sexta-feira, 4 de maio de 2007

Amanhã

Amanhã é dia de ti.
De acordarmos, enroscados, despenteados, felizes pelo dia fabuloso de sol com o qual vamos ser brindados.
Amanhã é dia de almoçarmos na varanda, caída sobre a rua, que espreita as vozes que passam. Amanhã é dia de te abraçar e de beijar sempre que me apetecer.
Amanhã é dia de passearmos, sem pressas, sem querer ir a lado algum.
Olharemos as pombas, esvoaçando, penicando as migalhas de pão.
Amanhã a música chegará aos nossos ouvidos como de um outro continente qualquer.
Amanhã viajaremos de comboio.
Gosto tanto do seu balancear...
Pouca terra, pouca terra, pouca terra...
Amanhã sorriremos.
Sorrisos cúmplices que, por vezes, substituem palavras reciprocamente entendidas.
Amanhã dir-te-ei que te amo.
Amar-te-ei amanhã.
Amanhã.

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Politiquices

Muito romântica a declaração de Carmona Rodrigues.
Quase quixotesca.

Um filme forte.

Mas que não me apaixonou.

quarta-feira, 2 de maio de 2007

"Eu celebro-me a mim mesmo,


eu canto-me a mim mesmo."


Walt Whitman

Constatações XXIII

Podem gozar-me à vontade, mas adoro a Grace Kelly do Mika.
Tem um cheirinho de Freddie Mercury.
Há dias passei por um sítio onde, anos atrás, "habitei" durante muitas horas. Era uma tasquinha, bonita e acolhedora, onde nos juntávamos quando fazíamos gazeta às aulas: a jogar às cartas, aos dardos, a fazer desenhos nos cadernos, a fumar os primeiros cigarros, a conversar sobre tudo e nada com aquela força e certezas próprias da idade.
Os donos eram um casal alemão, simpático e acolhedor como a sua tasquinha. Tinham um São Bernardo lindo, pesado e calmeirão, cujo peso seria proporcional à sua necessidade de mimo.
Começamos a levar umas cassetes (sim, sou do tempo das cassetes) com música que os jovens ouviam na altura. Essencialmente rock. Num instante, a tasquinha ganhou fama e tornou-se num local de paragem obrigatória.
Com todo este sucesso o dono que, viemos a saber mais tarde, já tivera problemas de alcoolismo, voltou a beber. Muito. Meses depois a tasquinha fechou.
Há dias passei por lá. A tasquinha já não existe... E relembrei,com um aperto no coração, o quanto gostava daquele sítio e daquele amoroso casal alemão.
Espero que, onde quer que se encontrem, estejam bem...

+

E porque também se deve elogiar o que é bem feito, aplaudo o projecto levado a cabo pelo Ministério da Educação, conjuntamente com os Serviços Prisionais, que leva jovens a passarem um dia na prisão. Sem que tenham motivo para lá estar. Uma espécie de terapia preventiva, arriscaria dizer...

Estrela da Manhã

Numa qualquer manhã, um qualquer ser,
vindo de qualquer pai,
acorda e vai.
Vai.
Como se cumprisse um dever.

Nas incógnitas mãos transporta os nossos gestos;
nas inquietas pupilas fermenta o nosso olhar.
E em seu impessoal desejo latejam todos os restos
de quantos desejos ficaram antes por desejar.

Abre os olhos e vai.

Vai descobrir as velas dos moinhos
e as rodas que os eixos movem,
o tear que tece o linho,
a espuma roxa dos vinhos,
incêndio na face jovem.

Cego, vê, de olhos abertos.
Sozinho, a multidão vai com ele.
Bagas de instintos despertos
ressuma-lhe à flor da pele.

Vai, belo monstro.
Arranca
as florestas com os teus dentes.
Imprime na areia branca
teus voluntariosos pés incandescentes.

Vai

Segue o teu meridiano, esse,
o que divide ao meio teus hemisférios cerebrais;
o plano de barro que nunca endurece,
onde a memória da espécie
grava os sonos imortais.

Vai

Lábios húmidos do amor da manhã,
polpas de cereja.
Desdobra-te e beija
em ti mesmo a carne sã.

Vai

À tua cega passagem
a convulsão da folhagem
diz aos ecos
«tem que ser».

O mar que rola e se agita,
toda a música infinita,
tudo grita
«tem que ser».

Cerra os dentes, alma aflita.
Tudo grita
«Tem que ser».


António Gedeão

terça-feira, 1 de maio de 2007

É impressão minha ou anda tudo louco?

Bom dia!

Uma forma original de começar o dia (?) foi tomar o pequeno-almoço em casa, bem cedinho, com pessoas de quem gosto. Um lanche retemperador, após uma noite de conversas, dança, copos, risos e cigarros. Em que só se disseram baboseiras e em que nos rimos muito delas (ao final da noite - ou seria ao início do dia? - não se consegue melhor). E tive ainda que levar com a Rita, constantemente a queixar-se das minhas compotas light que, segundo ela, não sabem a nada. E depois... Huumm... e depois a minha deliciosa cama...

segunda-feira, 30 de abril de 2007

Hoje sinto-me assim...*


* Sub-título:

O feriado de amanhã vai

saber-me tão bem...

Perguntinha

Já tentei aceder a mais do que um blog quando, de repente, sou impedida pela seguinte mensagem: "This blog is open to invited readers only." Pergunto-me porque é que alguém cria um blog ao qual só um grupo restrito pode aceder. Será para criar uma espécie de Maçonaria Bloguística?

Modas?

Não sei que era é esta em que vivemos. Não sei se vivemos num tempo em que os raios ultra-violeta andam a provocar efeitos muito nefastos à generalidade das pessoas. O que sei é que anda meio mundo deprimido. Ouço relatos de pessoas que têm alguém da família ou determinado amigo que esteve, está ou está prestes a ter uma depressão. E esse meio mundo move-se a anti-depressivos e afins que os mantêm numa suave ignorância relativamente a si mesmos. Não consigo compreender... Não sou diferente da generalidade das pessoas mas, que me lembre, não tive nenhuma depressão. E enfrento os mesmos problemas, as mesmas rotinas, as mesmas quezílias do dia a dia. Porque todos nós, de uma forma ou de outra, passamos por situações menos boas. E já compreendo perfeitamente as pessoas que têm depressões justificadas, porque somos humanos e há coisas muito fortes que o nosso corpo e mente não estão preparados para suportar.
Mas, o que pretendo com isto dizer, é que me parece existir uma moda da depressão. Ai, a minha vida está tão monótona. Vou é ficar com uma depressão. Estou farto de uma vida serena e sem grandes rombos. Vou é ficar deprimido.
E não pretendo, jamais, fazer juízos de valor sobre quem tem verdadeiras depressões. Até porque espero nunca vir a ter uma, que deve doer.
Mas será que em muitas situações não ajudaria, talvez, um pouco de desporto, ocupação de tempos livres e até, quem sabe, um pouquinho de positivismo?



'Cause you give me something...

sábado, 28 de abril de 2007

Constatações XXII

Há pessoas que, na noite, parecem faróis. O espaço à sua volta é minuciosamente perscrutado.

sexta-feira, 27 de abril de 2007

(Mini) conversa

(Entre a filha, que está incumbida de conduzir, e o pai, que a acompanha)

Pai: Então tu entras para a estrada sem olhares para trás, para ver se vem algum carro?
Filha: Ó paaiiii, já ouviste falar de espelhos retrovisores??!? Eles não servem só para as mulheres pintarem os lábios!!!


(Fim de conversa)

Moral:

Nunca deixem que os vossos pais vos acompanhem enquanto conduzem

(pelo menos se for como o meu).

Genialidade















GUSTAV KLIMT

(1862 - 1918)

Divagações

As horas caíam mortas no chão. As beatas mortas no cinzeiro. Tudo o que me rodeava parecia morto. Pelo silêncio, pela penumbra. O candeeiro, com a sua lâmpada quase apagada, parecia estar a morrer. O sofá, já jazia desde há muito tempo atrás. A televisão parecia ter ressuscitado. Mas não muito. A flor solitária no vaso, não sei se estaria a querer morrer se a nascer.
E depois chegaste, e trouxeste no bolso o sol e o aroma a maresia. O sofá saíu daquele estado de letargia. O candeeiro iluminou-se. A televisão apagou-se. A flor desabrochou, lenta mas teimosamente. Entregaram-se àquela doce orgia.

quarta-feira, 25 de abril de 2007

E porque hoje é 25 de Abril (2)

"Não ser e não ter dão uma imensurável

LIBERDADE".

Janwillemvan de Wetering

E porque hoje é 25 de Abril (1)