quarta-feira, 4 de outubro de 2006

Desencontros

Quando a Cristina me ligou para tomarmos um café, não estranhei. Disse-me que queria falar de algo novo na sua vida. Algo a que não estava habituada. Apaixonada? - perguntei (é engraçada esta tendência de se pensar que sempre que há novidades há romance no ar). Não. E não foi um não com risinhos ou com um não sejas tonta, nem com emoção na voz. Foi um não firme. Percebi. Que não. Mas estás bem? Sim, estou óptima, só quero trocar impressões sobre um assunto que me faz confusão.
Tomamos café. Bebi uma água.
Fui com o Jorge jantar com o pessoal. Estavam a Cátia, a Raquel e o seu eterno namorado de berloques, o João, o Carlos e o Valentim.
Sim, e então?
Então que depois do jantar saímos. Fomos ao Clube 4. Tu sabes, beber um copo e dançar. E supostamente conversar.
Porquê supostamente? Não conversaram? Sim, sim, era exactamente sobre isso que te queria falar. Acho que não consigo voltar a sair com eles.
Bolas Cristina, porquê?
Sabes que me senti uma estranha durante toda a noite? A estranha diplomata. A que tentou conversar com este e aquela, a que disse piadas... Até meti conversa com o namorado da Raquel!!! E tu sabes que eu detesto gajos de berloques!!!
Mas porquê?
Porque se junta um grupo de supostos amigos, para uma suposta noite divertida, e o que encontro é um conjunto de pessoas separado por teias de protecçao invisíveis... Percebes o que te quero dizer? Cada um de pé atrás com o outro. A observar o outro. A desconfiar do outro. A pesar cada palavra, cada sorriso, cada passo de dança. Passei-me!!!
Passo uma semana a trabalhar, controlada por mim, pelos chefes, pelos colegas... e quando saio no fim de semana, para me divertir, supostamente com amigos, sinto-me exactamente assim??
É, Cristina, já o senti. É o que costumo chamar de pobres adultos pequenos! Começam a trabalhar e tudo é um eventual alvo. A evitar ou a abater.
Mas Susana!!! Porquê??
Não te sei responder. Só sei que acontece. Já o vi!!!
Mas não com todas as pessoas, espero...
Não, com todas não.

terça-feira, 3 de outubro de 2006

Amigos gays XI

Também há aspectos negativos numa relação de amizade com gays. Um deles é, por exemplo, estarem sempre a dizer-me que o meu irmão é fantástico!!! Huumm... desta parte já não gosto... :)
Quero falar mas a voz não me sai.

Apenas murmúrios segredados.

Quero escrever mas a caneta foge-me por entre os dedos.

Apenas esquissos desconexos e desvairados.

sexta-feira, 22 de setembro de 2006

Fantástica!!!


A publicidade do Peugeot 207...

Siimm,

aquela das joaninhas!!

Passagens

"Baixando os olhos, ele fez então um gesto a pedir-me que falasse mais baixo. Estava visivelmente preocupado, talvez não quisesse que as crianças acordassem. Eu, pelo contrário, sentia que tinha a cabeça a transbordar de todas as recriminações que calara, e muitas das palavras que me vinham aos lábios atropelavam-se já na fronteira para além da qual deixamos de saber escolher o que é ou não oportuno dizermos."

Elena Ferrante in "Os Dias do Abandono"

quarta-feira, 20 de setembro de 2006

"Sou Homem e, por conseguinte,

trago todos os demónios no meu coração."

Gilbert Chesterton

A ver

terça-feira, 19 de setembro de 2006

Confissões

Levaste-me a lembrar que há situações que não acontecem só nos filmes. Sejam elas boas ou más. A que aconteceu contigo foi má. Só me perguntava como é possível. Como. Não encontrei resposta.

Levaste-me a lembrar que há situações que não acontecem só aos outros. Aconteceram comigo. Imaginaste como me deve ter sido difícil na altura. E foi. Mas não vivo presa a essas memórias. E foi isso que te expliquei. Porque foram estas situações (que ultrapassámos e com as quais crescemos e aprendemos) que nos fizeram ser quem somos. E eu gosto de quem sou. Só por isso, valeu a pena.

Regresso

Viajámos. Percorremos caminhos, ora já noutras andanças percorridos, ora a descobrir. Inalámos cheiros de mar, de montanhas, de areia dourada a escaldar. Apanhámos sol por entre erva verde de montanhas ainda virgens. Divertimo-nos pela noite, dançamos, vimos o dia a amanhecer. As luzes das cidades reflectidas no rio são de uma beleza anormal. Tão simples, no entanto...
Mas, mais importante de tudo, conhecemos gente. Pessoas. Novas ou nem tanto, malucas, tímidas, alheadas, faladoras, solidárias, aconchegantes, arrogantes, mortas pela vida ou ainda com capacidade de viver.
E, no fundo, são estes contactos com desconhecidos, que me levam querer a continuar eternamente a viajar.

segunda-feira, 4 de setembro de 2006

Pause


Uma curtíssima pausa nas férias para espreitar o blog. Do qual (confesso) senti a falta. Do género de animal doméstico abandonado em casa. Só e triste. E com fome. Após este intervalo vou enchê-lo de mimos. E trazer-lhe presentes dos sítios paradisíacos por onde a minha mente andou.

quinta-feira, 24 de agosto de 2006

Actualidades

Os EUA anunciaram hoje a sua disponibilidade para levantar o embargo contra Cuba, em vigor há 44 anos, se os dirigentes do país se comprometerem a aceitar uma transição para a democracia.
Já estava a estranhar a demora. Essa nação que é a América... sempre tão solícita e solidária para com os outros países... sempre pronta a ajudar...

quarta-feira, 23 de agosto de 2006

Frase do Dia

"A cruzada antitabaco, que já soma razoáveis vitórias, afunda-se no ridículo de querer rever a história e a arte. Do zelo pela saúde passa-se à censura aberta".

Nuno Pacheco, PÚBLICO, 23-08-2006

Primeiro foram as campanhas ditas chocantes e as frases presentes nos maços de tabaco a dizerem-me que vou morrer se continuar a fumar (e se não continuar, será que me vai ser oferecido um elixir da juventude eterna?).
Depois as proibições de fumar em espaços públicos (fumem muito, fumadores do nosso país em restaurantes e bares e discotecas que essa liberdade está quase a acabar!!).
Seguidamente, e qual bola de neve, começo a ser olhada de lado por não fumadores, desconhecidos ou colegas de trabalho, por levar um cigarro à boca e degustá-lo com prazer. HHuummm, cancro da sociedade a poluir o nosso ar puro, pensam estes moralistas da vida saudável!!!
E as organizações de nome mundial (claro, sempre a começar pela Saúde) a não contratarem fumadores (aqueles viciados!!).
Finalmente, os desenhos animados "Tom & Jerry" serão reeditados na Grã-Bretanha para suprimir as cenas em que os personagens aparecem a fumar, por serem as mesmas consideradas "inapropriadas" para crianças, segundo queixas da entidade local reguladora da televisão. Lá andarão os funcionários dessa nobre entidade a visionar todos os episódios do "Tom & Jerry" da minha infância para, zááss, cortarem todas as cenas em que qualquer boneco apareça a fumar! Podiam aproveitar e visionar também as séries infantis que passam nas televisões hoje em dia. É que as ditas também contêm muitas cenas "inapropriadas", especialmente para a saúde mental das crianças que as acompanham.
E a seguir, o que virá? Fecharem-nos em casas de tratamento, qual toxicodepedentes da vida moderna? Brigadas anti-tabaco nas ruas munidas de cacetetes sempre prontos a darem uma paulada a um fumador compulsivo?

Enfim, já não há paciência. E vou à minha vidinha.
FUMAR UM, DOIS, VINTE CIGARROS!!!

terça-feira, 22 de agosto de 2006

Amigos gays X

O bom de se ter amigos gays advém também do facto de eles se sentarem no sofá em frente à televisão, mais rapidamente do que eu (e, não duvido, do que a maioria das mulheres), quando começam episódios de O Sexo e a Cidade ou Donas de Casa Desesperadas.

Hoje é dia de...

"Nos Estados Unidos, quando uma pessoa está na paragem de autocarro e vê passar alguém num Rolls Royce, pensa: «Um dia hei-de ter um.» Em Portugal diz: « Um dia hás-de andar a pé como eu.»"

Horácio Roque, presidente do Banif, in Visão

PECADO

CAPITAL
Percorro sons perdidos

(encontrados)

há muito (pouco?)

tempo atrás.

Deixo-me embalar

por uma melodia

ritmada a voltas de relógio:

eterno (passageiro),

mecânico na sua ânsia de chegar

(partir...)

sexta-feira, 18 de agosto de 2006

Hoje é dia de...

PECADO

CAPITAL

Os livros

As formas como as pessoas se relacionam com os livros são variadíssimas. É engraçado ver como cada pessoa tem, com os livros, diferentes formas de ligação. A maioria dos portugueses, segundo as estatísticas, tem com eles uma relação de verdadeira indiferença. Eu, neste campo, sou uma verdadeira resistente. Devoro-os à velocidade que as outras ocupações me deixam. Com muito prazer. Se afirmar que não conseguiria viver sem eles não estou a mentir. É uma necessidade tão básica como, por exemplo, lavar os dentes ou fumar. Se me faltam os livros entro em ressaca. Dura.
Há aqueles que são elitistas na compra dos seus livros. Lembro-me de ler, há uns tempos, uma citação de um jornalista ou escritor (não sei bem) que dizia que era incapaz de comprar um livro numa grande superfície. Achei que seria por entendê-lo como um acto desonroso para o livro a comprar. A mim é-me completamente indiferente o local onde compro literatura. Seja na Fnac ou no Modelo. Na Bertrand ou num qualquer alfarrobista perdido numa cidade. Importante é comprá-los.
Há os livros que compramos porque deles nos falaram, ou porque sobre eles lemos uma crítica positiva. Outros há que nos levam a comprá-los. Entramos numa livraria e lá está aquele livro a olhar para nós, e a sussurrar-nos compra-me!! Sentes o chamamento e, em menos de nada ele passou da estante para a tua mão e daí para a tua vida.
É engraçado também observar as reacções dos leitores face aos livros. Lembro-me, por exemplo, do meu pai me contar que às vezes, ao ler determinada passagem dominada pela personagem maquiavélica, se irritava de tal forma que atirava com o livro ao chão. Tinha de esperar uns minutos até se recompôr e conseguir voltar à leitura. Nunca atirei um livro ao chão. Mas já dei comigo a chorar ou a sorrir.
Há livros escritos com uma serenidade e simplicidade exasperantes. Outros têm uma escrita cinematográfica, a deixar-nos com dificuldade em respirar. Parece que o filme nos está a passar todo em frente.
Há ainda os leitores egoístas e os liberais. Eu sou das egoístas. Cada vez mais me custa emprestar um livro a alguém. Parece que tenho hipotecado um bocadinho de mim... Sinto-me incompleta e aflita até ele voltar para mim. Aquelas há que lhes é completamente indiferente se os livros estão na estante da sala, junto dos cd's, ou em casa da tia, guardados no sótão com os peluches cheios de pó.

quinta-feira, 17 de agosto de 2006

Saudade

Hoje a saudade bate-me forte! Que saudades que tenho de ti, de ti, de ti e de ti... Que saudades de viver com vocês coisas tão banais às quais não dava qualquer importância... É sempre assim, não é? Só damos importância ao que é realmente importante quando não o temos... Hoje a saudade bate-me forte... O coração apertado a esforçar-se por não chorar... Os olhos vidrados a dizerem-vos baixinho: amo-vos... amo-vos muito...
Dança-me. Leva-me em teus braços a voar.
Dança-me. Com a ferocidade de um tango selvagem e lamentado. Sensual.
Dança-me com unhas e dentes como num samba quase a acabar.
Dança-me.

Water


"A widow should be long suffering until death, self-restrained and chaste. A virtuous wife who remains chaste when her husband has died goes to heaven.

A woman who is unfaithful to her husband is reborn in the womb of a jackal.

The Laws of Manu
Chapter 5, Verse 156-161
Dharamshastras
(Sacred Hindu texts)"

India. 1938. Uma criança é deixada pela família numa Casa de Viúvas porque o marido, que não conhece, morreu. Começa assim a viagem por Water, de Deepa Mehta. Imperdível. Simplesmente.

"There are over 34 million widows in India according to the 2001 Census. Many continue to live in conditions of social, economic and cultural deprivation as prescribed 2000 years ago by the Sacred Texts of Manu."