terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

Que...

... os chineses fotografam tudo o que lhes aparece à frente durante as suas excursões não é novidade (ou serão os japoneses? isso agora não interessa que a mim parecem-me todos iguais). Agora, o que pude constatar hoje, enquanto tomava o pequeno-almoço, pelas oito da manhã, numa sala cheia deles (e digo-o sem qualquer sentido depreciativo) é que eles começam logo aí!! Elas são fotografias com a companheira a segurar a chávena, a comer um pedaço de bolo, a limpar a boca, elas são fotografias com a criança aos berros, elas são fotografias com o homem a sentar-se, a levantar-se, a ir buscar café... Enfim, a vida deles é um álbum... repleto.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

Hoje sinto-me assim...


E assim...


O mar inundou-me com a sua espuma fria branca.
Ainda que não fosse eu.
Perdi-me naquele entardecer alaranjado, com raios de rosa flor.
E tu estavas lá.
Nas ondas, na areia, no arfar dos cães que na praia corriam.
Nos gritos dos donos que os chamavam de volta.
Estavas lá... No infinito... No céu...
Na minha cabeça.
Os passos empurraram-me para onde queria ir.
Não sabia se devia. Molhei os pés.
E quis, nesse momento, nesse preciso momento,
atirar-me, despida, nua de tudo e de nada.
E deixar-me levar...

Passagens

"Abri o ferrolho depois de ter espreitado pelo buraco de vigia. Estava pendurada nas meias de nylon. Estava já roxa, os olhos revirados. Arranquei-lhe as meias à dentada. Estavam tão apertadas que os meus dedos não conseguiam desatar aquela coisa. Teve de ser à dentada. Salvou-se. Começou aí uma relação, eu não digo de amizade, porque eu sou guarda, mas percebe? Bom, ela começou a dar-me cartas para pôr no correio, para o companheiro. Depois deixava cartas na minha mesa e eu percebi eram as respostas. Ela simulava o correio que ia receber. E eu sei que não devia ter entrado no jogo, mas o que é que quer? Fez-me pena. Uma mulher que com a mão direita escreve cartas a um homem que não existe e com a mão esquerda, numa letra diferente, escreve as cartas de resposta para si própria. É de tristeza infinita, não é?"

Patrícia Reis in "Morder-te o coração"
Dom Quixote, 2007

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

Se te sinto tanto assim é porque o desejo.

Porque me deixas desejá-lo.

Porque me levo a ti.

Em ti.

Porque me carregas sem dor.

Porque é assim.

E é assim que deve ser.

Se o desejamos.

E nós desejamo-lo.

A ver *


(*Não aconselhado a pessoas facilmente impressionáveis.

Nem a quem continua a não querer ver

a realidade como ela é.)

Constatações XIII

Queria tanto escrever sobre algo que acabei por esquecê-lo.

Facto

O grau de estupidez de algumas afirmações sobre o aborto é inversamente proporcional ao tempo que falta para a realização do referendo sobre a sua despenalização.

Exemplificando:

"Os cristãos que vão votar «sim» no referendo serão alvo de excomunhão automática, a mais pesada das censuras ecesiásticas." - Tarcísio Alves, padre de Castelo de Vide in Diário de Notícias

"Se o «sim» vencer, o aborto vai tornar-se uma coisa normal, é como ter um telemóvel." - João César das Neves in Público

E um pouco de bom senso, não?

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

E porque hoje me apetece... (recordar)

My name is Luka
I live on the second floor
I live upstairs from you
Yes I think you've seen me before

If you hear something late at night

Some kind of trouble. some kind of fight
Just don't ask me what it was
Just don't ask me what it was
Just don't ask me what it was

I think it's because I'm clumsy

I try not to talk too loud
Maybe it's because I'm crazy
I try not to act too proud

They only hit until you cry
And after that you don't ask why
You just don't argue anymore
You just don't argue anymore
You just don't argue anymore

Yes I think I'm okay
I walked into the door again
Well, if you ask that's what I'll say
And it's not your business anyway
I guess I'd like to be alone
With nothing broken, nothing thrown

Just don't ask me how I am
Just don't ask me how I am

Suzanne Vega

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

Só uma coisinha


(Para ti, K.)


de Alejandro González Iñárritu

Se Babel fosse um livro, era-o de contos. De vidas distanciadas. Pelo espaço e pela forma. O filme não tem um fim. Nem uma moral. Percorre apenas momentos cruciais de existências. Que, sem se tocarem, se tocam. É também sobre consequências: até que ponto um acto praticado por alguém pode condicionar a vida de outro. Sem que qualquer um deles tenha disso noção. Uma visão, quanto a mim, deliciosamente crua de realidades.

(Nota: Até de bigode Gael García Bernal fica bem! Tinha de o dizer...)

sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

Hoje sinto-me assim...


A noite

A noite não é tão escura assim. Nem tão fria quanto possa parecer.
É quente, convidativa. Suave, aconchegante. A noite não é noite. É dia que escureceu.
Há sons ao meu redor. Constantes. Já não os ouço.
A escuridão respira-me ao ouvido. Grita! Sussurra-me uma melodia de embalar. Sonha e acorda. Sente medo porque se sabe incompreendida. Porque se mostra assustadora quando, no entanto, é luz em mim. É carícia ausente, é um choro... risonho... de amor.
É mil toques diferentes: áspera, suave, sedosa, dura, rugosa. É o que eu quiser que seja.
A imaginação é escura. Porque fechas os olhos e vais onde as tuas pernas imaginam que te levam.
O amor é escuridão. Porque te transporta ao mais fundo de ti, onde a luz não entra, e te faz descobrir. Vasculhar.
A escuridão é suave. Mantém os olhos fechados e deixa que ela te invada como uma doença terminal. Já está escuro? Perde o medo então (se deixares, o medo come-te). Vê como é bela. Sente-a gotejar. Molhar-te. A mover-se dentro de ti.
E volta a despertar... abre os olhos devagar, profundos, serenos de luz...
Boa noite.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

Genialidade

"No fundo, um escritor é um bocado um ladrão, um gatuno de sentimentos, de emoções, de rostos, de citações. Um livro é sempre feito de pequenos roubos com a vantagem de não sermos condenados (...)."


"(...) penso no absurdo de escrever. De estar a escrever quando podia estar com os amigos, ir ao cinema, ir dançar que é uma coisa de que gosto... mas não, um tipo está ali e é um bocado esquizofrénico. (...) Há sempre uma parte subterrânea nas obras de arte impossível de explicar. Como no amor. Esse mistério é, talvez seja, a própria essência do acto criador. (...) Quando criamos é como se provocássemos uma espécie de loucura, quando nos fechamos sozinhos para escrever é como se nos tornássemos doentes. A nossa superfície de contacto com a realidade diminui, ali estamos encarcerados numa espécie de ovo... só que tem de haver uma parte racional em nós que ordene a desordem provocada. A escrita é um delírio organizado."


"No fundo o que é enlouquecer? É sair de uma determinada norma, não é? É preciso muita coragem para se ser realmente louco."


António Lobo Antunes

Divagações bloguísticas


Um blogue pode ser equiparado a uma relação de amor. No sentido de que o outro da relação tem de ser acarinhado, sentir-se amado, para que a mesma saia fortalecida a cada passo. Assim, como sujeito activo desta relação blog - autora, hoje cultivo-o com muita dedicação.

Constatações XII

Estou irritadamente cansada de ouvir falar em aborto, em Bush, em Saddam...

P.S.: Porque é que terei eu feito (de uma forma absolutamente inconsciente, claro!!) esta associação?

terça-feira, 16 de janeiro de 2007

Coisas

Podia definir a vida como a soma de coisas e coisas e mais coisas. Porque elas estão sempre a suceder-se (sucessivamente) e preenchem os vazios deixados por nós.
Sinto que tudo o que me acontece (sejam ou não coisas) surge com um determinado fim. Um propósito. Ainda mesmo que não me seja deixado qualquer arbítrio. Ainda mesmo que não tenha concluído o processo de reflexão que me permite olhar para as coisas com a distância e clareza necessárias a uma análise. Ou resultado. Ou conclusão.
Se as coisas acontecem sei que amanhã (ou depois, ou mesmo depois) vou saber porque é que elas aconteceram. Vai justificar-se a sua existência. E vou concluir, já o sei, que se as coisas aconteceram daquele modo era porque esse era o caminho mais certo de entre os possíveis. Porque é o que acabo sempre por concluir, embora às vezes não com tanta facilidade. Ainda que agora sejam apenas fragmentos (de coisas). Inacabados. Incertos.
São simplesmente coisas.

"Se uma voz nos diz que é viver em vão
P’ra que raio fiz eu esta canção
E se o fim é certo
Eu quero estar cá amanha
E não foi assim que o tempo nos fez
E fez assim com todos nós
E não foi assim que a razão nos amou
E fez assim com todos nós
São coisas
São coisas
São só coisas
São coisas"

Ornatos Violeta

segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

E porque hoje me apetece...

... expandir a minha alegria sem que a expanda demasiado...

YES

YES

YES

YES!!!

sexta-feira, 12 de janeiro de 2007

Aditamento ao post anterior

Lembrei-me agora que também pode ter acontecido o seguinte: algum assessor do presidente (danado para a brincadeira, como se vê) entregou-lhe este discurso e ele, que não percebe muito de inglês, limitou-se a ler arcaicamente o seu conteúdo. É uma hipótese...