Por vezes, raras vezes (como hoje), gostava de ter a cabeça formatada segundo os ditames sociais, um robot no meio de tantos outros, que comem e dormem e trabalham e dizem ámen e fodem e voltam a comer e a dormir e a trabalhar e a dizer ámen e a foder e idem aspas, aspas idem. Por vezes, raras vezes (como hoje) seria tão mais fácil assim.
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terça-feira, 27 de julho de 2010
segunda-feira, 29 de março de 2010
Há dias em que o sol brilha. Há dias em que saboreio antecipadamente surpresas muito esperadas. Há dias em que não quero largar a tua mão enquanto passeamos calmamente na rua. Há dias em que pego no carro e conduzi-lo sabe-me tão bem como se estivesse a sobrevoar uma paisagem árida e enorme num balão. Há dias em que ouço quase nada do que me rodeia (excepto música). Há dias em que repetimos insistentemente Por acajo num vistes a Sarah Connor. Há dias em que à noite se vai ao cinema. Há dias em que planeamos que roupa louca vamos usar na festa dos anos 80. Há dias que cheiram a Verão. Há dias em que escrevo enquanto devia estar a trabalhar (que se lixe!). Há dias assim.
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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Quando me apareceste à porta, assim, lavado de chuva e de lágrimas e com aquela ausência de olhar como se não estivesses cá, e me disseste, tão baixinho que as tuas palavras se confundiam com os pingos que se dissolviam no chão, ele morreu, apeteceu-me abraçar-te e embalar-te e aquecer-te com um cobertor e café a ferver.
Ele morreu, repetias tu entre soluços incontidos. E o teu olhar estava morto, tão morto quanto ele, tão escuro quanto o escuro do céu.
Não sabia o que dizer para te apaziguar as emoções. Podia, é certo, dizer meia dúzia de clichés que não deixam, por isso, de ser verdades, do género a vida é assim (e, já agora, a morte também), se calhar ele está melhor agora, encontrou a paz, é a sina de todos nós, etc. e tal. Mas não to disse. Porque se fosse comigo dir-te-ia que tudo isso é verdade mas tudo isso não me faria sentir melhor.
Ao invés, coloquei música. Calma, quase silenciosa, uma presença que não está lá.
Deixei que fechasses os olhos e chorasses a tua dor. Acariciei-te o cabelo numa cumplicidade desafectada. Acompanhei-te nessa viagem de perda e saudade do que nunca aconteceu. Passaram muitos minutos. Tempo roubado ao tempo. Olhaste-me e já encontrei vivalma dentro de ti. Despi-te e coloquei-te dentro de mim. Nesse momento a morte morreu.
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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
As notícias boas apanham-nos como se uma brisa num dia muito quente de Verão se tratasse. Acalmam-nos, rodopiam e deixam-nos com um sorriso esperançoso de que tudo vai correr bem. Melhor do que planeamos. Mais longe do que ousamos sonhar.
Sinto-me tão orgulhosa de ti, amor. Não porque alguma vez duvidasse que fosses capaz (tu sabes bem!) mas porque me contenta que possas ir mais longe, mais fundo e a mais alguém. A muitos alguéns.
Hoje sinto-o como sendo o primeiro dia do resto do nosso ano. E este ano é nosso amor. E é teu. Tão teu e tão meu e tão saborosa e egoisticamente nosso.
Hoje o dia és tu. E agrada-me ver tudo isso no teu olhar.
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terça-feira, 22 de dezembro de 2009
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
"Um beijo, afinal de contas o que é?
Um juramento feito um pouco mais de perto, uma promessa mais precisa, uma confissão que quer confirmar-se, uma letra cor-de-rosa que se põe no verbo amar.
É um segredo que substitui a boca pelo ouvido, um momento de infinito que faz um zumbido de abelha, uma comunhão com gosto de flor, uma maneira de se respirar um pouco o coração, e de se saborear, na ponta dos lábios, a alma."
In "Cyrano de Bérgerac" (Jean-Paul Rappeneau, 1989)
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sábado, 26 de setembro de 2009
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Por muito que convivamos com o tema morte parece ser impossível aceitá-la. Especialmente quando morre alguém que nos é próximo ou, no mínimo, conhecido. E isso porque nos soa sempre a injusto, a prematuro.
O Victor morreu. E deixou saudades e dor aos que com ele conviviam. Mas deixou também muitas memórias, boas e perenes.
A ele, escrevo-lhe estas palavras, já que outras não lhe pude deixar.
O Victor morreu. E deixou saudades e dor aos que com ele conviviam. Mas deixou também muitas memórias, boas e perenes.
A ele, escrevo-lhe estas palavras, já que outras não lhe pude deixar.
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sexta-feira, 31 de julho de 2009
segunda-feira, 20 de julho de 2009
sexta-feira, 22 de maio de 2009
Untitled
Há momentos, como este, em que parece que no mundo só existimos eu e tu.
Em que não importaria, sequer, se não existisse mais ninguém.
E esta ideia tem tanto de egoísta como de momentânea também. Porque não gostaria que fosse sempre assim.
Mas, se calhar, é por isso que há momentos (momentâneos e egoístas) tão intensos assim.
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