terça-feira, 19 de setembro de 2006

Regresso

Viajámos. Percorremos caminhos, ora já noutras andanças percorridos, ora a descobrir. Inalámos cheiros de mar, de montanhas, de areia dourada a escaldar. Apanhámos sol por entre erva verde de montanhas ainda virgens. Divertimo-nos pela noite, dançamos, vimos o dia a amanhecer. As luzes das cidades reflectidas no rio são de uma beleza anormal. Tão simples, no entanto...
Mas, mais importante de tudo, conhecemos gente. Pessoas. Novas ou nem tanto, malucas, tímidas, alheadas, faladoras, solidárias, aconchegantes, arrogantes, mortas pela vida ou ainda com capacidade de viver.
E, no fundo, são estes contactos com desconhecidos, que me levam querer a continuar eternamente a viajar.

segunda-feira, 4 de setembro de 2006

Pause


Uma curtíssima pausa nas férias para espreitar o blog. Do qual (confesso) senti a falta. Do género de animal doméstico abandonado em casa. Só e triste. E com fome. Após este intervalo vou enchê-lo de mimos. E trazer-lhe presentes dos sítios paradisíacos por onde a minha mente andou.

quinta-feira, 24 de agosto de 2006

Actualidades

Os EUA anunciaram hoje a sua disponibilidade para levantar o embargo contra Cuba, em vigor há 44 anos, se os dirigentes do país se comprometerem a aceitar uma transição para a democracia.
Já estava a estranhar a demora. Essa nação que é a América... sempre tão solícita e solidária para com os outros países... sempre pronta a ajudar...

quarta-feira, 23 de agosto de 2006

Frase do Dia

"A cruzada antitabaco, que já soma razoáveis vitórias, afunda-se no ridículo de querer rever a história e a arte. Do zelo pela saúde passa-se à censura aberta".

Nuno Pacheco, PÚBLICO, 23-08-2006

Primeiro foram as campanhas ditas chocantes e as frases presentes nos maços de tabaco a dizerem-me que vou morrer se continuar a fumar (e se não continuar, será que me vai ser oferecido um elixir da juventude eterna?).
Depois as proibições de fumar em espaços públicos (fumem muito, fumadores do nosso país em restaurantes e bares e discotecas que essa liberdade está quase a acabar!!).
Seguidamente, e qual bola de neve, começo a ser olhada de lado por não fumadores, desconhecidos ou colegas de trabalho, por levar um cigarro à boca e degustá-lo com prazer. HHuummm, cancro da sociedade a poluir o nosso ar puro, pensam estes moralistas da vida saudável!!!
E as organizações de nome mundial (claro, sempre a começar pela Saúde) a não contratarem fumadores (aqueles viciados!!).
Finalmente, os desenhos animados "Tom & Jerry" serão reeditados na Grã-Bretanha para suprimir as cenas em que os personagens aparecem a fumar, por serem as mesmas consideradas "inapropriadas" para crianças, segundo queixas da entidade local reguladora da televisão. Lá andarão os funcionários dessa nobre entidade a visionar todos os episódios do "Tom & Jerry" da minha infância para, zááss, cortarem todas as cenas em que qualquer boneco apareça a fumar! Podiam aproveitar e visionar também as séries infantis que passam nas televisões hoje em dia. É que as ditas também contêm muitas cenas "inapropriadas", especialmente para a saúde mental das crianças que as acompanham.
E a seguir, o que virá? Fecharem-nos em casas de tratamento, qual toxicodepedentes da vida moderna? Brigadas anti-tabaco nas ruas munidas de cacetetes sempre prontos a darem uma paulada a um fumador compulsivo?

Enfim, já não há paciência. E vou à minha vidinha.
FUMAR UM, DOIS, VINTE CIGARROS!!!

terça-feira, 22 de agosto de 2006

Amigos gays X

O bom de se ter amigos gays advém também do facto de eles se sentarem no sofá em frente à televisão, mais rapidamente do que eu (e, não duvido, do que a maioria das mulheres), quando começam episódios de O Sexo e a Cidade ou Donas de Casa Desesperadas.

Hoje é dia de...

"Nos Estados Unidos, quando uma pessoa está na paragem de autocarro e vê passar alguém num Rolls Royce, pensa: «Um dia hei-de ter um.» Em Portugal diz: « Um dia hás-de andar a pé como eu.»"

Horácio Roque, presidente do Banif, in Visão

PECADO

CAPITAL
Percorro sons perdidos

(encontrados)

há muito (pouco?)

tempo atrás.

Deixo-me embalar

por uma melodia

ritmada a voltas de relógio:

eterno (passageiro),

mecânico na sua ânsia de chegar

(partir...)

sexta-feira, 18 de agosto de 2006

Hoje é dia de...

PECADO

CAPITAL

Os livros

As formas como as pessoas se relacionam com os livros são variadíssimas. É engraçado ver como cada pessoa tem, com os livros, diferentes formas de ligação. A maioria dos portugueses, segundo as estatísticas, tem com eles uma relação de verdadeira indiferença. Eu, neste campo, sou uma verdadeira resistente. Devoro-os à velocidade que as outras ocupações me deixam. Com muito prazer. Se afirmar que não conseguiria viver sem eles não estou a mentir. É uma necessidade tão básica como, por exemplo, lavar os dentes ou fumar. Se me faltam os livros entro em ressaca. Dura.
Há aqueles que são elitistas na compra dos seus livros. Lembro-me de ler, há uns tempos, uma citação de um jornalista ou escritor (não sei bem) que dizia que era incapaz de comprar um livro numa grande superfície. Achei que seria por entendê-lo como um acto desonroso para o livro a comprar. A mim é-me completamente indiferente o local onde compro literatura. Seja na Fnac ou no Modelo. Na Bertrand ou num qualquer alfarrobista perdido numa cidade. Importante é comprá-los.
Há os livros que compramos porque deles nos falaram, ou porque sobre eles lemos uma crítica positiva. Outros há que nos levam a comprá-los. Entramos numa livraria e lá está aquele livro a olhar para nós, e a sussurrar-nos compra-me!! Sentes o chamamento e, em menos de nada ele passou da estante para a tua mão e daí para a tua vida.
É engraçado também observar as reacções dos leitores face aos livros. Lembro-me, por exemplo, do meu pai me contar que às vezes, ao ler determinada passagem dominada pela personagem maquiavélica, se irritava de tal forma que atirava com o livro ao chão. Tinha de esperar uns minutos até se recompôr e conseguir voltar à leitura. Nunca atirei um livro ao chão. Mas já dei comigo a chorar ou a sorrir.
Há livros escritos com uma serenidade e simplicidade exasperantes. Outros têm uma escrita cinematográfica, a deixar-nos com dificuldade em respirar. Parece que o filme nos está a passar todo em frente.
Há ainda os leitores egoístas e os liberais. Eu sou das egoístas. Cada vez mais me custa emprestar um livro a alguém. Parece que tenho hipotecado um bocadinho de mim... Sinto-me incompleta e aflita até ele voltar para mim. Aquelas há que lhes é completamente indiferente se os livros estão na estante da sala, junto dos cd's, ou em casa da tia, guardados no sótão com os peluches cheios de pó.

quinta-feira, 17 de agosto de 2006

Saudade

Hoje a saudade bate-me forte! Que saudades que tenho de ti, de ti, de ti e de ti... Que saudades de viver com vocês coisas tão banais às quais não dava qualquer importância... É sempre assim, não é? Só damos importância ao que é realmente importante quando não o temos... Hoje a saudade bate-me forte... O coração apertado a esforçar-se por não chorar... Os olhos vidrados a dizerem-vos baixinho: amo-vos... amo-vos muito...
Dança-me. Leva-me em teus braços a voar.
Dança-me. Com a ferocidade de um tango selvagem e lamentado. Sensual.
Dança-me com unhas e dentes como num samba quase a acabar.
Dança-me.

Water


"A widow should be long suffering until death, self-restrained and chaste. A virtuous wife who remains chaste when her husband has died goes to heaven.

A woman who is unfaithful to her husband is reborn in the womb of a jackal.

The Laws of Manu
Chapter 5, Verse 156-161
Dharamshastras
(Sacred Hindu texts)"

India. 1938. Uma criança é deixada pela família numa Casa de Viúvas porque o marido, que não conhece, morreu. Começa assim a viagem por Water, de Deepa Mehta. Imperdível. Simplesmente.

"There are over 34 million widows in India according to the 2001 Census. Many continue to live in conditions of social, economic and cultural deprivation as prescribed 2000 years ago by the Sacred Texts of Manu."

quarta-feira, 16 de agosto de 2006

Paredes de Coura, 1º dia: O homem que pôs o «M» em Coura

"Era, no mínimo, previsível que o regresso de Morrissey a Portugal constituísse um dos momentos altos do primeiro dia (oficial) do festival Paredes de Coura. O largo número de fãs presente era bem visível. Identificáveis não só pelo elevado número de t-shirts alusivas à banda, mas também pelas vestes e penteados passeados pelo recinto.
O mesmo público ficou, inevitavelmente, satisfeito com o regresso da figura icónica que representa Morrissey. Agigantou-se de forma natural. Com uma presença a transbordar charme. Da postura às vestes (trocou de camisa por quatro vezes). Dirigiu-se ao seu público com uma educação irrepreensível. Encenou o chicotear do cabo do microfone no palco como que um fatalismo (romântico) tão presente na sua obra. E nem a saída de palco de forma abrupta, quando tocava «Panic in the Streets of London», fez com o regresso não tivesse sido conseguido. Memorável, apenas…"


Pedro Trigueiro in Diário Digital

segunda-feira, 14 de agosto de 2006

Hoje é dia de...


PECADO

CAPITAL
Tomar um banho de mar, de águas quentes e calmas,

numa madrugada de dança,

muitos risos e alguns devaneios,

é um daqueles momentos preciosos

que nunca irei esquecer...

Existem instantes assim...

de tão simples que são tocam o divino...

Rolling Stones no Porto: Velhos são os outros!

"Um grande espectáculo e um alinhamento primoroso - ainda que tenha deixado de fora alguns clássicos - levaram o público do Estádio do Dragão à euforia na noite de Sábado. Os Rolling Stones vão na quarta década de existência, mas, perante a dinâmica e energia vistas, velhos são os outros!


Mick Jagger, incrivelmente irrequieto durante todo o concerto, conduziu com mestria os parceiros do grupo e músicos convidados, deslumbrando os cerca de 47.000 espectadores com um cenário fabuloso e que deixa bem longe tudo o que já se viu do género em Portugal, dos U2 a Madonna.
Jagger, Keith Richards, Charlie Watts, Ronnie Wood e os restantes elementos da banda britânica tocaram 20 temas, num rol iniciado em grande estilo com o clip de introdução à digressão «A Bigger Bang» e a interpretação de «Jumpin´Jack Flash» e que terminou num fabuloso encore com «Satisfaction».
O momento alto do espectáculo aconteceu, contudo, quando a parte central do palco se elevou, deslizando por um corredor central até meio do relvado, onde os membros da banda ficaram mais próximos do público, durante alguns temas, entre os quais «Miss You», «She´s So Cold» e «Honky Tonk Women».
Por entre o festival de luz e de som, espaço ainda para ver um Mick Jagger imparável (e a falar na maior parte do tempo no seu português abrasileirado) a prestar homenagem nos écrãs a Ray Charles e a recuperar algumas pérolas como «Ruby Tuesday», abrindo alas a alguns temas bluesy e à oportunidade de escutar Keith Richards, num concerto em crescendo que teve ainda em «Start Me Up», «Sympathy For The Devil» e «Can´t Always Get What You Want» outros pontos de destaque.
Se dúvidas havia, este concerto confirmou que, depois do último álbum de originais (de 2005, o melhor dos últimos 15 anos), os Stones recuperaram anos de vida, desfrutando em pleno - e em palco - do que de melhor estes anos de carreira lhes deram."

Filipe Rodrigues da Silva in Diário Digital

sexta-feira, 11 de agosto de 2006

Coisas que já não suporto III

Aquelas pessoas que, quando participam em determinada actividade, ou assistem a um qualquer evento, passam o tempo todo a tirar fotografias ou a filmar (e eu adoro fotografia, atenção!!). Qual é o objectivo? Vivenciarem, com as ditas fotografias ou filmes, aquilo que não viveram na altura, por estarem demasiado ocupados?

Banalidades do quotidiano (que vale a pena partilhar)

Se vês um homem na rua, vestido com uma camisa preta sobre os boxers azuis, aos corações, isso não significa obrigatoriamente que estás a ter uma alucinação.

quarta-feira, 9 de agosto de 2006

Banalidades do quotidiano (que vale a pena partilhar)

Se vês um velhote a dançar na passadeira, enquanto diz oohh yyeeaahh, isso não é obrigatoriamente um anúncio da Coca Cola.

terça-feira, 8 de agosto de 2006

Sonhei que estava contigo à beira rio. Um rio que eu conhecia mas não conhecia também. Sabes como são os sonhos, sempre incoerentes na sua sabedoria indecifrável.
Davas-me a mão e dizias-me que apesar de vivermos num mundo de loucos, em que as tecnologias substituem a carne, há coisas que não mudam: os sentimentos.
Explicavas-me que trocamos a televisão pelo computador. Os cd's pelo mp3. As conversas pelas sms's. O haxixe pelas pastilhas. Mas os sentimentos não evoluem assim. Não trocamos conceitos como amizade, amor, desejo, querer, entrega, por outros novos que os tenham vindo substituir. Porque tal não é possível. Podem ter uma materialização diferente, uma concretização diferente, um modo de os enfrentar diferente, mas a sua essência é sempre a mesma.
Dizias-me que é por isso que o futuro, um dia, se vai transformar em passado. Não melancólico. Não cansado. Porque nem sempre o futuro é tão lá à frente assim.
Ouvi-te atentamente como uma criança ouve a professora na escola. Compreendi o que me pretendias dizer.
Encostei a minha cabeça no teu ombro e olhei o rio, que eu conhecia mas não conhecia também, a correr, límpido e apressado e sedento de chegar ao mar.
Agradeci-te. Em silêncio. Desejando que o rio nunca páre de desaguar no mar.