Oito e quarenta e cinco da manhã. Saio de casa para trabalhar. Já em cima da hora. Ponho o carro a trabalhar e lá vou eu. Vou? Não, não vou. Tenho um pneu completamente vazio. Bonito... E agora? Reparo, pelo canto do olho, nos trolhas que estão a fazer obras na casa da vizinho. Dirijo-me a eles bem de mansinho.
O que penso: Será que alguém me pode mudar um pneu porque eu não o sei fazer?
O que digo: - Bom dia. Será que alguém me pode dar uma ajuda a mudar um pneu?
O que um trolha pensa: Mulheres... enfim...
O que diz: - Concerteza, menina, é p'ra já!
E lá vamos, eu e o trolha, para junto do meu carro. Enquanto ele me muda o pneu eu vou observando. Tento, com isto, dar um certo apoio moral. Porque estava a sentir-me mal ali parada a olhar para o homem, mas o que podia fazer? Não sei mudar um pneu. Acho mesmo que nem teria força para desapertar os parafusos.
Finalmente ele termina.
O que penso: Que sorte!!! Se não estava aqui ninguém não sei como me iria safar!!
O que digo: - Obrigada. Muito obrigada. Mesmo... (esta parte também a pensei verdadeiramente).
O que o trolha pensa: Vai lá à tua vida... Enfim, mulheres... Compram um carro mas só sabem conduzi-lo!! E mal...
O que diz: - Não tem de quê, menina. Sempre às ordens!!
Moral da história: Nunca mais digo a ninguém para se calar com as bocas à trolha (pelo menos enquanto me lembrar)...