terça-feira, 22 de agosto de 2006

Percorro sons perdidos

(encontrados)

há muito (pouco?)

tempo atrás.

Deixo-me embalar

por uma melodia

ritmada a voltas de relógio:

eterno (passageiro),

mecânico na sua ânsia de chegar

(partir...)

sexta-feira, 18 de agosto de 2006

Hoje é dia de...

PECADO

CAPITAL

Os livros

As formas como as pessoas se relacionam com os livros são variadíssimas. É engraçado ver como cada pessoa tem, com os livros, diferentes formas de ligação. A maioria dos portugueses, segundo as estatísticas, tem com eles uma relação de verdadeira indiferença. Eu, neste campo, sou uma verdadeira resistente. Devoro-os à velocidade que as outras ocupações me deixam. Com muito prazer. Se afirmar que não conseguiria viver sem eles não estou a mentir. É uma necessidade tão básica como, por exemplo, lavar os dentes ou fumar. Se me faltam os livros entro em ressaca. Dura.
Há aqueles que são elitistas na compra dos seus livros. Lembro-me de ler, há uns tempos, uma citação de um jornalista ou escritor (não sei bem) que dizia que era incapaz de comprar um livro numa grande superfície. Achei que seria por entendê-lo como um acto desonroso para o livro a comprar. A mim é-me completamente indiferente o local onde compro literatura. Seja na Fnac ou no Modelo. Na Bertrand ou num qualquer alfarrobista perdido numa cidade. Importante é comprá-los.
Há os livros que compramos porque deles nos falaram, ou porque sobre eles lemos uma crítica positiva. Outros há que nos levam a comprá-los. Entramos numa livraria e lá está aquele livro a olhar para nós, e a sussurrar-nos compra-me!! Sentes o chamamento e, em menos de nada ele passou da estante para a tua mão e daí para a tua vida.
É engraçado também observar as reacções dos leitores face aos livros. Lembro-me, por exemplo, do meu pai me contar que às vezes, ao ler determinada passagem dominada pela personagem maquiavélica, se irritava de tal forma que atirava com o livro ao chão. Tinha de esperar uns minutos até se recompôr e conseguir voltar à leitura. Nunca atirei um livro ao chão. Mas já dei comigo a chorar ou a sorrir.
Há livros escritos com uma serenidade e simplicidade exasperantes. Outros têm uma escrita cinematográfica, a deixar-nos com dificuldade em respirar. Parece que o filme nos está a passar todo em frente.
Há ainda os leitores egoístas e os liberais. Eu sou das egoístas. Cada vez mais me custa emprestar um livro a alguém. Parece que tenho hipotecado um bocadinho de mim... Sinto-me incompleta e aflita até ele voltar para mim. Aquelas há que lhes é completamente indiferente se os livros estão na estante da sala, junto dos cd's, ou em casa da tia, guardados no sótão com os peluches cheios de pó.

quinta-feira, 17 de agosto de 2006

Saudade

Hoje a saudade bate-me forte! Que saudades que tenho de ti, de ti, de ti e de ti... Que saudades de viver com vocês coisas tão banais às quais não dava qualquer importância... É sempre assim, não é? Só damos importância ao que é realmente importante quando não o temos... Hoje a saudade bate-me forte... O coração apertado a esforçar-se por não chorar... Os olhos vidrados a dizerem-vos baixinho: amo-vos... amo-vos muito...
Dança-me. Leva-me em teus braços a voar.
Dança-me. Com a ferocidade de um tango selvagem e lamentado. Sensual.
Dança-me com unhas e dentes como num samba quase a acabar.
Dança-me.

Water


"A widow should be long suffering until death, self-restrained and chaste. A virtuous wife who remains chaste when her husband has died goes to heaven.

A woman who is unfaithful to her husband is reborn in the womb of a jackal.

The Laws of Manu
Chapter 5, Verse 156-161
Dharamshastras
(Sacred Hindu texts)"

India. 1938. Uma criança é deixada pela família numa Casa de Viúvas porque o marido, que não conhece, morreu. Começa assim a viagem por Water, de Deepa Mehta. Imperdível. Simplesmente.

"There are over 34 million widows in India according to the 2001 Census. Many continue to live in conditions of social, economic and cultural deprivation as prescribed 2000 years ago by the Sacred Texts of Manu."

quarta-feira, 16 de agosto de 2006

Paredes de Coura, 1º dia: O homem que pôs o «M» em Coura

"Era, no mínimo, previsível que o regresso de Morrissey a Portugal constituísse um dos momentos altos do primeiro dia (oficial) do festival Paredes de Coura. O largo número de fãs presente era bem visível. Identificáveis não só pelo elevado número de t-shirts alusivas à banda, mas também pelas vestes e penteados passeados pelo recinto.
O mesmo público ficou, inevitavelmente, satisfeito com o regresso da figura icónica que representa Morrissey. Agigantou-se de forma natural. Com uma presença a transbordar charme. Da postura às vestes (trocou de camisa por quatro vezes). Dirigiu-se ao seu público com uma educação irrepreensível. Encenou o chicotear do cabo do microfone no palco como que um fatalismo (romântico) tão presente na sua obra. E nem a saída de palco de forma abrupta, quando tocava «Panic in the Streets of London», fez com o regresso não tivesse sido conseguido. Memorável, apenas…"


Pedro Trigueiro in Diário Digital

segunda-feira, 14 de agosto de 2006

Hoje é dia de...


PECADO

CAPITAL
Tomar um banho de mar, de águas quentes e calmas,

numa madrugada de dança,

muitos risos e alguns devaneios,

é um daqueles momentos preciosos

que nunca irei esquecer...

Existem instantes assim...

de tão simples que são tocam o divino...

Rolling Stones no Porto: Velhos são os outros!

"Um grande espectáculo e um alinhamento primoroso - ainda que tenha deixado de fora alguns clássicos - levaram o público do Estádio do Dragão à euforia na noite de Sábado. Os Rolling Stones vão na quarta década de existência, mas, perante a dinâmica e energia vistas, velhos são os outros!


Mick Jagger, incrivelmente irrequieto durante todo o concerto, conduziu com mestria os parceiros do grupo e músicos convidados, deslumbrando os cerca de 47.000 espectadores com um cenário fabuloso e que deixa bem longe tudo o que já se viu do género em Portugal, dos U2 a Madonna.
Jagger, Keith Richards, Charlie Watts, Ronnie Wood e os restantes elementos da banda britânica tocaram 20 temas, num rol iniciado em grande estilo com o clip de introdução à digressão «A Bigger Bang» e a interpretação de «Jumpin´Jack Flash» e que terminou num fabuloso encore com «Satisfaction».
O momento alto do espectáculo aconteceu, contudo, quando a parte central do palco se elevou, deslizando por um corredor central até meio do relvado, onde os membros da banda ficaram mais próximos do público, durante alguns temas, entre os quais «Miss You», «She´s So Cold» e «Honky Tonk Women».
Por entre o festival de luz e de som, espaço ainda para ver um Mick Jagger imparável (e a falar na maior parte do tempo no seu português abrasileirado) a prestar homenagem nos écrãs a Ray Charles e a recuperar algumas pérolas como «Ruby Tuesday», abrindo alas a alguns temas bluesy e à oportunidade de escutar Keith Richards, num concerto em crescendo que teve ainda em «Start Me Up», «Sympathy For The Devil» e «Can´t Always Get What You Want» outros pontos de destaque.
Se dúvidas havia, este concerto confirmou que, depois do último álbum de originais (de 2005, o melhor dos últimos 15 anos), os Stones recuperaram anos de vida, desfrutando em pleno - e em palco - do que de melhor estes anos de carreira lhes deram."

Filipe Rodrigues da Silva in Diário Digital

sexta-feira, 11 de agosto de 2006

Coisas que já não suporto III

Aquelas pessoas que, quando participam em determinada actividade, ou assistem a um qualquer evento, passam o tempo todo a tirar fotografias ou a filmar (e eu adoro fotografia, atenção!!). Qual é o objectivo? Vivenciarem, com as ditas fotografias ou filmes, aquilo que não viveram na altura, por estarem demasiado ocupados?

Banalidades do quotidiano (que vale a pena partilhar)

Se vês um homem na rua, vestido com uma camisa preta sobre os boxers azuis, aos corações, isso não significa obrigatoriamente que estás a ter uma alucinação.

quarta-feira, 9 de agosto de 2006

Banalidades do quotidiano (que vale a pena partilhar)

Se vês um velhote a dançar na passadeira, enquanto diz oohh yyeeaahh, isso não é obrigatoriamente um anúncio da Coca Cola.

terça-feira, 8 de agosto de 2006

Sonhei que estava contigo à beira rio. Um rio que eu conhecia mas não conhecia também. Sabes como são os sonhos, sempre incoerentes na sua sabedoria indecifrável.
Davas-me a mão e dizias-me que apesar de vivermos num mundo de loucos, em que as tecnologias substituem a carne, há coisas que não mudam: os sentimentos.
Explicavas-me que trocamos a televisão pelo computador. Os cd's pelo mp3. As conversas pelas sms's. O haxixe pelas pastilhas. Mas os sentimentos não evoluem assim. Não trocamos conceitos como amizade, amor, desejo, querer, entrega, por outros novos que os tenham vindo substituir. Porque tal não é possível. Podem ter uma materialização diferente, uma concretização diferente, um modo de os enfrentar diferente, mas a sua essência é sempre a mesma.
Dizias-me que é por isso que o futuro, um dia, se vai transformar em passado. Não melancólico. Não cansado. Porque nem sempre o futuro é tão lá à frente assim.
Ouvi-te atentamente como uma criança ouve a professora na escola. Compreendi o que me pretendias dizer.
Encostei a minha cabeça no teu ombro e olhei o rio, que eu conhecia mas não conhecia também, a correr, límpido e apressado e sedento de chegar ao mar.
Agradeci-te. Em silêncio. Desejando que o rio nunca páre de desaguar no mar.

"Passamos pelas coisas sem as ver, gastos, como animais envelhecidos: se alguém chama por nós não respondemos, se alguém nos pede amor não estremecemos, como frutos de sombra sem sabor, vamos caindo ao chão, apodrecidos."

Eugénio de Andrade

segunda-feira, 7 de agosto de 2006

Queria trazer-te tatuado em mim como uma segunda pele. Não seria transmutares-te?, perguntar-me-ias tu. E o que importa se essa transformação se me colaria como uma herança de há muitos anos? Pertença minha por direito? E se eu, de facto, sou incompleta, ou não completamente eu sem essa parte que me falta? Entendes-me? Consegues perceber-me? E se eu não sou eu? Ou sou... mas não irremediavelmente eu?
“ A arte é uma mentira

que nos faz compreender a verdade.”

Pablo Picasso

Amigos gays IX

O bom de termos amigos gays é que eles choram connosco nas cenas mais sensíveis dos filmes, em vez de se rirem na nossa cara, de nos chamarem lamechas ou dizerem: É só um filme!

sexta-feira, 4 de agosto de 2006

Dançar,

dançar,

dançar...

(Até que o corpo me doa

e a alma - feliz - consiga dormir.)

Agenda

Dia 26 de Outubro de 2006 - Campo Pequeno (Lisboa):

MuSe

Dia de Aniversário

Há 1 ano esta blog começava assim:

"Um dia acordas e decides criar um blog.
Anonimamente.
Sem rosto.
Com confissões.
Segredos.
Banalidades.
No que é que isto vai dar?
Não sei."

Hoje os intentos mantêm-se basicamente os mesmos.
Continuemos, portanto...

quinta-feira, 3 de agosto de 2006

SUDOESTE

«O Sudoeste chega à décima edição e é o maior festival de música moderna de Verão em Portugal. Esperam-se entre 25 mil e 30 mil pessoas em cada um dos quatro dias, de hoje até domingo. Mas quantos estarão lá apenas para o campismo, a praia e alguns dias com os amigos, sendo a música um factor acessório?
Na sexta-feira, 8 de Agosto de 1997, um palco português recebeu um alinhamento de quatro bandas: Entre Aspas, Urban Species, Veruca Salt e Blur. Nada de especial no facto, a não ser que se tratava do primeiro dia da primeira edição de um festival chamado Sudoeste. E que hoje comemora a sua décima edição, sempre na Herdade da Casa Branca, Zambujeira do Mar, Odemira.
Dez anos após um começo singelo - um palco, três dias, 24 concertos -, o (este ano) SWTMN 10.º Festival Sudoeste é actualmente o maior festival de música moderna em Portugal.
Entre hoje e a madrugada de segunda-feira são esperadas no litoral sul-alentejano entre 100 mil e 120 mil entradas (muitas pessoas vão a mais do que um dia), número que Álvaro Covões, uma das duas cabeças (com Luís Montez) da produtora de sempre do festival, a Música no Coração, considera ser o intervalo que garante um mínimo de conforto para os espectadores. Preços: 40 euros o bilhete diário, 70 o passe de quatro dias, com direito a acampar. Em 1997, um bilhete para todo o festival custava 6 mil escudos, ou seja, 30 euros.
Quanto a concertos, serão quase 70, divididos por três palcos que estarão em actividade simultânea. Para a edição de 2006, e com as indicações disponíveis à hora de fecho desta edição, as expectativas são boas, a fazer fé nos muitos milhares de campistas que já enchiam o parque de campismo contíguo ao recinto dos espectáculos.
O Sudoeste não foi o primeiro festival do género: tinha antecedentes corajosos como Vilar de Mouros, e mesmo, também da Música no Coração, o Super Bock Super Rock, que ainda se mantêm.

A aventura do isolamento

Mas o que separou o Sudoeste destes irmãos mais velhos foi o facto de se realizar num local perfeitamente deslocado de qualquer roteiro cultural, a grande distância de grandes aglomerados urbanos.
Foi uma aventura, como contou Álvaro Covões há uns anos. "Na noite anterior ao começo do [primeiro] festival, numa noite de céu estrelado, eu e o Luís Montez subimos ao palco... Olhámos em redor e recordo-me de lhe ter dito: "Nós somos loucos! O que é que estamos aqui a fazer, no meio do nada, neste fim do mundo?".
Mas a aposta na Herdade da Casa Branca, a poucos quilómetros do mar, foi ganha. Porque integrava uma mais vasta tendência europeia para as migrações das tribos urbanas para zonas exógenas. Factores como a distância deixam de ser condicionantes para serem atractivos: não custa fazer algumas centenas de quilómetros, porque se está em convívio no meio da natureza.
Ao longo dos anos, a Música no Coração tem tratado da herdade durante 51 semanas, para que durante uma semana esta esteja em condições para receber as milhares de pessoas que por lá passam. Espectadores, claro, mas também os artistas e suas comitivas, técnicos, forças de segurança e saúde, jornalistas, vendedores. E muitos destes são simultaneamente campistas.
A outra entidade responsável é a Câmara Municipal de Odemira, o vasto concelho onde se situa a Freguesia da Zambujeira do Mar. Para a autarquia, é uma parceria que traz vantagens: projecção do nome a nível nacional e internacional, integração num roteiro de grandes festivais, e entrada de verbas através das dormidas, restauração e lojas de venda de mantimentos, disse ontem Carlos Oliveira, vereador da Câmara de Odemira responsável pelo festival.

Praia ou música?

O festival chega à décima edição, sem interrupção, mas o balanço final é uma incógnita num ano em que tem havido iniciativas musicais em Portugal com resultados muito abaixo do esperado, entre os quais algumas da Música no Coração - lembremos o Hype@Tejo, descendente do @Meco, que tinha como objectivo a aposta nas novas tendências de dança e electrónica e que teve no Terrapleno de Santos a 8 de Julho pouco mais de 2000 espectadores.
Ou seja, saber se o modelo tradicional de festival de Verão se mantém e qual o equilíbrio entre "cartaz" e "público".
Se antigamente quem ia ao Sudoeste ia essencialmente pela música e pelos artistas que queria ver, agora a proporção inverteu-se, e são mais os que dizem que vão até à Zambujeira pelo lazer. E aqui a Herdade da Casa Branca tem uma localização privilegiada, quer física, quer temporal - na primeira semana de Agosto a esmagadora maioria dos portugueses está de férias.

Não há efeito "arrastamento"

Assim, e num festival por onde já passaram nomes grandes como Oasis, Marilyn Manson, Korn e Cure, na área do rock, passa-se agora para um alinhamento que privilegia os sons mais virados para a dança - o que se nota, aliás, no atraso dos horários dos concertos, que vão terminar regularmente às três ou quatro horas da manhã -, para o reggae. E sem nenhum nome enorme, que tenha um efeito de arrastamento, resultado, em parte, da mudança de dias do festival de Benicassim, em Espanha, que regularmente se realizava também nos primeiros dias de Agosto.
Daqui a quatro dias se fará as contas às comemorações desta primeira década do Sudoeste. As faixas etárias continuam a alargar-se (vão os jovens, mas também os trintões e quarentões com os filhos), o gosto pelo local e as condições mantêm-se. Falta perceber o peso das mudanças do factor cartaz.»


Eurico Monchique in PÚBLICO

quarta-feira, 2 de agosto de 2006

Enganas os dias à força da vontade
que eles caiam como folhas envelhecidas pelo Outono.

Enganas-te à força da vontade de que o amanhã seja hoje.

Enganas os outros à força da vontade de fingires que acreditas.

Enganam-te a ti à força da vontade
de quererem acreditar que a mentira é verdade.

Ou de que a verdade não é verdadeira.

terça-feira, 1 de agosto de 2006

terça-feira, 25 de julho de 2006

Migrações

Não pretendo ser (muito) politicamente incorrecta. Nem tão pouco chocar ninguém. Mas tenho de perguntá-lo: porque é que a maioria dos emigrantes do nosso país não passa férias no país de acolhimento, ou num outro qualquer longe daqui?
Estas são algumas das preciosidades que tenho ouvido desta espécie muito particular: “Tá tudo bem. Yaahh, chegamos há três dias. Yaahh, a viagem correu bem. Of course!!”; “Estamos de vacances. Ruth Cristinneeee vem ici à tua maman. Rápido antes que leves dois pares de estalos nesse focinhooooo!!”; e ainda conversas em volume máximo sobre este que acabou de passar, olha, olha, que é filho da D. Ana, aquele que era amante da Susana lá da vila que depois fugiu com o António da Srª. Carmélia, que Deus a tenha que era tão boa mulher e que não merecia isto!!
Além disso, tem-me sido concedido o privilégio de ver um ou outro exemplar do sexo feminino vestido, nomeadamente, com mini-saia verde, sandálias vermelhas, camisolinha amarela e, para compor, as unhazitas pintadas de rosa choque e, claro, lascadas para dar aquele toque especial; finalmente, o cabelo num amarelo muito feio com enormes raízes pretas, composto com a molazita de plástico. Fantástico!!
E fico-me por aqui, não vão pensar que tenho alguma coisa contra os emigrantes. Não tenho (pelo menos em relação àqueles que, depois de emigrarem, não se transformaram em aves raras), mas será que não podiam passar férias longe? É que durante o ano inteiro já tenho de levar com as suas grandiosas obras de arte a que os mesmos chamam de casas…

sábado, 22 de julho de 2006

E porque hoje me apetece recordar filmes...


Filme que nos dá a conhecer os destinos das pessoas que viviam na Residência Espanhola (quem não se lembra desse filme maravilhoso?), após o fim da faculdade.

Cada um segue o seu destino e voltam a reencontrar-se para um casamento.

Não é tão engraçado como o primeiro mas não deixa de ser obrigatório vê-lo: relata as relações, emoções, dúvidas, medos, erros de jovens adultos.

Permite revermo-nos a nós próprios.

O atentado de Mombai

«O recente atentado aos comboios da cidade indiana de Mombai, com o seu cortejo de centenas de mortos e feridos, ganha o prémio da indiferença selectiva. Não sei qual é o critério a que escapa a este atentado para ser tão ignorado: número de mortos e feridos bastante, estratégia puramente terrorista de atingir civis indefesos para gerar fenómenos de medo colectivo e dar um "sinal" aos "cruzados" do lado hindu. O mesmo que aconteceu em Nova Iorque e em Madrid. E é exactamente o mesmo, só que do outro lado da "guerra das civilizações", do lado hindu. Assim ninguém quer saber. Ou melhor não quer saber porque não convém. Criminoso de guerra é Bush e bárbaros são os americanos, logo tudo o resto é a esta luz que se vê. Ou melhor, não vê.»

Pacheco Pereira in Sábado

Frase do dia

"A Síria precisa dizer ao Hezbollah que pare com toda essa merda".

Autor: George Bush, durante o almoço de encerramento da cimeira do G8, desconhecendo que os microfones estavam ligados.

sexta-feira, 21 de julho de 2006

Ternura

Desvio dos teus ombros o lençol
que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do Sol,
quando depois do Sol não vem mais nada...

Olho a roupa no chão: que tempestade!
há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
em que uma tempestade sobreveio...

Começas a vestir-te, lentamente,
e é ternura também que vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente
que da nossa ternura anda sorrindo...

Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!

David Mourão Ferreira
«QUANTAS VEZES NAS NOSSAS VIDAS DEIXAMOS DE DIZER
"AMO-TE", "FAZES-ME FALTA",
"FAZES-ME FELIZ", "É DE TI QUE EU GOSTO",
"FICA MAIS UM POUCO"?

QUANTAS OPORTUNIDADES PERDEMOS POR TIMIDEZ,
EXCESSO OU ORGULHO?

COMO DIZIA CHAPLIN: "A VIDA É UMA PEÇA DE TEATRO
QUE NÃO PERMITE ENSAIOS."

POR ISSO CANTA, RI, DANÇA, CHORA
E VIVE CADA MOMENTO DA TUA VIDA
ANTES QUE AS CORTINAS SE FECHEM
E A PEÇA TERMINE SEM APLAUSOS.
SÊ FELIZ!» *

(* SMS's enviada por uma amiga.)

Para ler todos os dias ao acordar.

quinta-feira, 20 de julho de 2006

À Fiona

Este texto é também para ti!
Sei que a vida é feita de altos e baixos. Que cá se fazem, cá se pagam. Que Deus escreve direito por linhas tortas. Que não há mal que sempre dure. Que a vingança é um prato que se serve frio. Que todos os santos têm o seu Natal. E podia continuar, com uma série de ditos populares que, malfadadas excepções, batem sempre certo.
Mas por vezes é difícil compreender porque temos de lidar com determinadas situações. Porque é que somos confrontados com elas sem o ter pedido ou sequer desejado. Porque é que elas tinham que acontecer connosco. Porquê, porquê, porquê?
E levamos a vida com esses percalços às costas, a pesar-nos, sem nunca compreender... E vamo-nos fortalecendo, crescendo, aprendendo, com tudo o que isso tem de bom e de mau. Habitua-mo-nos, até, a viver com esse peso morto que não sabemos de onde surgiu.
E um dia, um dia como os outros, algo de bom acontece. Algo de muito bom acontece. Quase que juraria que aconteceu para me explicar o que até aqui não tinha entendido. Quase que juraria que tudo o que aconteceu era obrigatório porque me transformou na pessoa que sou hoje.
Compreendo agora, como sempre quando a justiça age, que as coisas nos acontecem porque têm de acontecer. Porque são esses acontecimentos imprevistos que nos fazem ganhar o que muito necessitamos na vida: experiência(s).
Hoje, o mundo provou-me (uma vez mais) que o meu caminho se cumpre. E cumpre-se como sempre acreditei (com dificuldades por vezes) que se devia cumprir.

Hoje sinto-me...


PiNtAdA

dE

fReScO

terça-feira, 18 de julho de 2006

- Mudei muito. Não sou a pessoa que um dia conheceste.
- Sim... Mas não podes ter ficado irreconhecível. Tens de ter ainda um pouco de ti!
- Não nos víamos há ... aaahhh... seis anos?
- Seis anos.
- Como podes então ter a pretensão de achar que ainda sou eu?
- Conheces-me?
- Não.
- Então porque é que insistes em tratar-me como se me conhecesses?

segunda-feira, 17 de julho de 2006

E porque hoje me apetece recordar filmes...


Adorei este! É leve e divertido.
Conta com a participação da "nossa" Lúcia Moniz.
A banda sonora é excelente.
Hugh Grant leva-nos a querer um primeiro-ministro assim.
Nunca um hit de Natal foi tão sedutoramente "cantado".
Logo no genérico me emocionei
(lembram-se das despedidas e reencontros no aeroporto?)...

Recomenda-se: A ver ou rever num Domingo à tarde
(de preferência se o/a espectador(a) estiver de ressaca).

...

Acordas com a má disposição de quem se acabou de deitar. Olhas-te ao espelho e vês a mulher de todos os dias. A cara de todos os dias. O cansaço de todos os dias. E de todas as noites. Diriges-te à cozinha e preparas o teu pequeno almoço. Que, possa embora ser muito diferente, te sabe sempre ao mesmo. Ou melhor, que a nada te sabe.
Sais de casa, entras no carro, vais trabalhar. Passa por ti, como sempre, a paisagem linda que tens a sorte de te rodear. Não a vês sequer. Acho que fazes questão de não a ver, de não a sentir, para que assim não te possas dar esse pequeno privilégio.
Ai... lembras-te agora que te dói a cabeça. Ontem doía-te a barriga. E amanhã, já sabes, vai doer-te outra coisa qualquer.
Passa-te o dia a correr. Mecânico. Perdes a noção dos minutos pelo meio dos papéis. Acho que é a parte do dia que mais gostas. Aquela em que não te lembras que és alguém, que é suposto seres alguém.
Voltas a casa ao final do dia. Passou-te a dor de cabeça mas sentes-te pesada, cansada. E amanhã, já sabes, vais sentir outra coisa qualquer. Dás um jeito à casa, à roupa, ao jardim. Preparas o jantar. Tomas um banho para relaxar. Jantas só. Metida com os teus pensamentos de solidão. Alegras-te um pouco porque daqui a nada estás sentada no sofá a ver as tuas novelas. Choras, ris, sofres com as vivências difíceis das personagens. Emocionas-te com o beijo quente de uma paixão sempre adiada. Odeias a mulher maquiavélica que faz o mal para seu bem.
Como é possível viveres assim? Como consegues?
Vives uma não-vida. Ou não a vives? Sei lá... Sei apenas que não existes por medo. E sei também que são as novelas e as vidas dos que te são mais próximos que enchem a tua vida. Vibras com os seus sonhos e ilusões. Choras com as suas desilusões...
E tu? Quando vais começar a preencher-te com a tua vida? Qual vida?
Acho que nunca amiga... E custa-me tanto porque gosto de ti...
Acho que nunca... amiga.

terça-feira, 11 de julho de 2006


(Só até a proprietária reencontrar as palavras que o caminho lhe roubou.)

segunda-feira, 10 de julho de 2006

Para ti...

Existem dias
em que,
por muito grande
seja
a necessidade de escrever,
de dizer,
de soltar...
...a alma fecha-me
o coração à chave
proibindo-me
de o fazer...

sexta-feira, 7 de julho de 2006

Constatações

Odeio pessoas FORRETAS!!!

(Não a totalidade da pessoa em si,

mas esse DESVIO de personalidade)

Os trintas (II)

Quando tinha 15 ou 16 anos, lembro-me de imaginar que aos 30, seria casada, talvez com filhos, com uma vida completamente organizada e estável.
Nada disso aconteceu. Continuo solteira, sem filhos, com uma vida agradavelmente instável dentro da estabilidade possível.
Lembro-me de pensar que aos 30 devia usar fatos de saia-casaco no trabalho (que horror!!!). A maioria dos dias venho trabalhar de calças de ganga!
Lembro-me de pensar que aos 30 seria muito adulta! Continuo uma criança adorável!
Que as discotecas já não seriam para mim... Puro erro!
Que, que, que... muitas coisas mais...
E é muito bom chegar aos trintas com muita sede de viver, com muita curiosidade, com instabilidade também, com a noção de que sei muito pouco e que quero sempre aprender...
E, principalmente, é muito bom chegar aos trintas sabendo que as coisas não são como pensava que eram, que a vida nos troca as voltas a seu bel prazer, sem nos avisar.
Quando tinha 15 ou 16 anos, lembro-me de imaginar que aos 30 a minha vida seria uma seca!!
NÃO O É!!

Os trintas (I)

Apesar de me sentir muito jovem, há coisas que me fazem não esquecer que estou nos trintas!! Ontem, enquanto ouvia uma qualquer estação de rádio, passou uma música dos anos 80 de Chris de Burgh, e eu deixei-me ficar a ouvi-la!!!
Não se pode ser perfeita...

quinta-feira, 6 de julho de 2006

O presente voa-me das mãos como se já fosse passado.
Ainda que não o seja.
Será?
O futuro nunca fica muito tempo por cá...
Esvai-se entre um sopro de vento frio e célere...
Fugaz...
Resta-me o passado que já passou.
Que está já enterrado ou quase a sê-lo.
Pode ainda ser alterado.
Pelo presente que já não o é,
pelo futuro que já é presente,
que já passou...

O dia seguinte

Só me ocorre dizer:

#*?»!%0##}:# *

(* Tradução livre)

quarta-feira, 5 de julho de 2006

Ansiedade


do Lat. anxietate

s. f.,

dificuldade de respiração;
opressão;
angústia;
inquietação de espírito;
desejo veemente;
impaciência.

Se a minha entidade patronal fosse inteligente...

...(ainda que a mesma não seja perfeitamente individualizada), tinha-me dispensado do trabalho esta tarde. Sempre não consigo fazer nada de jeito... (embora vontade não me falte, claro!!!)

terça-feira, 4 de julho de 2006

Sabemos tão pouco uns dos outros.

Estamos praticamente submersos,

como icebergs,

com o nosso lado social projectando-se branco e frio.”



Ian McEwan in "Amsterdam"

Acordei, devagar, à medida que o sol me ia aquecendo o corpo nu.
Não queria ter de abrir os olhos. Não me apetecia ver a beleza do quarto, naquele momento. Desejava apenas senti-la...
Quentinha, a encher-me a alma nua. De tudo e nada...
Daquele suave torpor...
Apalpei a cama vazia à tua procura. Não estavas. Já não estavas.
Mas continuavas lá (aliás, como continuas em todos os momentos da minha vida ainda que não estejas...). Sentia-te o cheiro, o toque, a respiração... Sentia-te meigo por entre o sol a entrar...
Abri os olhos, muito a custo.
Tinhas aberto as janelas e deixaste o som dos pássaros e das árvores entrar.
Como é bom assim acordar...

O Efeito Avestruz

Venho-me apercebendo, cada vez com mais convicção, de que a maioria das pessoas, tal como as conhecíamos até uns atrás, estão a desaparecer. Estão a desaparecer conceitos como solidariedade. Ajuda. Amizade. Entrega. Observo que vive cada um para si e em função de si. E se existem comportamentos para com o outro será porque isso, de alguma forma, trará um qualquer benefício. Porque não se pode fazer nada sem receber o correspondente de volta: isso custa e dá muito trabalho!!

Concluo também que as pessoas (a maioria, que nunca se pode generalizar de uma forma radical) , estão a desaprender de conversar. E nem falo das crianças que, em vez de jogarem às escondidas, passam horas a jogar Playstation. Não falo das jovens que, em vez de brincarem com as amigas às festas, ou ao que seja, preferem os chats.
Refiro-me essencialmente à falta de coragem para conversar. Se existe um qualquer problema ou desentendido, por exemplo, entre amigos (não estarei a usar uma palavra demasiado forte?), qual é a coisa correcta a fazer? Hoje já não é conversar e tentar resolver as coisas pela sua forma mais simples e mais séria (tenho saudades do tempo em que as coisas se resolviam assim...). Não, o melhor é desaparecer durante uns tempos... ou fingir que nada aconteceu... ou... enfim... adoptar o que, tão tristemente, designo de Efeito Avestruz.
Que saudades eu tenho dos tempos em que se conversava...

sábado, 1 de julho de 2006

Só uma coisinha...

GANHÁMOS

(Afinal são duas coisinhas: Apesar de ser portista de corpo e alma, e de sempre me ter feito um bocadinho de confusão aquela história do Baía, tenho de dizê-lo: Viva o Ricardo!!)

sexta-feira, 30 de junho de 2006

Frase do Dia*

* Ou: Esta piada é muito engraçada. Venha a próxima...


"Pedi ao juiz três mil euros por mês para comer".


Albertino Figueiredo, fundador da Afinsa, PÚBLICO, 30-06-2006

quinta-feira, 29 de junho de 2006

Fim da Canção

Chegámos ao fim da canção
E páro um pouco p’ra dormir
É tarde p’ra voltarmos atrás
Já nem há motivo algum para rir

É como ouvir alguém dizer
"Vê nessa procura
Uma razão
P’ra virar a dor para dentro"
Que é virar o amor para dentro
Falo de um amar para dentro
Que é virar a dor para dentro

Eu vou dizer até me ouvir
A dor chegou para ficar
Eu vou parar quando eu sentir
Não haver motivo algum p’ra negar

É como ouvir alguém dizer
"Vê nessa procura
Uma razão
P’ra virar a dor para dentro"
Que é virar o amor para dentro
Falo de um amar para dentro
Que é virar a dor para dentro

Chegámos ao fim da canção
E paro um pouco para dormir.

Ornatos Violeta in "O Monstro precisa de amigos"

Procuro-te. Procuro-te em mim. Procuro-te nas ruas, nas janelas, nos carros que passam. Procuro-te no olhar dos outros. Procuro-te no céu e no mar. À porta de casa também te procuro. Procuro-te em ti. Procuro-te no telefone, nas fotografias. Procuro o teu sorriso. Os teus olhos. As tuas mãos e palavras. Procuro-te...

Onde estás?

quarta-feira, 28 de junho de 2006

Àcerca do Mundial III

A legislação que regula o uso da Bandeira Nacional (Decreto-Lei n.º 150/87, de 30 de Março) estabelece, nomeadamente, que:

"Artigo 2.º

(...)
2 - A Bandeira Nacional, no seu uso, deverá ser apresentada de acordo com o padrão oficial e em bom estado, de modo a ser preservada a dignidade que lhe é devida.

Artigo 3.º


1 - A Bandeira Nacional será hasteada aos domingos e feriados, bem como nos dias em que se realizem cerimónias oficiais ou outros actos ou sessões solenes de carácter público.
2 - A Bandeira Nacional poderá também ser hasteada noutros dias em que tal seja julgado justificado pelo Governo ou, nos respectivos territórios, pelos órgãos de governo próprio das regiões autónomas, bem como pelos governadores civis ou pelos órgãos executivos das autarquias locais e dirigentes de instituições privadas.

Artigo 6.º


1 - A Bandeira Nacional deverá permanecer hasteada entre as 9 horas e o pôr do Sol.
2 - Quando a Bandeira Nacional permanecer hasteada durante a noite, deverá, sempre que possível, ser iluminada por meio de projectores."

Com esta febre de bandeiras, parece-me que anda muita gente a violar a lei.
Será que o Governo já colocou em campo os seus serviços de fiscalização?

sexta-feira, 23 de junho de 2006

http://www.worldjumpday.org./

No dia 20 de Julho de 2006 pretende-se juntar 600 milhões de pessoas para saltarem, às 11h39m13s. Estranho? Se calhar nem tanto:
Segundo o site da organização (visitem), está comprovado cientificamente que este salto a nível mundial vai fazer com que a Terra altere a sua órbita, afastando-se ligeiramente do Sol, o que vai atenuar os efeitos do aquecimento global.

Não sei se é verdade mas, como sou uma leiga no assunto, vou saltar!!

quarta-feira, 21 de junho de 2006

Àcerca do Mundial II

Pior do que ver um jogo da nossa Selecção com treinadores de bancada, é vê-los com o pessimismo encarnado em pessoa. Eu dizia Vai, vai, ela dizia Manda para trás que vais perder a bola. Eu dizia O Ricardo vai defender o penálti, ele dizia Ai que vamos perder o jogo. Eu festejava cada bola na baliza dos adversários com palmas e assobios, ela esperava o momento em que se tudo se ia alterar.

MORAL: Já tinha morrido do coração se fosse pessimista. E não estou a falar só de futebol, mas de tudo o resto. Sou tão mais feliz convivendo saudavelmente com o meu optimismo...

P.S.: Ainda sobre o Mundial: Venham os próximos!! E muita fé!!

Faltam...


Duas horas...

... e quarenta e oito minutos...

para o início do VERÃO!

terça-feira, 20 de junho de 2006

Hoje sinto-me assim... *


* Ou: A serenidade fica-me tão bem...

Diários de Vida

As pessoas percorrem a minha vida. Entram, saem. Algumas voltam. Outras não. Algumas quase chegaram a entrar, outras não chegaram a partir. Algumas ficam eternamente. Ainda que não na vida, na memória. Outras prefiro esquecer. Não fingir que não existiram, mas deixá-las ir. Algumas há que não as deixo entrar. Outras apenas vagueiam ao de longe sem nunca, de facto, permanecer.
Algumas que me deixam sorrisos. Outras que me fazem viajar.
Sou porto. Lugar de encontros e desencontros, passagens, viagens, sonhos, viver.
Sou porto. Lugar de emoções, de desilusões, de eterna transformação quieta, parada, mudada.
Sou porto. De mim...

sexta-feira, 16 de junho de 2006

"Depois do silêncio,

o que mais se aproxima

de expressar

o inexprimível

é a música."

Aldous Huxley

Proposta do Dia:


Sentir...

Cheirar...

Beijar a Natureza...

WC

Quando saio para a noite, e faço-o com bastante frequência, que esta necessidade inata e eterna de dançar não me deixa ficar em casa, passo grandes temporadas nas casas de banho. Para mais, se já conheço minimamente bem determinado local...
É que nas casas de banho das mulheres acontecem muitas coisas. A maioria delas com graça. Conversas de miúdas de 16 e 17 anos, bêbadas, que são verdadeiros espéctáculos de humor itenerantes. Confissões e segredos. Desabafos de amor. Perguntas sobre como resolver a situação, qual consultório amoroso. Inconfidencialidades. Banalidades.
O mais positivo é que, por causa das imensas esperas nas casas de banho das mulheres, farto-me de conhecer gente!!
Assim, quando estou cansada, ou está a passar uma música que eu não gosto, etc., não tendo por desculpa uma ida ao bar, porque tenho o copo cheio, vou até à casa de banho!
Os meus amigos dizem-me que quando não sabem onde estou, é porque estou no sítio do costume!!

quarta-feira, 14 de junho de 2006

Percurso

Saiu de casa determinado a deixar-se levar pelo mundo. Pelo menos o pedacinho que o rodeia. Conduziu lentamente, a sentir o caminho debaixo dos pés. A perder-se na beleza das casas com muitos anos, com muitas histórias. Havia descoberto há pouco que as casas falam. E riem e choram e sentem e ouvem e murmuram palavras imperceptíveis (só porque nunca nos demos ao trabalho de tentar percebê-las).
Ao afastar-se da cidade conseguiu ver o céu. Estava lindo aquele céu de fim de tarde em tons laranja. Acabou por descobrir que o céu também fala. Mas não conseguia entendê-lo.
Andava devagar. A lembrar-se que adora conduzir... E que a velocidade dos dias já há muito não o permitia lembrar-se...
Finalmente chegou. Estava contente por reencontrar-se com o seu amigo que, não fora ele, talvez não voltasse a ver. Estacionou o carro a alguns metros do local para se lembrar do prazer de caminhar, que a velocidade dos dias quase o levava a esquecer.
Olhando em volta, o amigo que ainda não chegara, sentou-se calmamente na esplanada, por entre uma água e um café. E um, dois, três cigarros... E o amigo que ainda não chegara... Deixava-se crescer a ansiedade. Já não se lembrava de estar assim, só, num local pouco conhecido, com gente que não sabia quem. Já não sabia como estar. Será que reparam em mim? Perguntam-se o que faço aqui? Se espero uma namorada, uma amante, a minha mãe? Se já nada espero e deixo-me aqui ficar? Será que devo fingir que escrevo uma mensagem? A quem? A ansiedade começava a ferver-lhe...
E só depois se apercebeu do ridículo que estava a ser. Escudar-se no telemóvel pelo medo de enfrentar os outros? A realidade? A falta dela?
Perdia-se em perguntas vagas e assolapadas que se atropelavam sem que tivesse tempo de responder.
Foi interrompido pela chegada do amigo que, não fora ele, talvez não voltasse a ver. Sentiu-se confortado pela interrupção. Sentiu-se salvo! Era bem mais fácil assim...

terça-feira, 13 de junho de 2006

E porque se fala de festas populares...

Quero deixar o meu apreço a um "projecto" de percursão maravilhoso, que se dá pelo nome de:


Tocá Rufar

(Basta-me começar a ouvi-los... tum tum tum tum tum tum...
para, progressivamente, todo o meu corpo começar a dançar)
Olhou-os nos olhos e agradeceu-lhes.

A ti, pela entrega.

A ti, pela compreensão.

A ti, pela eterna paciência.
Pela capacidade de me ouvires
e de me compreenderes.

A ti, pelo abraço amigo.

A ti, por seres quem és
e fazeres de mim também
muito daquilo que sou.

A ti, por me provares
que há sempre coisas boas
entre as más.

A ti, porque és eu.

A ti, porque és tu.

segunda-feira, 12 de junho de 2006

Hoje sinto-me assim...

Luta

Confusão.
Dúvidas.
Perguntas sem resposta e respostas sem pergunta.
Mas depois há algo que me diz que está tudo bem...
Está tudo bem...
Chega até a ser especial
(ou és tu que és especial?)
o momento, a incerteza, a força, a luta.
Demonstrativo de escolha.
De descobrir.
De desbravar a ferro e fogo emoções que não sabes possuir.
Que desconhecias poder ter.
Que te permitem crescer.
Conheceres-te na plenitude sem máscaras ou nódoas.
Sem véus.
Conhecê-las nuas.
Cruas.

Portugal - 1 Angola - 0

Constatações:

- O Figo entrou em campo com um estilo capilar que deve ter demorado umas horitas a concluir;

- Não consigo evitar emocionar-me quando ouço "A Portuguesa". Tão lindo...

- E por falar em Figo, será que ele não arranja um tempito para frequentar um curso do género "Como falar português"? Não era má ideia não...

sexta-feira, 9 de junho de 2006

Olhares

Autor: José Quintanilha

- O que é que aconteceu?
- Ah e tal... eu dei-lhe um abraço... e depois um beijo... e depois um estalo... Tudo actos carinhosos... de quem... aahh... de quem gosta e quer educar... aahhh...

quarta-feira, 7 de junho de 2006

"Ali ficou pensando,

que se o deserto é o mais belo dos jardins,

o silêncio pode ser a mais bela das palavras."

Autor desconhecido

terça-feira, 6 de junho de 2006

Eu fui *

* Ou: Eu sei que não estou a ser original

Sábado, 3 de Junho de 2006

19h30m

Chegamos ao recinto do Rock in Rio e fazemos o reconhecimento do local (foi a minha primeira vez).
Primeira constatação: muito pó. Tocam os Kasabian. Muita gente. Muita Chopp a rolar (é boa a cerveja; gostei). Entre umas fatias de pizza e uma Choppinha começam os Da Weasel a tocar. Não me desiludiram. Iguais a si próprios a meter o pessoal todo a saltar. Com direito a uma participação virtual no Manuel Cruz na Casa. Que eu, claro, fotografei!! Outra Chopp. Ai, ai, no que é que isto vai dar...
Entram os Red Hot. Que, não sendo particularmente calorosos com o público cumpriram o seu papel. Rockar. Assisto ao concerto entre saltos e momentos de suave saborear. E outra Chopp.
Continua muito pó. A esta hora já estamos à vontade para colocar os nossos óculos de sol. Ninguém nos conhece. Sentimo-nos protegidos. Para avacalhar. Huumm... o que dois pares de óculos de sol podem fazer. Entretanto vai mais uma Chopp. Ai ai ai!!
Fim do concerto. Alguém me oferece uma cabeleira usada pelos "meninos Millenium". Agora sim, estou completamente irreconhecível. Novo passeio pelo local. Jogámos ums matrecos. Metemos conversa com o Francisco Mendes. Simpático, o rapaz!! Bebemos uma Chopp. Vamos até à tenda electrónica onde é quase impossível entrar. Saímos.
Sempre com os nossos óculos de sol...

sexta-feira, 2 de junho de 2006

- Esta manhã até tive medo de sair de casa!
- Porquê?
- Então não é que fui ao frigorífico e percebi que não tinha Actimel?

Àcerca do Mundial

Muito se tem escrito sobre o Mundial. Tenho lido vários artigos de opinião de políticos, jornalistas, economistas e mesmo "cronistas" (não sei muito bem qual é a profissão dos últimos) sobre o assunto. A maioria deles com críticas a este próximo período de loucura nacional.
Porque os jornais, rádios e televisões vão vomitar futebol. Porque o povo português devia era preocupar-se com a crise. Porque não se vai ouvir falar de mais nada nos cafés, transportes públicos, etc., etc. Porque esta entrega demonstra como somos um país pobre. Económica e mentalmente. E por uma série de razões mais. Futebol, futebol, futebol...
Compreendo em certa parte as razões de quem assim escreve. Vai ser uma avalanche do desporto rei. Mas não concordo.
De facto, só quem não é "povo", pode fazer este tipo de críticas. Porque, como os efeitos da crise não chegam a estas personalidades do "cronismo português", não sentem estes senhores o Mundial como um dos poucos acontecimentos que fazem esquecer o momento em se que vive. Quase de catarse. E que despertam emoções que há muito as pessoas não sentem.
Era bom que se concluísse que todo este euforismo não advém de sermos um país com mentalidades "pobres"; é sim consequência do próprio país.
Quanto a mim, adoro estes períodos de patriotismo desportivo, de alegrias e lágrimas, de adrenalina e cervejas e tremoços e abraços e gritos e golos e bandeiras às janelas.
De festa, de união num dos poucos pontos comuns dos portugueses.
Por isso, quero lá saber o que dizem os opinion makers. Durante os próximos tempos vou estar muito ocupada a respirar futebol.

quarta-feira, 31 de maio de 2006

Pensamento do dia *

“Se fores chata, as tuas amigas perdoam.

Se fores agressiva, as tuas amigas perdoam.

Se fores egoísta, as tuas amigas perdoam.

Agora, experimenta ser magra e linda...”

* Recebido por e-mail

Factos

"(...) Postas as coisas nos termos certos podemos avançar para as acusações de Carrilho.
Pela minha parte, agradeço-lhe desde já a intervenção. (...) Estes períodos de debate, de crítica severa, de acusações trocadas com vivacidade são óptimos para a cidadania. Tendencialmente promovem a reflexão, esclarecem dúvidas, podem mesmo servir como purgante. As redacções não gostam, alguns líderes procedem em conformidade corporativa, mas, ao invés, a sociedade agradece.
Veja-se a experiência da discussão imediatamente anterior à guerra do Iraque, sobre a existência de armas de destruição massiva nas mãos de Saddam Hussein. Hoje percebemos, com maior ou menor clareza, que fomos colocados perante uma mistificação organizada com o objectivo de justificar a guerra. Esse é o melhor dos modernos exemplos da crescente importância da mensagem do mundo globalizado - e também daquilo que os homens estão disponíveis para fazer de maneira a ganhar a batalha da opinião pública. (...)"

João Marcelino in "Sábado"