quarta-feira, 12 de abril de 2006

A notícia do dia

O Supremo Tribunal de Justiça considerou «lícitas» e «aceitáveis» as palmadas e estaladas aplicadas por uma responsável de um lar de Setúbal a crianças com deficiências mentais.
A mulher havia sido indiciada por maus tratos, nomeadamente por dar palmadas e estaladas às crianças e por fechá-las em quartos escuros quando estas se recusavam a comer.
O Supremo Tribunal de Justiça veio dizer que fechar crianças em quartos é um castigo normal de «um bom pai de família» e que as estaladas e as palmadas, se não forem dadas, até podem configurar «negligência educacional».

Embora defendendo que algumas palmadas, nos momentos certos, podem fazer muito pela (boa) educação de uma criança, não consigo entender esta decisão do Supremo. Negligência educacional para a falta de estaladas e palmadas? Por um/a terceiro/a que não os pais?
Já se está a ver os educadores deste país a distribuirem porrada a torto e a direito. Afinal, foi o Supremo Tribunal de Justiça que os "aconselhou"...

terça-feira, 11 de abril de 2006


Ingredientes:

- Três jovens de 15 anos:
a ingénua, a intermédia e a que sabe demais
- Um professor acusado de assédio sexual

Modo de preparação:

Juntam-se todos os
ingredientes suavemente, um a um

Para o molho:

- Ambição
- Inteligência
- Religião
- Sexo
- Perversão
- Manipulação

Coloca-se tudo num tacho e deixa-se ferver lentamente. Junte-se ainda humor (um pouquinho mórbido), actualidade, e presunção.

O resultado?

Agri-doce.

Amigos gays VIII

Há dias conversava com um amigo (hetero) sobre as diferenças de relacionamento que se estabelecem entre gays e não-gays e as suas amigas.
Dizia eu que é muito diferente. Que, por exemplo, um amigo gay me mima muito mais do que um hetero. Que me prepara lanches... Que é muito mais delicado. Que me faz sentir uma princesa! O meu amigo ripostava, e bem, sobre algo que até aí nunca me havia apercebido. Dizia ele: Supõe que era um teu amigo hetero que te preparava lanches, ou que era extremamente delicado. O que é que ias pensar? Que ele queria algo mais ou que se estava descaradamente a fazer a ti!!
E nesse momento apercebi-me de que ele tinha completa razão. As diferenças de relacionamentos entre gays e não-gays e as suas amigas são estruturais, derivam da própria natureza do ser gay.

Outro facto para o qual o meu amigo hetero me chamou a atenção, no decorrer desta conversa, foi que os gays (ou a maioria deles, para não se quebrar a regra de que mesmo a excepção confirma a regra) são pessoas que estão bem na vida. Tem boas profissões, estão bem socialmente, etc., etc.
E mais uma vez lhe dei razão. Eu nunca vi um gay desempregado, ou fechado em casa por não conhecer pessoas para sair (aliás difícil é, quando se sai com um gay, ter paciência para os mil e quinhentos olás, os duzentos mini-diálogos de ocasião que ele tem com conhecidos...).
E fiquei a remoer naquilo. Porquê? Após ter vindo a maturar a dúvida, em banho-maria, acho que é porque como são pessoas que em crianças achavam que pecavam relativamente aos ditos normais (porque o termo e a relativa aceitação da homossexualidade são muito recentes), tinham de mostrar que eram capazes, e mesmo melhores do que os outros, relativamente a tudo o resto. Tem lógica, não tem? Mas é difícil ter uma certeza absoluta do que quer que seja; nestes domínios, e é-me difícil colocar-me num papel que não é o meu...

Já agora, sabiam que os gays têm a percepção de que o são desde muito cedo? Não é uma descoberta que se revele com a puberdade. Alguns dizem que o descobriram com 2, 3, 4 anos. Outros, que o souberam desde sempre.

quinta-feira, 6 de abril de 2006

Blogo-mania IV

Para o Miak

Tinha de acontecer um dia. O mentor de um blog que acompanhas diz adeus. Ou até sempre. Ou até já. E - algum dia me passaria o tal pela cabeça - sinto que uma pessoa que me é próxima (não interessa o nível ou a forma de ligação) vai partir, ou viajar ou, simplesmente se ausentar.
Senti um friozinho no coração. Pode parecer ridículo mas é o que sinto. E não o sinto como ridículo.
Até sempre.
E obrigada.

quarta-feira, 5 de abril de 2006

E poesia também é...

CANTAR CANÇÕES ESQUECIDAS

NA INFÂNCIA DO TEMPO

E SENTI-LAS COMO SE AS OUVISSE HOJE

PELA PRIMEIRA VEZ.

Poesia é...

ACORDAR COM O MAR A BATER-ME À PORTA...

E EU ABRI-LA... PARA DEIXÁ-LO ENTRAR.

Frontalidade

Quando estou bem, verdadeiramente bem, não sinto inspiração para escrever. Talvez porque estou centrada em ti... e porque gosto de me poder centrar em ti... sorver todos os pedacinhos de tempo que passam a navegar por entre ondas de entrega... Talvez porque a necessidade de me esvaziar seja menor... porque estou preenchida de coisas boas que só contigo necessito partilhar... Talvez porque sei que vou ter momentos em que essa inspiração me vai surgir tal como uma bofetada, dura, dolorosa, que sei que vou levar... E como sabes, tão bem que o sabes, que não vivo dores ou alegrias, medos ou anseios antes de com eles me confrontar realmente, agradeço esta falta de inspiração. E quase que gostaria que ela fosse eterna. Mas só quase...

sexta-feira, 31 de março de 2006

ESTOU

TÃO

PERTO

DO

CÉU...

OU DO INFERNO...


(Depende da perspectiva!)

Vambora

Entre por essa porta agora
E diga que me adora
Você tem meia hora
P'ra mudar a minha vida
Vem vambora
Que o que você demora
É o que o tempo leva

Ainda tem o seu perfume pela casa
Ainda tem você na sala
Porque meu coração dispara
Quando tem o seu cheiro
Dentro de um livro
Dentro da noite veloz

Ainda tem o seu perfume pela casa
Ainda tem você na sala
Porque meu coração dispara
Quando tem o seu cheiro
Dentro de um livro
Na cinza das horas

Adriana Calcanhoto

As coisas que se dizem/ouvem por aí!

Estava eu ontem ao balcão de uma pastelaria a lanchar, quando ouço este diálogo delicioso entre uma senhora que estava ao meu lado e o empregado:
- Ó António, de que são feitas estas sandes?
- De carne assada.
- Mas está moída?
- Não, senhora, está fatiada.
(E o rapaz pega numa sande para comprovar o que disse).
- Huumm, gostava de levá-la para a minha filha, mas não sei se ela gosta. É tão esquisita... Ó António, a Marisa alguma vez pediu uma sande destas?
- Não, a mim nunca.
Após uma pequena pausa volta a senhora à carga:
- Ó António, embrulha-me a sande. Vou levá-la para a Marisa. Vamos ver se ela gosta!! A Larocas, a nossa cadela, gosta de tudo. Agora a Marisa... é tão esquisita!!
Nesse momento não aguentei e tive de me rir... Mas a senhora não percebeu. Só o António, que me correspondeu com um disfarçado sorriso comprometido...
Ouve-se cada coisa por aí...

quinta-feira, 30 de março de 2006

Há momentos mágicos

que têm o poder de mudar o nosso dia.

O meu dia mudou.

Passagens

"Por momentos, naquelas estradas desertas, parecia que já não estava neste mundo, que se tornara uma espécie de fantasma deambulando pelos campos da Nova-Inglaterra.
E pensar que muitas vezes se queixara da sua vida: demasiado trabalho, demasiados impostos, demasiados constrangimentos...
Caraças, como fora estúpido! Nada havia mais agradável que a sua existência. Até um dia de tristeza era, mesmo assim, um dia vivido. Apercebia-se disso agora. Pena que não tivesse ganho consciência disso mais cedo."

Guillaume Musso in "E depois..."

terça-feira, 28 de março de 2006

DESLIGAR.

VOAR.

ESTAR.

SAIR.

AMAR.

VOLTAR.

QUERER.


E porque se fala de pessoas...

Passo-me com aquelas:

- Que não sabem ocupar o seu lugar;

- Que pensam ser superiores aos outros;

- Que, em sítios cheios, insistem em empurrar
porque é extremamente difícil dizer Com licença;

- Que pensam que só tendo muito dinheiro
é que poderão ser felizes (é tão mais simples);

- Que se julgam as maiores vítimas do mundo;

P.S.: Deve faltar-me qualquer coisa mas estas são, de momento, as características que me irritam mais prufundamente. E de que maneira!!!

Pessoas

Tenho conhecido muita gente. Pessoas muito diferentes entre si. Muito diferentes de mim. Pessoas que nunca imaginei conhecer por me serem tão distantes! Mas o facto é que me cruzo com elas. E embora seja um pouco complicado ver-me, de repente, rodeada de tanta gente que nunca ousei pensar, confronto-me com esse facto.
Depois do baque inicial, depois do moldares-te e do moldarem-se, depois de ultrapassada a inconstância e inconsistência dos princípios, concluo que é mais uma experiência que me enriquece e me ensina.
Porque me obrigou a ser menos preconceituosa com outras formas de estar e de viver. Não que, por vezes, as compreenda. Mas aceito-as.
E só de há pouco para cá é que aprendi a aceitar a diferença. Verdadeiramente. Ainda que sempre me considerasse muito aberta, só quando presenciamos as situações é que aprendemos a lidar com elas. E eu venho aprendendo.
Dia após dia.
Passo após passo.
"A cultura ajuda um povo

a lutar com as palavras,

em vez de o fazer com as armas."


Glugiermo Ferrero

sexta-feira, 24 de março de 2006

Este é um post enorme...

... à medida do talento daquele a quem ele é dedicado.


Ãh

"Eu não sei quem inventou essa mania e nem sei o que seria esse "ãh"
Eu só sei que eu acordei no outro dia e só ouvia todo mundo dizer ãh.
Eu nem sabia que existia essa palavra ou esse nome ou o que quer que seja ãh.
E de repente vi que toda a minha gente enfiou na sua mente o tal do ãh.
Tranquilamente fui lá na padaria e falei bom dia, responderam ãh.
Comprei um pão e fui ver televisão, só que na programação só tinha ãh.
Fui p’ró estádio assistir a um futebol e a torcida só gritava: "ãh! ãh!"
Liguei o rádio p’ra ouvir os comentários e era "ãh-ãh-ãh-ãh-ãh-ãh-ãh".
Cheguei em casa, o meu amigo me ligou, eu disse alô, ele disse ãh.
Ele me falou duma festinha recheada de gatinha, eu disse ah... hmm... Ãh!
Cheguei na festa e realmente ‘tava bom, mas o som...
Uma garota me deu mole e começamos a conversar: "ah? ãh! ãh..."
Vamos lá p’ra casa e aí ãh, perguntei se ela ãh, ela veio e "ãh"...

Por isso eu digo "ãh!"
Everybody say "ãh!"
Se todo mundo fala "ãh!", eu também quero falar... ãh...
Por isso eu digo "ãh!"
Vem dizer comigo: "ãh!"
Se todo mundo fala "ãh", então eu digo ãh... ah, sei lá!

Fui p’ra escola e esqueci a minha cola, e na prova eu respondia tudo ãh.
O professor me falou alguma coisa que eu não entendi porque não era ãh.
Voltei p’ra casa meio ãh, e o guarda me pegou com uma ãh, e falou que eu ia ãh."
Peraí, seu guarda, eu posso explicar".
- "Então explica!"
- "É que... ãh..."
E o meu pai ficou sabendo e já veio me dizendo que eu era muito ãh.
Eu disse "pai, ãh, pai, mas pai, ãh, pai..."
- "Cê tá me respondendo, meu filho?!"
- "Ô, pai, ãh!!"
Meu pai nunca me escuta e p’ra mostrar quem é que manda ainda faz aquela cara meio ãh.
Eu resolvi fazer uma banda que é p’ra ver se alguém me escuta! O nome dela é Ãh.
O nosso som é uma mistura de ãh com ãh, e a nossa postura é ãh!
Acho que vai ser o maior sucesso, mas não sei se vai ser bom fazer sucesso, que o sucesso é meio ãh.
Hoje eu já falei com um, ãh, jornalista, que na hora da entrevista perguntou:
- "Porque 'Ãh'?"
- Ah... Por que 'Ãh'? Ah, Ãh por que ãh!
Se você não entendeu, sinto muito mas ãh...
Tava tudo indo muito bem, porque eu só falava ãh, escutava ãh e pensava ãh.
Tudo como manda o figurino, as meninas e os meninos, todo mundo repetindo ãh.
Parecia muita hipocrisia, porque todo mundo repetia e nem sabia o que era "ãh".
Tão fazendo a gente de robô, só não sei quem programou.
Quando eu percebi eu disse: "ô-ôu!"
Foi aí que todo mundo olhou pra mim, só pra ver o quê que eu ia dizer.
Foi aquele olhar assim bem ãh, de quem quer ouvir um "ãh", só que aí em vez de "ãh" eu disse "be"!
Depois dessa resposta muita gente deu as costas, e até quem me adorava hoje fala que não gosta.
Eu até tentei compreender o "ãh", mas quando eu falei do "be" ninguém tentou me entender.
É porque p’ra eles é o "ãh", tem que ser o "ãh", pelo jeito vai ser ãh a vida toda.
Se você quiser saber, depois do B já vem o C, e tem o D e tem o E e com o F eu digo foi.

Por isso eu digo "ãh!"
Everybody say "ãh!"
Se todo mundo fala "ãh!", eu também quero falar "be"!

Por isso eu digo "ãh!"
Vem dizer comigo: "ãh!"
Se todo mundo fala "ãh", então eu digo foi...

Por isso eu digo "ãh!"
Everybody say "ãh!"
Se todo mundo fala "ãh!", eu também quero falar "be"!

Por isso eu digo "ãh!"
Vem dizer comigo: "ãh!"
Se todo mundo fala "ãh", então eu digo “Foda-se".

Gabriel o Pensador



quinta-feira, 23 de março de 2006

Segundo o Expresso On Line de hoje, Horácio Costa, ex-vereador socialista da Câmara Municipal de Felgueiras, disse ter enviado em 2001 cartas ao primeiro-ministro de então António Guterres, e aos ministros José Sócrates e Jorge Coelho, a denunciar a existência de um «saco azul» na referida câmara.
E eu questiono-me: Será que o partidarismo se pode sobrepôr a tudo? Será que sou uma das últimas pessoas a acreditar em princípios e valores tais como ética, justiça? Ou será que isto são apenas palavrões?
Não consigo perceber nem aceitar.
Não consigo acreditar. E já nem capacidade tenho para me surprender com estas pérolas da política nacional.
E assim se vai vivendo em Portugal...

É só para dizer que:


Hoje, qualquer post

que eu escreva

vai a AZUL.

Vá-se lá saber

porquê!! :)

quarta-feira, 22 de março de 2006

Fantástico!!!

Oito e quarenta e cinco da manhã. Saio de casa para trabalhar. Já em cima da hora. Ponho o carro a trabalhar e lá vou eu. Vou? Não, não vou. Tenho um pneu completamente vazio. Bonito... E agora? Reparo, pelo canto do olho, nos trolhas que estão a fazer obras na casa da vizinho. Dirijo-me a eles bem de mansinho.
O que penso: Será que alguém me pode mudar um pneu porque eu não o sei fazer?
O que digo: - Bom dia. Será que alguém me pode dar uma ajuda a mudar um pneu?
O que um trolha pensa: Mulheres... enfim...
O que diz: - Concerteza, menina, é p'ra já!

E lá vamos, eu e o trolha, para junto do meu carro. Enquanto ele me muda o pneu eu vou observando. Tento, com isto, dar um certo apoio moral. Porque estava a sentir-me mal ali parada a olhar para o homem, mas o que podia fazer? Não sei mudar um pneu. Acho mesmo que nem teria força para desapertar os parafusos.
Finalmente ele termina.
O que penso: Que sorte!!! Se não estava aqui ninguém não sei como me iria safar!!
O que digo: - Obrigada. Muito obrigada. Mesmo... (esta parte também a pensei verdadeiramente).
O que o trolha pensa: Vai lá à tua vida... Enfim, mulheres... Compram um carro mas só sabem conduzi-lo!! E mal...
O que diz: - Não tem de quê, menina. Sempre às ordens!!

Moral da história: Nunca mais digo a ninguém para se calar com as bocas à trolha (pelo menos enquanto me lembrar)...