quinta-feira, 17 de agosto de 2006

Dança-me. Leva-me em teus braços a voar.
Dança-me. Com a ferocidade de um tango selvagem e lamentado. Sensual.
Dança-me com unhas e dentes como num samba quase a acabar.
Dança-me.

Water


"A widow should be long suffering until death, self-restrained and chaste. A virtuous wife who remains chaste when her husband has died goes to heaven.

A woman who is unfaithful to her husband is reborn in the womb of a jackal.

The Laws of Manu
Chapter 5, Verse 156-161
Dharamshastras
(Sacred Hindu texts)"

India. 1938. Uma criança é deixada pela família numa Casa de Viúvas porque o marido, que não conhece, morreu. Começa assim a viagem por Water, de Deepa Mehta. Imperdível. Simplesmente.

"There are over 34 million widows in India according to the 2001 Census. Many continue to live in conditions of social, economic and cultural deprivation as prescribed 2000 years ago by the Sacred Texts of Manu."

quarta-feira, 16 de agosto de 2006

Paredes de Coura, 1º dia: O homem que pôs o «M» em Coura

"Era, no mínimo, previsível que o regresso de Morrissey a Portugal constituísse um dos momentos altos do primeiro dia (oficial) do festival Paredes de Coura. O largo número de fãs presente era bem visível. Identificáveis não só pelo elevado número de t-shirts alusivas à banda, mas também pelas vestes e penteados passeados pelo recinto.
O mesmo público ficou, inevitavelmente, satisfeito com o regresso da figura icónica que representa Morrissey. Agigantou-se de forma natural. Com uma presença a transbordar charme. Da postura às vestes (trocou de camisa por quatro vezes). Dirigiu-se ao seu público com uma educação irrepreensível. Encenou o chicotear do cabo do microfone no palco como que um fatalismo (romântico) tão presente na sua obra. E nem a saída de palco de forma abrupta, quando tocava «Panic in the Streets of London», fez com o regresso não tivesse sido conseguido. Memorável, apenas…"


Pedro Trigueiro in Diário Digital

segunda-feira, 14 de agosto de 2006

Hoje é dia de...


PECADO

CAPITAL
Tomar um banho de mar, de águas quentes e calmas,

numa madrugada de dança,

muitos risos e alguns devaneios,

é um daqueles momentos preciosos

que nunca irei esquecer...

Existem instantes assim...

de tão simples que são tocam o divino...

Rolling Stones no Porto: Velhos são os outros!

"Um grande espectáculo e um alinhamento primoroso - ainda que tenha deixado de fora alguns clássicos - levaram o público do Estádio do Dragão à euforia na noite de Sábado. Os Rolling Stones vão na quarta década de existência, mas, perante a dinâmica e energia vistas, velhos são os outros!


Mick Jagger, incrivelmente irrequieto durante todo o concerto, conduziu com mestria os parceiros do grupo e músicos convidados, deslumbrando os cerca de 47.000 espectadores com um cenário fabuloso e que deixa bem longe tudo o que já se viu do género em Portugal, dos U2 a Madonna.
Jagger, Keith Richards, Charlie Watts, Ronnie Wood e os restantes elementos da banda britânica tocaram 20 temas, num rol iniciado em grande estilo com o clip de introdução à digressão «A Bigger Bang» e a interpretação de «Jumpin´Jack Flash» e que terminou num fabuloso encore com «Satisfaction».
O momento alto do espectáculo aconteceu, contudo, quando a parte central do palco se elevou, deslizando por um corredor central até meio do relvado, onde os membros da banda ficaram mais próximos do público, durante alguns temas, entre os quais «Miss You», «She´s So Cold» e «Honky Tonk Women».
Por entre o festival de luz e de som, espaço ainda para ver um Mick Jagger imparável (e a falar na maior parte do tempo no seu português abrasileirado) a prestar homenagem nos écrãs a Ray Charles e a recuperar algumas pérolas como «Ruby Tuesday», abrindo alas a alguns temas bluesy e à oportunidade de escutar Keith Richards, num concerto em crescendo que teve ainda em «Start Me Up», «Sympathy For The Devil» e «Can´t Always Get What You Want» outros pontos de destaque.
Se dúvidas havia, este concerto confirmou que, depois do último álbum de originais (de 2005, o melhor dos últimos 15 anos), os Stones recuperaram anos de vida, desfrutando em pleno - e em palco - do que de melhor estes anos de carreira lhes deram."

Filipe Rodrigues da Silva in Diário Digital

sexta-feira, 11 de agosto de 2006

Coisas que já não suporto III

Aquelas pessoas que, quando participam em determinada actividade, ou assistem a um qualquer evento, passam o tempo todo a tirar fotografias ou a filmar (e eu adoro fotografia, atenção!!). Qual é o objectivo? Vivenciarem, com as ditas fotografias ou filmes, aquilo que não viveram na altura, por estarem demasiado ocupados?

Banalidades do quotidiano (que vale a pena partilhar)

Se vês um homem na rua, vestido com uma camisa preta sobre os boxers azuis, aos corações, isso não significa obrigatoriamente que estás a ter uma alucinação.

quarta-feira, 9 de agosto de 2006

Banalidades do quotidiano (que vale a pena partilhar)

Se vês um velhote a dançar na passadeira, enquanto diz oohh yyeeaahh, isso não é obrigatoriamente um anúncio da Coca Cola.

terça-feira, 8 de agosto de 2006

Sonhei que estava contigo à beira rio. Um rio que eu conhecia mas não conhecia também. Sabes como são os sonhos, sempre incoerentes na sua sabedoria indecifrável.
Davas-me a mão e dizias-me que apesar de vivermos num mundo de loucos, em que as tecnologias substituem a carne, há coisas que não mudam: os sentimentos.
Explicavas-me que trocamos a televisão pelo computador. Os cd's pelo mp3. As conversas pelas sms's. O haxixe pelas pastilhas. Mas os sentimentos não evoluem assim. Não trocamos conceitos como amizade, amor, desejo, querer, entrega, por outros novos que os tenham vindo substituir. Porque tal não é possível. Podem ter uma materialização diferente, uma concretização diferente, um modo de os enfrentar diferente, mas a sua essência é sempre a mesma.
Dizias-me que é por isso que o futuro, um dia, se vai transformar em passado. Não melancólico. Não cansado. Porque nem sempre o futuro é tão lá à frente assim.
Ouvi-te atentamente como uma criança ouve a professora na escola. Compreendi o que me pretendias dizer.
Encostei a minha cabeça no teu ombro e olhei o rio, que eu conhecia mas não conhecia também, a correr, límpido e apressado e sedento de chegar ao mar.
Agradeci-te. Em silêncio. Desejando que o rio nunca páre de desaguar no mar.

"Passamos pelas coisas sem as ver, gastos, como animais envelhecidos: se alguém chama por nós não respondemos, se alguém nos pede amor não estremecemos, como frutos de sombra sem sabor, vamos caindo ao chão, apodrecidos."

Eugénio de Andrade

segunda-feira, 7 de agosto de 2006

Queria trazer-te tatuado em mim como uma segunda pele. Não seria transmutares-te?, perguntar-me-ias tu. E o que importa se essa transformação se me colaria como uma herança de há muitos anos? Pertença minha por direito? E se eu, de facto, sou incompleta, ou não completamente eu sem essa parte que me falta? Entendes-me? Consegues perceber-me? E se eu não sou eu? Ou sou... mas não irremediavelmente eu?
“ A arte é uma mentira

que nos faz compreender a verdade.”

Pablo Picasso

Amigos gays IX

O bom de termos amigos gays é que eles choram connosco nas cenas mais sensíveis dos filmes, em vez de se rirem na nossa cara, de nos chamarem lamechas ou dizerem: É só um filme!

sexta-feira, 4 de agosto de 2006

Dançar,

dançar,

dançar...

(Até que o corpo me doa

e a alma - feliz - consiga dormir.)

Agenda

Dia 26 de Outubro de 2006 - Campo Pequeno (Lisboa):

MuSe

Dia de Aniversário

Há 1 ano esta blog começava assim:

"Um dia acordas e decides criar um blog.
Anonimamente.
Sem rosto.
Com confissões.
Segredos.
Banalidades.
No que é que isto vai dar?
Não sei."

Hoje os intentos mantêm-se basicamente os mesmos.
Continuemos, portanto...

quinta-feira, 3 de agosto de 2006

SUDOESTE

«O Sudoeste chega à décima edição e é o maior festival de música moderna de Verão em Portugal. Esperam-se entre 25 mil e 30 mil pessoas em cada um dos quatro dias, de hoje até domingo. Mas quantos estarão lá apenas para o campismo, a praia e alguns dias com os amigos, sendo a música um factor acessório?
Na sexta-feira, 8 de Agosto de 1997, um palco português recebeu um alinhamento de quatro bandas: Entre Aspas, Urban Species, Veruca Salt e Blur. Nada de especial no facto, a não ser que se tratava do primeiro dia da primeira edição de um festival chamado Sudoeste. E que hoje comemora a sua décima edição, sempre na Herdade da Casa Branca, Zambujeira do Mar, Odemira.
Dez anos após um começo singelo - um palco, três dias, 24 concertos -, o (este ano) SWTMN 10.º Festival Sudoeste é actualmente o maior festival de música moderna em Portugal.
Entre hoje e a madrugada de segunda-feira são esperadas no litoral sul-alentejano entre 100 mil e 120 mil entradas (muitas pessoas vão a mais do que um dia), número que Álvaro Covões, uma das duas cabeças (com Luís Montez) da produtora de sempre do festival, a Música no Coração, considera ser o intervalo que garante um mínimo de conforto para os espectadores. Preços: 40 euros o bilhete diário, 70 o passe de quatro dias, com direito a acampar. Em 1997, um bilhete para todo o festival custava 6 mil escudos, ou seja, 30 euros.
Quanto a concertos, serão quase 70, divididos por três palcos que estarão em actividade simultânea. Para a edição de 2006, e com as indicações disponíveis à hora de fecho desta edição, as expectativas são boas, a fazer fé nos muitos milhares de campistas que já enchiam o parque de campismo contíguo ao recinto dos espectáculos.
O Sudoeste não foi o primeiro festival do género: tinha antecedentes corajosos como Vilar de Mouros, e mesmo, também da Música no Coração, o Super Bock Super Rock, que ainda se mantêm.

A aventura do isolamento

Mas o que separou o Sudoeste destes irmãos mais velhos foi o facto de se realizar num local perfeitamente deslocado de qualquer roteiro cultural, a grande distância de grandes aglomerados urbanos.
Foi uma aventura, como contou Álvaro Covões há uns anos. "Na noite anterior ao começo do [primeiro] festival, numa noite de céu estrelado, eu e o Luís Montez subimos ao palco... Olhámos em redor e recordo-me de lhe ter dito: "Nós somos loucos! O que é que estamos aqui a fazer, no meio do nada, neste fim do mundo?".
Mas a aposta na Herdade da Casa Branca, a poucos quilómetros do mar, foi ganha. Porque integrava uma mais vasta tendência europeia para as migrações das tribos urbanas para zonas exógenas. Factores como a distância deixam de ser condicionantes para serem atractivos: não custa fazer algumas centenas de quilómetros, porque se está em convívio no meio da natureza.
Ao longo dos anos, a Música no Coração tem tratado da herdade durante 51 semanas, para que durante uma semana esta esteja em condições para receber as milhares de pessoas que por lá passam. Espectadores, claro, mas também os artistas e suas comitivas, técnicos, forças de segurança e saúde, jornalistas, vendedores. E muitos destes são simultaneamente campistas.
A outra entidade responsável é a Câmara Municipal de Odemira, o vasto concelho onde se situa a Freguesia da Zambujeira do Mar. Para a autarquia, é uma parceria que traz vantagens: projecção do nome a nível nacional e internacional, integração num roteiro de grandes festivais, e entrada de verbas através das dormidas, restauração e lojas de venda de mantimentos, disse ontem Carlos Oliveira, vereador da Câmara de Odemira responsável pelo festival.

Praia ou música?

O festival chega à décima edição, sem interrupção, mas o balanço final é uma incógnita num ano em que tem havido iniciativas musicais em Portugal com resultados muito abaixo do esperado, entre os quais algumas da Música no Coração - lembremos o Hype@Tejo, descendente do @Meco, que tinha como objectivo a aposta nas novas tendências de dança e electrónica e que teve no Terrapleno de Santos a 8 de Julho pouco mais de 2000 espectadores.
Ou seja, saber se o modelo tradicional de festival de Verão se mantém e qual o equilíbrio entre "cartaz" e "público".
Se antigamente quem ia ao Sudoeste ia essencialmente pela música e pelos artistas que queria ver, agora a proporção inverteu-se, e são mais os que dizem que vão até à Zambujeira pelo lazer. E aqui a Herdade da Casa Branca tem uma localização privilegiada, quer física, quer temporal - na primeira semana de Agosto a esmagadora maioria dos portugueses está de férias.

Não há efeito "arrastamento"

Assim, e num festival por onde já passaram nomes grandes como Oasis, Marilyn Manson, Korn e Cure, na área do rock, passa-se agora para um alinhamento que privilegia os sons mais virados para a dança - o que se nota, aliás, no atraso dos horários dos concertos, que vão terminar regularmente às três ou quatro horas da manhã -, para o reggae. E sem nenhum nome enorme, que tenha um efeito de arrastamento, resultado, em parte, da mudança de dias do festival de Benicassim, em Espanha, que regularmente se realizava também nos primeiros dias de Agosto.
Daqui a quatro dias se fará as contas às comemorações desta primeira década do Sudoeste. As faixas etárias continuam a alargar-se (vão os jovens, mas também os trintões e quarentões com os filhos), o gosto pelo local e as condições mantêm-se. Falta perceber o peso das mudanças do factor cartaz.»


Eurico Monchique in PÚBLICO

quarta-feira, 2 de agosto de 2006

Enganas os dias à força da vontade
que eles caiam como folhas envelhecidas pelo Outono.

Enganas-te à força da vontade de que o amanhã seja hoje.

Enganas os outros à força da vontade de fingires que acreditas.

Enganam-te a ti à força da vontade
de quererem acreditar que a mentira é verdade.

Ou de que a verdade não é verdadeira.

terça-feira, 1 de agosto de 2006