quinta-feira, 12 de janeiro de 2006

O menino cigano

Conduzia. Deixei entrar uma carrinha que estava estava estacionada. E de repente, da parte traseira da carrinha, surge um menino cigano a sorrir, agradecendo.
Mas que sorriso... Que olhar doce, a transbordar esperança, vi naquele ciganito!
Comecei a sorrir-lhe e acenei-lhe.
E ele, de olhar frontal e sincero, voltou a sorrir. E acenou.
Depois a carrinha virou.
E até hoje não esqueci o sorriso bonito daquele menino cigano.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2006



Caminhante, não há caminho;

faz-se caminho ao andar."

António Machado

Será...

Será que ainda me resta tempo contigo,
ou já te levam balas de um qualquer inimigo?
Será que soube dar-te tudo o que querias,
ou deixei-me morrer lento, no lento morrer dos dias?
Será que fiz tudo que podia fazer,
ou fui mais um cobarde, não quis ver sofrer?
Será que lá longe ainda o céu é azul,
ou já o negro cinzento confunde Norte com Sul?
Será que a tua pele ainda é macia,
ou é a mão que me treme, sem ardor nem magia?
Será que ainda te posso valer,
ou já a noite descobre a dor que encobre o prazer?
Será que é de febre este fogo,
este grito cruel que da lebre faz lobo?
Será que amanhã ainda existe para ti,
ou ao ver-te nos olhos te beijei e morri?
Será que lá fora os carros passam ainda,
ou as estrelas caíram e qualquer sorte é bem-vinda?
Será que a cidade ainda está como dantes
ou cantam fantasmas e bailam gigantes?
Será que o sol se põe do lado do mar,
ou a luz que me agarra é sombra de luar?
Será que as casas cantam e as pedras do chão,
ou calou-se a montanha, rendeu-se o vulcão?
Será que sabes que hoje é Domingo,
ou os dias não passam, são anjos caindo?
Será que me consegues ouvir
ou é tempo que pedes quando tentas sorrir?
Será que sabes que te trago na voz,
que o teu mundo é o meu mundo e foi feito por nós?
Será que te lembras da cor do olhar
quando juntos a noite não quer acabar?
Será que sentes esta mão que te agarra
que te prende com a força do mar contra a barra?
Será que consegues ouvir-me dizer
que te amo tanto quanto noutro dia qualquer?
Eu sei que tu estarás sempre por mim
Não há noite sem dia, nem dia sem fim.
Eu sei que me queres, e me amas também
me desejas agora como nunca ninguém.
Não partas então, não me deixes sozinho
Vou beijar o teu chão e chorar o caminho...
Será…
Será…
Será…



Pedro Abrunhosa e os Bandemónio
Tempo

terça-feira, 10 de janeiro de 2006

Por uns momentos...



estou offline



para o mundo.

Cada vez gosto mais dos meus 30 anos

A idade nunca me fez confusão. Nunca tive preocupações com a entrada nos 30 nem sofri uma quase-depressão por causa disso, tal como aconteceu a algumas das minhas amigas. Não tenho medo de envelhecer. Não tenho medo das rugas que me irão aparecer. Não tenho medo de crescer e amadurecer.
Sinto-me antes mais serena, menos radical.
Sei que, ao contrário dos meus 18 anos, as coisas não se resumem a preto e branco.
Há uns dias esta ideia (de maior equilíbrio e aceitação) tomou mais forma na minha cabeça quando andava a limpar a casa (ossos do ofício de quem vive sozinha). Então, como estava a dizer, andava eu na lida da casa, música nas alturas saída do VH1, demasiado bem disposta para quem executa aquele tipo de tarefa, quando começo a dançar descaradamente uma canção saída da televisão. Estava a gostar tanto, a batida tão dançável, que corro para saber quem era a intérprete. Madonna!!! Madonna??? Sim. Madonna. E continuei eu a limpar e a dançar.
O meu tipo de música é o rock. Sempre o foi. Mas hoje em dia ouço muito mais coisas, fui amenizando, parando de criticar insconscientemente o gosto diferente das outras pessoas. Fui desradicalizando. E eu própria fui aprendendo a gostar de coisas que seriam impensáveis há uns anos. E não tenho vergonha de o afirmar.
E sei que isso é uma consequência da idade, do crescer.
E sabem que mais?
É bom.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2006

Amigos gays VI

Dos meus amigos, só um gay é que faz um jantar, em sua casa, para as amigas, e acende todas as velas possíveis e imaginárias.
Tivemos, assim, um quase-jantar romântico a três...

Preferia que não tivesse acontecido, mas aconteceu

Este fim de semana, numa discoteca portuguesa, passou a música do genérico do Dragon Ball ZZZ! Ughhh... Poderiam, pelo menos, ter passado o D'Artacão! Essa, pelo menos, sempre me dá para curtir!!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2006

"Viver é a coisa mais rara do mundo.

A maioria das pessoas apenas existe."

Oscar Wilde

Pois é!!!

Nada como uma bela noite de copos para me levar a confessar o que tinha rotulado como inconfessável! Não era um segredo gigante, realmente inconfessável, mas era um pequeno-delicioso-segredo quase só meu. E que, tirando agora tu (sim, és mesmo tu!!), continua quase só meu.
Mas os nossos pequenos segredos devem ser partilhados com as pessoas de que gostamos e em quem confiamos certo? Acho que a isso se chama amizade.
Por isso, fico feliz por ter partilhado esse pequeno-grande segredo contigo! Rimo-nos, depois do teu momento de grande admiração, descobrimos sintonias para além das que nos são habituais.
Tinha saudades tuas!! Sentia a tua falta. Das nossas parvoíces engraçadas. Dos nossos sorrisos. Dos sonhos juvento-infantis. Daquele momento em que começamos a deixar o álcool comandar o navio e fechamos à chave o mecânico racionalismo, esse eterno escudo de protecção. E então abraça-mo-nos, sem medo do que possam pensar. Nas tintas para o que pensam. Só a saborear a proximidade de quem se quer bem.
Fico feliz por te ter confessado o meu quase-exclusivo-pequeno-segredo.
Fico feliz por te poder escrever este texto, que agora concluo.


quinta-feira, 5 de janeiro de 2006

O meu tributo de hoje vai para...




MOBY
Porque é um excelente músico, que não pára de me surpreender.
Porque o último álbum, Hotel, continua excelente,
num registo completamente diferente dos anteriores.
Porque me leva a esperar sempre mais.

Amigos gays V

Fazer uma viagem de 2 horas com um amigo gay é duro!! É que o mesmo, ao folhear várias revistas, passou a viagem a chamar-me a atenção para as fotografias de homens presentes nas páginas de publicidade!
Passei o tempo a ouvir: "Olha p'ra este gajo. É lindo!!!", ou "Huumm, tem uns músculos...", ou " Que rabinho bem torneado!!", ou " Perdia um bocado de tempo com este homem", ou muito mais coisas que tive de ouvir e, ainda por cima, anuir, senão ainda me batia.
Coisas de gays... que nós, as amigas, temos de aturar...

quarta-feira, 4 de janeiro de 2006

Ainda há pouco

te bebia o cheiro...

E agora sinto-me nua...

terça-feira, 3 de janeiro de 2006

Sinto um aperto no coração. Por tudo o que vivi. Por tudo o que sinto. Por todo o processo que, uma vez mais, volto a percorrer. E por isso chorei. Sem que isso seja necessariamente mau. Significa apenas que as coisas mexem cá dentro. Mas não sei bem...
Chorei no banho. Como se isso disfarçasse o acto de chorar. Como se desaparecesse tão rapidamente a razão das minhas lágrimas tal como a água se esgota no ralo depois de percorrer o meu corpo.
Sinto um aperto no coração. Que fica nele somente. E que me impede de dizer o que sinto, da forma que o sinto. Porque, se o fizesse, iria fazer nascer um aperto no coração dos que fazem o meu sentir-se assim... E não o quero. Não por vergonha. Não por medo. Não por angústia. Antes por amor. Um puro, grato e eterno amor.
Sinto um aperto no coração...

segunda-feira, 2 de janeiro de 2006

EsToU qUaSe

A VoLtAr...

segunda-feira, 26 de dezembro de 2005

Pós-Natal

Gostava imenso de escrever sobre o meu Natal, divagar acerca das emoções, enfim, perder-me em considerações várias sobre o assunto!
No entanto, tenho dificuldades em estar sentada nesta cadeira frente ao monitor, devido às 1143 variedades de doçaria que tenho continuamente degustado.
Assim, ao invés, vou ali fora correr 20 kms e já volto!

A noiva cadáver II

O filme é lindo! Adorei...

quinta-feira, 22 de dezembro de 2005

O tempo que passa não passa depressa.

O que passa depressa é o tempo que passou.

Virgílio Ferreira

A noiva cadáver



Estreia hoje o novo filme de Tim Burton, a "Noiva Cadáver", que já antecipo como um dos melhores filmes do ano. Espero...
É a história de Victor, um jovem que vai parar a um mundo subterrâneo povoado por mortos, onde tem de casar com uma noiva morta!
Os "actores" principais têm a voz do eterno-actor-fétiche do realizador, Johnny Deep, e de Helena Bonham-Carter. Aliás, as semelhanças dos noivos com os actores reais são óbvias!!
Mais um grande filme deste Tim maravilha, ideal para crianças e imperdível para os adultos.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2005

HOJE O MEU CORAÇÃO

ESTÁ PREENCHIDO

POR TODAS AS CORES.

A VIDA NÃO CHEGA

Dois lírios sobre a mesa
Uma janela aberta sobre o mar
Trago em mim a certeza
De quem espera p´lo teu voltar

Um cheirinho a café
Fotografias caídas pelo chão
E no ar uma canção
Traz-me uma recordação

Tenho um poema escrito
Guardado num lugar perto do mar
Tenho o olhar no infinito
E suspiro devagar

O tempo aqui parou
Desde que te foste embora
Só a saudade ficou
Já não aguento tanta demora

Tenho tanto por dizer
Tanto por te contar
Que a vida não chega
Tenho o céu e tenho o mar
E tanto para te dar
Que a vida não chega

Tenho tanto por dizer
Tanto por te contar
Que a vida não chega
Tenho o céu e tenho o mar
E sei que vou te amar
Para a eternidade…

Viviane