quinta-feira, 2 de novembro de 2006

Acordo mas quero continuar a dormir. Levanto-me mas gostaria de me deixar cair. Só. Dura. Inerte. Sentir-me no aconchego da queda. Procurar-me. Para me voltar a perder. Mas em mim. Só em mim.
Alimentar-me de ar e de saudade. E querer. E esquecer.

segunda-feira, 30 de outubro de 2006

Constatações V

Passo-me com aquelas pessoas que, estando fartas de saber quem eu sou, só se decidem a cumprimentar-me quando, por uma qualquer causa, estão mascaradas.
Nessas alturas só me apetece dizer: "PALHAAAÇOOO!!!"

sexta-feira, 27 de outubro de 2006

Ontem, pelos vistos, foi assim...

"Muse no Campo Pequeno : Grupo novo rock
Os Muse provaram no Campo Pequeno porque razões conseguem ser uma das forças catalisadoras de adrenalina dentro do «rock’n’roll». Com discos melhores ou piores, é em palco que Matthew Bellamy e companhia mostram o seu virtuosismo.



A passagem dos Muse por Portugal é sempre mais do que um simples regresso para apresentar um novo disco. «Black Holes and Revelations» é porventura o disco menos inspirado da sua carreira o que em momento algum se reflectiu no espectáculo.
Mas não por acaso, o concerto do Campo Pequeno foi mais uma antologia em que couberam confortavelmente «New Born», «Plug in Baby» ou «Time is Running Out» do que uma amostra do último álbum.
A renovada Praça de Touros deu lugar a um palco de dimensões avultadas onde os três músicos nunca se perderam no meio de arranjos tecnológicos e pirotecnia de conta bancária cheia. Um complemento perfeito entre som e imagem, sem nunca cair no exagero.
Se dúvidas tivessem sido levantadas por uma inversão «disco» no percurso dos Muse, a actuação que apresentaram devolveu a banda ao território que lhe pertenceu, o do rock. Com direito a psicadelismos, extravagâncias mas acima de tudo, grandes canções plenas de músculo e pujança. Um dos concertos de 2006."


Davide Pinheiro in Diário Digital

terça-feira, 24 de outubro de 2006

Menina-mulher

A mãe chamava-a mas ela não ouvia. Adorava brincar às mulheres. Vestia e despia as saias, os tops, os vestidos de Verão da tia. Calçava sandálias de tiras. Punha lenços na cabeça. Tirava-os. Piscava o olho entre uma muda de óculos de sol. Imaginava-se numa passerelle. O espelho aplaudia. Sorria. Fazia poses de estrela. Dançava ao sabor da imaginação. Adorava a profusão de cores das roupas espalhadas pelo quarto. Em cima da cama. No chão. Queria crescer. Dava voltas por entre tiques de sedução. Passava tardes inteiras assim. Colocava brincos e anéis e pulseiras. Os lábios de um vermelho muito vivo e desalinhado. Os olhos de verde e roxo e esperança. Punha, tirava, apertava. Passava tardes inteiras assim...

Aborto

A questão do aborto ou, melhor dizendo, da sua liberalização, volta a estar na boca da opinião pública. Novo referendo, do qual se espera resultar a maioria do sim.
Sou a favor da sua liberalização. E irritam-me um pouco os argumentos defensados por aqueles que não concordam. A sua frase fétiche - "Nós somos pelo sim à vida" (ou algo parecido) - enerva-me profundamente. Porque eu também sou pelo sim à vida. E não, não sou a favor do aborto, mas sim da sua liberalização, o que não é bem a mesma coisa.
O que mais me chateia, no meio de tudo isto é o cinismo. A hipocrisia. Porque ao liberalizarmos o aborto não estamos a incentivar a sua prática. Apenas a permitir que as mulheres o façam em segurança.
Os defensores da moralidade e dos bons costumes são pelo sim à vida. E em relação às mulheres que morrem devido à prática de abortos clandestinos, já não o são? E em relação às mulheres que ficam com mazelas para o resto da vida que não lhes permitirá voltar a ter filhos? Já não se coloca a questão do sim à vida?
Peço desculpa pela frontalidade mas O ABORTO EXISTE! Quer seja ou não aprovada a sua liberalização.
Não será melhor, então, pararmos de enfiar a cabeça na areia?

Constatações IV

DETESTO DENTISTAS!!!

quinta-feira, 19 de outubro de 2006

Susto

Antes do almoço, estava a actualizar a leitura das notícias na Internet, quando leio uma notícia que me dá uma enorme vontade de chorar. Gritar. Partir objectos.
No entanto, recorri àquele velho exercício de contar até 10. Respirei fundo e decidi ir almoçar mais cedo.
Agora, que já um tempo passou, que já me sinto mais calma, decido partilhá-lo. No entanto, aviso, leiam devagar (caso contrário podem ter um colapso nervoso). Respirem fundo. Contem até 10, mesmo antes de ler. E depois de o fazerem, voltem a respirar fundo e, aconselho, contem até 20. Ou 30. Ou até onde precisarem.
Aqui vai: Os Delfins, essa maravilhosa banda portuguesa que desvirtua completamente a "essência" dos animais com o mesmo nome, encontra-se a gravar um novo álbum. O primeiro em 5 anos. E mais: a obra prima que daí resultar sairá para o mercado no início do próximo ano. Ai, que tenho medo...
Meu Deus, que terei eu feito de tão mau?
O que terá a humanidade feito de tão mau para ser castigada assim?

Reflexões

"Procede deste modo, caro Lucílio: reclama o direito de dispores de ti, concentra e aproveita todo o tempo que até agora te era roubado, te era subtraído, que te fugira das mãos. Convence-te de que as coisas são tal como as descrevo: uma parte do tempo é-nos tomada, outra parte vai-se sem darmos por isso, outra deixamo-la escapar. Mas o pior de tudo é o tempo desperdiçado por negligência. Se bem reparares, durante grande parte da vida agimos mal, durante a maior parte não agimos nada, durante toda a vida agimos inutilmente.”


Séneca in “Cartas a Lucílio”



quarta-feira, 18 de outubro de 2006

A ouvir



Carioca - Chico Buarque

segunda-feira, 16 de outubro de 2006

Futebolices

Jorge Costa, rapaz da bola de quem sempre gostei muito (parece-me ter cara de bom rapaz, embora no campo fosse - só às vezes - um pouco duro), despediu-se hoje oficialmente dos relvados, afirmando que gostaria de vir a ser presidente do FCP (claro!!), tendo a seu lado Vítor Baía.
Gostava de ver...

E-Mail

Este blog passa a ter um endereço de e-mail (basta clicarem aqui ao lado no meu perfil).
Prontinho para receber opiniões, sugestões, curiosidades, banalidades e tudo o mais que tenham a dizer. Até já.

sexta-feira, 13 de outubro de 2006

Constatações III

Por vezes somos confrontados com situações
de que nem o diabo se lembraria!!!

quinta-feira, 12 de outubro de 2006

"A minha casinha"

*

A conversa com um amigo, que me falava das saudades que tinha da sua anterior casa, onde viveu por três anos, levou-me a pensar na relação que tenho com a minha casa. Nunca pensamos nisso, não é? As nossas casas são-nos tão nossas que nem pensamos nisso.

Hoje pensei na minha. Que é acolhedora. Pequena. Serena. De onde ouço passarinhos ao acordar. E depois é cúmplice... Quem nos conhecerá melhor do que a nossa casa? Ouve-nos os risos, os choros, os gemidos de prazer. Ouve-nos os passos. E ninguém melhor que ela nos conhece os humores, as mágoas, as alegrias.

Gosto da minha casa... tenho-a como uma amiga silente que me é cúmplice. Companheira...

* P.S.: A minha casa não é como a da fotografia... Mas um dia chego lá!

Constatações II

É impressionante como a maioria das melhores ideias
que possamos ter surgem mesmo antes do sono.

Constatações I

Os blogs são um vício do caraças!!

quarta-feira, 11 de outubro de 2006

"Seja você mesmo. Todos os outros já existem."

Oscar Wilde

terça-feira, 10 de outubro de 2006

Voltas

De novo a viajar. Despedidas momentâneas e reencontros passageiros.
Passeio por estradas outrora já percorridas. Continuo a sentir o sol a banhar-me o corpo, tal como na última vez que cá estive. No entanto, as pessoas parecem-me mais tristes. Melancólicas. Perdidas em pensamentos que se escapam pelo olhar. Deve ser por estarmos no Outono. Sente-se a época fria a chegar...
Conheço gente nova. Engraçada. Ingénua até... Surpreende-me como, em contextos de trabalho, existem ainda pessoas ingénuas. Faz-me uma certa confusão.
Passo esta pequena temporada em casa de amigos nascidos num outro sítio, numa outra procissão. E cá estamos novamente juntos. A vida é engraçada não é? Aproxima-nos, separa-nos, troca-nos as voltas só para nos voltar a surpreender. Só para que possamos dizer quem diria!!
Jogamos às cartas em serões de risos e união. E vou dormir. Para voltar a acordar.
E, sem dar por isso, para casa voltar.

Achado

"Um combate e outras histórias", de Patrick Süskind -
Edições ASA de bolso - a um preço azul de 1, 50 €.

TE

DISSE

HOJE

QUE

TE

AMO?

sexta-feira, 6 de outubro de 2006

Folhas Soltas

Folheio-te vagamente. Percorro-te procurando memórias.
Vejo-te interrompido, riscado,sublinhado, rasgado.
Folheio-te na esperança de saber onde fiquei.
Naquela meia página?
Ou seria na folha manchada com uma borra de café?
Ou terei parado naquele bocado de papel amachucado
que jaz no caixote do lixo?
Folheio-te convencida de que me calas as dúvidas.
As que existem e as que virão.
Por isso te folheio.