quinta-feira, 19 de abril de 2007

Coisas de gajas

Há dias, enquanto folheava uma revista de cusquices com duas amigas, cheguei a algumas conclusões interessantes:

1. Todas nós observamos as "celebridades" ao pormenor. Não escapa nada.

2. O Simão Sabrosa é uma pessoa de que a maioria não gosta. Aquele ar de menino enjoado da mamã não agrada.

3. Simpatizamos com as mulheres lindas e maravilhosas, desde que tenham classe (do género, Nicole Kidman, Michelle Pfeiffer, Charlize Theron).

4. No entanto, desdenhamos as sem sal (de quem, talvez, Victoria Beckham seja a melhor representante).

5. Apetece-nos esmurrar as que são vulgares, sem ponta por onde se lhes pegue: Christina Aguilera, Beyoncé, Pamela Anderson... No fundo, acho que por acharmos que elas não têm nível para estarem onde estão. Nós faríamos muito melhor figura!

6. Detemo-nos muito mais com mulheres do que com homens (defeito de fabrico).

7. Simpatizamos com o príncipe Harry, porque sabemos qual a sensação de apanhar bebedeiras que envergonhariam Baco. Só temos a sorte de não sermos famosas, nem termos sido fotografadas nesses momentos.

Banda sonora para...


... quando preciso de muita energia...
José Cid afirmou, numa entrevista, que é contra
a homossexualidade assumida.
Eu, por outro lado, sou contra a parvoíce declarada.

quarta-feira, 18 de abril de 2007

Constatações XX

O dia da semana de que mais gosto é aquele
em que a empregada o passa na minha casa.

Empatia

de em + Gr. páthos, estado de alma


s. f.,
capacidade psicológica para se identificar com o eu de outro, conseguindo sentir o mesmo que este nas situações e circunstâncias por esse outro vivenciadas.

É, porventura, um dos conceitos mais interessantes, se a ele nos quisermos dedicar. Presumo que um psicólogo possa explicá-lo com mais facilidade do que os demais. Eu não. Não sei explicá-lo mas, raras vezes, vivencio-o. Refiro-me à empatia imediata: Conhecemos alguém e sentimos uma qualquer afinidade incompreendida com ela. Há um click, uma química natural que surge não sei porquê.

Há tempos conheci uma pessoa com a qual empatizei imediatamente. E foi recíproco. Porque é que entre duas pessoas, que nunca se viram, surge este sentimento de proximidade cerebral tão de repente? Como é que surge?

A sua beleza resida talvez neste mistério, nesta incompreensão, neste quase nunca... que às vezes se torna real.

domingo, 15 de abril de 2007

Amar-te é querer ir
dormir cedo

para que chegue
aquela paz

que só consigo sentir
no teu peito.

Apontamento(s) televisivos(s)

Fartei-me de rir com o "Diz que é uma espécie de magazine" de hoje. Os gatos demonstram ser corajosos, sem medo de represálias (ou a lutar contra elas, não sei muito bem). Ficou-me um especial carinho pelo Tesourinho Deprimente! Coisa mai linda!!

Passagens

"De uma maneira geral, devo confessar que tenho dificuldade em falar de mim mesmo. Passo a vida a tropeçar no eterno paradoxo do quem sou eu? Claro está que, no que toca a factos concretos, não há ninguém no mundo que saiba tanto sobre mim como eu. Contudo, quando falo a nível pessoal sobre todo o género de factores, desde valores a padrões, as minhas próprias limitações levam-me (...) a escolher e eliminar coisas a meu respeito. Angustia-me pensar que o retrato por mim aqui traçado possa não ser particularmente objectivo. Sempre me angustiou.
Não me parece que a maioria das pessoas partilhe deste tipo de angústias. As pessoas aproveitam todas as oportunidades para falarem de si mesmas com uma sinceridade espantosa. Dizem coisas do género: «Sou de tal maneira franco e honesto que até parece mal», ou então: «Sou demasiado vulnerável e tenho problemas no relacionamento com os outros», ou ainda: «Tenho muito jeito para compreender os sentimentos dos outros.» Contudo, houve muitas vezes em que vi pessoas que se diziam «vulneráveis» magoarem outras sem motivo aparente. Vi pessoas com um perfil «franco e honesto» usarem desculpas esfarrapadas para obterem o que desejavam a qualquer preço. Quanto àqueles que têm um jeito especial para compreender os verdadeiros sentimentos dos outros, vi-os deixarem-se enganar pela forma mais grosseira de lisonja. Tudo isto me leva a fazer a seguinte pergunta: que sabemos, na realidade, de nós mesmos?"


Haruki Murakami in "Sputnik, meu amor"

quarta-feira, 11 de abril de 2007

A vida corre-me ao ritmo de um relógio adiantado. Sem paz, sem sossego, sem tempo para pensar. Sinto-me turista em todo o lado sem ser de lado nenhum. Acordo numa cama. Adormeço noutra. Perco-me na pressa de passos apressados. Vejo vidas a passarem-me ao lado numa carruagem de metro. Melancólicas e desalinhadas no seu banco emprestado. Estou aqui e já não estou. Mas voltarei. À calma dos dias parados na sua quietude que me cansa. E que me faz voltar a partir, descobrir, não parar. Nunca parar.

segunda-feira, 9 de abril de 2007



Cheiro o espaço à nossa volta tentando assim guardar bem cá dentro o seu sabor. Sinto-o, despenteio-o, esgravato-o, tentando tatuá-lo nas minhas unhas, nas minhas mãos, cravá-lo na minha pele.

sábado, 31 de março de 2007

Diálogos (ou: Consequências de uma vida moderna)

Diz o M para o N: Este não é o E?
Responde o N: Sim. - e prepara-se para apresentar o E ao M - Este é o...
É interrompido pelo E: O M, certo?
O N, olhando para os dois: Mas como é que vocês se conhecem?
O M e o E: Adivinha!!
O N, depois de pensar um pouco: Nãããooo... Hi5???
O M e o E: Siiimmm...
O N: Aaaahhhh... Adoro o Hi5!

Sobre os Ornatos

Porque é que, por muita música que ouça, por muitas bandas que conheça, venho sempre parar cá? Porque, no fundo, penso todos nós gostamos de regressar a casa, à nossa casa.

Sexta-feira à noite. Vinte e duas horas e treze minutos. Estou em casa, sozinha, em frente ao computador, a trabalhar (se me dissessem, há algum tempo atrás, que um dia poderia ficar nesta noite, em casa, a fazê-lo, diria à pessoa que ela estaria maluca e, eventualmente, rir-me-ia da afirmação; mas às vezes tem mesmo de ser e, neste momento, faço-o com agrado – talvez consequência de gostar daquilo que faço; no fundo até me sabe bem, pelo facto de este trabalho só poder ser feito por mim: dá-me a sensação, falsa é certo, mas ainda assim agradável, de imprescindibilidade). As velas, acesas, romantizam a sala. Escolhi por companhia um copo de um bom tinto (*) e Wim Mertens. Parece que as palavras me saem ao ritmo das suas mãos no piano. Fortes na sua imensa serenidade. Poderosas. Belas… tão belas que por vezes parecem sobrenaturais. Tal como a sua linguagem inventada… Que me elevam, que me transcendem. Que, sobretudo, me dão muita paz. E nesta paz permaneço. E nesta paz procuro continuar.


* Tal como já o tinha afirmado, especialmente ao Funes :)

sexta-feira, 30 de março de 2007

Hoje é um óptimo dia para...

IR DE FÉRIAS

PUB

Tenho ouvido uma publicidade na rádio, da Netcabo, em que a Teresinha, jovem a sair da era do acne, enquanto tecla no Messenger, vai discorrendo sobre as várias identidades que assume. Às vezes é homem. Barrigudo, com ou sem bigode, atleta ou não. Outras vezes é médica, cabeleireira. Linda de morrer ou feia disfarçada. E a moça vai dizendo isto com uma alegria contagiante. Do género podes ser quem quiseres.
E eu pergunto-me se não deveria existir uma entidade qualquer, tipo Alta Autoridade para a Publicidade, que efectuasse um controlo prévio sobre estas questões. Como não é difícil de perceber, o público-alvo deste spot é a camada jovem. Jovens esses que passam a vida na net a privar, ora com amigos, ora com desconhecidos, que isto da ingenuidade da idade toca a todos. Portanto, a cereja em cima do bolo é termos uma publicidade que incita esses mesmos jovens a assumirem identidades que não a sua! E a estabelecerem contactos com desconhecidos porque só com esses é possível dar azo à imaginação!!
O que é que virá a seguir?

Perguntinha

Alguém me sabe informar de quem é e como se chama a música das publicidades da Optimus que têm passado na tv?
Adoro-a!!!

quinta-feira, 29 de março de 2007

Já agora*

(*Ou: O meu espaço anda muito mal frequentado)

Também colocava naquele saco de que falei há 3 posts os invejosos, os ignorantes mentais e aqueles que não respeitam ninguém (incluindo a si próprios).
Ela passava quase sempre pela mesma hora. E ele, escondido por detrás do portão, verde velho e enferrujado, observava-a deliciado... Naquele momento parava tudo. As brincadeiras solitárias, os berlindes, as correrias, os jogos enlameados de futebol. Ela passava com o seu caminhar apressado e seguro e olhar cabisbaixo. Morena, olhos negros profundos, assustados, altivos na sua solidão. Ele perguntava-se, dia após dia, porque é que ela tentava esconder tanta graciosidade. E sonhava... que um dia iria crescer e poderia falar-lhe timidamente. Talvez até tocar-lhe suavemente num braço, ou nos cabelos lisos e escorridos. E quem sabe, dar-lhe um beijo fugidio...
À noite, deitado na sua cama, branca velha e enferrujada, perdia-se nela. Quem seria. Porque passava sempre ali e não falava a ninguém. Porque tinha aquele olhar vazio e longínquo. E sonhava que um dia iria resgatá-la da sua tristeza.

(Ainda) sobre a relatividade


"A mente é um lugar muito próprio

e em si mesma pode fazer do inferno um paraíso,

e do paraíso um inferno."

John Milton

quarta-feira, 28 de março de 2007

Ainda assim há tempo...

... (porque tenho necessidade de exteriorizar sentimentos que me causam grande irritação, sob pena de começar a partir tudo à minha volta - exagero propositado), de me revoltar contra pessoas interesseiras.
Não será legítimo querer metê-las todas num saco e mandá-las para uma qualquer ilha paradisíaca, isolada e ainda por descobrir, via mar????

Este blog já esteve mais longe de...



MANDAR (OS KGS) DE TRABALHO

QUE TENHO PARA FAZER

ÀS URTIGAS!!!

segunda-feira, 26 de março de 2007

Eles eram tão VIP's, mas tão VIP's, que quando ela chegou começaram a olhá-la que nem porcos.

E um buraquinho para nos escondermos, não?

Eu já imaginava que era Salazar que ia ganhar o "Grandes Portugueses" (ah? como? expliquem-me bem que não entendo). Mas, até ao final, tive uma esperançazinha de que assim não fosse. Quando se confirmou, senti-me pequenina, carregando em mim a vergonha de um país inteiro. Concordo com as opiniões que dão esta vitória como um voto de protesto. Mas não compreendo como, por muito descontentes que estejam com o país de merda que temos, as pessoas possam ter votado neste anormal.

Post clubístico


sexta-feira, 23 de março de 2007

A voltar...

Um jantar com pessoas que nos querem bem ajuda a levantar a moral. Um jantar regado a recordações, a encontros e a intimidades. Um jantar em que viajei por tempos muito idos, entre Fernando Tordo, Carlos Paião, Amália, Manuela Bravo, Doce, Manuel Gedeão... A Pedra Filosofal é algo de muito especial... E, por fim, saindo do registo, Cássia Eller. Ah, mulher...
Acho que o vinho, branco, fresquinho, também ajudou um pouco a este subir de astral... E ajudou, também, a escrever este texto, rápido, corrido, saído ao sabor da vontade de o escrever... sem tempo nem desejos de pensar...

Hoje...

Só uma criança (como tu)

foi capaz de me colocar

um sorriso (sincero) na face.
Porque é que tudo o que me é vital está tão longe?

Porque é que me apetece fechar os olhos e deixar-me dormir?

Porque é que as tuas palavras não me confortam, apesar de gostar de ouvi-las?

Porque é que me sinto tão vazia?

Porque é, por vezes, a vida me parece tão simples,

e agora me é tão difícil compreendê-la?

Porque é que me sinto tão ?

Porque é que é tudo tão igual?

Porque é que as palavras não me saem?

Porque é que esta ansiedade me consome?

Porque é que a realidade não se altera

abruptamente como nos filmes?

Porque é que não consigo explicar

nem perceber os comportamentos humanos?

Porque é que me sinto tão diferente?

Porque é que sinto necessidade de chorar

mas as lágrimas não me caem?

Agenda


CRAZY HORSE


A partir de 3 de Abril no Auditório dos Oceanos

- Casino de Lisboa


quinta-feira, 22 de março de 2007

Pergunta do dia: Será o primeiro-ministro engenhéééiiro?

Sobre o assunto, veja-se este texto da autoria de Fernando Sobral, publicado no Jornal de Negócios de 7 de Março de 2006 (não, não me enganei na data!!):

"José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, primeiro-ministro desta República, tem um bacharelato em Engenharia Civil pelo ISEC (Instituto Superior de Engenharia de Coimbra), informação que não é contestada. Porém, na sua biografia oficial é dito que Sócrates Pinto de Sousa é “Licenciado em Engenharia Civil”. No perfil que foi publicado no Diário de Notícias, por Filipe Santos Costa, é dito que “…quando voltou à Covilhã, em 1981, Sócrates já tinha complementado o bacharelato com a licenciatura, em Lisboa”. Mas a licenciatura que existia em Lisboa nessa altura (1979-81) era no Instituto Superior Técnico, onde Sócrates não consta como aluno.Por isso, em 1981 Sócrates não estaria licenciado por Lisboa. Onde foi que se licenciou? Teria sido no ISEL (Instituto Superior de Engenharia de Lisboa) do Instituto Politécnico de Lisboa? É que aí a Licenciatura Bi-Etápica em Engenharia Civil só começou em 1998/99… No ISEC onde fez o bacharelato? Mas a licenciatura bietápica em Engenharia Civil no ISEC também só começou em 1998/99. Também não frequentou a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, nem o Instituto Superior Técnico, nem consta que tenha frequentado a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. Portanto, não seria licenciado em 1981. NaOrdem dos Engenheiros também não está inscrito. O bacharelato em Engenharia Civil do ISEC tinha quatro anos (8 semestres) - só passou a três anos na reestruturação de 1988 (Decreto-Lei nº389/88, de 25 de Outubro) empreendida por Roberto Carneiro. Onde fez Sócrates a dezena e meia de cadeiras (veja-se o plano do 5.º ano da licenciatura no ISEL) que precisava com o bacharelato do ISEC para obter a licenciatura? Os Cursos de Estudos Superiores Especializados (4 semestres) só começaram no ISEC em 1991 e no ISEL em 1988 (Direcção, Gestão e Execução de Obras - 4 semestres) e 1990 (Transportes e Vias de Comunicação – 4 semestres). Além disso, um CESE não é uma licenciatura. Por isso, esta hipótese não parece plausível. Não é.Não consta que Sócrates tenha frequentado a licenciatura bi-etápica do ISEL ou do ISEC. Mas Sócrates afirma ainda que “concluiu depois uma pós-graduação em Engenharia Sanitária pela Escola Nacional de Saúde Pública” (ENSP). Todavia, o curso de Engenharia Sanitária é leccionado desde 1975 na Universidade Nova de Lisboa, pertencendo, desde a criação das faculdades da Nova, à sua Faculdade de Ciências e Tecnologia, primeiro sob a forma de curso de especialização e a partir de 1983 como mestrado. Exige a licenciatura como condição de admissão. Nunca pertenceu à Escola Nacional de Saúde Pública (que em Abril de 1994 foi integrada na Universidade Nova de Lisboa). Mas Sócrates não foi aluno desse curso de Engenharia Sanitária daFaculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (que foi criado em 1975) - nem ele o diz, pois refere expressamente que a sua “pós-graduação” foi na ENSP. Então, que curso de Engenharia Sanitária fez? Chamar-se-ia mesmo “pós-graduação”? Ou seria um curso de curta duração na ENSP? E em que ano decorreu? Sócrates já seria licenciado quando frequentou essa “pós-graduação”? O que parece verdadeiro é que José Sócrates Pinto de Sousa terá obtido em 1996 uma licenciatura em Engenharia Civil pela Universidade Independente !!!!! Que equivalências lhe foram atribuídas e quantas cadeiras teve de frequentar e concluir ??? Se compararmos os planos dos dois cursos - o bacharelato do Politécnico de Coimbra e a licenciatura daUniversidade Independente -, e as respectivas disciplinas, chegamos à conclusão de que um candidato com o bacharelato do ISEC precisa de fazer 10 cadeiras (existem algumas disciplinas do curso na Universidade Independente que não têm correspondência no curso de Coimbra) e mais uma de Projecto para se licenciar naUniversidade Independente de Lisboa. Não deve ter sido fácil, tendo em conta que Sócrates teria concluído o bacharelato em 1979. A Licenciatura em Engenharia Civil na Universidade Independente foi criada pela Portaria n.º 496/95 de 24 de Maio de 1995, embora o diploma tenha, retroactivamente, autorizado o funcionamento do curso desde o ano lectivo de 1994/95. Ora, o primeiro governo de António Guterres (o 13.ºGoverno Constitucional) toma posse em 28 de Outubro de 1995 e José Sócrates é ministro-adjunto do primeiro-ministro. Nessa desgastante função, José Sócrates parece ter encontrado tempo e concentração, na mesma altura em que prepara e participa na campanha eleitoral durante o ano de 1995 e, já no Governo, adjuva o primeiro-ministro e coordena as secretarias de Estado da Comunicação Social, Desporto e Juventude, para, quinze anos depois do seu bacharelato, realizar as 11 cadeiras que, em princípio, teve de efectuar para obter o título de licenciado em Engenharia Civil em 1996. Deve ter sido muito difícil, um esforço quase sobre-humano.Não há motivo algum para que Sócrates tenha escondido do povo português a sua epopeia académica, a não ser por modéstia, o que, neste caso, não se justifica. É um motivo de grande orgulho próprio e um exemplo de sucesso para jovens e adultos. Enfim, não é de admirar a surpresa do engenheiro sanitário Pinto de Sousa perante a realidade técnica dos finlandeses.

Bonito, acrescento eu...

Constatações XIX

Sinto-me viver um constante dejá vu.

Delírios

Imaginas-te poeta.

Pessoa?

Não. Animal.
Ele: Vens?
Ela: Talvez...
Ele: Isso significa que?
Ela: O que quer significar.
Ele: Que é?
Ela: Não sei muito bem.

Concedo-te, então, o que resta de ti para descobrires.
Saíu. E não voltou.

Passagens

"Quando Jay chegou ao Spy já eram dez horas e a festa ia já avançada. Mais um dos lançamentos literários de Kerry, pensou arrependido. Jornalistas chatos e champanhe barato e coisinhas jovens e sôfregas saracoteando-se muito atenciosas para coisas mais velhas e blasé como ele próprio.
(...) O Spy era como muitos outros clubes de Londres. Os nomes mudam, a decoração muda, mas os lugares permanecem iguais: elegantes e ruidosos mas sem alma. Por volta da meia-noite a maioria dos candidatos já teria abandonado qualquer pretensão a intelectualismos, optando antes por se entregarem à tarefa bem mais séria de se embriagarem, de se seduzirem uns aos outros ou insultarem os seus rivais."

Joanne Harris in "Vinho Mágico"

quarta-feira, 21 de março de 2007

Hoje estou num daqueles dias em que...

... me apetece devorar...

Isto...



Isto...








E isto...

segunda-feira, 19 de março de 2007

Nulidades

Depois de quase ter destruído o meu blog na tentativa (frustradíssima) de alterar o template, sou obrigada a reconhecer que não percebo nada de informática. Assim, aceitam-se lições por correspondência... Pleaseeee...

Constatações XVIII

Se pudesse, matava uns quantos taxistas.

sábado, 17 de março de 2007

Voar...



Tens dúvidas no início. Medo até. Questionas-te ininterruptamente se conseguirás. És forte, certo. E corajosa e determinada e (virtude ou defeito?) independente. Muito independente. Talvez demasiado, não sei. Mas ainda assim te é difícil saber se conseguirás. É-te difícil dar o primeiro passo (e não é sempre o mais difícil?). É-te difícil sobretudo pelo medo da rejeição. A sua visão é assustadora e sabes que não vais conseguir lidar com ela, se te acontecer. Mas tens que correr o risco. Porque queres. E não foi sempre assim? Quando na tua cabeça te surge sempre a frase sofre por viver, nunca por não teres vivido...


Arriscas. Uma vez mais...


E uma vez mais compreendes que foi bom teres arriscado...


Começas a ganhar confiança e a noção de que podes começar a voar...


Só.





quinta-feira, 15 de março de 2007

Baahhh

De acordo com o Diário Digital de hoje, Tony Blair pediu, na quarta-feira passada, perdão pelo papel histórico que o Reino Unido teve no tráfico de escravos negros de África.
Não acho que Tony Blair deva pedir desculpas por um passado histórico que o mesmo não escolheu, nem provocou.
Devia, talvez, desculpar-se antes por algo mais concreto, mais actual. A invasão ao Iraque, por exemplo.

Constatações XVII

Vou-me apercebendo que tenho uma tendência natural para seguir os caminhos difíceis.
E vou constatando que esses são os mais deliciosos...
Estranho-te. Sem conseguir compreender. Será que a ficção em que vives constantemente te faz viver uma realidade que não é a tua? Ou será que eu é que desisti de fazer parte dessa ficção de que não gosto? Por ser mentirosa, ilusória, uma fingida escapatória...
Estranho-te. Será que as palavras te custam caro e preferes guardá-las para mais tarde? Talvez tarde demais? Ou serei eu que me cansei de proferi-las para o vazio?
Estranho-te. Estarás cansada de ti? Ou serei eu que me cansei? Das tuas dores que são exageradas, vazias, falsas na tua verdade?
Estranho-te. Na tua pressa de correr para não sei o quê. Eu chamar-lhe-ia fugir. Para ti talvez seja encontrar.
Estranho-te nas letras, por vezes aleatoriamente desconstruídas, nos sorrisos (vãos), nas cores do teu batom. No que escreves. Na tua solidão (incompreendida?), por ti criada, por ti mantida.
Estranho-te.

Hoje este blog movimenta-se ao som de...


JAMES

segunda-feira, 12 de março de 2007

A 1ª vez - Trinta e nove testemunhos

Magda Bandera
Notícias Editorial

"De Lucía e dessas emoções únicas ficou-me muito. Agora, que já estou bem, dou conta de que vivo como ela gostava de viver. Tento desfrutar todas as coisas não como num torvelinho de medo de que se acabe o tempo, mas de maneira consciente. Tento fixar-me em tudo, como se fosse um turista, e vou olhando os edifícios, as pessoas, os pormenores. Quero ficar com as coisas em mim, quero vivê-las todas."

Comprei este livro por duas razões: por um lado, o seu preço de saldo; por outro, o seu tema - trinta e nove homens e mulheres descrevem como foi a sua primeira vez; no fundo, comprei-o para satisfazer o lado voyeur que acredito existir em cada um de nós.

Embora o tenha lido até ao fim, até porque é de leitura muito fácil e rápida, não o aconselho a ninguém. O livro é mau, muito mau. Incoerente na sucessão de ideias, não sei se porque a autora pretendeu manter o discurso tal como lhe foi transmitido, ou porque não foi capaz de mais, a uma única ideia corrente ao longo do livro é que a primeira vez não é boa para ninguém. Muito à custa de idealização que se tem da primeira entrega física.

A citação que aqui transcrevo é a mais bela frase desta primeira vez (primeira e última porque não volto a ler nada desta autora, a não ser coagida).
Tenho dito!

Constatações XVI

(Era para escrever sobre o monte de lama que é o novo reality show da TVI, a "Bela e o Mestre". Não o vou fazer porque já vi o assunto debatido na blogosfera, pelo que não vale a pena estar a repeti-lo. As opiniões são consensuais. No entanto...)

Sinto-me traída pelo Rui Zink.

(Então não é que este senhor é comentador, ou jurado, ou o que quer que seja, no monte de lama acima citado???)

Sobre os Oscares (III) - Último

Os Oscares para Helen Mirren por "A Rainha", e para Forest Whitaker por "O último rei da Escócia" foram justíssimos. Não concordo com o Oscar entregue a Alan Arkin por "Little Miss Sunshine". Embora me tenha feito rir muito, acho que quem o merecia era Djimon Hounsou, em "Diamante de Sangue".
Finalmente, embora tenha gostado do "Entre inimigos" e ache que o Martin Scorsese já merecia um Oscarzito, o melhor filme é "Little Miss Sunshine". Pena é que não seja uma grande produção e não tenha custado muitos milhões de dólares. Talvez aí tivesse ganho.

sexta-feira, 9 de março de 2007

Porque hoje é 6ª feira












Hhhhuuuummmm...

Portugalidades

Se isto continuar assim, o Governo poderia pensar na atribuição de medalhas de mérito aos titulares de altos cargos públicos que nunca foram constituídos arguidos.

Expressões que não deveriam existir

Há dias fui a um supermercado pretendendo comprar, entre outras coisas mais, o chamado gel íntimo (esta expressão também é boa, mas não a objecto deste texto). Como não encontrava, dirigi-me a uma empregada a perguntar se não havia. Diz-me ela com ar pensativo: Gel íntimo? Ah, senhora, não estou a ver o que seja! E eu a pensar que não me dava muito jeito ter de fazer um desenho, até porque nunca fui muito boa nessa área. Quando tentava descobrir como é que lhe ia explicar o pretendido diz-me a colaboradora: Aaaahhhh, o que a senhora quer é gel de lavar por baixo. É isso, não é? Pois... é! O que eu queria era gel de lavar por baixo!!

quinta-feira, 8 de março de 2007

Notícia de última hora:

O Capitão América morreu.

(E eu que já nem me lembrava que ele existia...)

Porque é que? *

(* Ou: Dúvidas sobre e-mails)

- Me enviam mails que eu própria enviei?

- Me enviam repetidamente o mesmo mail?

- Me enviam mails sobre como agir em casos de enfarte do miocárdio ou outros ataques idênticos? Será que é por acharem que, face a uma situação dessas, me vou recordar dos vários passos? Ou melhor ainda, acham que tenho disponibilidade mental para os ler?

- Me enviam mails para reenviar a não sei quantas pessoas, dependendo do seu número a rapidez da concretização de um desejo. Acham mesmo que o faço?

- Me enviam mails sobre uma série de situações idênticas que me ocupam o espaço e me despoletam irritação?

Caros amigos que me enviam mails: Eu gosto de receber as vossas mensagens electrónicas. Aquelas que me informam; que me fazem rir. Mas limitem-se ao essencial ok?
Desde já agradeço.

Regresso ao passado

Gostei muito da Gala dos 50 anos da RTP. Principalmente pelas imagens que fizeram parte da minha infância e que não pensei voltar a ver. Adorei rever as publicidades (quem se lembra do BIC, BIC, BIC, BIC, BIC, BIC. BIC laranja tralalá, BIC azul tralalá). As séries (por exemplo, o famoso Duarte & Companhia). Os desenhos animados (que saudades do D'Artacão, da Abelha Maia, do Bana e Flapi, do Tom Sayer, entre outros). O aspecto que tínhamos durante os anos 80 (cada susto!!). As músicas que mandavam as crianças dormir (porque é que acabaram com isso?). Só não gostei mesmo de ter de levar com os vários planos e bocas estúpidas do (supostamente humorista) Fernando Mendes. Não tenho paciência para o homem. Definitivamente.

quarta-feira, 7 de março de 2007

Sobre o amor...


Entreguei-te o meu coração.

E todos os dias agradeço

tê-lo feito.

Constatações XV

Por vezes sinto que nunca ultrapassei a idade dos porquês.

(Partindo do pressuposto - ou será preconceito? - de que tem de existir uma idade para tal.)
Da janela que corre, ora lenta, ora fugazmente, vejo os dias a passar. Verdes, muito verdes, pontuados por casinhas de aldeia no centro da confusão. Amarelos, cor de terra, ou azuis cor do céu. Sinto-os a passar devagar, ao ritmo de folhas de árvore que teimam em não cair, ainda que a natureza lhes ordene que sim. Parados. Como se assim se pudessem encontrar todas as pessoas do mundo que querem, de facto, se (re)encontrar. Um porto. De chegada ou de partida. Não é assim que os dias que passam, por vezes parados, são?

segunda-feira, 5 de março de 2007

Queria escrever

mas...

... NÃO TENHO

TEMPOOO!!!

Momentos perfeitos são...

... Abraçar uma grande amiga enquanto cantamos What a wonderful world, de Louis Armstrong, e soletramos I love you...

...Falar com uma pessoa que está longe, mas senti-la bem junto de mim...

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Sobre os Oscares (II)

O melhor filme estrangeiro é obrigatório de se ver. "A vida dos outros", filme alemão realizado por Florian Henckel Donnersmarck, sobre as actividades da STASI (a polícia secreta da ex-Alemanha oriental), é um daqueles filmes que me fez ficar na cadeira do cinema para além do filme acabar. A olhar para o ecrã mas sem o ver. Simplesmente a digeri-lo. A degustá-lo.

Sobre os Oscares (I)

Adormeci às três da manhã. Antes de que qualquer coisa de verdadeiramente interessante tivesse acontecido.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Hoje este blog movimenta-se ao som de...


BLASTED MECHANISM

...

As palavras seguintes constam de um texto escrito por um jovem de 26 anos:

1. Prontes
2. Esperção
3. Sedutoura
4. Xatiada
5. Degote
6. Jentil
7. Possas
8. Avia
9. Ó não
10. Perçebi
11. Menssajem
12. Fumu
13. Ódepois
14. Trajos
15. Xoras

Tradução:

1. Pronto
2. Expressão
3. Sedutora
4. Chateada
5. Decote
6. Gentil
7. Poças
8. Havia
9. Ou não
10. Percebi
11. Mensagem
12. Fumo
13. Depois
14. Trajes
15. Choras

Prontes!! E assim se vai falando e escrevendo em português.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

Hoje sinto-me assim...


Relatividade

s. f.,

qualidade ou estado do que é relativo;

contingência;

condicionalidade;

É um conceito com o qual me tenho deparado variadíssimas vezes. Porventura um dos mais presentes na vida. Porque tudo é tão relativo... O que é de determinada forma hoje será diferente amanhã. E já havia sido diferente antes. O que já foi preto é branco. Ou de outra cor qualquer.
Impressiona-me a relatividade da mente humana. Das sensações. Do tempo. Das formas de se ser e querer ser. Das emoções. Do espaço. Dos conceitos.
Impressiona-me, sobretudo, a relatividade da própria relatividade. Que, para mim (lá está a relatividade novamente) é difícil de explicar. Ou talvez não...



segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

E se as lágrimas me fogem assim é porque nelas encontro

o conforto de te sentir sempre comigo...

Apontamentos televisivos

1. Ontem vi pela primeira vez (parte) do Hora H, do volta-que-estás-semi-perdoado-Herman. E gostei. A fazer-me lembrar um pouco o Tal Canal. A voltar a fazer-me rir. Como não me ria desde o Herman Enciclopédia. Aguardo novos episódios para confirmar. Um senão: a falta do Monchique.

2. Nunca pensei ouvir o André Sardet a cantar "A minha sogra é um boi", dos Mata-Ratos, na televisão. Mas ele fê-lo (no Diz que é uma espécie de magazine), com a letra alterada para qualquer coisa como "A progenitora da minha esposa é um bovino". Admirei-lhe a ousadia e fiquei a simpatizar mais com o moço.

3. Um outro programa a ver com frequência é Um prazer dos diabos (na SIC Mulher, às 4ªas., pelas 22h30m, com várias repetições), mais ou menos definível como de crítica humorística sócio-política. Gosto especialmente da Inês Meneses: tem o tipo de humor sarcástico e irónico do qual sou fã.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Quando voltaste questionei-te porquê. Se por cansaço ou por dever. Se por desejo ou, simplesmente, porque já não tinhas nada a dar. Fugiste-me à questão. Fugiste-me ao olhar. Desculpaste-te por entre frases feitas nas quais não acreditei. Mais tarde, bastante mais tarde, confessaste-me que voltaste por cobardia. E que era a cobardia que te impedia de voltar a partir.
"As coisas mais belas

são ditadas pela loucura

e escritas pela razão."


André Gide

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

Constatações XIV

Trabalhar ao som de música clássica sabe muito bem.

Irritações do quotidiano*

(* Subtítulo: Ou deixa de ir comprar frango)

Há atitudes nas pessoas que, por vezes, conseguem irritar-me verdadeiramente. Ontem dirigi-me a um hiper para comprar um frango no churrasco. Chego, tiro a senha da praxe e ando para lá, do género ver montras, enquanto espero que saia a nova fornada (uma seca, portanto!). Quando faltam cerca de três números para chegar a minha vez aproximo-me do emaranhado de gente que está praticamente em cima do balcão. Finalmente chega a minha vez e lá vou eu a furar dizendo com licença, com licença. Conclusão: todas aquelas pessoas esperando ansiosamente coladas ao balcão estavam depois de mim. GGggrrrr, nervos! Será que pensam que serão servidos mais rapidamente por estarem mais próximos dos frangos? Mais à frente? Enfim...

Outra sensação parecida (ou seja, de grande irritação), ocorre-me quando estou numa fila à espera de algo. Porque é que as pessoas se colam a nós? É para andarmos mais rápido? Ou para nos pressionarem a colar-mo-nos ao próximo numa atitude de intimidação? GGGrrrr, nervos! Muitos nervos...

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Este blog encontra-se em expansão internacional


Sim, sim!! Com visitas do Brasil, EUA, China, Perú, Suécia,

Luxemburgo, Irlanda, Costa Rica e Roménia!!

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Hoje acordei...

e senti que o meu país

é mais verdadeiro.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

Fresquíssima

Abriu ontem, em Aveiro, a primeira smart shop da Europa (para além da Holanda, claro), que se chama de Cogumelo Mágico e vende drogas legais.
Por lá podem encontrar "erva sálvia, pronta para ser fumada ou vendida em extractos para fazer chá, kits para cultivo de cogumelos «mágicos», cápsulas de produtos naturais com princípios alucinogénicos (designadas happy-caps), cactos que contêm mescalina (uma substância alucinogénica), e chá de erva ayahuasca, «que junta duas plantas que são dos alucinogénicos mais potentes no mundo»".
Peço desculpa perante a desilusão de muitos mas não, não sei a morada. Vão ter mesmo de procurar!!

Sinto-me elogiada quando me dizem:

"Foste a única pessoa que te dignaste a ouvir a outra versão."

Lindo...


ARQUEÓLOGOS DESCOBRIRAM EM ITÁLIA

OS ESQUELETOS DE UM CASAL

QUE FOI ENTERRADO ABRAÇADO.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

Agenda


Passeio Marítimo de Algés

8 de Junho: Pearl Jam
9 de Junho: Smashing Pumpkins
10 de Junho: Da Weasel e Beastie Boys

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

Ainda sobre o futebol

Primeira página do jornal Record de hoje: "E até Scolari comemorou os golos ao Brasil". Heellloooooooo!!!! Estar-se-ia à espera de que atitude, afinal?

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

Conversas de café

Diz um português para um brasileiro, após o 1º golo de Portugal no jogo entre Portugal-Brasil (ou terá sido Brasil-Portugal? hoje não estou com muitas certezas, já se vê!!): «Oh, oh, isto é que é saber jogar!! Quem levou o futebol para o Brasil foi o Pedro Álvares Cabral.» Ah pois é!!

Que...

... os chineses fotografam tudo o que lhes aparece à frente durante as suas excursões não é novidade (ou serão os japoneses? isso agora não interessa que a mim parecem-me todos iguais). Agora, o que pude constatar hoje, enquanto tomava o pequeno-almoço, pelas oito da manhã, numa sala cheia deles (e digo-o sem qualquer sentido depreciativo) é que eles começam logo aí!! Elas são fotografias com a companheira a segurar a chávena, a comer um pedaço de bolo, a limpar a boca, elas são fotografias com a criança aos berros, elas são fotografias com o homem a sentar-se, a levantar-se, a ir buscar café... Enfim, a vida deles é um álbum... repleto.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

Hoje sinto-me assim...


E assim...


O mar inundou-me com a sua espuma fria branca.
Ainda que não fosse eu.
Perdi-me naquele entardecer alaranjado, com raios de rosa flor.
E tu estavas lá.
Nas ondas, na areia, no arfar dos cães que na praia corriam.
Nos gritos dos donos que os chamavam de volta.
Estavas lá... No infinito... No céu...
Na minha cabeça.
Os passos empurraram-me para onde queria ir.
Não sabia se devia. Molhei os pés.
E quis, nesse momento, nesse preciso momento,
atirar-me, despida, nua de tudo e de nada.
E deixar-me levar...

Passagens

"Abri o ferrolho depois de ter espreitado pelo buraco de vigia. Estava pendurada nas meias de nylon. Estava já roxa, os olhos revirados. Arranquei-lhe as meias à dentada. Estavam tão apertadas que os meus dedos não conseguiam desatar aquela coisa. Teve de ser à dentada. Salvou-se. Começou aí uma relação, eu não digo de amizade, porque eu sou guarda, mas percebe? Bom, ela começou a dar-me cartas para pôr no correio, para o companheiro. Depois deixava cartas na minha mesa e eu percebi eram as respostas. Ela simulava o correio que ia receber. E eu sei que não devia ter entrado no jogo, mas o que é que quer? Fez-me pena. Uma mulher que com a mão direita escreve cartas a um homem que não existe e com a mão esquerda, numa letra diferente, escreve as cartas de resposta para si própria. É de tristeza infinita, não é?"

Patrícia Reis in "Morder-te o coração"
Dom Quixote, 2007

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

Se te sinto tanto assim é porque o desejo.

Porque me deixas desejá-lo.

Porque me levo a ti.

Em ti.

Porque me carregas sem dor.

Porque é assim.

E é assim que deve ser.

Se o desejamos.

E nós desejamo-lo.

A ver *


(*Não aconselhado a pessoas facilmente impressionáveis.

Nem a quem continua a não querer ver

a realidade como ela é.)

Constatações XIII

Queria tanto escrever sobre algo que acabei por esquecê-lo.

Facto

O grau de estupidez de algumas afirmações sobre o aborto é inversamente proporcional ao tempo que falta para a realização do referendo sobre a sua despenalização.

Exemplificando:

"Os cristãos que vão votar «sim» no referendo serão alvo de excomunhão automática, a mais pesada das censuras ecesiásticas." - Tarcísio Alves, padre de Castelo de Vide in Diário de Notícias

"Se o «sim» vencer, o aborto vai tornar-se uma coisa normal, é como ter um telemóvel." - João César das Neves in Público

E um pouco de bom senso, não?

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

E porque hoje me apetece... (recordar)

My name is Luka
I live on the second floor
I live upstairs from you
Yes I think you've seen me before

If you hear something late at night

Some kind of trouble. some kind of fight
Just don't ask me what it was
Just don't ask me what it was
Just don't ask me what it was

I think it's because I'm clumsy

I try not to talk too loud
Maybe it's because I'm crazy
I try not to act too proud

They only hit until you cry
And after that you don't ask why
You just don't argue anymore
You just don't argue anymore
You just don't argue anymore

Yes I think I'm okay
I walked into the door again
Well, if you ask that's what I'll say
And it's not your business anyway
I guess I'd like to be alone
With nothing broken, nothing thrown

Just don't ask me how I am
Just don't ask me how I am

Suzanne Vega

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

Só uma coisinha


(Para ti, K.)


de Alejandro González Iñárritu

Se Babel fosse um livro, era-o de contos. De vidas distanciadas. Pelo espaço e pela forma. O filme não tem um fim. Nem uma moral. Percorre apenas momentos cruciais de existências. Que, sem se tocarem, se tocam. É também sobre consequências: até que ponto um acto praticado por alguém pode condicionar a vida de outro. Sem que qualquer um deles tenha disso noção. Uma visão, quanto a mim, deliciosamente crua de realidades.

(Nota: Até de bigode Gael García Bernal fica bem! Tinha de o dizer...)

sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

Hoje sinto-me assim...


A noite

A noite não é tão escura assim. Nem tão fria quanto possa parecer.
É quente, convidativa. Suave, aconchegante. A noite não é noite. É dia que escureceu.
Há sons ao meu redor. Constantes. Já não os ouço.
A escuridão respira-me ao ouvido. Grita! Sussurra-me uma melodia de embalar. Sonha e acorda. Sente medo porque se sabe incompreendida. Porque se mostra assustadora quando, no entanto, é luz em mim. É carícia ausente, é um choro... risonho... de amor.
É mil toques diferentes: áspera, suave, sedosa, dura, rugosa. É o que eu quiser que seja.
A imaginação é escura. Porque fechas os olhos e vais onde as tuas pernas imaginam que te levam.
O amor é escuridão. Porque te transporta ao mais fundo de ti, onde a luz não entra, e te faz descobrir. Vasculhar.
A escuridão é suave. Mantém os olhos fechados e deixa que ela te invada como uma doença terminal. Já está escuro? Perde o medo então (se deixares, o medo come-te). Vê como é bela. Sente-a gotejar. Molhar-te. A mover-se dentro de ti.
E volta a despertar... abre os olhos devagar, profundos, serenos de luz...
Boa noite.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

Genialidade

"No fundo, um escritor é um bocado um ladrão, um gatuno de sentimentos, de emoções, de rostos, de citações. Um livro é sempre feito de pequenos roubos com a vantagem de não sermos condenados (...)."


"(...) penso no absurdo de escrever. De estar a escrever quando podia estar com os amigos, ir ao cinema, ir dançar que é uma coisa de que gosto... mas não, um tipo está ali e é um bocado esquizofrénico. (...) Há sempre uma parte subterrânea nas obras de arte impossível de explicar. Como no amor. Esse mistério é, talvez seja, a própria essência do acto criador. (...) Quando criamos é como se provocássemos uma espécie de loucura, quando nos fechamos sozinhos para escrever é como se nos tornássemos doentes. A nossa superfície de contacto com a realidade diminui, ali estamos encarcerados numa espécie de ovo... só que tem de haver uma parte racional em nós que ordene a desordem provocada. A escrita é um delírio organizado."


"No fundo o que é enlouquecer? É sair de uma determinada norma, não é? É preciso muita coragem para se ser realmente louco."


António Lobo Antunes

Divagações bloguísticas


Um blogue pode ser equiparado a uma relação de amor. No sentido de que o outro da relação tem de ser acarinhado, sentir-se amado, para que a mesma saia fortalecida a cada passo. Assim, como sujeito activo desta relação blog - autora, hoje cultivo-o com muita dedicação.