quinta-feira, 20 de julho de 2006

Hoje sinto-me...


PiNtAdA

dE

fReScO

terça-feira, 18 de julho de 2006

- Mudei muito. Não sou a pessoa que um dia conheceste.
- Sim... Mas não podes ter ficado irreconhecível. Tens de ter ainda um pouco de ti!
- Não nos víamos há ... aaahhh... seis anos?
- Seis anos.
- Como podes então ter a pretensão de achar que ainda sou eu?
- Conheces-me?
- Não.
- Então porque é que insistes em tratar-me como se me conhecesses?

segunda-feira, 17 de julho de 2006

E porque hoje me apetece recordar filmes...


Adorei este! É leve e divertido.
Conta com a participação da "nossa" Lúcia Moniz.
A banda sonora é excelente.
Hugh Grant leva-nos a querer um primeiro-ministro assim.
Nunca um hit de Natal foi tão sedutoramente "cantado".
Logo no genérico me emocionei
(lembram-se das despedidas e reencontros no aeroporto?)...

Recomenda-se: A ver ou rever num Domingo à tarde
(de preferência se o/a espectador(a) estiver de ressaca).

...

Acordas com a má disposição de quem se acabou de deitar. Olhas-te ao espelho e vês a mulher de todos os dias. A cara de todos os dias. O cansaço de todos os dias. E de todas as noites. Diriges-te à cozinha e preparas o teu pequeno almoço. Que, possa embora ser muito diferente, te sabe sempre ao mesmo. Ou melhor, que a nada te sabe.
Sais de casa, entras no carro, vais trabalhar. Passa por ti, como sempre, a paisagem linda que tens a sorte de te rodear. Não a vês sequer. Acho que fazes questão de não a ver, de não a sentir, para que assim não te possas dar esse pequeno privilégio.
Ai... lembras-te agora que te dói a cabeça. Ontem doía-te a barriga. E amanhã, já sabes, vai doer-te outra coisa qualquer.
Passa-te o dia a correr. Mecânico. Perdes a noção dos minutos pelo meio dos papéis. Acho que é a parte do dia que mais gostas. Aquela em que não te lembras que és alguém, que é suposto seres alguém.
Voltas a casa ao final do dia. Passou-te a dor de cabeça mas sentes-te pesada, cansada. E amanhã, já sabes, vais sentir outra coisa qualquer. Dás um jeito à casa, à roupa, ao jardim. Preparas o jantar. Tomas um banho para relaxar. Jantas só. Metida com os teus pensamentos de solidão. Alegras-te um pouco porque daqui a nada estás sentada no sofá a ver as tuas novelas. Choras, ris, sofres com as vivências difíceis das personagens. Emocionas-te com o beijo quente de uma paixão sempre adiada. Odeias a mulher maquiavélica que faz o mal para seu bem.
Como é possível viveres assim? Como consegues?
Vives uma não-vida. Ou não a vives? Sei lá... Sei apenas que não existes por medo. E sei também que são as novelas e as vidas dos que te são mais próximos que enchem a tua vida. Vibras com os seus sonhos e ilusões. Choras com as suas desilusões...
E tu? Quando vais começar a preencher-te com a tua vida? Qual vida?
Acho que nunca amiga... E custa-me tanto porque gosto de ti...
Acho que nunca... amiga.

terça-feira, 11 de julho de 2006


(Só até a proprietária reencontrar as palavras que o caminho lhe roubou.)

segunda-feira, 10 de julho de 2006

Para ti...

Existem dias
em que,
por muito grande
seja
a necessidade de escrever,
de dizer,
de soltar...
...a alma fecha-me
o coração à chave
proibindo-me
de o fazer...

sexta-feira, 7 de julho de 2006

Constatações

Odeio pessoas FORRETAS!!!

(Não a totalidade da pessoa em si,

mas esse DESVIO de personalidade)

Os trintas (II)

Quando tinha 15 ou 16 anos, lembro-me de imaginar que aos 30, seria casada, talvez com filhos, com uma vida completamente organizada e estável.
Nada disso aconteceu. Continuo solteira, sem filhos, com uma vida agradavelmente instável dentro da estabilidade possível.
Lembro-me de pensar que aos 30 devia usar fatos de saia-casaco no trabalho (que horror!!!). A maioria dos dias venho trabalhar de calças de ganga!
Lembro-me de pensar que aos 30 seria muito adulta! Continuo uma criança adorável!
Que as discotecas já não seriam para mim... Puro erro!
Que, que, que... muitas coisas mais...
E é muito bom chegar aos trintas com muita sede de viver, com muita curiosidade, com instabilidade também, com a noção de que sei muito pouco e que quero sempre aprender...
E, principalmente, é muito bom chegar aos trintas sabendo que as coisas não são como pensava que eram, que a vida nos troca as voltas a seu bel prazer, sem nos avisar.
Quando tinha 15 ou 16 anos, lembro-me de imaginar que aos 30 a minha vida seria uma seca!!
NÃO O É!!

Os trintas (I)

Apesar de me sentir muito jovem, há coisas que me fazem não esquecer que estou nos trintas!! Ontem, enquanto ouvia uma qualquer estação de rádio, passou uma música dos anos 80 de Chris de Burgh, e eu deixei-me ficar a ouvi-la!!!
Não se pode ser perfeita...

quinta-feira, 6 de julho de 2006

O presente voa-me das mãos como se já fosse passado.
Ainda que não o seja.
Será?
O futuro nunca fica muito tempo por cá...
Esvai-se entre um sopro de vento frio e célere...
Fugaz...
Resta-me o passado que já passou.
Que está já enterrado ou quase a sê-lo.
Pode ainda ser alterado.
Pelo presente que já não o é,
pelo futuro que já é presente,
que já passou...

O dia seguinte

Só me ocorre dizer:

#*?»!%0##}:# *

(* Tradução livre)

quarta-feira, 5 de julho de 2006

Ansiedade


do Lat. anxietate

s. f.,

dificuldade de respiração;
opressão;
angústia;
inquietação de espírito;
desejo veemente;
impaciência.

Se a minha entidade patronal fosse inteligente...

...(ainda que a mesma não seja perfeitamente individualizada), tinha-me dispensado do trabalho esta tarde. Sempre não consigo fazer nada de jeito... (embora vontade não me falte, claro!!!)

terça-feira, 4 de julho de 2006

Sabemos tão pouco uns dos outros.

Estamos praticamente submersos,

como icebergs,

com o nosso lado social projectando-se branco e frio.”



Ian McEwan in "Amsterdam"

Acordei, devagar, à medida que o sol me ia aquecendo o corpo nu.
Não queria ter de abrir os olhos. Não me apetecia ver a beleza do quarto, naquele momento. Desejava apenas senti-la...
Quentinha, a encher-me a alma nua. De tudo e nada...
Daquele suave torpor...
Apalpei a cama vazia à tua procura. Não estavas. Já não estavas.
Mas continuavas lá (aliás, como continuas em todos os momentos da minha vida ainda que não estejas...). Sentia-te o cheiro, o toque, a respiração... Sentia-te meigo por entre o sol a entrar...
Abri os olhos, muito a custo.
Tinhas aberto as janelas e deixaste o som dos pássaros e das árvores entrar.
Como é bom assim acordar...

O Efeito Avestruz

Venho-me apercebendo, cada vez com mais convicção, de que a maioria das pessoas, tal como as conhecíamos até uns atrás, estão a desaparecer. Estão a desaparecer conceitos como solidariedade. Ajuda. Amizade. Entrega. Observo que vive cada um para si e em função de si. E se existem comportamentos para com o outro será porque isso, de alguma forma, trará um qualquer benefício. Porque não se pode fazer nada sem receber o correspondente de volta: isso custa e dá muito trabalho!!

Concluo também que as pessoas (a maioria, que nunca se pode generalizar de uma forma radical) , estão a desaprender de conversar. E nem falo das crianças que, em vez de jogarem às escondidas, passam horas a jogar Playstation. Não falo das jovens que, em vez de brincarem com as amigas às festas, ou ao que seja, preferem os chats.
Refiro-me essencialmente à falta de coragem para conversar. Se existe um qualquer problema ou desentendido, por exemplo, entre amigos (não estarei a usar uma palavra demasiado forte?), qual é a coisa correcta a fazer? Hoje já não é conversar e tentar resolver as coisas pela sua forma mais simples e mais séria (tenho saudades do tempo em que as coisas se resolviam assim...). Não, o melhor é desaparecer durante uns tempos... ou fingir que nada aconteceu... ou... enfim... adoptar o que, tão tristemente, designo de Efeito Avestruz.
Que saudades eu tenho dos tempos em que se conversava...

sábado, 1 de julho de 2006

Só uma coisinha...

GANHÁMOS

(Afinal são duas coisinhas: Apesar de ser portista de corpo e alma, e de sempre me ter feito um bocadinho de confusão aquela história do Baía, tenho de dizê-lo: Viva o Ricardo!!)

sexta-feira, 30 de junho de 2006

Frase do Dia*

* Ou: Esta piada é muito engraçada. Venha a próxima...


"Pedi ao juiz três mil euros por mês para comer".


Albertino Figueiredo, fundador da Afinsa, PÚBLICO, 30-06-2006

quinta-feira, 29 de junho de 2006

Fim da Canção

Chegámos ao fim da canção
E páro um pouco p’ra dormir
É tarde p’ra voltarmos atrás
Já nem há motivo algum para rir

É como ouvir alguém dizer
"Vê nessa procura
Uma razão
P’ra virar a dor para dentro"
Que é virar o amor para dentro
Falo de um amar para dentro
Que é virar a dor para dentro

Eu vou dizer até me ouvir
A dor chegou para ficar
Eu vou parar quando eu sentir
Não haver motivo algum p’ra negar

É como ouvir alguém dizer
"Vê nessa procura
Uma razão
P’ra virar a dor para dentro"
Que é virar o amor para dentro
Falo de um amar para dentro
Que é virar a dor para dentro

Chegámos ao fim da canção
E paro um pouco para dormir.

Ornatos Violeta in "O Monstro precisa de amigos"

Procuro-te. Procuro-te em mim. Procuro-te nas ruas, nas janelas, nos carros que passam. Procuro-te no olhar dos outros. Procuro-te no céu e no mar. À porta de casa também te procuro. Procuro-te em ti. Procuro-te no telefone, nas fotografias. Procuro o teu sorriso. Os teus olhos. As tuas mãos e palavras. Procuro-te...

Onde estás?

quarta-feira, 28 de junho de 2006

Àcerca do Mundial III

A legislação que regula o uso da Bandeira Nacional (Decreto-Lei n.º 150/87, de 30 de Março) estabelece, nomeadamente, que:

"Artigo 2.º

(...)
2 - A Bandeira Nacional, no seu uso, deverá ser apresentada de acordo com o padrão oficial e em bom estado, de modo a ser preservada a dignidade que lhe é devida.

Artigo 3.º


1 - A Bandeira Nacional será hasteada aos domingos e feriados, bem como nos dias em que se realizem cerimónias oficiais ou outros actos ou sessões solenes de carácter público.
2 - A Bandeira Nacional poderá também ser hasteada noutros dias em que tal seja julgado justificado pelo Governo ou, nos respectivos territórios, pelos órgãos de governo próprio das regiões autónomas, bem como pelos governadores civis ou pelos órgãos executivos das autarquias locais e dirigentes de instituições privadas.

Artigo 6.º


1 - A Bandeira Nacional deverá permanecer hasteada entre as 9 horas e o pôr do Sol.
2 - Quando a Bandeira Nacional permanecer hasteada durante a noite, deverá, sempre que possível, ser iluminada por meio de projectores."

Com esta febre de bandeiras, parece-me que anda muita gente a violar a lei.
Será que o Governo já colocou em campo os seus serviços de fiscalização?

sexta-feira, 23 de junho de 2006

http://www.worldjumpday.org./

No dia 20 de Julho de 2006 pretende-se juntar 600 milhões de pessoas para saltarem, às 11h39m13s. Estranho? Se calhar nem tanto:
Segundo o site da organização (visitem), está comprovado cientificamente que este salto a nível mundial vai fazer com que a Terra altere a sua órbita, afastando-se ligeiramente do Sol, o que vai atenuar os efeitos do aquecimento global.

Não sei se é verdade mas, como sou uma leiga no assunto, vou saltar!!

quarta-feira, 21 de junho de 2006

Àcerca do Mundial II

Pior do que ver um jogo da nossa Selecção com treinadores de bancada, é vê-los com o pessimismo encarnado em pessoa. Eu dizia Vai, vai, ela dizia Manda para trás que vais perder a bola. Eu dizia O Ricardo vai defender o penálti, ele dizia Ai que vamos perder o jogo. Eu festejava cada bola na baliza dos adversários com palmas e assobios, ela esperava o momento em que se tudo se ia alterar.

MORAL: Já tinha morrido do coração se fosse pessimista. E não estou a falar só de futebol, mas de tudo o resto. Sou tão mais feliz convivendo saudavelmente com o meu optimismo...

P.S.: Ainda sobre o Mundial: Venham os próximos!! E muita fé!!

Faltam...


Duas horas...

... e quarenta e oito minutos...

para o início do VERÃO!

terça-feira, 20 de junho de 2006

Hoje sinto-me assim... *


* Ou: A serenidade fica-me tão bem...

Diários de Vida

As pessoas percorrem a minha vida. Entram, saem. Algumas voltam. Outras não. Algumas quase chegaram a entrar, outras não chegaram a partir. Algumas ficam eternamente. Ainda que não na vida, na memória. Outras prefiro esquecer. Não fingir que não existiram, mas deixá-las ir. Algumas há que não as deixo entrar. Outras apenas vagueiam ao de longe sem nunca, de facto, permanecer.
Algumas que me deixam sorrisos. Outras que me fazem viajar.
Sou porto. Lugar de encontros e desencontros, passagens, viagens, sonhos, viver.
Sou porto. Lugar de emoções, de desilusões, de eterna transformação quieta, parada, mudada.
Sou porto. De mim...

sexta-feira, 16 de junho de 2006

"Depois do silêncio,

o que mais se aproxima

de expressar

o inexprimível

é a música."

Aldous Huxley

Proposta do Dia:


Sentir...

Cheirar...

Beijar a Natureza...

WC

Quando saio para a noite, e faço-o com bastante frequência, que esta necessidade inata e eterna de dançar não me deixa ficar em casa, passo grandes temporadas nas casas de banho. Para mais, se já conheço minimamente bem determinado local...
É que nas casas de banho das mulheres acontecem muitas coisas. A maioria delas com graça. Conversas de miúdas de 16 e 17 anos, bêbadas, que são verdadeiros espéctáculos de humor itenerantes. Confissões e segredos. Desabafos de amor. Perguntas sobre como resolver a situação, qual consultório amoroso. Inconfidencialidades. Banalidades.
O mais positivo é que, por causa das imensas esperas nas casas de banho das mulheres, farto-me de conhecer gente!!
Assim, quando estou cansada, ou está a passar uma música que eu não gosto, etc., não tendo por desculpa uma ida ao bar, porque tenho o copo cheio, vou até à casa de banho!
Os meus amigos dizem-me que quando não sabem onde estou, é porque estou no sítio do costume!!

quarta-feira, 14 de junho de 2006

Percurso

Saiu de casa determinado a deixar-se levar pelo mundo. Pelo menos o pedacinho que o rodeia. Conduziu lentamente, a sentir o caminho debaixo dos pés. A perder-se na beleza das casas com muitos anos, com muitas histórias. Havia descoberto há pouco que as casas falam. E riem e choram e sentem e ouvem e murmuram palavras imperceptíveis (só porque nunca nos demos ao trabalho de tentar percebê-las).
Ao afastar-se da cidade conseguiu ver o céu. Estava lindo aquele céu de fim de tarde em tons laranja. Acabou por descobrir que o céu também fala. Mas não conseguia entendê-lo.
Andava devagar. A lembrar-se que adora conduzir... E que a velocidade dos dias já há muito não o permitia lembrar-se...
Finalmente chegou. Estava contente por reencontrar-se com o seu amigo que, não fora ele, talvez não voltasse a ver. Estacionou o carro a alguns metros do local para se lembrar do prazer de caminhar, que a velocidade dos dias quase o levava a esquecer.
Olhando em volta, o amigo que ainda não chegara, sentou-se calmamente na esplanada, por entre uma água e um café. E um, dois, três cigarros... E o amigo que ainda não chegara... Deixava-se crescer a ansiedade. Já não se lembrava de estar assim, só, num local pouco conhecido, com gente que não sabia quem. Já não sabia como estar. Será que reparam em mim? Perguntam-se o que faço aqui? Se espero uma namorada, uma amante, a minha mãe? Se já nada espero e deixo-me aqui ficar? Será que devo fingir que escrevo uma mensagem? A quem? A ansiedade começava a ferver-lhe...
E só depois se apercebeu do ridículo que estava a ser. Escudar-se no telemóvel pelo medo de enfrentar os outros? A realidade? A falta dela?
Perdia-se em perguntas vagas e assolapadas que se atropelavam sem que tivesse tempo de responder.
Foi interrompido pela chegada do amigo que, não fora ele, talvez não voltasse a ver. Sentiu-se confortado pela interrupção. Sentiu-se salvo! Era bem mais fácil assim...

terça-feira, 13 de junho de 2006

E porque se fala de festas populares...

Quero deixar o meu apreço a um "projecto" de percursão maravilhoso, que se dá pelo nome de:


Tocá Rufar

(Basta-me começar a ouvi-los... tum tum tum tum tum tum...
para, progressivamente, todo o meu corpo começar a dançar)
Olhou-os nos olhos e agradeceu-lhes.

A ti, pela entrega.

A ti, pela compreensão.

A ti, pela eterna paciência.
Pela capacidade de me ouvires
e de me compreenderes.

A ti, pelo abraço amigo.

A ti, por seres quem és
e fazeres de mim também
muito daquilo que sou.

A ti, por me provares
que há sempre coisas boas
entre as más.

A ti, porque és eu.

A ti, porque és tu.

segunda-feira, 12 de junho de 2006

Hoje sinto-me assim...

Luta

Confusão.
Dúvidas.
Perguntas sem resposta e respostas sem pergunta.
Mas depois há algo que me diz que está tudo bem...
Está tudo bem...
Chega até a ser especial
(ou és tu que és especial?)
o momento, a incerteza, a força, a luta.
Demonstrativo de escolha.
De descobrir.
De desbravar a ferro e fogo emoções que não sabes possuir.
Que desconhecias poder ter.
Que te permitem crescer.
Conheceres-te na plenitude sem máscaras ou nódoas.
Sem véus.
Conhecê-las nuas.
Cruas.

Portugal - 1 Angola - 0

Constatações:

- O Figo entrou em campo com um estilo capilar que deve ter demorado umas horitas a concluir;

- Não consigo evitar emocionar-me quando ouço "A Portuguesa". Tão lindo...

- E por falar em Figo, será que ele não arranja um tempito para frequentar um curso do género "Como falar português"? Não era má ideia não...

sexta-feira, 9 de junho de 2006

Olhares

Autor: José Quintanilha

- O que é que aconteceu?
- Ah e tal... eu dei-lhe um abraço... e depois um beijo... e depois um estalo... Tudo actos carinhosos... de quem... aahh... de quem gosta e quer educar... aahhh...

quarta-feira, 7 de junho de 2006

"Ali ficou pensando,

que se o deserto é o mais belo dos jardins,

o silêncio pode ser a mais bela das palavras."

Autor desconhecido

terça-feira, 6 de junho de 2006

Eu fui *

* Ou: Eu sei que não estou a ser original

Sábado, 3 de Junho de 2006

19h30m

Chegamos ao recinto do Rock in Rio e fazemos o reconhecimento do local (foi a minha primeira vez).
Primeira constatação: muito pó. Tocam os Kasabian. Muita gente. Muita Chopp a rolar (é boa a cerveja; gostei). Entre umas fatias de pizza e uma Choppinha começam os Da Weasel a tocar. Não me desiludiram. Iguais a si próprios a meter o pessoal todo a saltar. Com direito a uma participação virtual no Manuel Cruz na Casa. Que eu, claro, fotografei!! Outra Chopp. Ai, ai, no que é que isto vai dar...
Entram os Red Hot. Que, não sendo particularmente calorosos com o público cumpriram o seu papel. Rockar. Assisto ao concerto entre saltos e momentos de suave saborear. E outra Chopp.
Continua muito pó. A esta hora já estamos à vontade para colocar os nossos óculos de sol. Ninguém nos conhece. Sentimo-nos protegidos. Para avacalhar. Huumm... o que dois pares de óculos de sol podem fazer. Entretanto vai mais uma Chopp. Ai ai ai!!
Fim do concerto. Alguém me oferece uma cabeleira usada pelos "meninos Millenium". Agora sim, estou completamente irreconhecível. Novo passeio pelo local. Jogámos ums matrecos. Metemos conversa com o Francisco Mendes. Simpático, o rapaz!! Bebemos uma Chopp. Vamos até à tenda electrónica onde é quase impossível entrar. Saímos.
Sempre com os nossos óculos de sol...

sexta-feira, 2 de junho de 2006

- Esta manhã até tive medo de sair de casa!
- Porquê?
- Então não é que fui ao frigorífico e percebi que não tinha Actimel?

Àcerca do Mundial

Muito se tem escrito sobre o Mundial. Tenho lido vários artigos de opinião de políticos, jornalistas, economistas e mesmo "cronistas" (não sei muito bem qual é a profissão dos últimos) sobre o assunto. A maioria deles com críticas a este próximo período de loucura nacional.
Porque os jornais, rádios e televisões vão vomitar futebol. Porque o povo português devia era preocupar-se com a crise. Porque não se vai ouvir falar de mais nada nos cafés, transportes públicos, etc., etc. Porque esta entrega demonstra como somos um país pobre. Económica e mentalmente. E por uma série de razões mais. Futebol, futebol, futebol...
Compreendo em certa parte as razões de quem assim escreve. Vai ser uma avalanche do desporto rei. Mas não concordo.
De facto, só quem não é "povo", pode fazer este tipo de críticas. Porque, como os efeitos da crise não chegam a estas personalidades do "cronismo português", não sentem estes senhores o Mundial como um dos poucos acontecimentos que fazem esquecer o momento em se que vive. Quase de catarse. E que despertam emoções que há muito as pessoas não sentem.
Era bom que se concluísse que todo este euforismo não advém de sermos um país com mentalidades "pobres"; é sim consequência do próprio país.
Quanto a mim, adoro estes períodos de patriotismo desportivo, de alegrias e lágrimas, de adrenalina e cervejas e tremoços e abraços e gritos e golos e bandeiras às janelas.
De festa, de união num dos poucos pontos comuns dos portugueses.
Por isso, quero lá saber o que dizem os opinion makers. Durante os próximos tempos vou estar muito ocupada a respirar futebol.

quarta-feira, 31 de maio de 2006

Pensamento do dia *

“Se fores chata, as tuas amigas perdoam.

Se fores agressiva, as tuas amigas perdoam.

Se fores egoísta, as tuas amigas perdoam.

Agora, experimenta ser magra e linda...”

* Recebido por e-mail

Factos

"(...) Postas as coisas nos termos certos podemos avançar para as acusações de Carrilho.
Pela minha parte, agradeço-lhe desde já a intervenção. (...) Estes períodos de debate, de crítica severa, de acusações trocadas com vivacidade são óptimos para a cidadania. Tendencialmente promovem a reflexão, esclarecem dúvidas, podem mesmo servir como purgante. As redacções não gostam, alguns líderes procedem em conformidade corporativa, mas, ao invés, a sociedade agradece.
Veja-se a experiência da discussão imediatamente anterior à guerra do Iraque, sobre a existência de armas de destruição massiva nas mãos de Saddam Hussein. Hoje percebemos, com maior ou menor clareza, que fomos colocados perante uma mistificação organizada com o objectivo de justificar a guerra. Esse é o melhor dos modernos exemplos da crescente importância da mensagem do mundo globalizado - e também daquilo que os homens estão disponíveis para fazer de maneira a ganhar a batalha da opinião pública. (...)"

João Marcelino in "Sábado"

terça-feira, 30 de maio de 2006

Ping-pong

A D. Ana ter-me-ia dito: É assim a vida...
Ao que teria respondido: Só para quem se deixar conformar com ela.

A D. Ana ter-me-ia dito: Tens que te habituar. As pessoas não são puras.
Ao que teria respondido: Nunca me habituarei. Recuso-me a fazê-lo porque se o fizesse, estar-me-ia a comportar como elas...

A D. Ana ter-me-ia dito: Deixa lá, filha, que Deus escreve direito por linhas tortas.
Ao que teria respondido: Então já começa a estar na altura de Deus comprar uma caneta de melhor qualidade...

Não consigo viver sem...


Calças de ganga: à pirata, à boca de sino, justas...


Rotas, coçadas ou não...


Claras, escuras...

segunda-feira, 29 de maio de 2006

E se algo de muito bom acontece...




... é porque isso é Impulse!!

(Isto faz-me lembrar uma publicidade qualquer...)

Amanhã


Porque não ouvia esta música há muito e porque me deu um prazer imenso redescobri-la. Porque há músicas que, em nós, não têm TEMPO nem espaço.

Onde estiveres, eu estou,
Onde tu fores, eu vou,
Se tu quiseres, assim,
Meu corpo é o teu mundo
Um beijo e um segundo
E és parte de mim

Para onde olhares, eu corro,
Se me faltares, eu morro,
Quando vieres, distante,
Solto as amarras
E tocam guitarras
Por ti como dantes

Agarra-me esta noite,
Sente o tempo que eu perdi,
Agarra-me esta noite,
Que amanha não estou aqui...

Pedro Abrunhosa e os Bandemónio

sábado, 27 de maio de 2006

E naquele momento senti-te uma amizade muito grande.
Queria proteger-te dessas lágrimas (que te fizeram bem, eu sei!!) que choraste como uma criança.
Queria poder ajudar-te. Mais.
Queria que não tivesses de estar assim.
Mas não vais ter sempre de estar assim...

23.37 pm

A música que ouço lembra-me um tango lamentado,
longo, de uma beleza recôndita.
À minha frente, nesta casa perdida entre tantas outras,
vejo a cidade.
As luzes. As da rua e as reflectidas no mar.
E as chamas das velas reflectidas no vidro.
As luzes apagadas.
Navego neste ambiente turvo de luzes.
Deixo-me descobrir, abrir, querer.
Deixo-me voar...

sexta-feira, 26 de maio de 2006

Dr. House


Ele é médico. Irónico. Sarcástico. Egoísta. Genial. Com um humor muito especial...

Ele é o Dr. Greg House.

Uma série na qual estou viciada, muito por culpa de Hugh Laurie, este senhor da foto.

Simplesmente imperdível.

Às quintas à noite na TVI.
Várias vezes por semana na Fox.

quinta-feira, 25 de maio de 2006

Há dias assim. Gostava de poder estar só. Fisicamente. Fechar-me em mim. Estar com os meus fantasmas e pensamentos. Não ouvir nem ter que falar a ninguém. Não ver ninguém nem ter que sorrir. Não me apetece sorrir. Não quero sorrir. Quero genuinidade. Honestidade. E fundamentalmente justiça. Porque não gosto dos antónimos. Por isso, não quero sorrir para me manter genuína.
Apetece-me deitar e dormir. Muito. Para ver se esta angústia se apaga. Embora saiba que quando acordar ela continua lá. Talvez não tão forte. Talvez não tão intensa. Mas continuará lá.
Só quero estar só.

Há dias assim...

Hoje é o Dia Internacional das Crianças Desaparecidas

Por muito respeito que tenha às crianças desaparecidas, como, de resto, tenho às crianças em geral, começo a ficar cansada dos Dias Internacionais para tudo e mais alguma coisa.
Para quando um Dia Internacional dos Deprimidos, ou dos Alcoólicos, ou dos Resistentes aos Festivais da Canção?

quarta-feira, 24 de maio de 2006

Excertos *

I'm free to do what I want any old time

I'm free to sing my song knowing it's out of trend

I'm free to choose who I see any old time

I'm free to bring who I choose any old time





Keith Richards / Mick Jagger



* Cantado na versão Clã

Momento perfeito...

... ocorre quando, estando num bar com os amigos, extremamente bem disposta, passa a Minha Casinha dos eternos Xutos.

terça-feira, 23 de maio de 2006

Não consigo viver sem...


Uma fresquinha,

sorvida frente ao mar,

no final de um dia de calor.

Variações teatrais

São dez da noite. Entrámos na igreja. Sente-se o cheiro forte do incenso e a penumbra do interior é cortada pela luminosidade das velas. Muitas velas em castiçais altos e gastos. Notas de Mozart ecoam. Nas paredes, projecções de labaredas. Sentamo-nos nos bancos seculares. Duros e frios.
Sinto-me maravilhada, quase no interior do Eyes Wide Shut, do Kubrick.
Entram em cena os actores. Dois. Que começam um monólogo alternado.
Quinze minutos depois começo a ver os primeiros bocejos. As primeiras distracções. Eu própria sinto dificuldades em manter-me atenta mais de três minutos seguidos. Começo a observar os outros. Tentando, com isso, comer o tempo avidamente.
O velhinho que vai fechando os olhos constantemente, sempre resistindo. Até que não aguenta mais. Desconfio que dormitou até ao final da peça. A criança que brinca com as mãos, os pés, os cabelos. Deita-se sobre o colo da mãe e assim fica. A mulher que finge, com a mão sobre a testa, que está a pensar profundamente. O meu amigo que olha para mim com ar de enfado ao que respondo com risos abafados pela enormidade do recinto.
E assim me mantenho. Até ao final que, finalmente chega. Sinto ainda o alívio colectivo. Parcas palmas. Acho que de agradecimento pelo términus da peça.
Saímos e estamos rodeados de labaredas. Estas agora verdadeiras. Belas e grandiosas.
Sinto o cheiro puro e fresco da noite.
Iniciei uma viagem misteriosa e bela, caminhei arduamente sem encontrar o caminho (e que grande caminho) e, merecidamente, respiro o ar da liberdade.

sexta-feira, 19 de maio de 2006

A Casa (Vem fazer de conta)


(...)
Mas nego que há razões para nos sentirmos tão sós
Vem fazer de conta eu acredito em ti
Estar contigo é estar com o que julgas melhor
Nunca vamos ter o amor a rir para nós
Quando queremos nós ter um sorriso maior
Bem-vindo a casa dizia quando saía de dentro dela
O bonito paradoxo inventado por uma dama bela
Em dias que o tempo parou, gravou, dançou,
não ‘tou capaz de ir atrás, mas vou
porque sou trapalhão, perdi a chave e já nem sei bem o caminho
nestes dias difusos em que ando sozinho e definho
à procura de uma casa nova do caixão até a cova
o percurso é duro em toda a linha, sempre à prova
o calor é um alimento que eu preciso
o amor é apenas um constante aviso
se sabes que eu não vivo dessa forma
tu sabes que eu não sinto dessa forma

Por isso escrevo na esperança que ela ouça o meu pedido
de desculpas
de socorro
de abrigo
não consigo
ver uma razão para continuar a viver sem a felicidade do meu lar
da minha casa, doce casa, já ouviram falar?

É o refúgio de uma mulher que deus ousou criar
Com o simples e unico propósito de me abrigar
Não vejo a hora de voltar lá para dentro, faz frio cá fora
Faz tanto frio cá fora que eu já não vejo a hora…

Da Weasel/ Manuel Cruz

Onde está o Wally ? (Versão Portuguesa)


Na madrugada de ontem desapareceu uma vaca que se encontrava

no Campo Pequeno, em Lisboa, no âmbito da CowParade.

É caso para se perguntar:

Onde está a Vaca?

quinta-feira, 18 de maio de 2006

Dúvidas existenciais IX

Porque é que o que verdades inquestionáveis se transformam em grandes mentiras?

Dúvidas existenciais VIII

Porque é que há pessoas cujo nascimento parece ter o propósito de complicar um pouco mais a nossa vida? É para que haja mais adrenalina? Emoções fortes? Ou será simplesmente por puro prazer?

quarta-feira, 17 de maio de 2006

Tento que as palavras me saiam bebâdas.
Apressadas, aos tropeções, sem nexo ou sequência.
Mas há algo que me coíbe.
Talvez a mágoa que ainda me come como um cancro.
O não esquecimento.
Por muito que tente esquecer.
Limita-me a liberdade de expressão.
Porque quero dizer-te que és cobarde.
Incapaz de lidar com os teus problemas
quando supostamente resolves os dos outros.
Incapaz de resolver a raiva que sinto quando és a sua causa.
Mas não consigo.
Por muito que tente dizer-te que, se calhar, já não vale a pena.
Apesar de tudo.

Não consigo viver sem...


HaVaiAnAs

(de todas as cores)

Passagens

"E a noite era uma criança. Dali, iriam tomar um calmo whisky num bar muito calmo... João Carlos protestou, invocou o trabalho que o esperava, o comentário analítico, peça de responsabilidade. Alexandre não admitia recusas - a noite era sua até às duas horas da madrugada. Então, o papá gato borralheiro poderia correr para os braços do computador e do Audiowriter. E joão Carlos cedeu, com íntimo prazer - o gosto de submeter-se à vontade de um filho crescido, de deixar mimar-se por ele. O que significava, talvez, o mais seguro sintoma de velhice. Que importava, afinal?"

João Aguiar in "O jardim das delícias"

terça-feira, 16 de maio de 2006

Diz-se por aí que...

"Tirando o sol e pouco mais, Portugal não dá nada aos portugueses e os portugueses não esperam nada de Portugal. É um país de Segurança Social falida, da Saúde em desordem e do Ensino para o desemprego. Um país de partidos corruptos, de clientelas, de promessas vãs. Um país que não sabe o que é, nem o que quer, nem para onde vai. Quem se interessa por este país?"

Vasco Pulido Valente in Público
Uma das razões pelas quais te amo tanto
é que me dizes sempre o que preciso de ouvir
sem que tenha de to pedir.

segunda-feira, 15 de maio de 2006

"O melhor creme de beleza (...)

(...) é

uma

consciência

limpa."

Arletty

Por vezes, em virtude da constatação
de comportamentos estranhíssimos,
pergunto-me se eu é que estou maluca
e o (quase) resto do mundo correcto.

(No fundo, acho que não...)

sexta-feira, 12 de maio de 2006

Recordações

Cheguei tímida pela distância dos anos. É estranha essa sensação de se não saber se as coisas e as pessoas são como eram. Porque os anos nos alteram. A vida muda-nos. O nosso interior transmuta-se.
O início do jantar foi calmo. O vinho ajudou a descontrair.
E depois... Ah, depois começamos a relembrar os nossos velhos tempos. As loucuras (tão grandes que foram...). A rebeldia própria de quem pretende mudar o mundo. A doce irresponsabilidade pelos nossos actos (que sabia bem naquele tempo). As bebedeiras. As brincadeiras.
E foi tão bom descobrir que um bonito laço de cumplicidade nos continua a unir...
Os meus amigos...
Que me acompanharam nessa idade de tresloucada e inconsequente descoberta... que comigo participaram no tudo querer, no tudo experenciar...
Senti algum saudosismo também... De alguém que preferia manter-se no passado.
Não consigo pensar assim. Gosto muito desta maturidade construída à força da experiência.

E parecia que todos tínhamos 15 anos outra vez. E que não tinham passado outros quinze. Cantámos músicas relembradas. Dissemos piadas gastas mas que para nós continuam a ser engraçadas.

Depois fomos dançar. Brindámos à amizade. À felicidade de quem nunca se esquece.
E uma vez mais senti que o hoje era ontem.

Dormi feliz.

quinta-feira, 11 de maio de 2006

Risos.
Muitos risos.
Espelhados em nossos corpos suados de prazer.
Vivido.
Sentido.
Adiado na eterna eminência do acontecer.
Que no entanto aconteceu...

Lágrimas.
Caídas quando não o deveriam ser.
E a tua presença, tão forte, a ajudar-me a ultrapassar...
Obrigada.

Abraços.
Fortes.
Quase asfixiantes.
Ainda bem.

Saudades.
Que voam como eu e tu.
Ondulantes ao nosso sabor.
Como o nosso sabor.


A minha vida...

... tem andado a 150 kms/ hora...

Sim, e eu sei que tal é ilegal.

quinta-feira, 4 de maio de 2006

Plenitude


do Lat. plenitudine


s. f.,


estado do que é pleno;
estado completo;
preenchimento;
inteireza;
perfeição.

As Facas

Quatro letras nos matam quatro facas
que no corpo me gravam o teu nome
Quatro facas amor com que me matas
sem que eu mate esta sede e esta fome.

Este amor é de guerra. (De arma branca)
Amando ataco amando contra-atacas
este amor é de sangue que não estanca
Quatro letras nos matam quatro facas.

Armado estou de amor. E desarmado.
Morro assaltando morro se me assaltas
e em cada assalto sou assassinado.

Quatro letras amor com que me matas.
E as facas ferem mais quando me faltas.
Quatro letras nos matam quatro facas.
Manuel Alegre

quarta-feira, 3 de maio de 2006

Dúvidas existenciais VII

Porque é que a maioria dos adultos não consegue manter certas características de infância, tal como dizer o que realmente pensa?

Passagens *

"Ao que chegámos, rosnou João Carlos, retirando do pequeno elevador da cozinha o jantar encomendado ao restaurante do décimo quinto andar. Ao que chegámos. Jantar com alguém em presença remota. Estamos, de facto, no paraíso terrestre. Pousou a bandeja na mesa do videofone central e esperou que a ligação pré-programada se fizesse automaticamente. Então, o ecrã mostrou-lhe um recanto da sala com duas peças de artesanato africano e a mesa diante da qual se sentava Orlando, um negro de cinquenta e bastantes anos, de cara redonda e olhar plácido.
- Isto do vídeo jantar é uma merda - atirou-lhe João Carlos em jeito de saudação. - É uma coisa contranatura.
Orlando não se perturbou.
- Boa noite também para ti, meu filho, e bom apetite. Já discutimos este assunto. Mas esta invenção tem, pelo menos, uma virtude: podemos beber o vinho que nos apetecer, já pensaste nisso? Depois, cada um arrasta-se para a respectiva cama e não há desastres rodoviários. É ou não uma vantagem? Além disso, há quanto tempo é que nós não nos vemos? Quatro, cinco meses?
João Carlos ergueu o seu copo.
- À tua. Diz-me uma coisa, Orlando: porque é que tu aguentas isto? Porque é que não voltas para Angola? Dizem-me que, por lá, as pessoas ainda se encontram, ainda se visitam. Por enquanto."

João Aguiar in "O jardim das delícias"

* Ou: Será que este futuro estará tão longe assim?

segunda-feira, 1 de maio de 2006

Há coisas...

que só o SILÊNCIO

pode dizer...

SSSSHHHHHH...