terça-feira, 14 de março de 2006

Dúvidas existenciais III

Porque é que sempre que entro num qualquer compartimento de um qualquer lugar (para mim desconhecido), e que contenha mais do que um interruptor, carrego sempre em primeiro lugar no errado e só à segunda é que consigo acender a luz?

Balada de un Soldado

Madre, anoche en las trincheras
Entre el fuego y la metralla
Vi un enemigo correr
La noche estaba cerada,
La apunté con mi fusil
Y al tiempo que disparaba
Una luz iluminó
El rostro que yo mataba
Clavó su mirada en mi
Con sus ojos ya vacios
Madre, sabes quien maté?
Aquél soldado enemigo
Era mi amigo José
Compañero de la escuela
Con quien tanto yo jugué
De soldados y trincheras

Hoy el fuego era verdad
Y mi amigo ya se entierra
Madre, yo quiero morir
Estoy harto de esta guerra
Y si vuelvo a escribir
Talvez lo haga del cielo
Donde encontraré a José
Y jugaremos de nuevo
Madre, sabes quien maté?
Aquél soldado enemigo
Era mi amigo José
Compañero de la escuela
Con quien tanto yo jugué
De soldados y trincheras

Madre, sabes quien maté?
Aquél soldado enemigo
Era mi amigo José

Mafalda Veiga

sábado, 11 de março de 2006

Walk The Line

Ainda não vi os outros filmes oscarizáveis mas o Joaquin Phoenix está fenomenal no papel de Johnny Cash...

Para não me esquecer...

Descubro que, afinal, há pessoas que se mantêm fiéis a si mesmas.
Como é bom encontrar amigos quase já esquecidos pela velocidade dos dias e reencontrar a memória quase já perdida. Como é bom descobrir que continuas igual a ti, igual a mim. Porque a "adultização" traz, não raras vezes, uma faculdade de venda de si próprio. Com a opção de esquecimento de quem, tão vincadamente, se foi. E como isso me entristece...
Por isso, gostei de te reencontrar. Lembrar-me de como és fiel ao que sempre foste, lembrar-me da tua honestidade e da tua humanidade para com os outros. Lembrar-me que lutas permanentemente contigo em virtude do que pensas ser o melhor. Para ti e para os outros. Lembrar-me de que, ao contrário de muitos outros casos, continuamos a ter o que conversar. E que conversamos verdadeiramente, não deixamos apenas palavras a flutuar sem norte no ar.
Lembrei-me que continuas a ser o meu amigo da escola.
Lembrei-me de nunca mais me esquecer que quero que sejas sempre o meu amigo da escola.

sexta-feira, 10 de março de 2006

Não dizem que o Natal é quando o Homem quiser?

Então para mim hoje é Natal!
Vá lá, comecem a dar-me as prendinhas...

quarta-feira, 8 de março de 2006

"O que é uma grande vida
senão um pensamento da juventude
realizado pela idade madura?"

Alfred de Vigny

Aero-portas

Tenho-me apercebido de que me sinto verdadeiramente estúpida quando passo naquelas portas (das quais não sei a designação técnica) que existem nos locais de embarque dos aeroportos. Aquelas que estão escoltadas por seguranças (mulheres, para o meu caso) preparadíssimas a apalpar-nos.
E isto acontece-me porque no momento exacto em que passo pelas ditas cujas não sei que expressão fazer. Nunca levo nada de ilícito que me leve a ter preocupações de outra ordem. Assim, a tendência é fazer uma expressão descontraída, porque estou realmente descontraída!! Mas é uma expressão forçada de descontracção por não ser natural. É tão estranha sensação de não-eu que tenho naquele momento...
E depois há ainda aquelas situações em que o raio do apito começa a tocar. E lá vem a segurança apalpar-me!! E as pessoas em teu redor começam-te a olhar de soslaio a perguntar-se: Será que vão encontrar um explosivo que ela iria fazer explodir no meu voo? E então, olho para essas pessoas ainda mais de soslaio a aniquilá-las com o pensamento e a perguntar: O que foi, nunca viram?
Além disso, acho que esta é uma sensação por que todas as pessoas que nada têm a temer sentem num momento desses. E pronto, já me sinto mais descansada porque andava com isto entalado desde a minha última viagem.

Dia Internacional da Mulher

Uma em cada três

mulheres portuguesas

é vítima de

violência doméstica.

sexta-feira, 3 de março de 2006

Dúvidas existenciais II

Porque é que sou tão curiosa?

Dúvidas existenciais I


Porque é que sou tão teimosa?

Coisas


Leva qualquer eu a meu dia
Dá-me paz, eu só quero estar bem
Foi só mais um quarto, uma cama
No meu sonho era tudo o que eu queria

Quando alguém deixar de viver aqui
Espera que ao voltar seja para ti
Nada vai ser fácil
Nunca foi
Quando alguém deixar de te dar amor
Pensa que há quem viva do teu calor
Hoje é só um dia
E vai voltar amanhã
E não foi assim que o tempo nos fez
E fez assim com todos nós
E não foi assim que a razão nos amou
E fez assim com todos nós
São coisas
São só coisas

Se uma voz nos diz que é viver em vão
P’ra que raio fiz eu esta canção
E se o fim é certo
Eu quero estar cá amanhã
E não foi assim que o tempo nos fez
E fez assim com todos nós
E não foi assim que a razão nos amou
E fez assim com todos nós
São coisas
São só coisas
Eu estou bem
Quase tão bem
Vê como é bom voltar a dizer
Eu estou bem
Quase tão bem
Vê como é bom voltar a dizer
Eu estou bem
Quase tão bem
Vê como é bom voltar a dizer
Eu estou quase a viver

Ornatos Violeta


Acordei com o teu cheiro de mar. Senti-te a pele, nua, contra a minha. Observei-te na doçura do teu sono. Senti-te o cheiro como que a procurar a causa das coisas. Há quem diga que as pessoas se podem querer pelo cheiro. Eu acredito. Pousei a cabeça no teu peito enquanto me dava a estas considerações. E deixei-me adormecer neste lento despertar...

Acordaste com o meu cheiro de sol. Sentiste-me o cabelo, nu, a repousar em ti. Observaste-me em carícias de olhar. Tocaste-me a pele como que a confirmar que sou real. Há quem diga que as pessoas se podem apaixonar com um olhar. Tu acreditas. Beijaste-me enquanto tecias estas imprecisões. E acordaste-me neste suave amanhecer...

quarta-feira, 1 de março de 2006

O dia seguinte

Pois é, pois é... Lá se passou mais um Carnaval, do qual resolvo fazer uma análise (mais ou menos séria, mais ou menos a brincar):

O que gostei:
- Andar fantasiada de cantora pimba pindérica (Amei!!!)
- Descobrir que os mortos já usam piercings
- Confirmar que "O Segredo de Brokeback Mountain" anda a abrir mentalidades
- Dançar, dançar, dançar
- Meter-me com toda a gente

O que não gostei:
- Do Carnaval brasileiro-sem ideias-português
- Das pessoas sem sentido de humor (que nem mesmo no Carnaval sabem brincar)
- Do samba repetido ao insuportável
- Da ressaca (aaiii)

SALDO: POSITIVO

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2006

Passagens

"Éramos levianos por militância, sobretudo as raparigas. Para acabar de vez com o fúnebre baptismo erótico dos rapazes da nossa geração, que ainda se processava em casas de passe, deitávamo-nos com eles ao fim dessas longas madrugadas em que mudávamos o mundo. Lembro-me de pensar, às vezes, a meio do acto: «Se é isto a liberdade, porque é que me sinto tão triste e contrariada? Porque é que não recuso este hálito de que não gosto? Este corpo flácido e sem beleza?» Mas a voz doutrinal da minha consciência reprimia de imediato estas inclinações individualistas, recordando-me que os feios também têm direito aos prazeres da Terra e que eu não podia ceder aos paradigmas burgueses da comparação, e muito menos aos parâmetros estéticos que tinham estado na origem dos horrores nazis."

Inês Pedrosa in "Nas tuas mãos"
Há determinadas músicas que,

em determinados momentos,

me fazem sentir a levitar.

Entro no carro onde me levas a passear. Achas que preciso, dizes-me tu.
Fumo um cigarro. Olho a paisagem que passa por nós a 90 kms/hora. E preciso, realmente. Mas onde quero não me podes levar.
Tu, conhecendo-me bem, abandonas-me à minha quietude. Sabes-me tão bem os passos... E sabes que não me podes levar a falar. Que só o farei quando quiser.
Fumo mais um cigarro. Como se isso me enchesse o peito de ar puro que me permite começar a falar.
- Sabes o que é a solidão?
- Claro que sei o que é a solidão.
- Achas que sabes? Achas que algum dia o vais descobrir? Se nem eu própria o sei...
E tu, mudo (sabes-me tão bem os passos) deixas-me continuar.
- Sabes o que é a força? É o que me permite levantar quando necessitar. E sabes porquê? Porque a vida nos fortalece e descontrói-nos e quase nos destrói para nos fazer crescer. E neste momento sinto-me tão crescida...
Não me respondes. Porra, como me sabes tão bem os passos. Porque se falasses, nesse momento, sabias que me ias calar. E eu queria fazê-lo por mim.
Fumo um cigarro. Como se isso me ajude a encher o peito de ar. Para conseguir respirar.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2006

"Amar-se
a
si
próprio
é
o
princípio
de
um
romance
para
toda
a
vida."

Oscar Wilde

O (triste) estado puro das coisas

Desconfio sempre das pessoas que são muito solidárias com os mais desfavorecidos, que quase choram com os males do mundo, que falam destas situações como se estivessem a acontecer a si próprias mas, no entanto, ignoram (e prejudicam) aqueles que consigo lidam diariamente.
Acho que existe uma palavra muito própria para o definir: cinismo, no seu estado mais puro.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2006

Passagens

"A velocidade que domina o mundo não admite fugas à sua lei: as pessoas acasalam-se como quem une capitais para comprar por atacado sapatos de melhor qualidade que lhes permitam ganhar mais depressa as suas corridas individuais. Tu soubeste sempre honrar o nosso compromisso de aceitar o rigor absoluto da minha alma na tua. E isso que, mesmo assim contado, parecerá modernamente tão pouco, porque não é nada moderno, enche ainda de luz a minha vida, e permanecerá nas sombras do céu, para lá da banalidade da minha morte".

Inês Pedrosa in "Nas tuas mãos"

E, uma vez mais, a realidade se sobrepõe ao que almejei que ela fosse. Ah... como se já o não soubesse...
É-me tão fácil acreditar em entregas. Em pessoas, em vidas regadas a partilhas.
E é tão duro. Que a crua realidade se abata sobre o meu colorido jardim. Que cultivei, reguei, plantei com suor e mãos e sementes e terra fresca com sabor molhado.
Porque é que a vida é sempre prosa e não poesia?
Porque é que me sinto ultrajada, enganada, usada?
E porque é que, não obstante, continuo a acreditar?