sexta-feira, 10 de novembro de 2006



Que a dependência é uma besta

Que dá cabo do desejo

E a liberdade é uma maluca

Que sabe quanto vale um beijo…”



“A gente vai continuar” – Jorge Palma

quinta-feira, 9 de novembro de 2006

"Quais são as tuas palavras essenciais?

As que restam depois de toda a tua agitação

e projectos e realizações.

As que esperam que tudo em si se cale

para elas se ouvirem.

As que talvez ignores

por nunca as teres pensado.

As que podem sobreviver quando o

grande silêncio se avizinha."

Vergílio Ferreira

Constatações VI

Não consigo ter uma relação de verdadeira entrega com a Internet! Chamem-me antiquada...

Curiosidades

Cientistas espanhóis desenvolveram um novo tomate geneticamente modificado, azul, que tem uma série de proteínas que não podem ser encontradas no tomate comum. A sua cor tem por objectivo permitir a distinção de um tomate normal.
Ora aqui está uma excelente ideia para dar um toque original às nossas saladas!!

segunda-feira, 6 de novembro de 2006

Vivo. Tão plenamente que por vezes me assusto... Porque viver plenamente é como andar de montanha russa: impróprio para quem tem um sopro no coração. Felizmente que o meu parece bater forte e preparado para as batidas deste caminho...
Não consigo reconhecer-me que não assim. Porque já não seria eu, mas outra qualquer. E gosto tanto desta dureza, que me ajuda a encontrar-me todos os dias...
E é tão boa a sensação de me saber quem sou. De me ter nas mãos e de me levar aonde quero ir.
Acaba por ser tão simples: sinto que só tenho de ir até onde me quero levar...

quinta-feira, 2 de novembro de 2006

"A tristeza é um livro sábio que se tem no coração
e que nos diz centenas de coisas -
impede-nos de apodrecer
como um cogumelo debaixo de uma árvore;
pouco a pouco vai fabricando
uma provisão de ensinamentos para a vida."

Juliusz Slowacki



Hoje sinto-me assim...

Acordo mas quero continuar a dormir. Levanto-me mas gostaria de me deixar cair. Só. Dura. Inerte. Sentir-me no aconchego da queda. Procurar-me. Para me voltar a perder. Mas em mim. Só em mim.
Alimentar-me de ar e de saudade. E querer. E esquecer.

segunda-feira, 30 de outubro de 2006

Constatações V

Passo-me com aquelas pessoas que, estando fartas de saber quem eu sou, só se decidem a cumprimentar-me quando, por uma qualquer causa, estão mascaradas.
Nessas alturas só me apetece dizer: "PALHAAAÇOOO!!!"

sexta-feira, 27 de outubro de 2006

Ontem, pelos vistos, foi assim...

"Muse no Campo Pequeno : Grupo novo rock
Os Muse provaram no Campo Pequeno porque razões conseguem ser uma das forças catalisadoras de adrenalina dentro do «rock’n’roll». Com discos melhores ou piores, é em palco que Matthew Bellamy e companhia mostram o seu virtuosismo.



A passagem dos Muse por Portugal é sempre mais do que um simples regresso para apresentar um novo disco. «Black Holes and Revelations» é porventura o disco menos inspirado da sua carreira o que em momento algum se reflectiu no espectáculo.
Mas não por acaso, o concerto do Campo Pequeno foi mais uma antologia em que couberam confortavelmente «New Born», «Plug in Baby» ou «Time is Running Out» do que uma amostra do último álbum.
A renovada Praça de Touros deu lugar a um palco de dimensões avultadas onde os três músicos nunca se perderam no meio de arranjos tecnológicos e pirotecnia de conta bancária cheia. Um complemento perfeito entre som e imagem, sem nunca cair no exagero.
Se dúvidas tivessem sido levantadas por uma inversão «disco» no percurso dos Muse, a actuação que apresentaram devolveu a banda ao território que lhe pertenceu, o do rock. Com direito a psicadelismos, extravagâncias mas acima de tudo, grandes canções plenas de músculo e pujança. Um dos concertos de 2006."


Davide Pinheiro in Diário Digital

terça-feira, 24 de outubro de 2006

Menina-mulher

A mãe chamava-a mas ela não ouvia. Adorava brincar às mulheres. Vestia e despia as saias, os tops, os vestidos de Verão da tia. Calçava sandálias de tiras. Punha lenços na cabeça. Tirava-os. Piscava o olho entre uma muda de óculos de sol. Imaginava-se numa passerelle. O espelho aplaudia. Sorria. Fazia poses de estrela. Dançava ao sabor da imaginação. Adorava a profusão de cores das roupas espalhadas pelo quarto. Em cima da cama. No chão. Queria crescer. Dava voltas por entre tiques de sedução. Passava tardes inteiras assim. Colocava brincos e anéis e pulseiras. Os lábios de um vermelho muito vivo e desalinhado. Os olhos de verde e roxo e esperança. Punha, tirava, apertava. Passava tardes inteiras assim...

Aborto

A questão do aborto ou, melhor dizendo, da sua liberalização, volta a estar na boca da opinião pública. Novo referendo, do qual se espera resultar a maioria do sim.
Sou a favor da sua liberalização. E irritam-me um pouco os argumentos defensados por aqueles que não concordam. A sua frase fétiche - "Nós somos pelo sim à vida" (ou algo parecido) - enerva-me profundamente. Porque eu também sou pelo sim à vida. E não, não sou a favor do aborto, mas sim da sua liberalização, o que não é bem a mesma coisa.
O que mais me chateia, no meio de tudo isto é o cinismo. A hipocrisia. Porque ao liberalizarmos o aborto não estamos a incentivar a sua prática. Apenas a permitir que as mulheres o façam em segurança.
Os defensores da moralidade e dos bons costumes são pelo sim à vida. E em relação às mulheres que morrem devido à prática de abortos clandestinos, já não o são? E em relação às mulheres que ficam com mazelas para o resto da vida que não lhes permitirá voltar a ter filhos? Já não se coloca a questão do sim à vida?
Peço desculpa pela frontalidade mas O ABORTO EXISTE! Quer seja ou não aprovada a sua liberalização.
Não será melhor, então, pararmos de enfiar a cabeça na areia?

Constatações IV

DETESTO DENTISTAS!!!

quinta-feira, 19 de outubro de 2006

Susto

Antes do almoço, estava a actualizar a leitura das notícias na Internet, quando leio uma notícia que me dá uma enorme vontade de chorar. Gritar. Partir objectos.
No entanto, recorri àquele velho exercício de contar até 10. Respirei fundo e decidi ir almoçar mais cedo.
Agora, que já um tempo passou, que já me sinto mais calma, decido partilhá-lo. No entanto, aviso, leiam devagar (caso contrário podem ter um colapso nervoso). Respirem fundo. Contem até 10, mesmo antes de ler. E depois de o fazerem, voltem a respirar fundo e, aconselho, contem até 20. Ou 30. Ou até onde precisarem.
Aqui vai: Os Delfins, essa maravilhosa banda portuguesa que desvirtua completamente a "essência" dos animais com o mesmo nome, encontra-se a gravar um novo álbum. O primeiro em 5 anos. E mais: a obra prima que daí resultar sairá para o mercado no início do próximo ano. Ai, que tenho medo...
Meu Deus, que terei eu feito de tão mau?
O que terá a humanidade feito de tão mau para ser castigada assim?

Reflexões

"Procede deste modo, caro Lucílio: reclama o direito de dispores de ti, concentra e aproveita todo o tempo que até agora te era roubado, te era subtraído, que te fugira das mãos. Convence-te de que as coisas são tal como as descrevo: uma parte do tempo é-nos tomada, outra parte vai-se sem darmos por isso, outra deixamo-la escapar. Mas o pior de tudo é o tempo desperdiçado por negligência. Se bem reparares, durante grande parte da vida agimos mal, durante a maior parte não agimos nada, durante toda a vida agimos inutilmente.”


Séneca in “Cartas a Lucílio”



quarta-feira, 18 de outubro de 2006

A ouvir



Carioca - Chico Buarque

segunda-feira, 16 de outubro de 2006

Futebolices

Jorge Costa, rapaz da bola de quem sempre gostei muito (parece-me ter cara de bom rapaz, embora no campo fosse - só às vezes - um pouco duro), despediu-se hoje oficialmente dos relvados, afirmando que gostaria de vir a ser presidente do FCP (claro!!), tendo a seu lado Vítor Baía.
Gostava de ver...

E-Mail

Este blog passa a ter um endereço de e-mail (basta clicarem aqui ao lado no meu perfil).
Prontinho para receber opiniões, sugestões, curiosidades, banalidades e tudo o mais que tenham a dizer. Até já.

sexta-feira, 13 de outubro de 2006

Constatações III

Por vezes somos confrontados com situações
de que nem o diabo se lembraria!!!

quinta-feira, 12 de outubro de 2006

"A minha casinha"

*

A conversa com um amigo, que me falava das saudades que tinha da sua anterior casa, onde viveu por três anos, levou-me a pensar na relação que tenho com a minha casa. Nunca pensamos nisso, não é? As nossas casas são-nos tão nossas que nem pensamos nisso.

Hoje pensei na minha. Que é acolhedora. Pequena. Serena. De onde ouço passarinhos ao acordar. E depois é cúmplice... Quem nos conhecerá melhor do que a nossa casa? Ouve-nos os risos, os choros, os gemidos de prazer. Ouve-nos os passos. E ninguém melhor que ela nos conhece os humores, as mágoas, as alegrias.

Gosto da minha casa... tenho-a como uma amiga silente que me é cúmplice. Companheira...

* P.S.: A minha casa não é como a da fotografia... Mas um dia chego lá!

Constatações II

É impressionante como a maioria das melhores ideias
que possamos ter surgem mesmo antes do sono.

Constatações I

Os blogs são um vício do caraças!!

quarta-feira, 11 de outubro de 2006

"Seja você mesmo. Todos os outros já existem."

Oscar Wilde

terça-feira, 10 de outubro de 2006

Voltas

De novo a viajar. Despedidas momentâneas e reencontros passageiros.
Passeio por estradas outrora já percorridas. Continuo a sentir o sol a banhar-me o corpo, tal como na última vez que cá estive. No entanto, as pessoas parecem-me mais tristes. Melancólicas. Perdidas em pensamentos que se escapam pelo olhar. Deve ser por estarmos no Outono. Sente-se a época fria a chegar...
Conheço gente nova. Engraçada. Ingénua até... Surpreende-me como, em contextos de trabalho, existem ainda pessoas ingénuas. Faz-me uma certa confusão.
Passo esta pequena temporada em casa de amigos nascidos num outro sítio, numa outra procissão. E cá estamos novamente juntos. A vida é engraçada não é? Aproxima-nos, separa-nos, troca-nos as voltas só para nos voltar a surpreender. Só para que possamos dizer quem diria!!
Jogamos às cartas em serões de risos e união. E vou dormir. Para voltar a acordar.
E, sem dar por isso, para casa voltar.

Achado

"Um combate e outras histórias", de Patrick Süskind -
Edições ASA de bolso - a um preço azul de 1, 50 €.

TE

DISSE

HOJE

QUE

TE

AMO?

sexta-feira, 6 de outubro de 2006

Folhas Soltas

Folheio-te vagamente. Percorro-te procurando memórias.
Vejo-te interrompido, riscado,sublinhado, rasgado.
Folheio-te na esperança de saber onde fiquei.
Naquela meia página?
Ou seria na folha manchada com uma borra de café?
Ou terei parado naquele bocado de papel amachucado
que jaz no caixote do lixo?
Folheio-te convencida de que me calas as dúvidas.
As que existem e as que virão.
Por isso te folheio.

Hoje sinto-me assim...

High

Beautiful dawn - lights up the shore for me
There is nothing else in the world
I'd rather wake up and see (with you)
Beautiful dawn - I'm just chasing time again
Thought I would die a lonely man, in endless night
But now I'm high; running wild among all the stars above
Sometimes it's hard to believe you remember me

Beautiful dawn - melt with the stars again
Do you remember the day when my journey began?
Will you remember the end (of time)?
Beautiful dawn - You're just blowing my mind again
Thought I was born to endless night, until you shine
High; running wild among all the stars above
Sometimes it's hard to believe you remember me

Will you be my shoulder when I'm grey and older?
Promise me tomorrow starts with you
Getting high; running wild among all the stars above
Sometimes it's hard to believe you remember me

James Blunt

quarta-feira, 4 de outubro de 2006

Ditos

"Quem dera o aborto ter, entre nós, o estatuto que tem a corrupção. A prática da corrupção desportiva já foi despenalizada há muito (não me lembro do último dirigente condenado) - e não precisou de referendo, o que é sensato, porque poupa tempo e chatice."

Ricardo Araújo Pereira in Visão


"George W. Bush, não sendo o diabo, também não é nenhum anjo. Eu vejo-o como um gnomo brincalhão e vagamente iletrado, ao qual, por ironia cósmica, tivesse sido dado um mundo para brincar."

Fernando Marques in Jornal de Notícias

Desencontros

Quando a Cristina me ligou para tomarmos um café, não estranhei. Disse-me que queria falar de algo novo na sua vida. Algo a que não estava habituada. Apaixonada? - perguntei (é engraçada esta tendência de se pensar que sempre que há novidades há romance no ar). Não. E não foi um não com risinhos ou com um não sejas tonta, nem com emoção na voz. Foi um não firme. Percebi. Que não. Mas estás bem? Sim, estou óptima, só quero trocar impressões sobre um assunto que me faz confusão.
Tomamos café. Bebi uma água.
Fui com o Jorge jantar com o pessoal. Estavam a Cátia, a Raquel e o seu eterno namorado de berloques, o João, o Carlos e o Valentim.
Sim, e então?
Então que depois do jantar saímos. Fomos ao Clube 4. Tu sabes, beber um copo e dançar. E supostamente conversar.
Porquê supostamente? Não conversaram? Sim, sim, era exactamente sobre isso que te queria falar. Acho que não consigo voltar a sair com eles.
Bolas Cristina, porquê?
Sabes que me senti uma estranha durante toda a noite? A estranha diplomata. A que tentou conversar com este e aquela, a que disse piadas... Até meti conversa com o namorado da Raquel!!! E tu sabes que eu detesto gajos de berloques!!!
Mas porquê?
Porque se junta um grupo de supostos amigos, para uma suposta noite divertida, e o que encontro é um conjunto de pessoas separado por teias de protecçao invisíveis... Percebes o que te quero dizer? Cada um de pé atrás com o outro. A observar o outro. A desconfiar do outro. A pesar cada palavra, cada sorriso, cada passo de dança. Passei-me!!!
Passo uma semana a trabalhar, controlada por mim, pelos chefes, pelos colegas... e quando saio no fim de semana, para me divertir, supostamente com amigos, sinto-me exactamente assim??
É, Cristina, já o senti. É o que costumo chamar de pobres adultos pequenos! Começam a trabalhar e tudo é um eventual alvo. A evitar ou a abater.
Mas Susana!!! Porquê??
Não te sei responder. Só sei que acontece. Já o vi!!!
Mas não com todas as pessoas, espero...
Não, com todas não.

terça-feira, 3 de outubro de 2006

Amigos gays XI

Também há aspectos negativos numa relação de amizade com gays. Um deles é, por exemplo, estarem sempre a dizer-me que o meu irmão é fantástico!!! Huumm... desta parte já não gosto... :)
Quero falar mas a voz não me sai.

Apenas murmúrios segredados.

Quero escrever mas a caneta foge-me por entre os dedos.

Apenas esquissos desconexos e desvairados.

sexta-feira, 22 de setembro de 2006

Fantástica!!!


A publicidade do Peugeot 207...

Siimm,

aquela das joaninhas!!

Passagens

"Baixando os olhos, ele fez então um gesto a pedir-me que falasse mais baixo. Estava visivelmente preocupado, talvez não quisesse que as crianças acordassem. Eu, pelo contrário, sentia que tinha a cabeça a transbordar de todas as recriminações que calara, e muitas das palavras que me vinham aos lábios atropelavam-se já na fronteira para além da qual deixamos de saber escolher o que é ou não oportuno dizermos."

Elena Ferrante in "Os Dias do Abandono"

quarta-feira, 20 de setembro de 2006

"Sou Homem e, por conseguinte,

trago todos os demónios no meu coração."

Gilbert Chesterton

A ver

terça-feira, 19 de setembro de 2006

Confissões

Levaste-me a lembrar que há situações que não acontecem só nos filmes. Sejam elas boas ou más. A que aconteceu contigo foi má. Só me perguntava como é possível. Como. Não encontrei resposta.

Levaste-me a lembrar que há situações que não acontecem só aos outros. Aconteceram comigo. Imaginaste como me deve ter sido difícil na altura. E foi. Mas não vivo presa a essas memórias. E foi isso que te expliquei. Porque foram estas situações (que ultrapassámos e com as quais crescemos e aprendemos) que nos fizeram ser quem somos. E eu gosto de quem sou. Só por isso, valeu a pena.

Regresso

Viajámos. Percorremos caminhos, ora já noutras andanças percorridos, ora a descobrir. Inalámos cheiros de mar, de montanhas, de areia dourada a escaldar. Apanhámos sol por entre erva verde de montanhas ainda virgens. Divertimo-nos pela noite, dançamos, vimos o dia a amanhecer. As luzes das cidades reflectidas no rio são de uma beleza anormal. Tão simples, no entanto...
Mas, mais importante de tudo, conhecemos gente. Pessoas. Novas ou nem tanto, malucas, tímidas, alheadas, faladoras, solidárias, aconchegantes, arrogantes, mortas pela vida ou ainda com capacidade de viver.
E, no fundo, são estes contactos com desconhecidos, que me levam querer a continuar eternamente a viajar.

segunda-feira, 4 de setembro de 2006

Pause


Uma curtíssima pausa nas férias para espreitar o blog. Do qual (confesso) senti a falta. Do género de animal doméstico abandonado em casa. Só e triste. E com fome. Após este intervalo vou enchê-lo de mimos. E trazer-lhe presentes dos sítios paradisíacos por onde a minha mente andou.

quinta-feira, 24 de agosto de 2006

Actualidades

Os EUA anunciaram hoje a sua disponibilidade para levantar o embargo contra Cuba, em vigor há 44 anos, se os dirigentes do país se comprometerem a aceitar uma transição para a democracia.
Já estava a estranhar a demora. Essa nação que é a América... sempre tão solícita e solidária para com os outros países... sempre pronta a ajudar...

quarta-feira, 23 de agosto de 2006

Frase do Dia

"A cruzada antitabaco, que já soma razoáveis vitórias, afunda-se no ridículo de querer rever a história e a arte. Do zelo pela saúde passa-se à censura aberta".

Nuno Pacheco, PÚBLICO, 23-08-2006

Primeiro foram as campanhas ditas chocantes e as frases presentes nos maços de tabaco a dizerem-me que vou morrer se continuar a fumar (e se não continuar, será que me vai ser oferecido um elixir da juventude eterna?).
Depois as proibições de fumar em espaços públicos (fumem muito, fumadores do nosso país em restaurantes e bares e discotecas que essa liberdade está quase a acabar!!).
Seguidamente, e qual bola de neve, começo a ser olhada de lado por não fumadores, desconhecidos ou colegas de trabalho, por levar um cigarro à boca e degustá-lo com prazer. HHuummm, cancro da sociedade a poluir o nosso ar puro, pensam estes moralistas da vida saudável!!!
E as organizações de nome mundial (claro, sempre a começar pela Saúde) a não contratarem fumadores (aqueles viciados!!).
Finalmente, os desenhos animados "Tom & Jerry" serão reeditados na Grã-Bretanha para suprimir as cenas em que os personagens aparecem a fumar, por serem as mesmas consideradas "inapropriadas" para crianças, segundo queixas da entidade local reguladora da televisão. Lá andarão os funcionários dessa nobre entidade a visionar todos os episódios do "Tom & Jerry" da minha infância para, zááss, cortarem todas as cenas em que qualquer boneco apareça a fumar! Podiam aproveitar e visionar também as séries infantis que passam nas televisões hoje em dia. É que as ditas também contêm muitas cenas "inapropriadas", especialmente para a saúde mental das crianças que as acompanham.
E a seguir, o que virá? Fecharem-nos em casas de tratamento, qual toxicodepedentes da vida moderna? Brigadas anti-tabaco nas ruas munidas de cacetetes sempre prontos a darem uma paulada a um fumador compulsivo?

Enfim, já não há paciência. E vou à minha vidinha.
FUMAR UM, DOIS, VINTE CIGARROS!!!

terça-feira, 22 de agosto de 2006

Amigos gays X

O bom de se ter amigos gays advém também do facto de eles se sentarem no sofá em frente à televisão, mais rapidamente do que eu (e, não duvido, do que a maioria das mulheres), quando começam episódios de O Sexo e a Cidade ou Donas de Casa Desesperadas.

Hoje é dia de...

"Nos Estados Unidos, quando uma pessoa está na paragem de autocarro e vê passar alguém num Rolls Royce, pensa: «Um dia hei-de ter um.» Em Portugal diz: « Um dia hás-de andar a pé como eu.»"

Horácio Roque, presidente do Banif, in Visão

PECADO

CAPITAL
Percorro sons perdidos

(encontrados)

há muito (pouco?)

tempo atrás.

Deixo-me embalar

por uma melodia

ritmada a voltas de relógio:

eterno (passageiro),

mecânico na sua ânsia de chegar

(partir...)

sexta-feira, 18 de agosto de 2006

Hoje é dia de...

PECADO

CAPITAL

Os livros

As formas como as pessoas se relacionam com os livros são variadíssimas. É engraçado ver como cada pessoa tem, com os livros, diferentes formas de ligação. A maioria dos portugueses, segundo as estatísticas, tem com eles uma relação de verdadeira indiferença. Eu, neste campo, sou uma verdadeira resistente. Devoro-os à velocidade que as outras ocupações me deixam. Com muito prazer. Se afirmar que não conseguiria viver sem eles não estou a mentir. É uma necessidade tão básica como, por exemplo, lavar os dentes ou fumar. Se me faltam os livros entro em ressaca. Dura.
Há aqueles que são elitistas na compra dos seus livros. Lembro-me de ler, há uns tempos, uma citação de um jornalista ou escritor (não sei bem) que dizia que era incapaz de comprar um livro numa grande superfície. Achei que seria por entendê-lo como um acto desonroso para o livro a comprar. A mim é-me completamente indiferente o local onde compro literatura. Seja na Fnac ou no Modelo. Na Bertrand ou num qualquer alfarrobista perdido numa cidade. Importante é comprá-los.
Há os livros que compramos porque deles nos falaram, ou porque sobre eles lemos uma crítica positiva. Outros há que nos levam a comprá-los. Entramos numa livraria e lá está aquele livro a olhar para nós, e a sussurrar-nos compra-me!! Sentes o chamamento e, em menos de nada ele passou da estante para a tua mão e daí para a tua vida.
É engraçado também observar as reacções dos leitores face aos livros. Lembro-me, por exemplo, do meu pai me contar que às vezes, ao ler determinada passagem dominada pela personagem maquiavélica, se irritava de tal forma que atirava com o livro ao chão. Tinha de esperar uns minutos até se recompôr e conseguir voltar à leitura. Nunca atirei um livro ao chão. Mas já dei comigo a chorar ou a sorrir.
Há livros escritos com uma serenidade e simplicidade exasperantes. Outros têm uma escrita cinematográfica, a deixar-nos com dificuldade em respirar. Parece que o filme nos está a passar todo em frente.
Há ainda os leitores egoístas e os liberais. Eu sou das egoístas. Cada vez mais me custa emprestar um livro a alguém. Parece que tenho hipotecado um bocadinho de mim... Sinto-me incompleta e aflita até ele voltar para mim. Aquelas há que lhes é completamente indiferente se os livros estão na estante da sala, junto dos cd's, ou em casa da tia, guardados no sótão com os peluches cheios de pó.

quinta-feira, 17 de agosto de 2006

Saudade

Hoje a saudade bate-me forte! Que saudades que tenho de ti, de ti, de ti e de ti... Que saudades de viver com vocês coisas tão banais às quais não dava qualquer importância... É sempre assim, não é? Só damos importância ao que é realmente importante quando não o temos... Hoje a saudade bate-me forte... O coração apertado a esforçar-se por não chorar... Os olhos vidrados a dizerem-vos baixinho: amo-vos... amo-vos muito...
Dança-me. Leva-me em teus braços a voar.
Dança-me. Com a ferocidade de um tango selvagem e lamentado. Sensual.
Dança-me com unhas e dentes como num samba quase a acabar.
Dança-me.

Water


"A widow should be long suffering until death, self-restrained and chaste. A virtuous wife who remains chaste when her husband has died goes to heaven.

A woman who is unfaithful to her husband is reborn in the womb of a jackal.

The Laws of Manu
Chapter 5, Verse 156-161
Dharamshastras
(Sacred Hindu texts)"

India. 1938. Uma criança é deixada pela família numa Casa de Viúvas porque o marido, que não conhece, morreu. Começa assim a viagem por Water, de Deepa Mehta. Imperdível. Simplesmente.

"There are over 34 million widows in India according to the 2001 Census. Many continue to live in conditions of social, economic and cultural deprivation as prescribed 2000 years ago by the Sacred Texts of Manu."

quarta-feira, 16 de agosto de 2006

Paredes de Coura, 1º dia: O homem que pôs o «M» em Coura

"Era, no mínimo, previsível que o regresso de Morrissey a Portugal constituísse um dos momentos altos do primeiro dia (oficial) do festival Paredes de Coura. O largo número de fãs presente era bem visível. Identificáveis não só pelo elevado número de t-shirts alusivas à banda, mas também pelas vestes e penteados passeados pelo recinto.
O mesmo público ficou, inevitavelmente, satisfeito com o regresso da figura icónica que representa Morrissey. Agigantou-se de forma natural. Com uma presença a transbordar charme. Da postura às vestes (trocou de camisa por quatro vezes). Dirigiu-se ao seu público com uma educação irrepreensível. Encenou o chicotear do cabo do microfone no palco como que um fatalismo (romântico) tão presente na sua obra. E nem a saída de palco de forma abrupta, quando tocava «Panic in the Streets of London», fez com o regresso não tivesse sido conseguido. Memorável, apenas…"


Pedro Trigueiro in Diário Digital

segunda-feira, 14 de agosto de 2006

Hoje é dia de...


PECADO

CAPITAL
Tomar um banho de mar, de águas quentes e calmas,

numa madrugada de dança,

muitos risos e alguns devaneios,

é um daqueles momentos preciosos

que nunca irei esquecer...

Existem instantes assim...

de tão simples que são tocam o divino...

Rolling Stones no Porto: Velhos são os outros!

"Um grande espectáculo e um alinhamento primoroso - ainda que tenha deixado de fora alguns clássicos - levaram o público do Estádio do Dragão à euforia na noite de Sábado. Os Rolling Stones vão na quarta década de existência, mas, perante a dinâmica e energia vistas, velhos são os outros!


Mick Jagger, incrivelmente irrequieto durante todo o concerto, conduziu com mestria os parceiros do grupo e músicos convidados, deslumbrando os cerca de 47.000 espectadores com um cenário fabuloso e que deixa bem longe tudo o que já se viu do género em Portugal, dos U2 a Madonna.
Jagger, Keith Richards, Charlie Watts, Ronnie Wood e os restantes elementos da banda britânica tocaram 20 temas, num rol iniciado em grande estilo com o clip de introdução à digressão «A Bigger Bang» e a interpretação de «Jumpin´Jack Flash» e que terminou num fabuloso encore com «Satisfaction».
O momento alto do espectáculo aconteceu, contudo, quando a parte central do palco se elevou, deslizando por um corredor central até meio do relvado, onde os membros da banda ficaram mais próximos do público, durante alguns temas, entre os quais «Miss You», «She´s So Cold» e «Honky Tonk Women».
Por entre o festival de luz e de som, espaço ainda para ver um Mick Jagger imparável (e a falar na maior parte do tempo no seu português abrasileirado) a prestar homenagem nos écrãs a Ray Charles e a recuperar algumas pérolas como «Ruby Tuesday», abrindo alas a alguns temas bluesy e à oportunidade de escutar Keith Richards, num concerto em crescendo que teve ainda em «Start Me Up», «Sympathy For The Devil» e «Can´t Always Get What You Want» outros pontos de destaque.
Se dúvidas havia, este concerto confirmou que, depois do último álbum de originais (de 2005, o melhor dos últimos 15 anos), os Stones recuperaram anos de vida, desfrutando em pleno - e em palco - do que de melhor estes anos de carreira lhes deram."

Filipe Rodrigues da Silva in Diário Digital

sexta-feira, 11 de agosto de 2006

Coisas que já não suporto III

Aquelas pessoas que, quando participam em determinada actividade, ou assistem a um qualquer evento, passam o tempo todo a tirar fotografias ou a filmar (e eu adoro fotografia, atenção!!). Qual é o objectivo? Vivenciarem, com as ditas fotografias ou filmes, aquilo que não viveram na altura, por estarem demasiado ocupados?

Banalidades do quotidiano (que vale a pena partilhar)

Se vês um homem na rua, vestido com uma camisa preta sobre os boxers azuis, aos corações, isso não significa obrigatoriamente que estás a ter uma alucinação.

quarta-feira, 9 de agosto de 2006

Banalidades do quotidiano (que vale a pena partilhar)

Se vês um velhote a dançar na passadeira, enquanto diz oohh yyeeaahh, isso não é obrigatoriamente um anúncio da Coca Cola.

terça-feira, 8 de agosto de 2006

Sonhei que estava contigo à beira rio. Um rio que eu conhecia mas não conhecia também. Sabes como são os sonhos, sempre incoerentes na sua sabedoria indecifrável.
Davas-me a mão e dizias-me que apesar de vivermos num mundo de loucos, em que as tecnologias substituem a carne, há coisas que não mudam: os sentimentos.
Explicavas-me que trocamos a televisão pelo computador. Os cd's pelo mp3. As conversas pelas sms's. O haxixe pelas pastilhas. Mas os sentimentos não evoluem assim. Não trocamos conceitos como amizade, amor, desejo, querer, entrega, por outros novos que os tenham vindo substituir. Porque tal não é possível. Podem ter uma materialização diferente, uma concretização diferente, um modo de os enfrentar diferente, mas a sua essência é sempre a mesma.
Dizias-me que é por isso que o futuro, um dia, se vai transformar em passado. Não melancólico. Não cansado. Porque nem sempre o futuro é tão lá à frente assim.
Ouvi-te atentamente como uma criança ouve a professora na escola. Compreendi o que me pretendias dizer.
Encostei a minha cabeça no teu ombro e olhei o rio, que eu conhecia mas não conhecia também, a correr, límpido e apressado e sedento de chegar ao mar.
Agradeci-te. Em silêncio. Desejando que o rio nunca páre de desaguar no mar.

"Passamos pelas coisas sem as ver, gastos, como animais envelhecidos: se alguém chama por nós não respondemos, se alguém nos pede amor não estremecemos, como frutos de sombra sem sabor, vamos caindo ao chão, apodrecidos."

Eugénio de Andrade

segunda-feira, 7 de agosto de 2006

Queria trazer-te tatuado em mim como uma segunda pele. Não seria transmutares-te?, perguntar-me-ias tu. E o que importa se essa transformação se me colaria como uma herança de há muitos anos? Pertença minha por direito? E se eu, de facto, sou incompleta, ou não completamente eu sem essa parte que me falta? Entendes-me? Consegues perceber-me? E se eu não sou eu? Ou sou... mas não irremediavelmente eu?
“ A arte é uma mentira

que nos faz compreender a verdade.”

Pablo Picasso

Amigos gays IX

O bom de termos amigos gays é que eles choram connosco nas cenas mais sensíveis dos filmes, em vez de se rirem na nossa cara, de nos chamarem lamechas ou dizerem: É só um filme!

sexta-feira, 4 de agosto de 2006

Dançar,

dançar,

dançar...

(Até que o corpo me doa

e a alma - feliz - consiga dormir.)

Agenda

Dia 26 de Outubro de 2006 - Campo Pequeno (Lisboa):

MuSe

Dia de Aniversário

Há 1 ano esta blog começava assim:

"Um dia acordas e decides criar um blog.
Anonimamente.
Sem rosto.
Com confissões.
Segredos.
Banalidades.
No que é que isto vai dar?
Não sei."

Hoje os intentos mantêm-se basicamente os mesmos.
Continuemos, portanto...

quinta-feira, 3 de agosto de 2006

SUDOESTE

«O Sudoeste chega à décima edição e é o maior festival de música moderna de Verão em Portugal. Esperam-se entre 25 mil e 30 mil pessoas em cada um dos quatro dias, de hoje até domingo. Mas quantos estarão lá apenas para o campismo, a praia e alguns dias com os amigos, sendo a música um factor acessório?
Na sexta-feira, 8 de Agosto de 1997, um palco português recebeu um alinhamento de quatro bandas: Entre Aspas, Urban Species, Veruca Salt e Blur. Nada de especial no facto, a não ser que se tratava do primeiro dia da primeira edição de um festival chamado Sudoeste. E que hoje comemora a sua décima edição, sempre na Herdade da Casa Branca, Zambujeira do Mar, Odemira.
Dez anos após um começo singelo - um palco, três dias, 24 concertos -, o (este ano) SWTMN 10.º Festival Sudoeste é actualmente o maior festival de música moderna em Portugal.
Entre hoje e a madrugada de segunda-feira são esperadas no litoral sul-alentejano entre 100 mil e 120 mil entradas (muitas pessoas vão a mais do que um dia), número que Álvaro Covões, uma das duas cabeças (com Luís Montez) da produtora de sempre do festival, a Música no Coração, considera ser o intervalo que garante um mínimo de conforto para os espectadores. Preços: 40 euros o bilhete diário, 70 o passe de quatro dias, com direito a acampar. Em 1997, um bilhete para todo o festival custava 6 mil escudos, ou seja, 30 euros.
Quanto a concertos, serão quase 70, divididos por três palcos que estarão em actividade simultânea. Para a edição de 2006, e com as indicações disponíveis à hora de fecho desta edição, as expectativas são boas, a fazer fé nos muitos milhares de campistas que já enchiam o parque de campismo contíguo ao recinto dos espectáculos.
O Sudoeste não foi o primeiro festival do género: tinha antecedentes corajosos como Vilar de Mouros, e mesmo, também da Música no Coração, o Super Bock Super Rock, que ainda se mantêm.

A aventura do isolamento

Mas o que separou o Sudoeste destes irmãos mais velhos foi o facto de se realizar num local perfeitamente deslocado de qualquer roteiro cultural, a grande distância de grandes aglomerados urbanos.
Foi uma aventura, como contou Álvaro Covões há uns anos. "Na noite anterior ao começo do [primeiro] festival, numa noite de céu estrelado, eu e o Luís Montez subimos ao palco... Olhámos em redor e recordo-me de lhe ter dito: "Nós somos loucos! O que é que estamos aqui a fazer, no meio do nada, neste fim do mundo?".
Mas a aposta na Herdade da Casa Branca, a poucos quilómetros do mar, foi ganha. Porque integrava uma mais vasta tendência europeia para as migrações das tribos urbanas para zonas exógenas. Factores como a distância deixam de ser condicionantes para serem atractivos: não custa fazer algumas centenas de quilómetros, porque se está em convívio no meio da natureza.
Ao longo dos anos, a Música no Coração tem tratado da herdade durante 51 semanas, para que durante uma semana esta esteja em condições para receber as milhares de pessoas que por lá passam. Espectadores, claro, mas também os artistas e suas comitivas, técnicos, forças de segurança e saúde, jornalistas, vendedores. E muitos destes são simultaneamente campistas.
A outra entidade responsável é a Câmara Municipal de Odemira, o vasto concelho onde se situa a Freguesia da Zambujeira do Mar. Para a autarquia, é uma parceria que traz vantagens: projecção do nome a nível nacional e internacional, integração num roteiro de grandes festivais, e entrada de verbas através das dormidas, restauração e lojas de venda de mantimentos, disse ontem Carlos Oliveira, vereador da Câmara de Odemira responsável pelo festival.

Praia ou música?

O festival chega à décima edição, sem interrupção, mas o balanço final é uma incógnita num ano em que tem havido iniciativas musicais em Portugal com resultados muito abaixo do esperado, entre os quais algumas da Música no Coração - lembremos o Hype@Tejo, descendente do @Meco, que tinha como objectivo a aposta nas novas tendências de dança e electrónica e que teve no Terrapleno de Santos a 8 de Julho pouco mais de 2000 espectadores.
Ou seja, saber se o modelo tradicional de festival de Verão se mantém e qual o equilíbrio entre "cartaz" e "público".
Se antigamente quem ia ao Sudoeste ia essencialmente pela música e pelos artistas que queria ver, agora a proporção inverteu-se, e são mais os que dizem que vão até à Zambujeira pelo lazer. E aqui a Herdade da Casa Branca tem uma localização privilegiada, quer física, quer temporal - na primeira semana de Agosto a esmagadora maioria dos portugueses está de férias.

Não há efeito "arrastamento"

Assim, e num festival por onde já passaram nomes grandes como Oasis, Marilyn Manson, Korn e Cure, na área do rock, passa-se agora para um alinhamento que privilegia os sons mais virados para a dança - o que se nota, aliás, no atraso dos horários dos concertos, que vão terminar regularmente às três ou quatro horas da manhã -, para o reggae. E sem nenhum nome enorme, que tenha um efeito de arrastamento, resultado, em parte, da mudança de dias do festival de Benicassim, em Espanha, que regularmente se realizava também nos primeiros dias de Agosto.
Daqui a quatro dias se fará as contas às comemorações desta primeira década do Sudoeste. As faixas etárias continuam a alargar-se (vão os jovens, mas também os trintões e quarentões com os filhos), o gosto pelo local e as condições mantêm-se. Falta perceber o peso das mudanças do factor cartaz.»


Eurico Monchique in PÚBLICO

quarta-feira, 2 de agosto de 2006

Enganas os dias à força da vontade
que eles caiam como folhas envelhecidas pelo Outono.

Enganas-te à força da vontade de que o amanhã seja hoje.

Enganas os outros à força da vontade de fingires que acreditas.

Enganam-te a ti à força da vontade
de quererem acreditar que a mentira é verdade.

Ou de que a verdade não é verdadeira.

terça-feira, 1 de agosto de 2006

terça-feira, 25 de julho de 2006

Migrações

Não pretendo ser (muito) politicamente incorrecta. Nem tão pouco chocar ninguém. Mas tenho de perguntá-lo: porque é que a maioria dos emigrantes do nosso país não passa férias no país de acolhimento, ou num outro qualquer longe daqui?
Estas são algumas das preciosidades que tenho ouvido desta espécie muito particular: “Tá tudo bem. Yaahh, chegamos há três dias. Yaahh, a viagem correu bem. Of course!!”; “Estamos de vacances. Ruth Cristinneeee vem ici à tua maman. Rápido antes que leves dois pares de estalos nesse focinhooooo!!”; e ainda conversas em volume máximo sobre este que acabou de passar, olha, olha, que é filho da D. Ana, aquele que era amante da Susana lá da vila que depois fugiu com o António da Srª. Carmélia, que Deus a tenha que era tão boa mulher e que não merecia isto!!
Além disso, tem-me sido concedido o privilégio de ver um ou outro exemplar do sexo feminino vestido, nomeadamente, com mini-saia verde, sandálias vermelhas, camisolinha amarela e, para compor, as unhazitas pintadas de rosa choque e, claro, lascadas para dar aquele toque especial; finalmente, o cabelo num amarelo muito feio com enormes raízes pretas, composto com a molazita de plástico. Fantástico!!
E fico-me por aqui, não vão pensar que tenho alguma coisa contra os emigrantes. Não tenho (pelo menos em relação àqueles que, depois de emigrarem, não se transformaram em aves raras), mas será que não podiam passar férias longe? É que durante o ano inteiro já tenho de levar com as suas grandiosas obras de arte a que os mesmos chamam de casas…

sábado, 22 de julho de 2006

E porque hoje me apetece recordar filmes...


Filme que nos dá a conhecer os destinos das pessoas que viviam na Residência Espanhola (quem não se lembra desse filme maravilhoso?), após o fim da faculdade.

Cada um segue o seu destino e voltam a reencontrar-se para um casamento.

Não é tão engraçado como o primeiro mas não deixa de ser obrigatório vê-lo: relata as relações, emoções, dúvidas, medos, erros de jovens adultos.

Permite revermo-nos a nós próprios.

O atentado de Mombai

«O recente atentado aos comboios da cidade indiana de Mombai, com o seu cortejo de centenas de mortos e feridos, ganha o prémio da indiferença selectiva. Não sei qual é o critério a que escapa a este atentado para ser tão ignorado: número de mortos e feridos bastante, estratégia puramente terrorista de atingir civis indefesos para gerar fenómenos de medo colectivo e dar um "sinal" aos "cruzados" do lado hindu. O mesmo que aconteceu em Nova Iorque e em Madrid. E é exactamente o mesmo, só que do outro lado da "guerra das civilizações", do lado hindu. Assim ninguém quer saber. Ou melhor não quer saber porque não convém. Criminoso de guerra é Bush e bárbaros são os americanos, logo tudo o resto é a esta luz que se vê. Ou melhor, não vê.»

Pacheco Pereira in Sábado

Frase do dia

"A Síria precisa dizer ao Hezbollah que pare com toda essa merda".

Autor: George Bush, durante o almoço de encerramento da cimeira do G8, desconhecendo que os microfones estavam ligados.

sexta-feira, 21 de julho de 2006

Ternura

Desvio dos teus ombros o lençol
que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do Sol,
quando depois do Sol não vem mais nada...

Olho a roupa no chão: que tempestade!
há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
em que uma tempestade sobreveio...

Começas a vestir-te, lentamente,
e é ternura também que vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente
que da nossa ternura anda sorrindo...

Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!

David Mourão Ferreira
«QUANTAS VEZES NAS NOSSAS VIDAS DEIXAMOS DE DIZER
"AMO-TE", "FAZES-ME FALTA",
"FAZES-ME FELIZ", "É DE TI QUE EU GOSTO",
"FICA MAIS UM POUCO"?

QUANTAS OPORTUNIDADES PERDEMOS POR TIMIDEZ,
EXCESSO OU ORGULHO?

COMO DIZIA CHAPLIN: "A VIDA É UMA PEÇA DE TEATRO
QUE NÃO PERMITE ENSAIOS."

POR ISSO CANTA, RI, DANÇA, CHORA
E VIVE CADA MOMENTO DA TUA VIDA
ANTES QUE AS CORTINAS SE FECHEM
E A PEÇA TERMINE SEM APLAUSOS.
SÊ FELIZ!» *

(* SMS's enviada por uma amiga.)

Para ler todos os dias ao acordar.

quinta-feira, 20 de julho de 2006

À Fiona

Este texto é também para ti!
Sei que a vida é feita de altos e baixos. Que cá se fazem, cá se pagam. Que Deus escreve direito por linhas tortas. Que não há mal que sempre dure. Que a vingança é um prato que se serve frio. Que todos os santos têm o seu Natal. E podia continuar, com uma série de ditos populares que, malfadadas excepções, batem sempre certo.
Mas por vezes é difícil compreender porque temos de lidar com determinadas situações. Porque é que somos confrontados com elas sem o ter pedido ou sequer desejado. Porque é que elas tinham que acontecer connosco. Porquê, porquê, porquê?
E levamos a vida com esses percalços às costas, a pesar-nos, sem nunca compreender... E vamo-nos fortalecendo, crescendo, aprendendo, com tudo o que isso tem de bom e de mau. Habitua-mo-nos, até, a viver com esse peso morto que não sabemos de onde surgiu.
E um dia, um dia como os outros, algo de bom acontece. Algo de muito bom acontece. Quase que juraria que aconteceu para me explicar o que até aqui não tinha entendido. Quase que juraria que tudo o que aconteceu era obrigatório porque me transformou na pessoa que sou hoje.
Compreendo agora, como sempre quando a justiça age, que as coisas nos acontecem porque têm de acontecer. Porque são esses acontecimentos imprevistos que nos fazem ganhar o que muito necessitamos na vida: experiência(s).
Hoje, o mundo provou-me (uma vez mais) que o meu caminho se cumpre. E cumpre-se como sempre acreditei (com dificuldades por vezes) que se devia cumprir.

Hoje sinto-me...


PiNtAdA

dE

fReScO

terça-feira, 18 de julho de 2006

- Mudei muito. Não sou a pessoa que um dia conheceste.
- Sim... Mas não podes ter ficado irreconhecível. Tens de ter ainda um pouco de ti!
- Não nos víamos há ... aaahhh... seis anos?
- Seis anos.
- Como podes então ter a pretensão de achar que ainda sou eu?
- Conheces-me?
- Não.
- Então porque é que insistes em tratar-me como se me conhecesses?

segunda-feira, 17 de julho de 2006

E porque hoje me apetece recordar filmes...


Adorei este! É leve e divertido.
Conta com a participação da "nossa" Lúcia Moniz.
A banda sonora é excelente.
Hugh Grant leva-nos a querer um primeiro-ministro assim.
Nunca um hit de Natal foi tão sedutoramente "cantado".
Logo no genérico me emocionei
(lembram-se das despedidas e reencontros no aeroporto?)...

Recomenda-se: A ver ou rever num Domingo à tarde
(de preferência se o/a espectador(a) estiver de ressaca).

...

Acordas com a má disposição de quem se acabou de deitar. Olhas-te ao espelho e vês a mulher de todos os dias. A cara de todos os dias. O cansaço de todos os dias. E de todas as noites. Diriges-te à cozinha e preparas o teu pequeno almoço. Que, possa embora ser muito diferente, te sabe sempre ao mesmo. Ou melhor, que a nada te sabe.
Sais de casa, entras no carro, vais trabalhar. Passa por ti, como sempre, a paisagem linda que tens a sorte de te rodear. Não a vês sequer. Acho que fazes questão de não a ver, de não a sentir, para que assim não te possas dar esse pequeno privilégio.
Ai... lembras-te agora que te dói a cabeça. Ontem doía-te a barriga. E amanhã, já sabes, vai doer-te outra coisa qualquer.
Passa-te o dia a correr. Mecânico. Perdes a noção dos minutos pelo meio dos papéis. Acho que é a parte do dia que mais gostas. Aquela em que não te lembras que és alguém, que é suposto seres alguém.
Voltas a casa ao final do dia. Passou-te a dor de cabeça mas sentes-te pesada, cansada. E amanhã, já sabes, vais sentir outra coisa qualquer. Dás um jeito à casa, à roupa, ao jardim. Preparas o jantar. Tomas um banho para relaxar. Jantas só. Metida com os teus pensamentos de solidão. Alegras-te um pouco porque daqui a nada estás sentada no sofá a ver as tuas novelas. Choras, ris, sofres com as vivências difíceis das personagens. Emocionas-te com o beijo quente de uma paixão sempre adiada. Odeias a mulher maquiavélica que faz o mal para seu bem.
Como é possível viveres assim? Como consegues?
Vives uma não-vida. Ou não a vives? Sei lá... Sei apenas que não existes por medo. E sei também que são as novelas e as vidas dos que te são mais próximos que enchem a tua vida. Vibras com os seus sonhos e ilusões. Choras com as suas desilusões...
E tu? Quando vais começar a preencher-te com a tua vida? Qual vida?
Acho que nunca amiga... E custa-me tanto porque gosto de ti...
Acho que nunca... amiga.

terça-feira, 11 de julho de 2006


(Só até a proprietária reencontrar as palavras que o caminho lhe roubou.)

segunda-feira, 10 de julho de 2006

Para ti...

Existem dias
em que,
por muito grande
seja
a necessidade de escrever,
de dizer,
de soltar...
...a alma fecha-me
o coração à chave
proibindo-me
de o fazer...

sexta-feira, 7 de julho de 2006

Constatações

Odeio pessoas FORRETAS!!!

(Não a totalidade da pessoa em si,

mas esse DESVIO de personalidade)

Os trintas (II)

Quando tinha 15 ou 16 anos, lembro-me de imaginar que aos 30, seria casada, talvez com filhos, com uma vida completamente organizada e estável.
Nada disso aconteceu. Continuo solteira, sem filhos, com uma vida agradavelmente instável dentro da estabilidade possível.
Lembro-me de pensar que aos 30 devia usar fatos de saia-casaco no trabalho (que horror!!!). A maioria dos dias venho trabalhar de calças de ganga!
Lembro-me de pensar que aos 30 seria muito adulta! Continuo uma criança adorável!
Que as discotecas já não seriam para mim... Puro erro!
Que, que, que... muitas coisas mais...
E é muito bom chegar aos trintas com muita sede de viver, com muita curiosidade, com instabilidade também, com a noção de que sei muito pouco e que quero sempre aprender...
E, principalmente, é muito bom chegar aos trintas sabendo que as coisas não são como pensava que eram, que a vida nos troca as voltas a seu bel prazer, sem nos avisar.
Quando tinha 15 ou 16 anos, lembro-me de imaginar que aos 30 a minha vida seria uma seca!!
NÃO O É!!