Mostrando postagens com marcador Livrolândia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Livrolândia. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Maratona de Verão












A trilogia policial Millennium, do sueco Stieg Larsson.
Quem já leu diz que é altamente viciante.
 Assim espero.

sábado, 5 de junho de 2010

Excertos


"É extraordinária a forma por que uma pequena cidade toma conta de si própria e de todas as suas unidades. Se cada homem e mulher, jovem ou criança, agir e se conduzir segundo um padrão conhecido e não ultrapassar as barreiras, se não quiser ser diferente dos outros, se não fizer experiências novas, não adoecer e não puser em perigo a tranquilidade e a paz de espírito ou o fluir incessante e ininterrupto da cidade, essa unidade pode desaparecer e nunca mais se fala dela. Mas basta um homem abandonar os conceitos normais ou os padrões conhecidos e seguros para os nervos dos cidadãos vibrarem de nervosismo e a comunicação percorrer todas as fibras nervosas da cidade. Nessa altura, cada unidade está em contacto com o todo."


John Steinbeck in "A Pérola"

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Post telegráfico


O Caim já foi.Ponto.Assim num ápice.Ponto.Gostei bastante.Ponto.
Bloqueio com Saramago ultrapassado.Ponto.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Excertos


Quando o senhor, também conhecido como deus, se apercebeu de que adão e eva, perfeitos em tudo o que apresentavam à vista, não lhes saía uma palavra da boca nem emitiam ao menos um simples som primário que fosse, teve de ficar irritado consigo mesmo, uma vez que não havia mais ninguém no jardim do éden a quem pudesse responsabilizar pela gravíssima falta, quando os outros animais, produtos, todos eles, tal como os dois humanos, do faça-se divino, uns por meio de mugidos e rugidos, outros por roncos, chilreios, assobios e cacarejos, desfrutavam já de voz própria. Num acesso de ira, surpreendente em quem tudo poderia ter solucionado com outro rápido fiat, correu para o casal e, um após outro, sem contemplações, sem meias-medidas, enfiou-lhes a língua pela garganta abaixo. Dos escritos em que, ao longo dos tempos, vieram sido consignados um pouco ao acaso os acontecimentos destas remotas épocas, quer de possível certificação canónica futura ou fruto de imaginações apócrifas e irremediavelmente heréticas, não se aclara a dúvida sobre que língua terá sido aquela, se o músculo flexível e húmido que se mexe e remexe na cavidade bucal e às vezes fora dela ou a fala, também chamada idioma, de que o senhor lamentavelmente se havia esquecido e que ignoramos qual fosse, uma vez que dela não ficou o menor vestígio, nem ao menos um coração gravado na casca de uma árvore com uma legenda sentimental, qualquer coisa do género amo-te, eva. (…)”



José Saramago inCaim

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

À terceira é de vez?


Depois de não conseguir terminar a leitura das duas obras de Saramago que comecei a ler um dia (Memorial do Convento, de 1982, e As Intermitências da Morte, de 2005) prometi-me ser esta a última tentativa de o ler (e eu até estava a gostar muito dos livros, entre o aparvalhada e o deliciada pela forma magistral como o homem escreve, mas chegava a um ponto - uma página para ser mais precisa - relativamente perto do fim, dava-se-me um bloqueio qualquer e nunca mais lhe pegava).
Entreguei-me agora ao contestado Caim (2009) e, do pouco que li, já deu para perceber que é susceptível de provocar AVC’s a quem seja fervorosamente devoto. Eu, ateia me confesso, e fã de humores irónicos e sarcásticos, tenho-me rido com verdadeira vontade.
Confiando conseguir lê-lo até ao fim (pelo menos vontade não me falta) e, espero, divertindo-me tanto quanto até aqui, pode ser desta que ultrapasse o bloqueio.
A ver vamos.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Excertos

"(...) Flitcraft é um indivíduo absolutamente convencional - um marido, um pai, um homem de negócios de sucesso, uma pessoa sem a menor razão de queixa. Certa tarde, sai para almoçar e uma viga cai de umas obras no décimo andar de um prédio e por pouco não aterra em cima da sua cabeça. Mais uns centímetros e Flitcraft teria sido esmagado, mas a verdade é que a viga não acerta nele, e, tirando um estilhaço do passeio que, sob o impacto, o atinge no rosto, Flitcraft sai do acidente perfeitamente ileso. Contudo, o facto de ter escapado à morte por um triz provoca nele um choque violento, de tal forma que não consegue deixar de pensar no caso. Como escreve Hammett: «Ele sentia-se como se alguém tivesse retirado a tampa que oculta a vida e o tivesse deixado ver toda a engrenagem». Flitcraft dá-se conta de que o mundo não é o sítio equilibrado e ordenado que pensava que era, dá-se conta de que sempre vira o mundo completamente às avessas, de que nunca compreendera nada de nada. O mundo é governado pelo acaso. O aleatório ronda a presa que nós somos, todos os dias das nossas vidas, e essas vidas podem ser-nos roubadas a qualquer momento - por razão rigorosamente nenhuma. (...)"
 


Paul Auster in "A noite do oráculo"

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Indignação



Indignação, de 2008, é o título do primeiro livro que leio de Philip Roth, mas esta é já a sua vigésima sétima obra.

Foi daqueles livros que consumi avidamente, mesmo quando já estava a cair de sono queria ler sempre um bocadinho mais, e só descansei quando o terminei.


Indignação é sobre personalidade, sobre o direito à independência do pensamento e, naturalmente, sobre liberdade. É sobre as consequências das nossas escolhas, alheias à vontade de quem escolheu. É também sobre a guerra, concretamente aquela que opôs a Coreia do Norte/URSS à Coreia do Sul/EUA em meados do século XX.


Uma obra belíssima que leva a pensar nos ses. Por exemplo, se eu não tivesse lido este livro, se calhar não desejaria ler muitos mais do autor.


sábado, 26 de setembro de 2009

Excertos

"Enquanto me juntava à fila de carros que esperavam, recordei a nossa infância na Arábia Saudita, vinte anos antes, e as revistas arbitrárias que a polícia religiosa fazia aos carros nas semanas que precediam o Natal. Que procuravam aquelas zelosas mãos? A mais pequena gota de álcool festivo, claro, mas até uma simples folha de papel de embrulho, com os seus sinistros símbolos natalícios de azevinho e hera. Eu e o Frank sentávamo-nos no banco traseiro do Chevrolet, apertando contra o peito os comboios eléctricos que só seriam embrulhados minutos antes de abrirmos as caixas enquanto o Pai discutia com os polícias no seu árabe sarcástico e profissional, perturbando a Mãe, que era muito nervosa.
Contrabando era uma actividade que tínhamos praticado desde tenra idade. Os rapazes mais velhos do Colégio Inglês de Riade falavam entre si de um intrigante e misterioso mundo de vídeos clandestinos, drogas e sexo ilícito. Mais tarde, quando regressámos a Inglaterra depois da morte da nossa mãe, percebi que aquelas pequenas conspirações tinham servido para manter juntos os expatriados britânicos, dando-lhes um sentido de comunidade. Sem as ligações e as expedições de contrabando, a Mãe teria deixado o escorregadio mundo escapar-se-lhe das mãos muito antes da trágica tarde em que subiu ao telhado do Instituto Britânico para fazer o seu curto voo até à única segurança que conseguiu encontrar."

J.G. Ballard in "Noites de Cocaína"

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Excertos

Num momento em que tanto diálogo (até que enfim!) se trava, não será péssimo encetar diálogos falhados?
- Vais à pesca?
- Não. Vou à pesca.
- Ah, pensava que ias à pesca.
é um modelo do diálogo falhado, um paradigma da incomunicação perfeita, da surdez integral. Que podem comunicar, então, os diálogos falhados para além do seu próprio falhanço? O silêncio carregado de significação de quem, por fim, não quis responder, consciente de que a resposta, muito ironicamente, estava já contida na pergunta. Enfim, teorias
.”



Alexandre O’Neill – Os diálogos falhados

(in Flama, 31 de Maio de 1974)

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Achados (1)

Comprei na FNAC, a propósito do Dia Mundial do Livro, que foi a 23 deste mês, estes livros - todos das Edições Quasi - por 9,50 Euros:

A queda da casa de Usher de Edgar Allan Poe
Histórias Eróticas de Giovanni Boccaccio
A fera na selva de Henry James
A ciganita de Miguel de Cervantes
Um embuste perfeito de Italo Svevo
A minha mulher de Anton Tchekov
O rapaz perdido de Thomas Wolfe
O sonho dum homem ridículo de Fiódor Dostoiévski
Um coração simples de Gustave Flaubert
O ingénuo de Voltaire

(Portanto, não me digam que não compram livros por eles serem caros. Mais vale assumir que não gostam de ler.)

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Passagens


"Uma da manhã, a alforreca morta de um preservativo usado flutua na sanita.
É assim que o Tyler conhece a Marla.
Levanto-me para mijar e ali, colada àquela espécie de pinturas das cavernas de porcaria nas paredes da retrete, está esta coisa.
Tens de perguntar a ti mesmo o que é que o esperma pensa.
Isto?
Isto é que é a cave vaginal?
O que é que se está a passar aqui?"


Chuck Palahniuk in "Clube de Combate"

terça-feira, 21 de abril de 2009

Passagens


"Compras mobília. Dizes a ti próprio, este é o último sofá de que vou precisar para o resto da minha vida. Compras o sofá e depois, durante um par de anos, sentes-te satisfeito porque, aconteça o que acontecer de errado, pelo menos, conseguiste resolver a problemática do sofá. Depois é o serviço de pratos certo. Depois a cama perfeita. Os cortinados. A carpete.
Depois ficas encurralado dentro do teu lindo ninho e as coisas que dantes possuías, agora possuem-te a ti."

Chuck Palahniunk in "Clube de Combate"

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Passagens

"O supervisor tinha aquele penteado em que a progressão da calvície lhe deixou apenas um tufo de cabelo redondo e isolado no cimo da testa. Avaliando por fotografias que um dia tirou da carteira, há pelo menos dez anos que o tufo continua lá. Seria um sinal de bom senso rogar a um deus abstracto que, por misericórdia, lhe levasse aquele tufo ridículo de cabelos. Mas não sei se o supervisor tinha esse sentido prático do mundo, nem sei se esse deus existia. Se não existia, não existia. O que é uma certeza é que o tufo de cabelos continuava lá, como se implorasse: rapem-me, rapem-me, rapem-me."

José Luís Peixoto in :-) e :-( - Hoje não

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Prazeres

Nunca li livros cujo início não tivesse gostado. Porque existem tantos livros, tantos bons livros, que não vale a pena perder tempo a ler aqueles com os quais não me identifico, independentemente das críticas ou de opiniões que me dizem ser determinado livro imperdível.
O problema é que, quando se lê muito (como é o caso), vamo-nos tornando muito exigentes (demasiado exigentes?), o que dificulta a tarefa maravilhosa que é ler.
Só assim se explica que o livro que agora leio seja aquele, depois de quatro tentativas consecutivas falhadas, que faço intenções de terminar.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Como?

Desconfio de pessoas que têm como autores preferidos Nicolas Sparks ou Paulo Coelho.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Passagens

"Ao fim e ao cabo, cada vida não é mais do que a soma de factos contingentes, uma crónica de intersecções casuais, de golpes de sorte, de acontecimentos aleatórios que revelam apenas a sua própria ausência de propósito."

Paul Auster in O quarto fechado - A trilogia de Nova Iorque

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Passagens

"Mas as oportunidades perdidas também fazem parte da vida como as oportunidades assumidas, e as histórias não podem viver do que poderiam ter sido."

Paul Auster in Fantasmas - A trilogia de Nova Iorque

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Passagens

"Consideremos uma palavra que se refere a um objecto: guarda-chuva, por exemplo. Quando digo a palavra «guarda-chuva», vemos o objecto na mente. Vemos uma espécie de bengala, com varas de metal que se dobram e que formam uma armação para um tecido impermeável que, quando aberto, nos protege da chuva. Este último pormenor é importante. O guarda-chuva não é apenas uma coisa, é uma coisa que exerce uma função; por outras palavras, exprime a vontade do homem. Quando paramos para pensar nisto, verificamos que todos os objectos são semelhantes ao guarda-chuva, pois também servem uma função. Um lápis serve para escrever, um sapato para o calçarmos, um automóvel para o guiarmos. E o que eu pergunto agora é o seguinte: o que acontece quando uma coisa deixa de cumprir a sua função? Ainda é a mesma coisa ou transformou-se numa coisa diferente? Quando arrancamos o tecido de um guarda-chuva, o guarda-chuva ainda é um guarda-chuva? Abrimos a armação, pomo-la sobre a cabeça e saímos para a chuva e ficamos completamente encharcados. Será que ainda podemos chamar guarda-chuva àquele objecto? De uma maneira geral, é isso o que as pessoas fazem. Quando muito, dirão que o guarda-chuva está estragado. Mas para mim isto é um erro grave, é a causa de todos os nossos problemas. Como já não pode desempenhar a sua função, o guarda-chuva deixou de ser um guarda-chuva. Pode parecer-se ainda com um guarda-chuva, pode ter sido um guarda-chuva, mas agora transformou-se noutra coisa. No entanto, a palavra empregue é a mesma. Por conseguinte, já não consegue exprimir o que é o objecto. É imprecisa, é falsa, esconde a coisa que deveria revelar. E se nem sequer conseguimos nomear um objecto comum do dia-a-dia que temos nas mãos, como é que podemos esperar falar das coisas que verdadeiramente nos preocupam? Continuaremos sempre perdidos, a não ser que comecemos a incorporar a noção de mudança nas palavras que usamos."

Paul Auster in Cidade de Vidro - A Trilogia de Nova Iorque

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Passagens

"Nova Iorque era um espaço inesgotável, um labirinto de passos intermináveis; mas independentemente da distância que percorresse, independentemente de se ter familiarizado com as vizinhanças e ruas, ficava sempre com a sensação de estar perdido. Perdido, não apenas na cidade, mas também dentro de si. Sempre que dava um passeio, sentia-se como se se deixasse a si próprio para trás e, entregando-se ao movimento das ruas, reduzido a um olho que vê, conseguia escapar à obrigação de pensar, e isto mais do que qualquer outra coisa, trazia-lhe uma certa paz, um salutar vazio interior. O mundo estava no seu exterior, à sua volta, perante si, e a velocidade com que mudava impossibilitava-o de se prender por muito tempo a uma única coisa. O movimento era a essência, o acto de pôr um pé diante do outro e seguir a errância do seu próprio corpo. Ao caminhar sem destino, todos os lugares se tornavam semelhantes deixando de ter importância o sítio onde se encontrava. Nos seus melhores passeios, conseguia atingir o sentimento de que não estava em sítio algum. E isto, afinal, era tudo o que pedira às coisas: não estar em sítio algum. Nova Iorque era esse nenhures que havia construído à sua volta, e apercebeu-se de que não tencionava abandonar aquela cidade, nunca."

Paul Auster in Cidade de Vidro - A trilogia de Nova Iorque

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Passagens

«No planeta seguinte vivia um bêbado. Foi uma visita muito curta, mas que mergulhou o principezinho numa grande melancolia.
- O que é que estás a fazer? - perguntou ele ao bêbado que foi encontrar muito calado, diante de uma colecção de garrafas vazias e uma colecção de garrafas cheias.
- Estou a beber - respondeu o bêbado, com um ar lúgubre.
- E porque é que estás a beber? - perguntou o principezinho.
- Para me esquecer - respondeu o bêbado.
- Para te esqueceres de quê? - perguntou o principezinho, que já começava a ter pena dele.
- Para me esquecer de que tenho vergonha - confessou o bêbado, baixando a cabeça.
- Vergonha de quê? - tentou informar-se o principezinho, cheio de vontade de o ajudar.
- Vergonha de beber! - concluiu o bêbado, fechando-se definitivamente no seu silêncio.
E o principezinho foi-se embora, perplexo. "Não há dúvida de que as pessoas grandes são mesmo muito esquisitas", foi o que ele foi a pensar, durante a viagem

Antoine de Saint-Exupéry in "O Principezinho"