não seja também uma forma de verdade?
- Quem? - Agora, Nietzsche também se levantara e caminhava dum lado da escrivaninha, enquanto Breuer caminhava pelo outro. - Quem ousa negá-lo? - Parou, apoiou-se no espaldar da cadeira e apontou para si próprio. - Eu ouso negá-lo!
«Ele poderia - pensou Breuer - estar a falar de um púlpito, a exortar uma congregação. É claro, o pai fora pastor.»
Atinge-se a verdade - continuou Nietzsche - através da descrença e do cepticismo e não do desejo infantil de que uma coisa aconteça de certa maneira! O desejo do seu paciente em estar nas mãos de Deus não é verdadeiro. É simplesmente um desejo infantil e nada mais! É um desejo de não morrer, o desejo do eterno mamilo intumescido que classificamos como «Deus». A teoria da evolução demonstra cientificamente a redundância de Deus, embora o próprio Darwin não tivesse a coragem de levar as evidências até à sua verdadeira conclusão. Certamente, o senhor tem de entender que nós criamos Deus e que todos nós, agora em conjunto, o matámos."

Irvin D. Yalom in "Quando Nietsche chorou"

terça-feira, 8 de maio de 2007

Realizador: Mennan Yapo


Linda (Sandra Bullock) recebe a notícia da morte do marido. Quando acorda, no dia seguinte, o marido está vivo. E ambas as situações vão-se alternando entre o adormecer e o acordar, não se conseguindo perceber, pelo menos inicialmente, se isto só acontece na sua cabeça, se é fruto de pesadelos, ou se estamos face a um qualquer tipo de intuição. O nome do filme levou-me a presumir, acertadamente, que se tratava de uma premonição.
Embora a fórmula não seja nova nem, tão pouco, inovadora, o filme resulta, a meu ver. Consegue manter o suspense pretendido e, não obstante não tenha um final feliz, transmite uma mensagem de esperança. Ou, no mínimo, de continuidade...

Genialidade
















Paula Rego

(1935 - ...)

Constatações XXV

Adoro aquelas pessoas que, em vez de dizerem "câmara", dizem "cambra".

Show(zinho)

Situações como o desaparecimento da pequena Madeleine, há já 5 dias, fazem as delícias da nossa comunicação social. Abertura de telejornais, desde o momento do sucedido, com tempo crescente de antena. Hoje contabilizei 22 minutos sobre quase nada. Entrevistas a turistas no Allgarve, maioritariamente ingleses, que confirmam que o local é um paraíso, não sabem como aconteceu. Reportagens sobre reportagens passadas, pasme-se, não só nas televisões inglesas, mas um pouco por toda a Europa, segundo informação dos jornalistas que fazem a cobertura do acontecimento!!! E dá-se aquele ênfase, do tipo Estão a falar de nós! Por toda a Europa!!
Triste...

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Constatações XXIV

Os "trintas" deram-me serenidade e segurança
em doses que jamais pensei vir a ter.

Tesouro(s) de Portugal


ÓBIDOS






sexta-feira, 4 de maio de 2007

Amanhã

Amanhã é dia de ti.
De acordarmos, enroscados, despenteados, felizes pelo dia fabuloso de sol com o qual vamos ser brindados.
Amanhã é dia de almoçarmos na varanda, caída sobre a rua, que espreita as vozes que passam. Amanhã é dia de te abraçar e de beijar sempre que me apetecer.
Amanhã é dia de passearmos, sem pressas, sem querer ir a lado algum.
Olharemos as pombas, esvoaçando, penicando as migalhas de pão.
Amanhã a música chegará aos nossos ouvidos como de um outro continente qualquer.
Amanhã viajaremos de comboio.
Gosto tanto do seu balancear...
Pouca terra, pouca terra, pouca terra...
Amanhã sorriremos.
Sorrisos cúmplices que, por vezes, substituem palavras reciprocamente entendidas.
Amanhã dir-te-ei que te amo.
Amar-te-ei amanhã.
Amanhã.

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Politiquices

Muito romântica a declaração de Carmona Rodrigues.
Quase quixotesca.

Um filme forte.

Mas que não me apaixonou.

quarta-feira, 2 de maio de 2007

"Eu celebro-me a mim mesmo,


eu canto-me a mim mesmo."


Walt Whitman

Constatações XXIII

Podem gozar-me à vontade, mas adoro a Grace Kelly do Mika.
Tem um cheirinho de Freddie Mercury.
Há dias passei por um sítio onde, anos atrás, "habitei" durante muitas horas. Era uma tasquinha, bonita e acolhedora, onde nos juntávamos quando fazíamos gazeta às aulas: a jogar às cartas, aos dardos, a fazer desenhos nos cadernos, a fumar os primeiros cigarros, a conversar sobre tudo e nada com aquela força e certezas próprias da idade.
Os donos eram um casal alemão, simpático e acolhedor como a sua tasquinha. Tinham um São Bernardo lindo, pesado e calmeirão, cujo peso seria proporcional à sua necessidade de mimo.
Começamos a levar umas cassetes (sim, sou do tempo das cassetes) com música que os jovens ouviam na altura. Essencialmente rock. Num instante, a tasquinha ganhou fama e tornou-se num local de paragem obrigatória.
Com todo este sucesso o dono que, viemos a saber mais tarde, já tivera problemas de alcoolismo, voltou a beber. Muito. Meses depois a tasquinha fechou.
Há dias passei por lá. A tasquinha já não existe... E relembrei,com um aperto no coração, o quanto gostava daquele sítio e daquele amoroso casal alemão.
Espero que, onde quer que se encontrem, estejam bem...

+

E porque também se deve elogiar o que é bem feito, aplaudo o projecto levado a cabo pelo Ministério da Educação, conjuntamente com os Serviços Prisionais, que leva jovens a passarem um dia na prisão. Sem que tenham motivo para lá estar. Uma espécie de terapia preventiva, arriscaria dizer...

Estrela da Manhã

Numa qualquer manhã, um qualquer ser,
vindo de qualquer pai,
acorda e vai.
Vai.
Como se cumprisse um dever.

Nas incógnitas mãos transporta os nossos gestos;
nas inquietas pupilas fermenta o nosso olhar.
E em seu impessoal desejo latejam todos os restos
de quantos desejos ficaram antes por desejar.

Abre os olhos e vai.

Vai descobrir as velas dos moinhos
e as rodas que os eixos movem,
o tear que tece o linho,
a espuma roxa dos vinhos,
incêndio na face jovem.

Cego, vê, de olhos abertos.
Sozinho, a multidão vai com ele.
Bagas de instintos despertos
ressuma-lhe à flor da pele.

Vai, belo monstro.
Arranca
as florestas com os teus dentes.
Imprime na areia branca
teus voluntariosos pés incandescentes.

Vai

Segue o teu meridiano, esse,
o que divide ao meio teus hemisférios cerebrais;
o plano de barro que nunca endurece,
onde a memória da espécie
grava os sonos imortais.

Vai

Lábios húmidos do amor da manhã,
polpas de cereja.
Desdobra-te e beija
em ti mesmo a carne sã.

Vai

À tua cega passagem
a convulsão da folhagem
diz aos ecos
«tem que ser».

O mar que rola e se agita,
toda a música infinita,
tudo grita
«tem que ser».

Cerra os dentes, alma aflita.
Tudo grita
«Tem que ser».


António Gedeão

terça-feira, 1 de maio de 2007

É impressão minha ou anda tudo louco?

Bom dia!

Uma forma original de começar o dia (?) foi tomar o pequeno-almoço em casa, bem cedinho, com pessoas de quem gosto. Um lanche retemperador, após uma noite de conversas, dança, copos, risos e cigarros. Em que só se disseram baboseiras e em que nos rimos muito delas (ao final da noite - ou seria ao início do dia? - não se consegue melhor). E tive ainda que levar com a Rita, constantemente a queixar-se das minhas compotas light que, segundo ela, não sabem a nada. E depois... Huumm... e depois a minha deliciosa cama...