quarta-feira, 12 de abril de 2006

Dúvidas existenciais IV

Sempre que ouço a música do D'Artacão (essa série fantástica que me deliciava na infância) sinto-me como se tivesse 5 anos. Um sorriso gigante na cara e uma emoção tremenda na voz enquanto trauteio a letra com laivos de extrema felicidade.

Para resolver isto acham que basta um ligeiro tratamento com um profissional da área (um bom psicólogo ou mesmo psiquiatra, que a medicação deve ajudar), ou será imprescindível o internamento?

A notícia do dia

O Supremo Tribunal de Justiça considerou «lícitas» e «aceitáveis» as palmadas e estaladas aplicadas por uma responsável de um lar de Setúbal a crianças com deficiências mentais.
A mulher havia sido indiciada por maus tratos, nomeadamente por dar palmadas e estaladas às crianças e por fechá-las em quartos escuros quando estas se recusavam a comer.
O Supremo Tribunal de Justiça veio dizer que fechar crianças em quartos é um castigo normal de «um bom pai de família» e que as estaladas e as palmadas, se não forem dadas, até podem configurar «negligência educacional».

Embora defendendo que algumas palmadas, nos momentos certos, podem fazer muito pela (boa) educação de uma criança, não consigo entender esta decisão do Supremo. Negligência educacional para a falta de estaladas e palmadas? Por um/a terceiro/a que não os pais?
Já se está a ver os educadores deste país a distribuirem porrada a torto e a direito. Afinal, foi o Supremo Tribunal de Justiça que os "aconselhou"...

terça-feira, 11 de abril de 2006


Ingredientes:

- Três jovens de 15 anos:
a ingénua, a intermédia e a que sabe demais
- Um professor acusado de assédio sexual

Modo de preparação:

Juntam-se todos os
ingredientes suavemente, um a um

Para o molho:

- Ambição
- Inteligência
- Religião
- Sexo
- Perversão
- Manipulação

Coloca-se tudo num tacho e deixa-se ferver lentamente. Junte-se ainda humor (um pouquinho mórbido), actualidade, e presunção.

O resultado?

Agri-doce.

Amigos gays VIII

Há dias conversava com um amigo (hetero) sobre as diferenças de relacionamento que se estabelecem entre gays e não-gays e as suas amigas.
Dizia eu que é muito diferente. Que, por exemplo, um amigo gay me mima muito mais do que um hetero. Que me prepara lanches... Que é muito mais delicado. Que me faz sentir uma princesa! O meu amigo ripostava, e bem, sobre algo que até aí nunca me havia apercebido. Dizia ele: Supõe que era um teu amigo hetero que te preparava lanches, ou que era extremamente delicado. O que é que ias pensar? Que ele queria algo mais ou que se estava descaradamente a fazer a ti!!
E nesse momento apercebi-me de que ele tinha completa razão. As diferenças de relacionamentos entre gays e não-gays e as suas amigas são estruturais, derivam da própria natureza do ser gay.

Outro facto para o qual o meu amigo hetero me chamou a atenção, no decorrer desta conversa, foi que os gays (ou a maioria deles, para não se quebrar a regra de que mesmo a excepção confirma a regra) são pessoas que estão bem na vida. Tem boas profissões, estão bem socialmente, etc., etc.
E mais uma vez lhe dei razão. Eu nunca vi um gay desempregado, ou fechado em casa por não conhecer pessoas para sair (aliás difícil é, quando se sai com um gay, ter paciência para os mil e quinhentos olás, os duzentos mini-diálogos de ocasião que ele tem com conhecidos...).
E fiquei a remoer naquilo. Porquê? Após ter vindo a maturar a dúvida, em banho-maria, acho que é porque como são pessoas que em crianças achavam que pecavam relativamente aos ditos normais (porque o termo e a relativa aceitação da homossexualidade são muito recentes), tinham de mostrar que eram capazes, e mesmo melhores do que os outros, relativamente a tudo o resto. Tem lógica, não tem? Mas é difícil ter uma certeza absoluta do que quer que seja; nestes domínios, e é-me difícil colocar-me num papel que não é o meu...

Já agora, sabiam que os gays têm a percepção de que o são desde muito cedo? Não é uma descoberta que se revele com a puberdade. Alguns dizem que o descobriram com 2, 3, 4 anos. Outros, que o souberam desde sempre.

quinta-feira, 6 de abril de 2006

Blogo-mania IV

Para o Miak

Tinha de acontecer um dia. O mentor de um blog que acompanhas diz adeus. Ou até sempre. Ou até já. E - algum dia me passaria o tal pela cabeça - sinto que uma pessoa que me é próxima (não interessa o nível ou a forma de ligação) vai partir, ou viajar ou, simplesmente se ausentar.
Senti um friozinho no coração. Pode parecer ridículo mas é o que sinto. E não o sinto como ridículo.
Até sempre.
E obrigada.

quarta-feira, 5 de abril de 2006

E poesia também é...

CANTAR CANÇÕES ESQUECIDAS

NA INFÂNCIA DO TEMPO

E SENTI-LAS COMO SE AS OUVISSE HOJE

PELA PRIMEIRA VEZ.

Poesia é...

ACORDAR COM O MAR A BATER-ME À PORTA...

E EU ABRI-LA... PARA DEIXÁ-LO ENTRAR.

Frontalidade

Quando estou bem, verdadeiramente bem, não sinto inspiração para escrever. Talvez porque estou centrada em ti... e porque gosto de me poder centrar em ti... sorver todos os pedacinhos de tempo que passam a navegar por entre ondas de entrega... Talvez porque a necessidade de me esvaziar seja menor... porque estou preenchida de coisas boas que só contigo necessito partilhar... Talvez porque sei que vou ter momentos em que essa inspiração me vai surgir tal como uma bofetada, dura, dolorosa, que sei que vou levar... E como sabes, tão bem que o sabes, que não vivo dores ou alegrias, medos ou anseios antes de com eles me confrontar realmente, agradeço esta falta de inspiração. E quase que gostaria que ela fosse eterna. Mas só quase...

sexta-feira, 31 de março de 2006

ESTOU

TÃO

PERTO

DO

CÉU...

OU DO INFERNO...


(Depende da perspectiva!)

Vambora

Entre por essa porta agora
E diga que me adora
Você tem meia hora
P'ra mudar a minha vida
Vem vambora
Que o que você demora
É o que o tempo leva

Ainda tem o seu perfume pela casa
Ainda tem você na sala
Porque meu coração dispara
Quando tem o seu cheiro
Dentro de um livro
Dentro da noite veloz

Ainda tem o seu perfume pela casa
Ainda tem você na sala
Porque meu coração dispara
Quando tem o seu cheiro
Dentro de um livro
Na cinza das horas

Adriana Calcanhoto

As coisas que se dizem/ouvem por aí!

Estava eu ontem ao balcão de uma pastelaria a lanchar, quando ouço este diálogo delicioso entre uma senhora que estava ao meu lado e o empregado:
- Ó António, de que são feitas estas sandes?
- De carne assada.
- Mas está moída?
- Não, senhora, está fatiada.
(E o rapaz pega numa sande para comprovar o que disse).
- Huumm, gostava de levá-la para a minha filha, mas não sei se ela gosta. É tão esquisita... Ó António, a Marisa alguma vez pediu uma sande destas?
- Não, a mim nunca.
Após uma pequena pausa volta a senhora à carga:
- Ó António, embrulha-me a sande. Vou levá-la para a Marisa. Vamos ver se ela gosta!! A Larocas, a nossa cadela, gosta de tudo. Agora a Marisa... é tão esquisita!!
Nesse momento não aguentei e tive de me rir... Mas a senhora não percebeu. Só o António, que me correspondeu com um disfarçado sorriso comprometido...
Ouve-se cada coisa por aí...

quinta-feira, 30 de março de 2006

Há momentos mágicos

que têm o poder de mudar o nosso dia.

O meu dia mudou.

Passagens

"Por momentos, naquelas estradas desertas, parecia que já não estava neste mundo, que se tornara uma espécie de fantasma deambulando pelos campos da Nova-Inglaterra.
E pensar que muitas vezes se queixara da sua vida: demasiado trabalho, demasiados impostos, demasiados constrangimentos...
Caraças, como fora estúpido! Nada havia mais agradável que a sua existência. Até um dia de tristeza era, mesmo assim, um dia vivido. Apercebia-se disso agora. Pena que não tivesse ganho consciência disso mais cedo."

Guillaume Musso in "E depois..."

terça-feira, 28 de março de 2006

DESLIGAR.

VOAR.

ESTAR.

SAIR.

AMAR.

VOLTAR.

QUERER.


E porque se fala de pessoas...

Passo-me com aquelas:

- Que não sabem ocupar o seu lugar;

- Que pensam ser superiores aos outros;

- Que, em sítios cheios, insistem em empurrar
porque é extremamente difícil dizer Com licença;

- Que pensam que só tendo muito dinheiro
é que poderão ser felizes (é tão mais simples);

- Que se julgam as maiores vítimas do mundo;

P.S.: Deve faltar-me qualquer coisa mas estas são, de momento, as características que me irritam mais prufundamente. E de que maneira!!!

Pessoas

Tenho conhecido muita gente. Pessoas muito diferentes entre si. Muito diferentes de mim. Pessoas que nunca imaginei conhecer por me serem tão distantes! Mas o facto é que me cruzo com elas. E embora seja um pouco complicado ver-me, de repente, rodeada de tanta gente que nunca ousei pensar, confronto-me com esse facto.
Depois do baque inicial, depois do moldares-te e do moldarem-se, depois de ultrapassada a inconstância e inconsistência dos princípios, concluo que é mais uma experiência que me enriquece e me ensina.
Porque me obrigou a ser menos preconceituosa com outras formas de estar e de viver. Não que, por vezes, as compreenda. Mas aceito-as.
E só de há pouco para cá é que aprendi a aceitar a diferença. Verdadeiramente. Ainda que sempre me considerasse muito aberta, só quando presenciamos as situações é que aprendemos a lidar com elas. E eu venho aprendendo.
Dia após dia.
Passo após passo.
"A cultura ajuda um povo

a lutar com as palavras,

em vez de o fazer com as armas."


Glugiermo Ferrero

sexta-feira, 24 de março de 2006

Este é um post enorme...

... à medida do talento daquele a quem ele é dedicado.


Ãh

"Eu não sei quem inventou essa mania e nem sei o que seria esse "ãh"
Eu só sei que eu acordei no outro dia e só ouvia todo mundo dizer ãh.
Eu nem sabia que existia essa palavra ou esse nome ou o que quer que seja ãh.
E de repente vi que toda a minha gente enfiou na sua mente o tal do ãh.
Tranquilamente fui lá na padaria e falei bom dia, responderam ãh.
Comprei um pão e fui ver televisão, só que na programação só tinha ãh.
Fui p’ró estádio assistir a um futebol e a torcida só gritava: "ãh! ãh!"
Liguei o rádio p’ra ouvir os comentários e era "ãh-ãh-ãh-ãh-ãh-ãh-ãh".
Cheguei em casa, o meu amigo me ligou, eu disse alô, ele disse ãh.
Ele me falou duma festinha recheada de gatinha, eu disse ah... hmm... Ãh!
Cheguei na festa e realmente ‘tava bom, mas o som...
Uma garota me deu mole e começamos a conversar: "ah? ãh! ãh..."
Vamos lá p’ra casa e aí ãh, perguntei se ela ãh, ela veio e "ãh"...

Por isso eu digo "ãh!"
Everybody say "ãh!"
Se todo mundo fala "ãh!", eu também quero falar... ãh...
Por isso eu digo "ãh!"
Vem dizer comigo: "ãh!"
Se todo mundo fala "ãh", então eu digo ãh... ah, sei lá!

Fui p’ra escola e esqueci a minha cola, e na prova eu respondia tudo ãh.
O professor me falou alguma coisa que eu não entendi porque não era ãh.
Voltei p’ra casa meio ãh, e o guarda me pegou com uma ãh, e falou que eu ia ãh."
Peraí, seu guarda, eu posso explicar".
- "Então explica!"
- "É que... ãh..."
E o meu pai ficou sabendo e já veio me dizendo que eu era muito ãh.
Eu disse "pai, ãh, pai, mas pai, ãh, pai..."
- "Cê tá me respondendo, meu filho?!"
- "Ô, pai, ãh!!"
Meu pai nunca me escuta e p’ra mostrar quem é que manda ainda faz aquela cara meio ãh.
Eu resolvi fazer uma banda que é p’ra ver se alguém me escuta! O nome dela é Ãh.
O nosso som é uma mistura de ãh com ãh, e a nossa postura é ãh!
Acho que vai ser o maior sucesso, mas não sei se vai ser bom fazer sucesso, que o sucesso é meio ãh.
Hoje eu já falei com um, ãh, jornalista, que na hora da entrevista perguntou:
- "Porque 'Ãh'?"
- Ah... Por que 'Ãh'? Ah, Ãh por que ãh!
Se você não entendeu, sinto muito mas ãh...
Tava tudo indo muito bem, porque eu só falava ãh, escutava ãh e pensava ãh.
Tudo como manda o figurino, as meninas e os meninos, todo mundo repetindo ãh.
Parecia muita hipocrisia, porque todo mundo repetia e nem sabia o que era "ãh".
Tão fazendo a gente de robô, só não sei quem programou.
Quando eu percebi eu disse: "ô-ôu!"
Foi aí que todo mundo olhou pra mim, só pra ver o quê que eu ia dizer.
Foi aquele olhar assim bem ãh, de quem quer ouvir um "ãh", só que aí em vez de "ãh" eu disse "be"!
Depois dessa resposta muita gente deu as costas, e até quem me adorava hoje fala que não gosta.
Eu até tentei compreender o "ãh", mas quando eu falei do "be" ninguém tentou me entender.
É porque p’ra eles é o "ãh", tem que ser o "ãh", pelo jeito vai ser ãh a vida toda.
Se você quiser saber, depois do B já vem o C, e tem o D e tem o E e com o F eu digo foi.

Por isso eu digo "ãh!"
Everybody say "ãh!"
Se todo mundo fala "ãh!", eu também quero falar "be"!

Por isso eu digo "ãh!"
Vem dizer comigo: "ãh!"
Se todo mundo fala "ãh", então eu digo foi...

Por isso eu digo "ãh!"
Everybody say "ãh!"
Se todo mundo fala "ãh!", eu também quero falar "be"!

Por isso eu digo "ãh!"
Vem dizer comigo: "ãh!"
Se todo mundo fala "ãh", então eu digo “Foda-se".

Gabriel o Pensador



quinta-feira, 23 de março de 2006

Segundo o Expresso On Line de hoje, Horácio Costa, ex-vereador socialista da Câmara Municipal de Felgueiras, disse ter enviado em 2001 cartas ao primeiro-ministro de então António Guterres, e aos ministros José Sócrates e Jorge Coelho, a denunciar a existência de um «saco azul» na referida câmara.
E eu questiono-me: Será que o partidarismo se pode sobrepôr a tudo? Será que sou uma das últimas pessoas a acreditar em princípios e valores tais como ética, justiça? Ou será que isto são apenas palavrões?
Não consigo perceber nem aceitar.
Não consigo acreditar. E já nem capacidade tenho para me surprender com estas pérolas da política nacional.
E assim se vai vivendo em Portugal...

É só para dizer que:


Hoje, qualquer post

que eu escreva

vai a AZUL.

Vá-se lá saber

porquê!! :)

quarta-feira, 22 de março de 2006

Fantástico!!!

Oito e quarenta e cinco da manhã. Saio de casa para trabalhar. Já em cima da hora. Ponho o carro a trabalhar e lá vou eu. Vou? Não, não vou. Tenho um pneu completamente vazio. Bonito... E agora? Reparo, pelo canto do olho, nos trolhas que estão a fazer obras na casa da vizinho. Dirijo-me a eles bem de mansinho.
O que penso: Será que alguém me pode mudar um pneu porque eu não o sei fazer?
O que digo: - Bom dia. Será que alguém me pode dar uma ajuda a mudar um pneu?
O que um trolha pensa: Mulheres... enfim...
O que diz: - Concerteza, menina, é p'ra já!

E lá vamos, eu e o trolha, para junto do meu carro. Enquanto ele me muda o pneu eu vou observando. Tento, com isto, dar um certo apoio moral. Porque estava a sentir-me mal ali parada a olhar para o homem, mas o que podia fazer? Não sei mudar um pneu. Acho mesmo que nem teria força para desapertar os parafusos.
Finalmente ele termina.
O que penso: Que sorte!!! Se não estava aqui ninguém não sei como me iria safar!!
O que digo: - Obrigada. Muito obrigada. Mesmo... (esta parte também a pensei verdadeiramente).
O que o trolha pensa: Vai lá à tua vida... Enfim, mulheres... Compram um carro mas só sabem conduzi-lo!! E mal...
O que diz: - Não tem de quê, menina. Sempre às ordens!!

Moral da história: Nunca mais digo a ninguém para se calar com as bocas à trolha (pelo menos enquanto me lembrar)...

terça-feira, 21 de março de 2006

?

- E o que pensas fazer?
- Não sei, estou tão confuso... Durante a noite acordo com estas dúvidas a rondarem-me tal como espectros indesejados... Penso nas consequências de tudo!! Como é que vai ser isto se fizer assim? O que vai acontecer se não o fizer? Aaahhhh, não sei, não sei... Gostava de dormir muito e, quando acordasse, tudo estaria resolvido...
- E achas que era a forma certa de resolver os teus problemas? A tua vida? Gostavas de acordar e aperceberes-te que estavas pronto para morrer? Gostavas de acordar e de te aperceber que não viveste? Terias assim todos os problemas resolvidos...
- Eu sei, tens razão... Mas é difícil enfrentar as coisas de frente!!
- Conheces outra forma de o fazer? E se não racionalizasses tanto? Não digo para não seres responsável. Não digo para não amadureceres as ideias. Mas porque é que contigo tem de ser tudo tão certinho, tão milimetricamente programado? Além disso, acho que já te deves ter apercebido que o caminho não é recto como o tentas desenhar...
- Hhuummm...
- Não tentes contrariar-me. Sabes que é assim! Ufa, a tua vida deve ser uma seca!! Já pensaste em começar a viver por favor??? TENS 37 ANOS!!! O QUE ESPERAS?
- Saber como começar...

segunda-feira, 20 de março de 2006

Amigos gays VII

Só um amigo gay se senta comigo por entre as minhas bijuterias para escolhermos o que vou usar.

Só um amigo gay se lembra de me trazer um pacote de Pringles porque reparou que têm menos 1/3 de gordura do que as normais. :)

A banda sonora do fim de semana

foi-me proporcionada pelo

sempre excelente

Jamiroquai!!!

Não-existências *

Queria poder entrar em ti. Não para te conduzir pelo meu caminho, mas para te ajudar a caminhares pelo teu.
Ou queria que fosses eu. Que me entrasses na mente e descobrisses como caminharia no teu lugar.
Porque, no fundo, somos iguais. Desmedidamente iguais nas nossas diferenças.
Ou ainda diferentes na nossa unidade.
É difícil explicá-lo. Mas também não preciso, dirias-mo tu. Porque sabemos, sentimos tão presentemente como o ar que respiramos, que não há definição. Porque o que é indefinível não tem de ser definido.
Está em mim, em ti, e isso basta-nos.
Queria poder entrar em ti.

*Ou: Para ti, M.

quinta-feira, 16 de março de 2006

Hoje sinto-me especialmente feliz porque...


quem eu amo se sente especialmente feliz...



«“Aguenta como um homem", diz-lhe o patrão insensível. Em vez disso, ela reage como um ser humano e luta para vencer.»

North Country - Terra Fria baseia-se na história real do primeiro caso de assédio sexual que venceu nos tribunais dos Estados Unidos. A fórmula do filme não é nova mas, quanto a mim, resulta bastante bem. É, basicamente, uma história de muita coragem e de muita força, que me levou a reflectir sobre o ser e o parecer, que me levou a chorar e a sorrir.

Charlize Theron e Frances McDormand voltam a mostrar porque é que são duas actrizes maiores.

quarta-feira, 15 de março de 2006

És brisa que acaricia o meu rosto

em murmúrios de desejo...

Partilha, querida, sentida...

Beijo-te em doces fôlegos de querer...

E perdemo-nos... achamo-nos em nós...

terça-feira, 14 de março de 2006

Dúvidas existenciais III

Porque é que sempre que entro num qualquer compartimento de um qualquer lugar (para mim desconhecido), e que contenha mais do que um interruptor, carrego sempre em primeiro lugar no errado e só à segunda é que consigo acender a luz?

Balada de un Soldado

Madre, anoche en las trincheras
Entre el fuego y la metralla
Vi un enemigo correr
La noche estaba cerada,
La apunté con mi fusil
Y al tiempo que disparaba
Una luz iluminó
El rostro que yo mataba
Clavó su mirada en mi
Con sus ojos ya vacios
Madre, sabes quien maté?
Aquél soldado enemigo
Era mi amigo José
Compañero de la escuela
Con quien tanto yo jugué
De soldados y trincheras

Hoy el fuego era verdad
Y mi amigo ya se entierra
Madre, yo quiero morir
Estoy harto de esta guerra
Y si vuelvo a escribir
Talvez lo haga del cielo
Donde encontraré a José
Y jugaremos de nuevo
Madre, sabes quien maté?
Aquél soldado enemigo
Era mi amigo José
Compañero de la escuela
Con quien tanto yo jugué
De soldados y trincheras

Madre, sabes quien maté?
Aquél soldado enemigo
Era mi amigo José

Mafalda Veiga

sábado, 11 de março de 2006

Walk The Line

Ainda não vi os outros filmes oscarizáveis mas o Joaquin Phoenix está fenomenal no papel de Johnny Cash...

Para não me esquecer...

Descubro que, afinal, há pessoas que se mantêm fiéis a si mesmas.
Como é bom encontrar amigos quase já esquecidos pela velocidade dos dias e reencontrar a memória quase já perdida. Como é bom descobrir que continuas igual a ti, igual a mim. Porque a "adultização" traz, não raras vezes, uma faculdade de venda de si próprio. Com a opção de esquecimento de quem, tão vincadamente, se foi. E como isso me entristece...
Por isso, gostei de te reencontrar. Lembrar-me de como és fiel ao que sempre foste, lembrar-me da tua honestidade e da tua humanidade para com os outros. Lembrar-me que lutas permanentemente contigo em virtude do que pensas ser o melhor. Para ti e para os outros. Lembrar-me de que, ao contrário de muitos outros casos, continuamos a ter o que conversar. E que conversamos verdadeiramente, não deixamos apenas palavras a flutuar sem norte no ar.
Lembrei-me que continuas a ser o meu amigo da escola.
Lembrei-me de nunca mais me esquecer que quero que sejas sempre o meu amigo da escola.

sexta-feira, 10 de março de 2006

Não dizem que o Natal é quando o Homem quiser?

Então para mim hoje é Natal!
Vá lá, comecem a dar-me as prendinhas...

quarta-feira, 8 de março de 2006

"O que é uma grande vida
senão um pensamento da juventude
realizado pela idade madura?"

Alfred de Vigny

Aero-portas

Tenho-me apercebido de que me sinto verdadeiramente estúpida quando passo naquelas portas (das quais não sei a designação técnica) que existem nos locais de embarque dos aeroportos. Aquelas que estão escoltadas por seguranças (mulheres, para o meu caso) preparadíssimas a apalpar-nos.
E isto acontece-me porque no momento exacto em que passo pelas ditas cujas não sei que expressão fazer. Nunca levo nada de ilícito que me leve a ter preocupações de outra ordem. Assim, a tendência é fazer uma expressão descontraída, porque estou realmente descontraída!! Mas é uma expressão forçada de descontracção por não ser natural. É tão estranha sensação de não-eu que tenho naquele momento...
E depois há ainda aquelas situações em que o raio do apito começa a tocar. E lá vem a segurança apalpar-me!! E as pessoas em teu redor começam-te a olhar de soslaio a perguntar-se: Será que vão encontrar um explosivo que ela iria fazer explodir no meu voo? E então, olho para essas pessoas ainda mais de soslaio a aniquilá-las com o pensamento e a perguntar: O que foi, nunca viram?
Além disso, acho que esta é uma sensação por que todas as pessoas que nada têm a temer sentem num momento desses. E pronto, já me sinto mais descansada porque andava com isto entalado desde a minha última viagem.

Dia Internacional da Mulher

Uma em cada três

mulheres portuguesas

é vítima de

violência doméstica.

sexta-feira, 3 de março de 2006

Dúvidas existenciais II

Porque é que sou tão curiosa?

Dúvidas existenciais I


Porque é que sou tão teimosa?

Coisas


Leva qualquer eu a meu dia
Dá-me paz, eu só quero estar bem
Foi só mais um quarto, uma cama
No meu sonho era tudo o que eu queria

Quando alguém deixar de viver aqui
Espera que ao voltar seja para ti
Nada vai ser fácil
Nunca foi
Quando alguém deixar de te dar amor
Pensa que há quem viva do teu calor
Hoje é só um dia
E vai voltar amanhã
E não foi assim que o tempo nos fez
E fez assim com todos nós
E não foi assim que a razão nos amou
E fez assim com todos nós
São coisas
São só coisas

Se uma voz nos diz que é viver em vão
P’ra que raio fiz eu esta canção
E se o fim é certo
Eu quero estar cá amanhã
E não foi assim que o tempo nos fez
E fez assim com todos nós
E não foi assim que a razão nos amou
E fez assim com todos nós
São coisas
São só coisas
Eu estou bem
Quase tão bem
Vê como é bom voltar a dizer
Eu estou bem
Quase tão bem
Vê como é bom voltar a dizer
Eu estou bem
Quase tão bem
Vê como é bom voltar a dizer
Eu estou quase a viver

Ornatos Violeta


Acordei com o teu cheiro de mar. Senti-te a pele, nua, contra a minha. Observei-te na doçura do teu sono. Senti-te o cheiro como que a procurar a causa das coisas. Há quem diga que as pessoas se podem querer pelo cheiro. Eu acredito. Pousei a cabeça no teu peito enquanto me dava a estas considerações. E deixei-me adormecer neste lento despertar...

Acordaste com o meu cheiro de sol. Sentiste-me o cabelo, nu, a repousar em ti. Observaste-me em carícias de olhar. Tocaste-me a pele como que a confirmar que sou real. Há quem diga que as pessoas se podem apaixonar com um olhar. Tu acreditas. Beijaste-me enquanto tecias estas imprecisões. E acordaste-me neste suave amanhecer...

quarta-feira, 1 de março de 2006

O dia seguinte

Pois é, pois é... Lá se passou mais um Carnaval, do qual resolvo fazer uma análise (mais ou menos séria, mais ou menos a brincar):

O que gostei:
- Andar fantasiada de cantora pimba pindérica (Amei!!!)
- Descobrir que os mortos já usam piercings
- Confirmar que "O Segredo de Brokeback Mountain" anda a abrir mentalidades
- Dançar, dançar, dançar
- Meter-me com toda a gente

O que não gostei:
- Do Carnaval brasileiro-sem ideias-português
- Das pessoas sem sentido de humor (que nem mesmo no Carnaval sabem brincar)
- Do samba repetido ao insuportável
- Da ressaca (aaiii)

SALDO: POSITIVO

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2006

Passagens

"Éramos levianos por militância, sobretudo as raparigas. Para acabar de vez com o fúnebre baptismo erótico dos rapazes da nossa geração, que ainda se processava em casas de passe, deitávamo-nos com eles ao fim dessas longas madrugadas em que mudávamos o mundo. Lembro-me de pensar, às vezes, a meio do acto: «Se é isto a liberdade, porque é que me sinto tão triste e contrariada? Porque é que não recuso este hálito de que não gosto? Este corpo flácido e sem beleza?» Mas a voz doutrinal da minha consciência reprimia de imediato estas inclinações individualistas, recordando-me que os feios também têm direito aos prazeres da Terra e que eu não podia ceder aos paradigmas burgueses da comparação, e muito menos aos parâmetros estéticos que tinham estado na origem dos horrores nazis."

Inês Pedrosa in "Nas tuas mãos"
Há determinadas músicas que,

em determinados momentos,

me fazem sentir a levitar.

Entro no carro onde me levas a passear. Achas que preciso, dizes-me tu.
Fumo um cigarro. Olho a paisagem que passa por nós a 90 kms/hora. E preciso, realmente. Mas onde quero não me podes levar.
Tu, conhecendo-me bem, abandonas-me à minha quietude. Sabes-me tão bem os passos... E sabes que não me podes levar a falar. Que só o farei quando quiser.
Fumo mais um cigarro. Como se isso me enchesse o peito de ar puro que me permite começar a falar.
- Sabes o que é a solidão?
- Claro que sei o que é a solidão.
- Achas que sabes? Achas que algum dia o vais descobrir? Se nem eu própria o sei...
E tu, mudo (sabes-me tão bem os passos) deixas-me continuar.
- Sabes o que é a força? É o que me permite levantar quando necessitar. E sabes porquê? Porque a vida nos fortalece e descontrói-nos e quase nos destrói para nos fazer crescer. E neste momento sinto-me tão crescida...
Não me respondes. Porra, como me sabes tão bem os passos. Porque se falasses, nesse momento, sabias que me ias calar. E eu queria fazê-lo por mim.
Fumo um cigarro. Como se isso me ajude a encher o peito de ar. Para conseguir respirar.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2006

"Amar-se
a
si
próprio
é
o
princípio
de
um
romance
para
toda
a
vida."

Oscar Wilde

O (triste) estado puro das coisas

Desconfio sempre das pessoas que são muito solidárias com os mais desfavorecidos, que quase choram com os males do mundo, que falam destas situações como se estivessem a acontecer a si próprias mas, no entanto, ignoram (e prejudicam) aqueles que consigo lidam diariamente.
Acho que existe uma palavra muito própria para o definir: cinismo, no seu estado mais puro.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2006

Passagens

"A velocidade que domina o mundo não admite fugas à sua lei: as pessoas acasalam-se como quem une capitais para comprar por atacado sapatos de melhor qualidade que lhes permitam ganhar mais depressa as suas corridas individuais. Tu soubeste sempre honrar o nosso compromisso de aceitar o rigor absoluto da minha alma na tua. E isso que, mesmo assim contado, parecerá modernamente tão pouco, porque não é nada moderno, enche ainda de luz a minha vida, e permanecerá nas sombras do céu, para lá da banalidade da minha morte".

Inês Pedrosa in "Nas tuas mãos"

E, uma vez mais, a realidade se sobrepõe ao que almejei que ela fosse. Ah... como se já o não soubesse...
É-me tão fácil acreditar em entregas. Em pessoas, em vidas regadas a partilhas.
E é tão duro. Que a crua realidade se abata sobre o meu colorido jardim. Que cultivei, reguei, plantei com suor e mãos e sementes e terra fresca com sabor molhado.
Porque é que a vida é sempre prosa e não poesia?
Porque é que me sinto ultrajada, enganada, usada?
E porque é que, não obstante, continuo a acreditar?

terça-feira, 21 de fevereiro de 2006

Como se perde uma óptima oportunidade para estar calado * **

* Ou: Já que muito se tem falado na liberdade de expressão, aqui está um exemplo em que a mesma poderia ser suprimida


** Ou ainda: A entrevista (possível) da revista Sábado a Nuno Serras Pereira, padre franciscano, que afirmou recentemente que a homossexualidade é uma doença


"Conhece algum médico ou cientista qualificado que apoie esta sua tese? É uma doença de que foro? Tem tratamento?
Conheço muitos nos Estados Unidos e na Europa. Por exemplo, o professor Gerard Van Den Aardweg. Este psicólogo e psicanalista defende que a atracção pelo mesmo sexo é um sintoma de uma neurose de complexo de inferioridade. E esta neurose depois de resolvida faz desaparecer a atracção. O tratamento existe, por isso é que os activistas gay se insurgem tanto.
As pessoas não têm culpa e os que são recuperados dizem que sentem uma grande alegria e encontram a verdadeira identidade.

Quando diz que «a comunicação social é dominada por um poderoso lobby gay que se infiltrou também na política e na Igreja» não receia perder qualquer resquício de credibilidade?
É uma coisa comprovada, não há dúvidas sobre isso. Repare, em pouco tempo apareceram três telenovelas que tratam o tema da homossexualidade de forma positiva. Além disso, surgiu o filme norte-americano O Segredo de Brokeback Mountain e a reivindicação do casamento. Eu afirmo isto porque passo a vida a estudar este tema, assim como o da defesa da vida.

Porque rejeita a classificação de homofóbico?
Essa palavra é vazia de conteúdo. É usada para agredir em vez de argumentar e a isso não respondo. Não me deixo intimidar. E não tenho medo de pessoas do meu sexo. Defender o estilo de vida homossexual é destruir a instituição familiar."

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2006

E se, de repente...

És conduzida por um taxista que passa a viagem a falar, com requintes de um humor mórbido-negro, de vários acidentes mortais, com direito a profunda pormenorização?
Resta-te fingir que tens uma crise de tosse para que ele não perceba que não consegues parar de rir!!

(Pelo menos levou-me a momentos quase já esquecidos da juventude, em que essas supostas crises de tosse estavam sempre a acontecer).

Como é que não tive esta ideia fantástica antes?

Tudo bem. Eu sei que este tipo de ideia não é pioneiro. Já um génio a teve antes!! Mas ainda assim, proponho:

Por que não realizar um campeonato de futebol entre os No Name Boys e os Super Dragões?
Ia cá ser cada jogaço!!!

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2006

Liguei-te. E ao ouvir o que me havias dito por escrito deixei-me chorar. Primeiro caíram-me contidas a medo. Depois, ah... depois levei-as até às tuas palavras como que para eternizar a pureza do divino. Porque quando as coisas são tão simples assim, o querer tão marcado em nós, como um destino que não está escrito mas que sabemos que vai acontecer (ou estará?), posso apenas degustar, de forma lenta e determinada, a divindade do que me dás a viver.
Obrigada. Muito obrigada.

Infantilidades (*)

Ouço barulhos saídos do quarto onde, supostamente o Pedro, criança irremediavelmente irrequieta, está a dormir. Decido ir ver o que se passa. Silenciosamente aproximo-me da cama.
Ah, concerteza que os ruídos não vieram daqui. Está tão sossegado!! De qualquer forma resolvo confirmar:
- Pedro, estás a dormir?
E, com os olhos angelicamente fechados, recebo como resposta:
- Estou!
Ok, então não tenho nada a dizer...


(*) Ou É por isto também que adoro crianças

Passagens

"Aprendi a fazer amor sozinha a ver e ouvir, do lado de lá da parede, sim, mesmo ao lado do espelho do toucador, em frente à vossa cama. Os meus dedos imitavam no meu corpo o percurso dos dele sobre o teu corpo. Nunca percebera porque é que, no colégio, as freiras vinham certificar-se de que tínhamos as mãos do lado de fora do lençol antes de adormecermos.
Um dia a freira obrigou uma menina a dar-lhe a cheirar as mãos ocultas e a menina levou trinta reguadas e ficou um mês de castigo. Chorava todas as noites, duas camas depois da minha, mas nunca consegui que me contasse qua mal havia nas suas mãos. Só com o vosso amor compreendi. Aprendi a sincronizar os meus desejos e êxtases com os vossos; aprendi até, a certa altura, a provocar-vos, a atrair-vos um para o outro quando tinha vontade de me entregar à divina inconsciência do prazer."


Inês Pedrosa in "Nas tuas mãos"

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2006

Para que não nos esqueçamos...



Melhor foto sobre temas da actualidade:

«Rapaz ajuda o pai a vestir-se», Serra Leoa -

World Press Photo 2006


...Que às vezes, quando nos sentimos miseráveis,
há sempre pessoas em pior situação do que nós...

Para que não nos esqueçamos que,
acima de tudo, somos independentes.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2006

Blogo-mania III

Em vários blogs leio a expressão "blog de gaja". Mas, de facto, não sei realmente o que é que se pretende significar.
É um blog onde se fala de sentimentos? Emoções?
É um blog colorido? (Se sim, o meu é um blog tipicamente de gaja.)
É um blog onde se fala de amizades, amor e ódios, sexo e poesia?
Quais são as reais características que fazem um blog ser conotado com uma mulher?
E se tudo o que referi anteriormente é tido como um sinónimo de um blog de gaja, então não deveriam todos sê-lo? No sentido de o(a) autor(a) sentir a liberdade de escrever sobre tudo o que se sente?
E, consequentemente, não existirão por aí homens que gostariam de ter um blog de gaja, mas não o fazem graças à sua eterna e vincada masculinidade?


Alguém me explica o que é, afinal, um blog de gaja?



Por outro lado, a maioria das vezes sei
perfeitamente onde e porque estou.
E nesses dias apetece-me absorver
toda a boa energia do mundo,
e manifestar-me assim...
Num belo e intenso azul.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2006

Às vezes apetece-me perder-me.
Sem saber muito bem onde
ou porquê...
Às vezes apetece-me
esconder por entre as nuvens.
E deixar-me por lá ficar.
Assim... cinzenta.

Apanho e volto a atirar a batata quente

Regulamento:
"Cada bloguista participante tem de elencar cinco manias suas, hábitos muito pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher cinco outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do "recrutamento".
Ademais, cada participante deve reproduzir este "regulamento" no seu blogue."


Não sei se me diferenciam do comum dos mortais, mas cá vão:


1. Muito raramente uso sapatos. Prefiro as botas no Inverno e as sandálias e chinelos no Verão. Nunca esquecendo, claro, as sempre úteis sapatilhas.


2. Só como sopa se ela for (completamente) passada. Uma "marca" que me ficou (acho) desde bebé. Não consigo comer os legumes se não estiverem ralados, o que é que hei-de fazer?


3. Passo horas a jogar jogos Arcade, ou Puzzles, no telemóvel (que saudades das casas de máquinas onde me perdia na juventude a jogar Tetris, Pang, etc.).


4. Dá-me sempre vontade de fumar um cigarro antes das refeições. Bem que podia esperar um pouquinho, mas sou demasiadamente teimosa para o fazer!!


5. Não gosto de responder a questionários.



E a batata quente vai paraaaa:


- A Elentári
- A Rainha das Cores
- O Bonifaceo
- A Salomé
- A Maria

terça-feira, 7 de fevereiro de 2006


Continuamos a tratar da casca
Continuamos a moldar a casca
Continuamos a remar de costas
E a provar águas quase mortas
E a viver ruas já pisadas
E a levar pedras já usadas
Num saco meio roto
Num saco meio morto

Tentamos não manchar a casca
Para fazer brilhar a casca
Tentamos não parar de costas
Tentamos não falhar respostas
Que nunca nos vejam de fora!!
É para nós que o mundo adora
Passos de dança no chão
É para nós que os olhos olham.

Fingimos não pensar na casca
Tentamos perdoar a casca
Separamos bem e mal
Quando se inspira o real
E se queima o que é vida
Mais uma hora despida
Onde águas não escorrem
E mágoas não morrem

Para quê tirar retratos?
Para quê limpar os fatos?
Para caber na moldura
Não ligar à ruptura
Mandar calar o pó
Deixar ficar o nó
Partir mais uma corda
Expulsar mais uma nódoa

Tentamos disfarçar demónios
Por medo desviamos olhos
Por fuga apagamos fogos
Por escudos renascemos novos
Sem rasto esquecemos lábios
Altivos, rastejamos, sábios
Cada vez mais fundo
No buraco do mundo

Com força agarra-se a casca
Que é só o que nos resta
Que o mastro derreteu
Mais tudo encolheu
Quisemos testar barreiras
E construímos teias
Difíceis de romper
E aqui ficamos presos...na casca.

Casca é tempo que dói
É janela fechada que estilhaça
quando se olha para trás...

Vento é o que bate na cara
É só largar a casca!!
Não se olha para trás!

Toranja