quarta-feira, 9 de agosto de 2006

Banalidades do quotidiano (que vale a pena partilhar)

Se vês um velhote a dançar na passadeira, enquanto diz oohh yyeeaahh, isso não é obrigatoriamente um anúncio da Coca Cola.

terça-feira, 8 de agosto de 2006

Sonhei que estava contigo à beira rio. Um rio que eu conhecia mas não conhecia também. Sabes como são os sonhos, sempre incoerentes na sua sabedoria indecifrável.
Davas-me a mão e dizias-me que apesar de vivermos num mundo de loucos, em que as tecnologias substituem a carne, há coisas que não mudam: os sentimentos.
Explicavas-me que trocamos a televisão pelo computador. Os cd's pelo mp3. As conversas pelas sms's. O haxixe pelas pastilhas. Mas os sentimentos não evoluem assim. Não trocamos conceitos como amizade, amor, desejo, querer, entrega, por outros novos que os tenham vindo substituir. Porque tal não é possível. Podem ter uma materialização diferente, uma concretização diferente, um modo de os enfrentar diferente, mas a sua essência é sempre a mesma.
Dizias-me que é por isso que o futuro, um dia, se vai transformar em passado. Não melancólico. Não cansado. Porque nem sempre o futuro é tão lá à frente assim.
Ouvi-te atentamente como uma criança ouve a professora na escola. Compreendi o que me pretendias dizer.
Encostei a minha cabeça no teu ombro e olhei o rio, que eu conhecia mas não conhecia também, a correr, límpido e apressado e sedento de chegar ao mar.
Agradeci-te. Em silêncio. Desejando que o rio nunca páre de desaguar no mar.

"Passamos pelas coisas sem as ver, gastos, como animais envelhecidos: se alguém chama por nós não respondemos, se alguém nos pede amor não estremecemos, como frutos de sombra sem sabor, vamos caindo ao chão, apodrecidos."

Eugénio de Andrade

segunda-feira, 7 de agosto de 2006

Queria trazer-te tatuado em mim como uma segunda pele. Não seria transmutares-te?, perguntar-me-ias tu. E o que importa se essa transformação se me colaria como uma herança de há muitos anos? Pertença minha por direito? E se eu, de facto, sou incompleta, ou não completamente eu sem essa parte que me falta? Entendes-me? Consegues perceber-me? E se eu não sou eu? Ou sou... mas não irremediavelmente eu?
“ A arte é uma mentira

que nos faz compreender a verdade.”

Pablo Picasso

Amigos gays IX

O bom de termos amigos gays é que eles choram connosco nas cenas mais sensíveis dos filmes, em vez de se rirem na nossa cara, de nos chamarem lamechas ou dizerem: É só um filme!

sexta-feira, 4 de agosto de 2006

Dançar,

dançar,

dançar...

(Até que o corpo me doa

e a alma - feliz - consiga dormir.)

Agenda

Dia 26 de Outubro de 2006 - Campo Pequeno (Lisboa):

MuSe

Dia de Aniversário

Há 1 ano esta blog começava assim:

"Um dia acordas e decides criar um blog.
Anonimamente.
Sem rosto.
Com confissões.
Segredos.
Banalidades.
No que é que isto vai dar?
Não sei."

Hoje os intentos mantêm-se basicamente os mesmos.
Continuemos, portanto...

quinta-feira, 3 de agosto de 2006

SUDOESTE

«O Sudoeste chega à décima edição e é o maior festival de música moderna de Verão em Portugal. Esperam-se entre 25 mil e 30 mil pessoas em cada um dos quatro dias, de hoje até domingo. Mas quantos estarão lá apenas para o campismo, a praia e alguns dias com os amigos, sendo a música um factor acessório?
Na sexta-feira, 8 de Agosto de 1997, um palco português recebeu um alinhamento de quatro bandas: Entre Aspas, Urban Species, Veruca Salt e Blur. Nada de especial no facto, a não ser que se tratava do primeiro dia da primeira edição de um festival chamado Sudoeste. E que hoje comemora a sua décima edição, sempre na Herdade da Casa Branca, Zambujeira do Mar, Odemira.
Dez anos após um começo singelo - um palco, três dias, 24 concertos -, o (este ano) SWTMN 10.º Festival Sudoeste é actualmente o maior festival de música moderna em Portugal.
Entre hoje e a madrugada de segunda-feira são esperadas no litoral sul-alentejano entre 100 mil e 120 mil entradas (muitas pessoas vão a mais do que um dia), número que Álvaro Covões, uma das duas cabeças (com Luís Montez) da produtora de sempre do festival, a Música no Coração, considera ser o intervalo que garante um mínimo de conforto para os espectadores. Preços: 40 euros o bilhete diário, 70 o passe de quatro dias, com direito a acampar. Em 1997, um bilhete para todo o festival custava 6 mil escudos, ou seja, 30 euros.
Quanto a concertos, serão quase 70, divididos por três palcos que estarão em actividade simultânea. Para a edição de 2006, e com as indicações disponíveis à hora de fecho desta edição, as expectativas são boas, a fazer fé nos muitos milhares de campistas que já enchiam o parque de campismo contíguo ao recinto dos espectáculos.
O Sudoeste não foi o primeiro festival do género: tinha antecedentes corajosos como Vilar de Mouros, e mesmo, também da Música no Coração, o Super Bock Super Rock, que ainda se mantêm.

A aventura do isolamento

Mas o que separou o Sudoeste destes irmãos mais velhos foi o facto de se realizar num local perfeitamente deslocado de qualquer roteiro cultural, a grande distância de grandes aglomerados urbanos.
Foi uma aventura, como contou Álvaro Covões há uns anos. "Na noite anterior ao começo do [primeiro] festival, numa noite de céu estrelado, eu e o Luís Montez subimos ao palco... Olhámos em redor e recordo-me de lhe ter dito: "Nós somos loucos! O que é que estamos aqui a fazer, no meio do nada, neste fim do mundo?".
Mas a aposta na Herdade da Casa Branca, a poucos quilómetros do mar, foi ganha. Porque integrava uma mais vasta tendência europeia para as migrações das tribos urbanas para zonas exógenas. Factores como a distância deixam de ser condicionantes para serem atractivos: não custa fazer algumas centenas de quilómetros, porque se está em convívio no meio da natureza.
Ao longo dos anos, a Música no Coração tem tratado da herdade durante 51 semanas, para que durante uma semana esta esteja em condições para receber as milhares de pessoas que por lá passam. Espectadores, claro, mas também os artistas e suas comitivas, técnicos, forças de segurança e saúde, jornalistas, vendedores. E muitos destes são simultaneamente campistas.
A outra entidade responsável é a Câmara Municipal de Odemira, o vasto concelho onde se situa a Freguesia da Zambujeira do Mar. Para a autarquia, é uma parceria que traz vantagens: projecção do nome a nível nacional e internacional, integração num roteiro de grandes festivais, e entrada de verbas através das dormidas, restauração e lojas de venda de mantimentos, disse ontem Carlos Oliveira, vereador da Câmara de Odemira responsável pelo festival.

Praia ou música?

O festival chega à décima edição, sem interrupção, mas o balanço final é uma incógnita num ano em que tem havido iniciativas musicais em Portugal com resultados muito abaixo do esperado, entre os quais algumas da Música no Coração - lembremos o Hype@Tejo, descendente do @Meco, que tinha como objectivo a aposta nas novas tendências de dança e electrónica e que teve no Terrapleno de Santos a 8 de Julho pouco mais de 2000 espectadores.
Ou seja, saber se o modelo tradicional de festival de Verão se mantém e qual o equilíbrio entre "cartaz" e "público".
Se antigamente quem ia ao Sudoeste ia essencialmente pela música e pelos artistas que queria ver, agora a proporção inverteu-se, e são mais os que dizem que vão até à Zambujeira pelo lazer. E aqui a Herdade da Casa Branca tem uma localização privilegiada, quer física, quer temporal - na primeira semana de Agosto a esmagadora maioria dos portugueses está de férias.

Não há efeito "arrastamento"

Assim, e num festival por onde já passaram nomes grandes como Oasis, Marilyn Manson, Korn e Cure, na área do rock, passa-se agora para um alinhamento que privilegia os sons mais virados para a dança - o que se nota, aliás, no atraso dos horários dos concertos, que vão terminar regularmente às três ou quatro horas da manhã -, para o reggae. E sem nenhum nome enorme, que tenha um efeito de arrastamento, resultado, em parte, da mudança de dias do festival de Benicassim, em Espanha, que regularmente se realizava também nos primeiros dias de Agosto.
Daqui a quatro dias se fará as contas às comemorações desta primeira década do Sudoeste. As faixas etárias continuam a alargar-se (vão os jovens, mas também os trintões e quarentões com os filhos), o gosto pelo local e as condições mantêm-se. Falta perceber o peso das mudanças do factor cartaz.»


Eurico Monchique in PÚBLICO

quarta-feira, 2 de agosto de 2006

Enganas os dias à força da vontade
que eles caiam como folhas envelhecidas pelo Outono.

Enganas-te à força da vontade de que o amanhã seja hoje.

Enganas os outros à força da vontade de fingires que acreditas.

Enganam-te a ti à força da vontade
de quererem acreditar que a mentira é verdade.

Ou de que a verdade não é verdadeira.

terça-feira, 1 de agosto de 2006

terça-feira, 25 de julho de 2006

Migrações

Não pretendo ser (muito) politicamente incorrecta. Nem tão pouco chocar ninguém. Mas tenho de perguntá-lo: porque é que a maioria dos emigrantes do nosso país não passa férias no país de acolhimento, ou num outro qualquer longe daqui?
Estas são algumas das preciosidades que tenho ouvido desta espécie muito particular: “Tá tudo bem. Yaahh, chegamos há três dias. Yaahh, a viagem correu bem. Of course!!”; “Estamos de vacances. Ruth Cristinneeee vem ici à tua maman. Rápido antes que leves dois pares de estalos nesse focinhooooo!!”; e ainda conversas em volume máximo sobre este que acabou de passar, olha, olha, que é filho da D. Ana, aquele que era amante da Susana lá da vila que depois fugiu com o António da Srª. Carmélia, que Deus a tenha que era tão boa mulher e que não merecia isto!!
Além disso, tem-me sido concedido o privilégio de ver um ou outro exemplar do sexo feminino vestido, nomeadamente, com mini-saia verde, sandálias vermelhas, camisolinha amarela e, para compor, as unhazitas pintadas de rosa choque e, claro, lascadas para dar aquele toque especial; finalmente, o cabelo num amarelo muito feio com enormes raízes pretas, composto com a molazita de plástico. Fantástico!!
E fico-me por aqui, não vão pensar que tenho alguma coisa contra os emigrantes. Não tenho (pelo menos em relação àqueles que, depois de emigrarem, não se transformaram em aves raras), mas será que não podiam passar férias longe? É que durante o ano inteiro já tenho de levar com as suas grandiosas obras de arte a que os mesmos chamam de casas…

sábado, 22 de julho de 2006

E porque hoje me apetece recordar filmes...


Filme que nos dá a conhecer os destinos das pessoas que viviam na Residência Espanhola (quem não se lembra desse filme maravilhoso?), após o fim da faculdade.

Cada um segue o seu destino e voltam a reencontrar-se para um casamento.

Não é tão engraçado como o primeiro mas não deixa de ser obrigatório vê-lo: relata as relações, emoções, dúvidas, medos, erros de jovens adultos.

Permite revermo-nos a nós próprios.

O atentado de Mombai

«O recente atentado aos comboios da cidade indiana de Mombai, com o seu cortejo de centenas de mortos e feridos, ganha o prémio da indiferença selectiva. Não sei qual é o critério a que escapa a este atentado para ser tão ignorado: número de mortos e feridos bastante, estratégia puramente terrorista de atingir civis indefesos para gerar fenómenos de medo colectivo e dar um "sinal" aos "cruzados" do lado hindu. O mesmo que aconteceu em Nova Iorque e em Madrid. E é exactamente o mesmo, só que do outro lado da "guerra das civilizações", do lado hindu. Assim ninguém quer saber. Ou melhor não quer saber porque não convém. Criminoso de guerra é Bush e bárbaros são os americanos, logo tudo o resto é a esta luz que se vê. Ou melhor, não vê.»

Pacheco Pereira in Sábado

Frase do dia

"A Síria precisa dizer ao Hezbollah que pare com toda essa merda".

Autor: George Bush, durante o almoço de encerramento da cimeira do G8, desconhecendo que os microfones estavam ligados.

sexta-feira, 21 de julho de 2006

Ternura

Desvio dos teus ombros o lençol
que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do Sol,
quando depois do Sol não vem mais nada...

Olho a roupa no chão: que tempestade!
há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
em que uma tempestade sobreveio...

Começas a vestir-te, lentamente,
e é ternura também que vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente
que da nossa ternura anda sorrindo...

Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!

David Mourão Ferreira
«QUANTAS VEZES NAS NOSSAS VIDAS DEIXAMOS DE DIZER
"AMO-TE", "FAZES-ME FALTA",
"FAZES-ME FELIZ", "É DE TI QUE EU GOSTO",
"FICA MAIS UM POUCO"?

QUANTAS OPORTUNIDADES PERDEMOS POR TIMIDEZ,
EXCESSO OU ORGULHO?

COMO DIZIA CHAPLIN: "A VIDA É UMA PEÇA DE TEATRO
QUE NÃO PERMITE ENSAIOS."

POR ISSO CANTA, RI, DANÇA, CHORA
E VIVE CADA MOMENTO DA TUA VIDA
ANTES QUE AS CORTINAS SE FECHEM
E A PEÇA TERMINE SEM APLAUSOS.
SÊ FELIZ!» *

(* SMS's enviada por uma amiga.)

Para ler todos os dias ao acordar.